envolvi] E-mail de compilação para desenvolvimentistas@googlegroups.com - 10 mensagens em 6 tópicos

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Feb 11, 2012, 3:53:54 AM2/11/12
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    ceci....@terra.com.br Feb 11 08:40AM  

    Foi o colapso da taxa de câmbio que causou o aumento espetacular da
    inflação...... vejam abaixo, Ceci
    COMO OS BANCOS ROMPERAM O CONTRATO SOCIAL AO PROMOVEREM OS SEUS
    INTERESSES PARTICULARES
     
    POR MICHAEL HUDSON
    _Não era previsível que os bancos fossem assim. Qual será o seu
    futuro – e qual deverá ser o papel financeiro dos governos? _
     
    A relação, inerentemente simbiótica, entre bancos e governos foi
    recentemente subvertida. Na época medieval, os banqueiros ricos
    emprestavam aos reis e aos príncípes, que eram os seus maiores
    clientes. Mas agora são os bancos que estão necessitados e
    dependentes dos governos para se aprovisionarem, como durante os
    resgates pós-2008, que os salvaram de uma falência causada pelos
    seus maus empréstimos ao sector privado e pelos jogos especulativos.
    Ainda assim, os bancos continuam a intimidar os governos – não por
    terem dinheiro em caixa, mas sob a ameaça de uma falência que
    arrastaria consigo toda a economia, caso não lhe seja dado um
    controlo completo da política fiscal, dos gastos e do planeamento
    económico público. Este processo está mais avançado nos Estados
    Unidos. Joseph Stiglitz caracterisa a enorme transferência (levada a
    cabo pela administração Obama) de dinheiro e dívida pública para
    os bancos como uma "privatização dos ganhos e uma socialização das
    perdas. É uma parceria na qual um dos parceiros rouba o outro". [1]
    [1] O Prof. Bill Black defende que os bancos se estão a tornar
    realidades de tipo criminal e a inovar no campo das fraudes ao
    controlo. [2] [2] A alta finança corrompeu as agências de
    regulação, falsificou a contabilidade através de truques de "mark
    to model" (contabilidade com base em modelos financeiros, e não no
    preço de mercado) e financiou as campanhas dos seus apoiantes para
    desactivar a fiscalização pública. O resultado foi deixar os bancos
    controlar a forma como a economia distribui o seu créditos e os seus
    recursos.
    Se algo há de positivo na actual crise da dívida, é que ela torna
    impossível a manutenção da presente situação e das suas
    tendências. Portanto, ela não é apenas uma oportunidade para
    reestruturar o sector bancário; tal reestruturação não é uma
    escolha, mas uma necessidade. A questão premente é a de saber quem
    controlará a economia: os governos ou o sector financeiros e os
    monopólios aos quais se aliaram?
    Felizmente não será necessário reinventar a roda. Há mais de um
    século que o perfil de um sistema bancário industrial produtivo é
    bem conhecido. Mas os recentes lobbis bancários obtiveram um enorme
    sucesso em desviar as atenções das análises clássicas acerca de
    como construir um sistema fiscal e financeiro capaz de promover o
    crescimento económico – através de controlo público aos
    privilégios dos bancos.
    COMO OS BANCOS ROMPERAM O CONTRATO SOCIAL AO PROMOVEREM OS SEUS
    INTERESSES PARTICULARES
    Outrora, as actividades dos bancos eram conhecidas de todos. Os
    bancos recebiam depósitos e emprestavam-nos, pagando menos ao
    depositantes do que cobravam em juros por empréstimos de risco ou com
    pouca liquidez. O risco era suportado pelos banqueiros, e não pelos
    depositantes, nem pelo governo. Hoje em dia, trata-se cada vez mais de
    emprestar quantias irresponsáveis a especuladores que as usam para
    actividades comercias de curto prazo. As crises financeiras
    aprofundaram-se e começaram a afectar camadas mais amplas da
    população à medida que a pirâmide da dívida disparou e que a
    qualidade do crédito se afundou até à categoria tóxica do
    "empréstimo trapaceiro".
    O primeiro passo no sentido da actual dependência mútua entre a
    alta finança e os governos foi dado quando os bancos centrais
    começaram a funcionar como último recurso de crédito, de forma a
    mitigar as crises de liquidez que resultavam dos privilégios detidos
    pelos bancos em termos de criação de crédito. A seu tempo, os
    governos começaram também a assegurar os depósitos, por
    reconhecerem, no contexto de um crescente ímpeto da Revolução
    Industrial, a importância de mobilizar e transformar as poupanças em
    investimento de capital. Em troca deste apoio, os governos regularam
    os bancos como um serviço público.
    Com o passar do tempo, os bancos procuraram sempre anular esta
    vigilância reguladora, ao ponto de descriminalizar a fraude.
    Patrocinando um ataque ideológico aos governos, acusaram as
    burocracias públicas de "distorcer" os mercados livres (entenda-se,
    mercados livres de comportamentos predatórios). Neste momento, o
    sector financeiro procura controlar o planeamento económico.
    O problema é que o tempo financeiro está estruturado a curto prazo
    e é frequentemente auto-destrutivo. Na medida em que o produto do
    sistema bancário é dívida, o plano empresarial por ele orientado
    tende a ser predatório, com grandes custos para as economias. É por
    isso que são necessários pesos e contrapesos, bem como vigilância
    regulatória, para garantir a justeza dos negócios. O desmantelamento
    das tentativas públicas de orientar a banca no sentido da promoção
    do crescimento económico (e não apenas no sentido de enriquecer os
    banqueiros) permitiu aos bancos transformarem-se em algo que ninguém
    previa. Os seus maiores clientes são outras instituições
    financeiras, seguradoras e imobiliárias – e não empresas
    industriais. A alavancagem da dívida por parte do sector imobiliário
    e dos monopólios, de especuladores de arbitragem cambial, _hedge
    funds _e _corporate raiders _inflaciona os preços dos activos de
    crédito. O resultado desta criação de "riqueza contabilística" é
    a sobrecarga da economia real (produção e consumo) com dívida e
    impostos relacionados, aumentando o custo de vida e os custos
    empresariais numa proporção superior à diminuição dos custos de
    produção conseguidos pelo aumento da produtividade.
    Desde 2008, os resgates públicos têm eliminado os maus empréstimos
    da contabilidade do bancos, com elevadíssimos custos para os
    contribuintes – cerca de 13 mil milhões de dólares nos Estados
    Unidos, e ainda mais, proporcionalmente, na Irlanda e nas economias
    que estão agora sujeitas à austeridade para pagar a desregulação
    do "mercado livre". Os banqueiros têm a economia refém, ameaçando
    com um crash monetário caso deixem de ter injecções de liquidez,
    empréstimos dos bancos centrais quase a custo zero, hipotecas ou
    outras garantias necessárias aos seus jogos de casino. A política
    que daí resulta torna os governos demasiado fracos para ripostar.
    O processo que começou com o apoio por parte dos bancos centrais
    tornou-se assim numa estrutura de amplas garantias governamentais
    contra a insolvência dos bancos. Os maiores bancos concederam tantos
    empréstimos irresponsáveis que estão neste momento completamente
    dependentes dos estados. No entanto, tornaram-se suficientemente
    poderosos para fazerem o poder legislativo agir apenas em seu
    benefício. Os media e mesmo alguns teóricos economistas foram
    mobilizados para se apresentarem como especialistas, numa tentativa de
    convencer a opinião pública de que a política financeira deve ser
    deixada nas mãos de burocratas – escolhidos pelos bancos, como se
    nenhuma política alternativa restasse aos governos senão subsidiar
    almoços grátis financeiros e coroar os banqueiros como monarcas da
    sociedade.
    A Economia da Bolha e a sua consequente austeridade não teriam
    existido sem o sucesso obtido pelo sector financeiro no
    enfraquecimento da regulação pública e no aprisionamento dos
    tesouros nacionais, sucesso que se estende ao ponto de tornar
    inoperante a aplicação da lei. Os governos devem render-se a esta
    tomada do poder? Se não o fizerem, quem deverá suportar o peso das
    perdas acumuladas por um sistema financeiro que se tornou
    disfuncional? Se os contribuintes tiverem de pagar, a economia
    tornar-se-á dispendiosa e perderá competitividade – e a oligarquia
    financeira reinará.
    O ACTUAL DILEMA DA DíVIDA
    Dantes, o fim do jogo consistia em cancelar parcialmente _(write
    down) _as dívidas incobráveis. Isto significava perdas para os
    bancos e para os investidores. Mas hoje em dia, o montante da dívida
    geral está estabilizado – através da transferência das dívidas
    incobráveis da contabilidade dos bancos para uma dívida pública,
    que os contribuintes têm de pagar para salvar os bancos e os seus
    credores das perdas. Os governos dão aos bancos obrigações acabadas
    de cunhar ou crédito nos bancos centrais em troca de hipotecas
    tóxicas e apostas falhadas – tudo isto sem qualquer
    reestruturação do sistema financeiro no sentido de criar uma
    economia mais estável e menos conduzida pela dívida. A premissa é
    que estes resgates permitirão aos bancos voltar a emprestar o
    suficiente para permitir à economia voltar a crescer e pagar as suas
    dívidas.
    Adivinhando o futuro, os banqueiros estão a ficar com o máximo de
    dinheiro dos planos de resgate e a usá-lo para comprar rapidamente a
    maior quantidade de propriedades tangíveis e direitos de propriedade
    que podem, enquanto os seus lobistas mantêm abertas as torneiras dos
    subsídios públicos.
    A ideia é de que as economias estranguladas pela dívida podem
    retomar o seu crescimento normal pedindo emprestado o suficiente para
    saírem da dívida. Mas um quarto do património imobiliário
    norte-americano é já capital líquido negativo – ou seja, vale
    menos que as hipotecas que lhe estão associadas – e o mercado das
    propriedades continua a encolher, e por isso os bancos não emprestam
    a menos que tenham garantias da Administração Federal que lhes
    garantam a cobertura de qualquer perda que possam sofrer. De qualquer
    forma, é já matematicamente impossível suportar o montante geral da
    dívida actual sem impor medidas de austeridade, conduzindo à
    deflação e à depressão.
    Não era assim que se esperava que os bancos evoluíssem. Se os
    governos têm de garantir os empréstimos bancários, então também
    podem emprestar directamente – e receber os juros. Efectivamente,
    desde 2008 que o crash da economia sobre-endividada levou os governos
    a tornarem-se os maiores accionistas dos maiores e mais ameaçados
    bancos – Citybank nos Estados Unidos, o Banco da Irlanda e o Royal
    Bank of Scotland na Grã-Bretanha. E ainda assim, em vez de aproveitar
    a oportunidade para gerir estes bancos como serviços públicos e
    diminuir as taxas sobre o serviços dos cartões de crédito – e,
    sobretudo, parar de emprestar a especuladores – os governos deixam
    estes bancos ser parte de um "capitalismo de casino" que se tornou o
    seu plano empresarial.
    Não há nenhuma razão natural para que as coisas sejam assim. As
    relações entre os bancos e os governos costumavam funcionar ao
    contrário. Em 1303, o rei Filipe IV de França ("O Justo") deu o tom,
    ao confiscar os bens dos Templários, prendendo-os e matando muitos
    deles – não por crimes financeiros, mas acusando-os de adorar o
    diabo e de práticas sexuais satânicas. Em 1344, o banco Peruzzi
    faliu, seguido pelo Bardi, por fazer empréstimos sem garantias a
    Eduardo III de Inglaterra e a outros monarcas que morreram ou não
    pagaram. Muitos bancos desde aí tiveram que suportar perdas
    originadas por empréstimos imobiliários ou especulativos que nunca
    foram pagos.
    De forma oposta, os actuais governos dos EUA, da Grã-Bretanha e da
    Letónia transferem as perdas dos bancos para os seus orçamentos
    nacionais, impondo uma pesada carga aos seus contribuintes –
    enquanto deixam os banqueiros ficar com a riqueza. Esta troca de
    "dinheiro por lixo" transformou a crise das hipotecas e o colapso
    geral da dívida num problema fiscal. Ao transferir as novas dívidas
    públicas de resgate para a economia não-financeira, arriscamo-nos a
    aumentar o custo de vida e os custos empresariais. Este é o resultado
    da incapacidade da economia distinguir dívidas e empréstimos
    produtivos e improdutivos. Isto ajuda também a explicar porque é que
    as nações sofrem hoje em dia com a austeridade e a servidão da
    dívida, em vez de desfrutarem do aprazível crescimento económico
    que os optimistas tecnológicos lhes prometiam há um século atrás.
    Voltamos assim ao problema inicial: qual deve ser o papel dos bancos?
    Esta questão foi exaustivamente discutida nos anos que antecederam a
    1ª Guerra Mundial. Hoje em dia, reveste-se de uma ainda maior
    urgência.
    COMO OS ECONOMISTAS CLáSSICOS PROCURARAM MODERNIZAR OS BANCOS PARA
    OS TORNAR AGENTES DO CAPITALISMO INDUSTRIAL
    A Grã-Bretanha foi o berço da Revolução Industrial, mas raros
    foram os empréstimos financeiros a longo prazo a serem investidos em
    fábricas ou outros meios de produção. Os bancos comerciais ingleses
    e holandeses tendiam a emprestar a curto-prazo e com base em
    contrapartidas, tais como mercadorias ou contratos de vendas de
    mercadorias ("recebíveis"). Estes financiamentos comerciais obtiveram
    um sucesso suficiente para permitir aos banqueiros manter as antigas
    práticas de financiamento a curto prazo durante a época da
    Revolução Industrial. Isto significa que James Watt e os outros
    inventores não tiveram outra alternativa senão angariar fundos de
    investimento junto da sua família e amigos, na impossibilidade de os
    pedir emprestados aos bancos.
    Foram os franceses e os alemães que levaram a banca para a fase
    industrial, de modo a permitir às suas nações igualarem o
    desenvolvimento das potências industriais. Em França, os
    saint-simonianos sublinhavam a necessidade de criar um sistema de
    crédito industrial destinado a financiar meios de produção. Com
    efeito, eles propuseram uma reestruturação da banca segundo
    princípios próximos dos do mutualismo. Esta reestruturação teve
    início com o Crédit Mobilier, fundado em 1852 pelos irmãos
    Péreire. O seu objectivo era fazer a banca passar do financiamento de
    dívida contra juros a empréstimos equitativos pelos quais receberia
    dividendos, dividendos esses que poderiam crescer ou diminuir de
    acordo com o sucesso do negócio do devedor. Dando margem aos
    empresários para diminuir os dividendos quando as vendas e os lucros
    diminuírem, os acordos de partilha de lucros evitavam o problema dos
    juros a serem pagos aconteça o que acontecer. Se um pagamento de
    juros falha, o devedor pode ser forçado a declarar falência e os
    credores podem executar a dívida. Foi para evitar este benefício
    sistemático dos credores, independente da capacidade do devedor pagar
    a sua dívida, que Mohammed proibiu a usura na lei islâmica.
    Atraindo para a sua causa reformadores de vários campos
    político-sociais, desde socialistas a banqueiros de investimento, os
    saint-simonianos conseguiram o apoio do governo durante o II Império
    francês. A sua abordagem inspirou tanto Marx como os industrialistas
    alemães e os proteccionistas americanos e ingleses. O denominador
    comum a este vasto leque era o reconhecimento da necessidade de um
    sistema bancário eficiente para financiar a indústria da qual
    dependiam o estado e o poder militar.
    A ALEMANHA DESENVOLVE UM SISTEMA BANCáRIO INDUSTRIAL
    Foi na Alemanha que o financiamento a longo prazo encontrou a sua
    máxima expressão, com o Reichsbank e os outros bancos industriais,
    que formavam, juntamente com a indústria e o governo, a "santa
    trindade" do "socialismo de estado" de Bismarck. Os bancos alemães
    fizeram o que tinham de fazer de forma extremamente virtuosa. Enquanto
    os bancos britânicos "extraiam a maior parte dos seus fundos dos
    depósitos", e os dirigiam para o financiamento comercial, o que
    obrigava as empresas domésticas a financiar os novos investimentos
    com os seus próprios ganhos, na Alemanha "a falta de

     

    clipping-...@googlegroups.com Feb 11 03:54AM  

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    Resumo do tópico de hoje
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    - VALOR / seleta [1 atualização]
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    - FINANCIAL TIMES / seleta [1 atualização]
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    - ECB / wp / Roberto A. De Santis : THE EURO AREA SOVEREIGN DEBT CRISIS [1 atualização]
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    - SANTANDER / Perspectiva Semanal [1 atualização]
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    - BRASIL ECONOMICO / seleta [1 atualização]
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    - VALOR / O homem que se reinventou (Delfim Netto) [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-do-arthur/t/137106493f6e51bd
    - ESTADAO / seleta [1 atualização]
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    - SANTANDER / Strictly Macro: Tight labor markets in Latin America: Help wanted [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-do-arthur/t/2f61c477b0d50b54
    - FOLHA / seleta [1 atualização]
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    - BRADESCO - BOLETIM DIÁRIO MATINAL - "Banco Central faz ajuste técnico nos compulsórios sobre recursos a prazo, tornando medida anterior mais gradual" [1 atualização]
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    - envolvi] E-mail de compilação para desenvolv...@googlegroups.com - 14 mensagens em 8 tópicos [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-do-arthur/t/79ef4b79c7d87156
     
     
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    Tópico: Clipping de Esquerda E-mail de compilação para clipping-d...@googlegroups.com - 4 mensagens em 4 tópicos
    URL: http://groups.google.com/group/clipping-do-arthur/t/cd954305f575b140
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    ---------- 1 de 1 ----------
    De: clipping-d...@googlegroups.com
    Data: Feb 11 02:17AM
    URL: http://groups.google.com/group/clipping-do-arthur/msg/927ebdb247fc23e5
     
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    Resumo do tópico de hoje
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    Grupo: clipping-d...@googlegroups.com
    URL: http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/topics
     
    - Dica de leitura : "Claude Lévy-Strauss : O Poeta no Laboratório", de Patrick Wilcken, Editora Objetiva) - uma trajetória intelectual do grande antropólogo francês [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/28242496cca448f5
    - FORUM PERMANENTE TVC Rio+20 / Prêmio / Ilê Aiyê e mais... [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/deb220f84f051dd5
    - [Cubadebate] Boletín de noticias del 2012-02-08: Qui 09/02/12 04:00 [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/c0c86addf8b3eda3
    - [FNRP.informa] Sábado 11 de febrero: ¡Lanzamiento del FRP - LIBRE! [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/85fd78806bac2f76
     
     
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    Tópico: Dica de leitura : "Claude Lévy-Strauss : O Poeta no Laboratório", de Patrick Wilcken, Editora Objetiva) - uma trajetória intelectual do grande antropólogo francês
    URL: http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/28242496cca448f5
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    ---------- 1 de 1 ----------
    De: "Mauricio David" <mauric...@terra.com.br>
    Data: Feb 10 08:57PM -0200
    URL: http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/msg/7b2567fad73f55b7
     
    O mitólogo
    Artista manqué e manipulador de narrativas, Lévi-Strauss foi um grande escritor na arte da retórica
     
    por Perry Anderson
     
    ·
     
    O antropólogo mais famoso do século XX poderia intimidar qualquer candidato a biógrafo. Claude Lévi-Strauss, que morreu há dois anos, negava que sua pessoa tivesse qualquer interesse. Dizia que lembrava pouco de seu passado e tinha a sensação de que não havia escrito os próprios livros. Segundo suas palavras, ele era apenas uma "encruzilhada passiva" onde "coisas aconteciam": "Eu nunca tive, e ainda não tenho, a percepção de sentir minha identidade pessoal. Eu me vejo como o lugar onde alguma coisa está acontecendo, mas não existe um 'eu'."
     
    Essas afirmativas tampouco eram meras confissões pessoais. Seu sistema intelectual baseava-se numa rejeição radical da significação do sujeito e até mesmo de sua realidade. Essa dupla barreira seria obstáculo suficiente para uma biografia. Mas há outro obstáculo, ainda mais difícil: paradoxalmente, Lévi-Strauss é também autor de um livro de memórias, Tristes Trópicos, uma obra-prima literária incontestável, na qual ele definiu as experiências que considerava decisivas de sua vida. Quem poderia fazer melhor? Com certeza, nenhum cronista convencional. Na cultura francesa, onde há muito tempo a arte da biografia é notoriamente fraca, a única tentativa de traçar um retrato de corpo inteiro do antropólogo, feita por Denis Bertholet em 2003, é testemunho suficiente dessa deficiência.
     
    Patrick Wilcken desafiou todas as dificuldades. Claude Lévi-Strauss: O Poeta no Laboratório, publicado pela editora Objetiva, é ao mesmo tempo uma biografia e um estudo crítico do pensador do mais alto nível. Gracioso e vívido como narrativa, é também um modelo de apreciação intelectual. Livre tanto do impulso reverencial como da tentação de desmascarar, Wilcken produziu um relato maravilhosamente tranquilo e lúcido da vida e do pensamento de seu biografado.
     

     
    história que ele conta pode ser dividida em cinco partes. Nascido em 1908, filho de um pintor - que logo ficou démodé- e apreciador de música, Lévi-Strauss foi um socialista militante em sua juventude. Atraído pelas artes, formou-se em filosofia numa época de fermento vanguardista e ausência de fronteiras disciplinares rígidas. Seu primeiro artigo publicado foi sobre Babeuf, o precursor do comunismo, e sua dissertação, sobre o marxismo. Aos 26 anos, era professor de um liceu provincial quando lhe ofereceram subitamente a oportunidade de se juntar a um pequeno grupo de estudiosos franceses, do qual fazia parte Fernand Braudel, que iria dar aulas na recém-fundada Universidade de São Paulo. O patrono deste convite foi seu ex-orientador, o sociólogo Célestin Bouglé, colaborador de Émile Durkheim, e a matéria que escolheu para lecionar em São Paulo foi sociologia.
     
    Mais tarde, ele iniciaria Tristes Trópicos, com as célebres palavras: "Odeio as viagens e os exploradores." Mas isso era pura provocação. Entediado e inquieto na França, como muitos intelectuais de sua geração (André Malraux e Paul Nizan já tinham feito seus nomes com façanhas no exterior), Lévi-Strauss confessou honestamente em entrevista a Didier Eribon: "Eu estava em um estado de excitação intelectual intensa. Sentia-me revivendo as aventuras dos primeiros viajantes do século XVI. Por minha conta, descobria o Novo Mundo. Tudo me parecia fabuloso: as paisagens, os animais, as plantas."
     

     
    Nesse ponto, Wilcken, autor de um belo estudo sobre a corte portuguesa no Rio de Janeiro, tem a enorme vantagem de ter um conhecimento profundo do país em que Lévi-Strauss desembarcou. Pela primeira vez, a experiência que o transformou em antropólogo é contextualizada de forma mais adequada. Na França, a sociologia de Durkheim, e depois a de Mauss, tratava indiferentemente de sociedades modernas e "primitivas" - isto é, pré-letradas -, de um modo que o trabalho de mentalidade mais histórica de Weber ou Sombart na Alemanha não se permitia. A etnologia era mais um campo frouxo da sociologia do que uma disciplina distinta. Desse modo, o estudo de tribos locais era, em certo sentido, o caminho óbvio para Lévi-Strauss, se ele quisesse capitalizar seu tempo no Brasil para avançar sua carreira na França. Também se sentia atraídopelas artes - não demorou para que ele e sua esposa passassem a frequentar a roda em torno de Mário de Andrade, poeta líder do Brasil modernista, de quem o casal se tornou amigo - e alimentava ambições políticas - embora indiferentes à cena local, onde um levante comunista explodiu após sua chegada e uma ditadura modelada nos regimes de Salazar e Mussolini se instalou não muito tempo depois. Em 1936, quando a Frente Popular chegou ao poder na França, ele ficou decepcionado por não ser chamado pelo Ministério socialista. Foi então que decidiu abandonar a ideia de uma carreira política. A exploração etnográfica do interior do Brasil tornou-se a alternativa.
     

     
    inte anos mais tarde, com a publicação de Tristes Trópicos, as incursões aos kadiwéu, bororo e nambikwara se tornaram lendárias. A reconstrução meticulosa que Wilcken faz dessas incursões, objetiva mas nunca insensível, mostra a realidade. Pelos padrões contemporâneos, foram visitas breves, itinerantes, que envolveram tanto um trabalho de conjectura quanto de pesquisa de campo, num sentido moderno. Pouco familiarizado com o português, Lévi-Strauss não conhecia nenhuma língua indígena e não passou muito tempo com qualquer dos grupos nativos que encontrou. Tampouco sua expedição principal, em 1938, teve alguma semelhança com a peregrinação solitária implicitamente sugerida por seu livro de memórias. Nas palavras de Wilcken:
     
    Quando o grupo e os equipamentos foram finalmente reunidos em campos dos arredores de Cuiabá, os animais de carga, as caixas, os sacos e as selas, os homens barbudos de calções folgados de algodão e botas de couro pareciam mais uma feira ambulante de interior do que uma expedição científica. Nas páginas de Tristes Trópicos, esse grande elenco de apoio muitas vezes desaparece no fundo da cena. Na realidade, a expedição da serra do Norte estava tão longe do padrão etnográfico de Malinowski - o solitário do início do século xx que aprendia meticulosamente a língua local e mergulhava em sua cultura - quanto possível. Em contraste com a jornada conradiana aos extremos da humanidade, na maior parte do tempo, o séquito de Lévi-Strauss era mais numeroso do que os nativos que ele tentava estudar.
     
    Mas o tom de Wilcken não é reprovador. Quaisquer que sejam suas falhas, a expedição não foi somente complicada e perigosa, mas produtiva, fornecendo a Lévi-Strauss uma quantidade de hipóteses imaginativas que lhe seriam muito úteis quando chegou ao seu verdadeiro campo de pesquisa, milhares de quilômetros longe dos arbustos ou da selva.
     
    De volta à França na primavera de 1939, com 30 anos recém-completados e o cérebro ainda ocupado com o que tinha visto, estava tão despolitizado que não percebeu a iminência da guerra na Europa, nem se deu conta das realidades da vitória nazista e do governo colaboracionista de Vichy: em 1940, tentou - e felizmente não conseguiu - voltar para a Paris ocupada como professor, quando os judeus já estavam em risco. Demitido pelo regime de Pétain, teve o visto de regresso ao Brasil negado, mas conseguiu um convite da New School for Social Research de Nova York, e (ajudado pelas conexões de uma tia rica nos Estados Unidos) partiu de Marselha em um navio onde estavam, entre outros refugiados, André Breton e Victor Serge, aventura retratada em um dos episódios mais saborosos de Tristes Trópicos. Ao chegar finalmente a Nova York, Manhattan foi, nas palavras de Wilcken, mais do que o Mato Grosso, "seu verdadeiro choque cultural".
     
    Ali, em meio a uma comunidade de expatriados franceses bem maior do que a de São Paulo, ele se incorporou ao ambiente vanguardista dos surrealistas - Max Ernst, Yves Tanguy, André Masson, Roberto Matta, para não falar do próprio Breton - para os quais a antropologia e a psicanálise eram as chaves para as fontes inconscientes da existência. Ele havia pintado quando menino; no Brasil, começara a escrever uma peça no espírito de Corneille; na França, iniciara um romance no estilo de Conrad. Em Nova York, desistiu dessas ambições, mas aprendeu a investir a sensibilidade que estava por trás delas (agora moduladas pelo novo cenário: "Os surrealistas enriqueceram e refinaram meu gosto estético") em formas que seriam discursivas, em vez de criativas.
     

     
    mudança decisiva, no entanto, veio de duas outras direções: o encontro com a riqueza empírica da etnologia americana, em grande parte reunida por Franz Boas, que ainda estava vivo em Nova York, e as perspectivas teóricas do círculo linguístico de Praga, trazidas para a América por Roman Jakobson, que se tornou seu amigo íntimo. Nada disso era conhecido na França. Enquanto dominava a primeira na Biblioteca Pública de Nova York, Lévi-Strauss absorvia a segunda, que passou a ser a estrutura fundamental de seu pensamento a partir de então.
     
    Cerca de sete anos mais tarde - era então adido cultural francês, instalado numa mansão da Quinta Avenida - sua fusão das duas rendeu As Estruturas Elementares do Parentesco, publicado logo após seu retorno a Paris, em 1948. Nesse enorme compêndio, que procurava sistematizar em um conjunto de padrões inter-relacionados uma vasta gama de sistemas de matrimônio do mundo pré-letrado conhecido, ele sustentava que o tabu do incesto era um universal antropológico que marcava a ruptura entre a natureza e a cultura que tornava possível a sociedade humana. Embora nem todos os achados sobre os quais o livro se baseava fossem corretos, e nem todas as suas interpretações fossem sempre confiáveis, nada como as Estruturas Elementares havia sido tentado antes. Nas palavras de Wilcken: "Sua originalidade, a firmeza de suas afirmações, o senso de uma reorientação teórica há muito tempo necessária fizeram dele um ponto de referência de seu tempo."
     

     
    A maior parte dessa obra talvez fosse impenetravelmente técnica, mas sua tese central era de fácil compreensão, por incrível que pareça. Demoraria algumas décadas para que sua premissa básica se mostrasse errada: historicamente, não houve proibição universal do incesto e algumas sociedades, como a Pérsia e os Egito antigos, até mesmo o fruíam.
     
    Quando Estruturas Elementares foi publicado, Lévi-Strauss ainda era, do ponto de vista acadêmico, um estranho na França. O livro ganhou fortuna

     

    "Roberto na UOL" <roberto...@uol.com.br> Feb 10 10:13PM -0200  

    Marcio;
     

     
    É preciso discutir com bases reais. É preciso debater a questão entre
    privatização e concessão privada baseado no que ocorre HOJE no país, e não
    num referencial teórico. As nossas agências, supostamente feitas à imagem e
    semelhança das americanas, são ridículas. As agências americanas têm mais de
    100 anos e empregam mais de 100.000 funcionários. A ANEEL, do setor elétrico
    tem um pouco mais de 300 funcionários para regular e fiscalizar um país
    continental! Com diretores indicados politicamente!!! A legislação das
    public utilities americana é de 1935 (Public Utilities Holding Company Act).
    São anos de experiência! Ao contrário do que muitos pensam, a maioria dos
    estados americanos são regidos por essa legislação, que nada têm a ver com
    “mercado”. Um caso como o dos bueiros explosivos, ocorrendo nos Estados
    Unidos, seriam tratados da seguinte maneira: Confiabilidade menor? Tarifa
    rebaixada! É lei! Você já viu alguma coisa semelhante ser adotada aqui? Nem
    vai ver porque a legislação não é clara quanto ao que significa o que se
    está vendendo. A ANEEL não tem nenhum medidor próprio que possa ser
    instalado na rede para medir a qualidade do serviço.
     
    Estamos muito longe de ter um paradigma legal para o serviço público e
    contar com uma institucionalidade capaz de lidar com essa singularidade.
     
    Claro que nem tudo pode ser explorado por estatais. Nunca defendi isso. Mas
    a performance dessas concessionárias privadas são piores do que as estatais.
    Compare a LIGHT e a COPEL, por exemplo. Nesse debate não se pode deixar de
    se relacionar a crescente e proposital deterioração das empresas públicas
    com o que está ocorrendo.
     
    Acho que perdemos a noção do quão bizarras são essas “experiências”
    brasileiras. Falo pelo meu setor. Nenhum país com a singularidade brasileira
    se meteu numa alteração de princípios, de legislação e institucional tão
    rápida como a que foi feita aqui. A Inglaterra levou 15 anos para fazer a
    reforma de seu setor elétrico e, recentemente, volta a reformar muita coisa.
     
     
    Insisto que, dadas as nossas esquisitices, é mais lucrativo ser
    concessionário do que dono do ativo no Brasil.
     

     
    Roberto Araujo
     

     

     

     
    De: desenvolv...@googlegroups.com
    [mailto:desenvolv...@googlegroups.com] Em nome de Márcio Oliveira
    Enviada em: sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 13:54
    Para: desenvolv...@googlegroups.com
    Assunto: Re: envolvi] Sobre a privataria tucana e petista...
     

     
    Roberto, creio que nessa lista todos concordam que um dos principais
    problemas do Brasil tem sido a falta de rigor do poder concedente em relação
    aos concessionários. E é compreensível a frustração com o PT por não ter se
    empenhado em reverter essa situação. Claro que a hora é conveniente para
    bater nas contradições petistas. Mas isso não quer dizer que todo serviço
    público deva necessariamente ser prestado por empresas 100% estatais, certo?
    Creio que são discussões diferentes. Sinceramente, não tenho opinião formada
    sobre esse caso específico dos aeroportos. Só acho que precisamos evitar a
    tentação de acreditar que empresas 100% estatais são a salvação para todos
    os problemas. Alguém aqui disse isso? Não. Mas se aceitamos que algumas
    atividades podem ser executadas por entes total ou parcialmente privados,
    precisamos debater que atividades são essas e quais são os termos aceitáveis
    para que a concessão seja de interesse público.
     
     
     
     
    Em 10 de fevereiro de 2012 13:50, Rodrigo Medeiros <medro...@gmail.com>
    escreveu:
     
     
    Lula critica privatizações no Brasil:
     
     
    <http://youtu.be/8SxPCuRFFHE> http://youtu.be/8SxPCuRFFHE
     

     
    2012/2/10 Celso Evaristo Silva . <oslec...@globo.com>
     
    Prezada Ceci
     

     
    Se vc diz não dispor todos os dados necessários para fazer uma avaliação
    precisa sobre as concessões
    nem ter feito todos os cálculos, vc também está discutindo em tese. E, em
    tese, continuo entendendo ser uma concessão diferente sim de uma
    privavização, pois, naquela não existe alienação total e definitiva do bem
    ou serviçõ concedido.
     

     
    ab
     

     
    Celso
     
    Em 10 de fevereiro de 2012 13:31, <ceci....@terra.com.br> escreveu:
     

     
     
    Concordo plenamente com vc, Roberto. As pessoas vem discutindo mais com
    teses do que com exemplos reais. Enxugando gelo....
     
    No preço anunciado da concessão, por exemplo, o que se fazia, nos anos 1990,
    era somar valor da concessão com valor do arrendamento. Fizeram isto com as
    ferrovias. Algumas foram cedidas a preço inferior ao de uma franquia do
    MacDonald's.
     
    O valor da concessão, que é o que o Estado recebe imediatamente, era em
    geral de 5% do preço total. O resto era preço de arrendamento dos bens
    imóveis e móveis, aluguel anual, por um prazo de 30 ou 40 anos.
     
    No caso dos aeroportos, quando se divide 95% dos 24,5 bilhões, por 30 anos e
    por tres aeroportos, temos um valor médio anual de 258,6 milhoes,
    correspondente ao aluguel de cada aeroporto. Falei em 95% porque retirei 5%
    como valor da concessão.
     
    Se, como penso, 258,6 milhões é o valor médio de aluguel anual de cada
    aeroporto, dividindo por 12 temos o valor médio mensal = 21,55 milhões.
    Se é muito ou pouco não sei. Precisaria fazer outros calculos e precisaria
    de dados de que não disponho
     
    Abraço,. Ceci
     
     
     
     
     
    > -------------------------
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    > Atualizado em 05/09/2011
     
     
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    "Márcio Oliveira" <gime...@gmail.com> Feb 10 10:46PM -0200  

    De acordo, Roberto. Como disse, nao tenho opiniao formada sobre essas
    conceçoes de aeroportos. Se tivessemos alguem na lista q entendesse do
    setor teriamos aqui um belo debate. Enquanto isso, podemos avançar no
    distinçao de quais setores devem ser o foco de empresas 100% estatais. Pra
    mim: bancos, energia, transporte urbano, farmacos. O restante, incluindo
    aeroportos, eclusas, portos, ferrovias, rodovias, coleta de lixo etc. por
    mim podem ser concedidos a empresas privadas sob coordenaçao estatal.
    Educacao e saude gratuitos com os mais bem remunerados profissionais,
    deixando para os privados as escolhas religiosas e nao prioritarias. Eh uma
    questao de foco.
    Em 10/02/2012 22:13, "Roberto na UOL" <roberto...@uol.com.br>
    escreveu:

     

    Flavio Tavares de Lyra <lyra....@gmail.com> Feb 10 11:19PM -0200  

    Caro Atenágoras:
    Existe diferença. O que é concedido é o direito de exploração a uma
    empresa a ser criada da qual participam o setor privado (com o
    comando) e a Infraero. Uma vez terminada, o prazo da concessão, as
    instalações já existentes e as novas retornam ao Estado. A nova
    empresas não pode transferir (venda) o patrimônio a outras empresas,
    como ocorre com uma empresa privada comum. Trata-se na realidade da
    constituição de uma " joint venture" entre o Estado e o Setor Privado
    destinada a ampliar as instalações e a explorar a prestação de
    serviços aeroportuários, por um prazo determinado. A concessão poderá
    ser sustada em caso de não cumprimento das cláusulas contratuais pela
    nova empresa e o patrimônio devolvido ao Estado.
     
    Um abraço.
    Flavio

     

    Samuel Gomes <professo...@gmail.com> Feb 11 12:43AM -0200  

    Prezados
     
    Que tal analisarmos um caso concreto? As ferrovias foram privatizadas no
    governo FHC. Foram concessionadas à iniciativa privada. Nada foi vendido.
    Foram transferidos bens operacionais e não operacionais e a concessão
    propriamente dita. Fixou-se preço para a concessão e para o uso dos bens
    operacionais. E criou-se - cinco anos depois, é verdade - a agência
    reguladora, ANTT. Deu no que deu. Não adiante dizer que o Estado pode
    retomar o serviço se ele não estiver aparelhado para isso. A realidade é
    que o Estado fica refém do capital, que passa a gerir as próprias agências,
    como é o caso da ANTT. A maior parte da malha destruída, com financiamento
    do BNDES e participação dos fundos de pensão.
     
    Abraço
     
    Samuel
     
     
    Em 10 de fevereiro de 2012 12:15, Celso Evaristo Silva . <
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    clipping-d...@googlegroups.com Feb 11 02:17AM  

    =============================================================================
    Resumo do tópico de hoje
    =============================================================================
     
    Grupo: clipping-d...@googlegroups.com
    URL: http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/topics
     
    - Dica de leitura : "Claude Lévy-Strauss : O Poeta no Laboratório", de Patrick Wilcken, Editora Objetiva) - uma trajetória intelectual do grande antropólogo francês [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/28242496cca448f5
    - FORUM PERMANENTE TVC Rio+20 / Prêmio / Ilê Aiyê e mais... [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/deb220f84f051dd5
    - [Cubadebate] Boletín de noticias del 2012-02-08: Qui 09/02/12 04:00 [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/c0c86addf8b3eda3
    - [FNRP.informa] Sábado 11 de febrero: ¡Lanzamiento del FRP - LIBRE! [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/85fd78806bac2f76
     
     
    =============================================================================
    Tópico: Dica de leitura : "Claude Lévy-Strauss : O Poeta no Laboratório", de Patrick Wilcken, Editora Objetiva) - uma trajetória intelectual do grande antropólogo francês
    URL: http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/28242496cca448f5
    =============================================================================
     
    ---------- 1 de 1 ----------
    De: "Mauricio David" <mauric...@terra.com.br>
    Data: Feb 10 08:57PM -0200
    URL: http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/msg/7b2567fad73f55b7
     
    O mitólogo
    Artista manqué e manipulador de narrativas, Lévi-Strauss foi um grande escritor na arte da retórica
     
    por Perry Anderson
     
    ·
     
    O antropólogo mais famoso do século XX poderia intimidar qualquer candidato a biógrafo. Claude Lévi-Strauss, que morreu há dois anos, negava que sua pessoa tivesse qualquer interesse. Dizia que lembrava pouco de seu passado e tinha a sensação de que não havia escrito os próprios livros. Segundo suas palavras, ele era apenas uma "encruzilhada passiva" onde "coisas aconteciam": "Eu nunca tive, e ainda não tenho, a percepção de sentir minha identidade pessoal. Eu me vejo como o lugar onde alguma coisa está acontecendo, mas não existe um 'eu'."
     
    Essas afirmativas tampouco eram meras confissões pessoais. Seu sistema intelectual baseava-se numa rejeição radical da significação do sujeito e até mesmo de sua realidade. Essa dupla barreira seria obstáculo suficiente para uma biografia. Mas há outro obstáculo, ainda mais difícil: paradoxalmente, Lévi-Strauss é também autor de um livro de memórias, Tristes Trópicos, uma obra-prima literária incontestável, na qual ele definiu as experiências que considerava decisivas de sua vida. Quem poderia fazer melhor? Com certeza, nenhum cronista convencional. Na cultura francesa, onde há muito tempo a arte da biografia é notoriamente fraca, a única tentativa de traçar um retrato de corpo inteiro do antropólogo, feita por Denis Bertholet em 2003, é testemunho suficiente dessa deficiência.
     
    Patrick Wilcken desafiou todas as dificuldades. Claude Lévi-Strauss: O Poeta no Laboratório, publicado pela editora Objetiva, é ao mesmo tempo uma biografia e um estudo crítico do pensador do mais alto nível. Gracioso e vívido como narrativa, é também um modelo de apreciação intelectual. Livre tanto do impulso reverencial como da tentação de desmascarar, Wilcken produziu um relato maravilhosamente tranquilo e lúcido da vida e do pensamento de seu biografado.
     

     
    história que ele conta pode ser dividida em cinco partes. Nascido em 1908, filho de um pintor - que logo ficou démodé- e apreciador de música, Lévi-Strauss foi um socialista militante em sua juventude. Atraído pelas artes, formou-se em filosofia numa época de fermento vanguardista e ausência de fronteiras disciplinares rígidas. Seu primeiro artigo publicado foi sobre Babeuf, o precursor do comunismo, e sua dissertação, sobre o marxismo. Aos 26 anos, era professor de um liceu provincial quando lhe ofereceram subitamente a oportunidade de se juntar a um pequeno grupo de estudiosos franceses, do qual fazia parte Fernand Braudel, que iria dar aulas na recém-fundada Universidade de São Paulo. O patrono deste convite foi seu ex-orientador, o sociólogo Célestin Bouglé, colaborador de Émile Durkheim, e a matéria que escolheu para lecionar em São Paulo foi sociologia.
     
    Mais tarde, ele iniciaria Tristes Trópicos, com as célebres palavras: "Odeio as viagens e os exploradores." Mas isso era pura provocação. Entediado e inquieto na França, como muitos intelectuais de sua geração (André Malraux e Paul Nizan já tinham feito seus nomes com façanhas no exterior), Lévi-Strauss confessou honestamente em entrevista a Didier Eribon: "Eu estava em um estado de excitação intelectual intensa. Sentia-me revivendo as aventuras dos primeiros viajantes do século XVI. Por minha conta, descobria o Novo Mundo. Tudo me parecia fabuloso: as paisagens, os animais, as plantas."
     

     
    Nesse ponto, Wilcken, autor de um belo estudo sobre a corte portuguesa no Rio de Janeiro, tem a enorme vantagem de ter um conhecimento profundo do país em que Lévi-Strauss desembarcou. Pela primeira vez, a experiência que o transformou em antropólogo é contextualizada de forma mais adequada. Na França, a sociologia de Durkheim, e depois a de Mauss, tratava indiferentemente de sociedades modernas e "primitivas" - isto é, pré-letradas -, de um modo que o trabalho de mentalidade mais histórica de Weber ou Sombart na Alemanha não se permitia. A etnologia era mais um campo frouxo da sociologia do que uma disciplina distinta. Desse modo, o estudo de tribos locais era, em certo sentido, o caminho óbvio para Lévi-Strauss, se ele quisesse capitalizar seu tempo no Brasil para avançar sua carreira na França. Também se sentia atraídopelas artes - não demorou para que ele e sua esposa passassem a frequentar a roda em torno de Mário de Andrade, poeta líder do Brasil modernista, de quem o casal se tornou amigo - e alimentava ambições políticas - embora indiferentes à cena local, onde um levante comunista explodiu após sua chegada e uma ditadura modelada nos regimes de Salazar e Mussolini se instalou não muito tempo depois. Em 1936, quando a Frente Popular chegou ao poder na França, ele ficou decepcionado por não ser chamado pelo Ministério socialista. Foi então que decidiu abandonar a ideia de uma carreira política. A exploração etnográfica do interior do Brasil tornou-se a alternativa.
     

     
    inte anos mais tarde, com a publicação de Tristes Trópicos, as incursões aos kadiwéu, bororo e nambikwara se tornaram lendárias. A reconstrução meticulosa que Wilcken faz dessas incursões, objetiva mas nunca insensível, mostra a realidade. Pelos padrões contemporâneos, foram visitas breves, itinerantes, que envolveram tanto um trabalho de conjectura quanto de pesquisa de campo, num sentido moderno. Pouco familiarizado com o português, Lévi-Strauss não conhecia nenhuma língua indígena e não passou muito tempo com qualquer dos grupos nativos que encontrou. Tampouco sua expedição principal, em 1938, teve alguma semelhança com a peregrinação solitária implicitamente sugerida por seu livro de memórias. Nas palavras de Wilcken:
     
    Quando o grupo e os equipamentos foram finalmente reunidos em campos dos arredores de Cuiabá, os animais de carga, as caixas, os sacos e as selas, os homens barbudos de calções folgados de algodão e botas de couro pareciam mais uma feira ambulante de interior do que uma expedição científica. Nas páginas de Tristes Trópicos, esse grande elenco de apoio muitas vezes desaparece no fundo da cena. Na realidade, a expedição da serra do Norte estava tão longe do padrão etnográfico de Malinowski - o solitário do início do século xx que aprendia meticulosamente a língua local e mergulhava em sua cultura - quanto possível. Em contraste com a jornada conradiana aos extremos da humanidade, na maior parte do tempo, o séquito de Lévi-Strauss era mais numeroso do que os nativos que ele tentava estudar.
     
    Mas o tom de Wilcken não é reprovador. Quaisquer que sejam suas falhas, a expedição não foi somente complicada e perigosa, mas produtiva, fornecendo a Lévi-Strauss uma quantidade de hipóteses imaginativas que lhe seriam muito úteis quando chegou ao seu verdadeiro campo de pesquisa, milhares de quilômetros longe dos arbustos ou da selva.
     
    De volta à França na primavera de 1939, com 30 anos recém-completados e o cérebro ainda ocupado com o que tinha visto, estava tão despolitizado que não percebeu a iminência da guerra na Europa, nem se deu conta das realidades da vitória nazista e do governo colaboracionista de Vichy: em 1940, tentou - e felizmente não conseguiu - voltar para a Paris ocupada como professor, quando os judeus já estavam em risco. Demitido pelo regime de Pétain, teve o visto de regresso ao Brasil negado, mas conseguiu um convite da New School for Social Research de Nova York, e (ajudado pelas conexões de uma tia rica nos Estados Unidos) partiu de Marselha em um navio onde estavam, entre outros refugiados, André Breton e Victor Serge, aventura retratada em um dos episódios mais saborosos de Tristes Trópicos. Ao chegar finalmente a Nova York, Manhattan foi, nas palavras de Wilcken, mais do que o Mato Grosso, "seu verdadeiro choque cultural".
     
    Ali, em meio a uma comunidade de expatriados franceses bem maior do que a de São Paulo, ele se incorporou ao ambiente vanguardista dos surrealistas - Max Ernst, Yves Tanguy, André Masson, Roberto Matta, para não falar do próprio Breton - para os quais a antropologia e a psicanálise eram as chaves para as fontes inconscientes da existência. Ele havia pintado quando menino; no Brasil, começara a escrever uma peça no espírito de Corneille; na França, iniciara um romance no estilo de Conrad. Em Nova York, desistiu dessas ambições, mas aprendeu a investir a sensibilidade que estava por trás delas (agora moduladas pelo novo cenário: "Os surrealistas enriqueceram e refinaram meu gosto estético") em formas que seriam discursivas, em vez de criativas.
     

     
    mudança decisiva, no entanto, veio de duas outras direções: o encontro com a riqueza empírica da etnologia americana, em grande parte reunida por Franz Boas, que ainda estava vivo em Nova York, e as perspectivas teóricas do círculo linguístico de Praga, trazidas para a América por Roman Jakobson, que se tornou seu amigo íntimo. Nada disso era conhecido na França. Enquanto dominava a primeira na Biblioteca Pública de Nova York, Lévi-Strauss absorvia a segunda, que passou a ser a estrutura fundamental de seu pensamento a partir de então.
     
    Cerca de sete anos mais tarde - era então adido cultural francês, instalado numa mansão da Quinta Avenida - sua fusão das duas rendeu As Estruturas Elementares do Parentesco, publicado logo após seu retorno a Paris, em 1948. Nesse enorme compêndio, que procurava sistematizar em um conjunto de padrões inter-relacionados uma vasta gama de sistemas de matrimônio do mundo pré-letrado conhecido, ele sustentava que o tabu do incesto era um universal antropológico que marcava a ruptura entre a natureza e a cultura que tornava possível a sociedade humana. Embora nem todos os achados sobre os quais o livro se baseava fossem corretos, e nem todas as suas interpretações fossem sempre confiáveis, nada como as Estruturas Elementares havia sido tentado antes. Nas palavras de Wilcken: "Sua originalidade, a firmeza de suas afirmações, o senso de uma reorientação teórica há muito tempo necessária fizeram dele um ponto de referência de seu tempo."
     

     
    A maior parte dessa obra talvez fosse impenetravelmente técnica, mas sua tese central era de fácil compreensão, por incrível que pareça. Demoraria algumas décadas para que sua premissa básica se mostrasse errada: historicamente, não houve proibição universal do incesto e algumas sociedades, como a Pérsia e os Egito antigos, até mesmo o fruíam.
     
    Quando Estruturas Elementares foi publicado, Lévi-Strauss ainda era, do ponto de vista acadêmico, um estranho na França. O livro ganhou fortuna pública graças a uma resenha brilhante feita em Les Temps Modernes por Simone de Beauvoir, outrora colega de Lévi-Strauss, que havia consultado o manuscrito ao escrever O Segundo Sexo. Sua aceitação acadêmica foi mais lenta. Tendo sido rejeitado duas vezes pelo Collège de France, Lévi-Strauss mudou seu foco do parentesco para os mitos e, em 1952, publicou seu primeiro ensaio voltado diretamente para um público mais amplo, Raça e História. Nele, esvaziava a pretensão ocidental de superioridade cognitiva sobre as sociedades pré-letradas; a chegada da indústria e da ciência modernas era resultado de combinações aleatórias na mesa de roleta do tempo, em vez de consequência de alguma dinâmica interna histórica.
     
    Três anos depois, veio a revelação de seu excepcional talento literário, com os soturnos fogos de artifício de Tristes Trópicos- uma meditação filosófica tanto quanto, ou mais do que, um livro de memórias antropológicas. Sob o signo de Lucrécio e Rousseau, em vez de Durkheim, ele mostrava seu período no Brasil como uma destruição implacável de ilusões românticas, mas que era também um rito de passagem fabuloso para verdades sobre a humanidade e seu lugar no universo, reprimida pela húbris metropolitana. De sua segunda e mais significativa formação como etnólogo, em Nova York, ele não dizia nada. Para o método, reconhecia três "amantes": Marx, Freud e a geologia, cada um explorando estratos escondidos sob a superfície da realidade. Em 1955, tratava-se de um credo que não diminuía o charme de seu livro. Por unanimidade, e compreensivelmente, Tristes Trópicos foi saudado como um clássico das letras francesas.
     

     
    Naquela época, impressiona como eram íntimos os laços - por mais paradoxal que possa parecer, tendo em vista o antagonismo entre o estruturalismo e o existencialismo - que ligavam Lévi-Strauss à usina da cultura de esquerda liderada por Sartre. Não foi somente Simone de Beauvoir que se esforçou para pôr Estruturas Elementares no mapa. O Les Temps Modernes publicou um capítulo prévio de Tristes Trópicos, assim como textos posteriores bem conhecidos, como "A gesta de Asdiwal".
     

     
    entrada de Lévi-Strauss no Collège de France, dez anos após sua primeira tentativa, foi orquestrada por Merleau-Ponty. A sensibilidade de Lévi-Strauss para perceber de onde sopravam os ventos desempenhou sem dúvida um papel nisso. Mas era também uma configuração intelectual não rara da Quarta República, marcada por alianças muitas vezes imprevisíveis e debates calorosos, que cairiam abruptamente em declínio com a instauração da Quinta República e a ascensão de De Gaulle ao poder.
     
    Com essa mudança de regime, nasceu o estruturalismo propriamente dito. Em 1958, Lévi-Strauss publicou seu manifesto, na coletânea de ensaios intitulada Antropologia Estrutural. "Durante séculos as humanidades e as ciências sociais se resignaram a contemplar o mundo das ciências naturais e exatas como uma espécie de paraíso onde nunca entrariam", ele declarou, mas "de repente, há uma pequena porta que se abre entre os dois campos, e é a linguística que fez isso". Não apenas mitos ou lendas populares, mas, em princípio, qualquer fenômeno do mundo social ou cultural poderia ser mapeado e decodificado com o rigor dos fonemas. Desde Comte, o pensamento francês sempre teve uma vertente significativa de cientificismo. Ao anunciar uma antropologia equipada com a autoridade da linguística, Lévi-Strauss tentava torná-la dominante.

     

    ceci....@terra.com.br Feb 11 12:51AM  

    Repasso artigo que aponta corretamente alguns riscos de gestão
    equivocada nas estatais, Ceci
    Estatais loteadas e mal geridas é a porta aberta para a privataria
     
    Episódio da Casa da Moeda mostra que o loteamento de cargos reflete
    um sistema de governo degenerado
     
    Pedro Porfírio
    www.blogdoporfirio.com [1]
    "Eu aceitei a indicação. Eu não conhecia esta pessoa, nunca tinha
    visto antes."
    Ministro Guido Mantega sobre o presidente da Casa da Moeda, demitido
    por pressão dos próprios padrinhos.
    É duro ter que admitir que no regime militar havia mais escrúpulo
    na escolha de gestores públicos do que nesta democracia em que o
    recato é carta fora do baralho. É duro, deprimente e desanimador.
    .Essa comparação me atormentou o cérebro nesse episódio da
    demissão do presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci Martins,
    um espertinho que fez seu pé de meia em paraísos fiscais só com as
    propinas dos fornecedores, segundo reportagens documentadas do
    conhecimento público
    Dizem que, de fato, esse senhor saiu do bolso do colete do próprio
    ministro da Fazenda, Guido Mantega. E ele havia sugerido ao líder do
    PTB, deputado Jovair Arantes, que o chancelasse, condição sem a qual
    seria difícil consumar o ato de nome ação.
     
    O deputado, que não é diferente dos apadrinhadores nos governos
    loteados, não iria pôr seu jamegão no papelucho a troco de um
    caloroso muito obrigado. O muito obrigado que acontece nessas
    tratativas tem o endosso da moeda sonante, mormente em se tratando
    logo do manuseio a vivo e a cores do próprio papel moeda.
     
    Foi um ex-deputado de esquerda, militar cassado, quem fez a
    comparação. Naqueles tempos em que nos habituamos a só lembrar as
    mazelas, as estatais eram menos susceptíveis ao assalto de prepostos
    de terceiros, embora, provavelmente, sofressem outro tipo de pressão
    e servissem de forma mais discreta para acomodar interesses de alguns
    bolsões influentes.
     
    Nos regimes ditos democráticos, esperaríamos mais transparência e
    mais critérios no trato da máquina pública.
     
    Os governos coligados são composições que presumem a divisão de
    responsabilidade entre os partidos aliados. Mas uma coisa é dividir
    responsabilidade, outra coisa, bem oposta, é consolidar
    irresponsabilidades, através da entrega de nichos do poder a quem
    não tem nada a ver com o peixe.
     
    A sustentabilidade de um governo que depende de composições no
    Legislativo não podia chegar ao fundo do poço em maus hábitos
    descaradamente eivados de má fé. Maus hábitos que se cristalizaram
    na filosofia "é dando que se recebe" popularizada por um deputado de
    direita, Roberto Cardoso Alves, que, embora tenha se notabilizado na
    tropa de choque do regime militar, acabou indo ser ministro da
    Indústria no últimos dois anos do governo Sarney, aquele que sempre
    esteve por cima da carne seca - seja como p residente da ARENA
    pró-ditadura, seja como conselheiros dos governos pós-ditadura, nos
    quais manteve a capitania hereditária do Maranhão, indo ganhar o
    mandato de senador pelo Amapá, estado que nunca vira mais gordo antes
    de fraudar seu domicílio eleitoral.
     
    É claro que nem só os políticos praticam o esporte das
    indicações de cartas marcadas. É público e notório que o
    Ministério das Comunicações sempre foi feudo do todo poderoso
    Roberto Marinho e seus herdeiros. Tanto que ao nomear Miro Teixeira
    para lá, em seu primeiro governo, o Sr. Luiz Inácio surpreendeu o
    próprio Brizola, chefe do partido que entraria no governo por essa
    janela.
     
    As alianças partidárias, como já disse, presumem parcerias no
    governo, mas em função de um programa comum de gestão e metas. E
    não um loteamento de "porteiras fechadas".
     
    Essa parceeria só seria correta se limitada aos cargos eminentemente
    políticos, nunca a diretoria de estatais ou a fundações e órgãos
    em áreas típicas de especialistas e funcionários de carreira, como
    nas estatais, na educação, saúde e segurança pública.
     
    Mais uma vez vejo-me na obrigação de reconhecer melhores hábitos
    entre os militares, inclusive nos dias de hoje. Se o Ministério da
    Defesa é entregue a um civil por opção política, suponho que os
    cargos nas Forças Armadas, inclusive em seus comandos respeitem
    critérios de mérito - no mínimo considere carreiras e hierarquias.
     
    A partidarização sem limites da administração pública está na
    raiz da desmoralização do Estado e na dissemin ação dos discursos
    privatizantes. Falo com conhecimento de causa, pois já ocupei cargos
    no primeiro escalão da Prefeitura do Rio de Janeiro.
     
    E lembro que tive de demitir um "líder comunitário" logo no início
    da minha segunda passagem pela Secretaria de Desenvolvimento Social
    porque ele se achava acima do bem e do mal, em função de sua
    relação pessoal com o prefeito. E olha que, a bem da verdade, tive
    toda a liberdade de formar a equipe, aproveitando pessoas capazes de
    filiações diferentes e sem filiação nenhuma.
     
    Além desse caso da Casa da Moeda, que é por si um péssimo indício
    de escolhas destituídas de compromissos institucionais com o Estado,
    há uma corrida de apadrinhados para alguns cargos na Petrobrás, a
    maior empresa brasileira, com um orçamento igual ao do Estado de São
    Paulo, o mais rico da federação, que está trocando de presidente.
    Até uma diretoria nova fo i criada para acomodar um antigo dirigente
    do PT que, por sinal, já foi presidente da estatal.
     
    Ao ver essa corrida, lembro-me do pleito do deputado Severino
    Cavalcanti, aquele que perdeu a presidência da Câmara por ter
    recebido propina do dono do restaurante terceirizado. À época, com o
    comando dos deputados como trunfo, indicou o apadrinhado Djalma
    Rodrigues para a "diretoria que fura poços".
     
    Essa é a mais gorda fatia da estatal: sozinha, soma dois terços do
    seu orçamento, tem 16 mil empregos diretos, outros 130 mil indiretos
    e investimentos previstos de US$ 5 bilhões ao ano no período de 2005
    a 2015. Por sinal, está ganhando novo diretor, com a aposentadoria de
    Guilherme Estrela.
     
    As experiências desgastantes no seu primeiro ano de governo, em que
    a mídia deitou e rolou, c onseguindo derrubar quem tinha e quem não
    tinha culpa no cartório, devem ter servido de lição. É hora da
    presidenta de livrar-se de más companhias.
     
    Assim como propus que repensássemos as cidades com honestidade,
    carinho e afeto, aproveito o ensejo para fazer a mesma exortação em
    relação à administração pública. O pior que pode acontecer, como
    efeito colateral, é sair repetindo a receita desmascarada das
    privatizações, como no caso dos aeroportos, objeto dos mais cálidos
    desejos de grupos econômicos interessados em negócios sem
    concorrência, sobre os quais recorram a todos os expedientes para
    engordar suas carteiras. Mas essa é outra história sobre a qual
    falarei ainda.

     

    fsiqueira fsiqueira <fsiq...@aepet.org.br> Feb 10 10:45PM -0200  

    Repassando
    Abraços
    Fernando
     
    ---------- Mensagem encaminhada ----------
    De: PCB Secretaria Geral PCB <secretaria...@gmail.com>
    Data: 10 de fevereiro de 2012 18:42
    Assunto: OGX e a questão do talento, conhecimento e ética
    Para: PCB Secretaria Geral PCB <secretaria...@gmail.com>
     
     
     
    *OGX e a questão do talento, conhecimento e ética*
     
    <http://www.aepet.org.br/site/uploads/colunas/imagens/colunista_Diomenes_Cesario.jpg>
    **
    **
    *Data: *06/02/2012
    *Colunista:* Diomenes Cesário
     
     
    *Nota dos Editores: Só o PT, a Petrobrás, o PcdoB e a ANP não viram as
    safadezas que ocorriam nas suas barbas. Mas tem sentido: é o nacional
    desenvolvimentismo (do capitalismo brasileiro)***
     
     
     
     
    Durante toda a semana, os jornais, revistas e televisões apresentaram
    anúncio da OGX informando o “início da produção de petróleo no Brasil por
    uma empresa privada brasileira”.
    A OGX faz parte do grupo EBX, de Eike Batista, o empresário mais rico do
    Brasil e um dos maiores do mundo. Para o leitor desavisado, parece
    tratar-se de uma história de dedicação, esforço próprio e alto risco, como
    dos pioneiros da indústria de petróleo em todo mundo. Infelizmente, a
    história é bem mais obscura.
     
    *A Origem*
    A OGX foi criada após Eike contratar Rodolfo Landim, ex-diretor de
    Exploração da Petrobrás, em 2006, e adquirir blocos para exploração de
    petróleo no Nono Leilão, promovido pela Agência Nacional de Petróleo, Gás
    Natural e Biocombustíveis (ANP), em pleno governo Lula.
    Para escolher as áreas, contratou o geólogo Paulo Mendonça, até então
    Gerente Executivo de E&P da Petrobrás, responsável pelas locações e
    detentor de informações acumuladas pelo corpo técnico da empresa, muitas
    delas reservadas e valiosas, de conhecimento de poucas pessoas na companhia.
    No Nono Leilão, em novembro de 2007, a empresa de Eike arrematou diversos
    blocos, a partir destas informações privilegiadas. Foi exatamente neste
    leilão que 41 áreas em torno de Tupi foram retiradas por fazer parte do
    pré-sal, descoberto pela Petrobrás, após décadas de estudo, pesquisas e
    investimentos. A estatal, de posse das informações recém obtidas nos poços
    pioneiros, alertou o governo federal que não fazia sentido mantê-las, pois
    seria uma doação e não um leilão. A partir deste episódio, o governo Lula
    iniciou a discussão que resultou na mudança do regime do pré-sal de
    concessão para partilha.
     
    *Arco de Cabo Frio e Informações Reservadas*
    Segundo Ildo Sauer, professor titular da USP e diretor da Petrobrás entre
    2003-2007, em artigo na revista Retrato do Brasil, de novembro de 2009,
    “Vários setores do próprio governo lutavam pela manutenção das regras
    liberais, mesmo diante de várias descobertas feitas na camada pré-sal. A
    primeira se deu no bloco de Parati, em 2005. E o primeiro poço com
    resultados espetaculares foi o 1-RJS-628, de Tupi. Estranhamente, porém,
    foram mantidos os 11 blocos do chamado ‘arco de Cabo Frio’, arrematados
    pela OGX, que recrutara a equipe de exploração da Petrobras, sem reação por
    parte do governo.”
     
    A equipe de técnicos, treinados e detentores de informações da Petrobrás
    foram pagos a preço de ouro, é claro. Somente Landim – que acabou saindo,
    em 2009, após desentendimento com Eike – recebeu 165 milhões de reais nos
    quatro anos em que trabalhou no grupo. Em poucos meses ganhou mais que em
    toda sua vida na Petrobrás. O salário médio dos diretores da OGX em 2010
    foi de 5,96 milhões de dólares por ano, com um máximo de 11,9 milhões de
    dólares. O salário médio de um diretor da Petrobrás no mesmo período foi de
    691 mil dólares – um décimo da OGX – com um máximo de 728 mil dólares,
    conforme Retrato do Brasil de outubro de 2011.
     
    *Ética*
    A pergunta óbvia é: é legal e moral um empregado ou diretor levar
    informações de uma empresa para uma concorrente? A questão fica ainda mais
    grave se esta empresa é controlada pela União Federal.
    Em algumas áreas do governo, há períodos de carência que – dizem -, muitas
    vezes, acabam sendo burlados por contratos de gaveta. O que importa, na
    verdade, é o posicionamento ético, como o relatado por Celso Furtado, em
    entrevista no livro “Seca e Poder”: "Eu me recordo de uma história curiosa
    com Raul Prebisch, o criador do Banco Central da Argentina, de tremenda
    influência na América Latina. Ele me contou que quando saiu do Banco
    Central passou por grandes dificuldades financeiras, teve até de vender o
    piano da mulher. Eu arregalei os olhos: quem passara tantos anos chefiando
    o BC da Argentina teria o emprego que quisesse! E ele disse: "Mas Celso, eu
    conhecia a carteira de todos os bancos, administrava o redesconto por
    telefone, era o homem mais bem informado! Todos queriam me contratar, mas
    eu não podia trabalhar para nenhum."
    Muito diferente da história de sucesso de Eike, que termina uma de suas
    propagandas afirmando: “Um marco importante para uma empresa que tem como
    essência realizar e transformar. Afinal, recursos naturais só se
    transformam em riqueza para o país quando se tem talento para descobrir
    onde estão e o conhecimento para se chegar até eles.”
    Deixou de informar que o talento – se é que se pode chamar de talento -, ao
    contrário do que sugere o texto, não foi descobrir o petróleo, mas, onde
    estavam os detentores de informações reservadas e “o conhecimento para se
    chegar a eles”.
     
    *Tecnologia e Patente Brasileira*
    Por fim, a questão tecnológica. Apesar de elogiar a Petrobrás pela inovação
    e patente, segue caminho diverso. Em entrevista à revista Carta Capital de
    novembro de 2011, informava “Eu não ia conseguir montar o FPSO
    (navio-plataforma) sem a ajuda da Hyundai. Mas vou trazer isso, com
    estrutura e tecnologia. Será que só eu consigo? Nossos estaleiros vão virar
    a Embraer dos mares. Um estaleiro com todo o know-how coreano transferido
    para o Brasil. O bacana é que eu fiz o inverso. Não precisei de 20, 30 anos
    de pesquisa e desenvolvimento para criar know-how. Comprei tudo, e em
    quatro ou cinco anos vai estar tudo absorvido e a gente vai virar patente
    brasileira.”
    Como irá descobrir – se permanecer no negócio e não repassá-lo aos chineses
    ou às “big oils” – a tarefa é bem mais complicada do que aparenta.
     
    *Diomedes Cesário da Silva*
    Ex-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)
     
    **
     
     
     
     
    --
    Veja a Página do PCB – www.pcb.org.br
     
    *Partido Comunista Brasileiro – Fundado em 25 de Março de 1922
    *

     

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