Clipping : E-mail de compilação para clipping-do-arthur@googlegroups.com - 12 mensagens em 12 tópicos

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Feb 18, 2012, 10:10:28 PM2/18/12
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Grupo: http://groups.google.com/group/clipping-do-arthur/topics

    clipping-d...@googlegroups.com Feb 19 01:52AM  

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    Resumo do tópico de hoje
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    Grupo: clipping-d...@googlegroups.com
    URL: http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/topics
     
    - Porquê o Socialismo? [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/2c3911ae22e063be
    - RIO DA DÚVIDA: Sáb 18/02/12 17:07 [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/9d203035c3c406fa
    - O MUNDO DOS “ZUMBIS”: Sáb 18/02/12 14:11 [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/1ecf759e28911612
    - Boletim Repórter Brasil: Trabalhadores de obra da Racional na região da Avenida Paulista são resgatados: Sáb 18/02/12 13:54 [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/81db70d7650eead2
    - Pesquisa Mensal de Emprego - Base: Dezembro de 2011 & Desemprego fica em 5,5% em janeiro/12, diz IBGE: Sáb 18/02/12 12:30 [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/d5ebfcc254c13fac
    - FORUM PERMANENTE TVC TV CIDADE TAUBATE TRANSMITE CARNAVAL AO VIVO PELA INTERNET [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/af2703ddad737725
    - FORUM PERMANENTE TVC Coluna de Noticias 490. (Anexo: Teste de DNA). [1 Anexo] [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/4325c90f53e42cce
    - FORUM PERMANENTE TVC Dogmas moralistas que atrasam o Brasil e intimidam políticos [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/c14a3783ace28e5f
    - FORUM PERMANENTE TVC IRÃ NEWS: Noam Chosmky: “Perdendo o mundo”: o declínio dos EUA em perspectiva [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/be503a8fbb6b842d
    - Notícias do Vermelho: Sáb 18/02/12 10:01 [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/9fec1648bc850a50
    - "Correio do Brasil": Notícias do CdB em destaque neste Sábado, 18/02/12 03:03 [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/c554e1fe8b614fa9
    - BRASIL! BRASIL!: Sáb 18/02/12 11:16 [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/39cd175abd3d53de
    - [lalineadefuego] UN DETALLITO DEL JAIME PARA EL DIFUNTITO. por Hugo Palacios (el búho) [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/90c45f1f2e0f7c64
    - São tantas as farsas que não se pode saber nem quando começa nem quando termina o carnaval [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/9b5ac0296755f5d5
    - Encuentro Internacional de Derechos Humanos en Solidaridad con Honduras comienzó ayer viernes [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/6523ad8eece63133
    - [Minha Mosca] Pushing EU values: Education or propaganda? [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/465eacbde07b1d6f
    - Para os nossos cinéfilos de plantão... [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/d5af4ab12cbde851
    - [tribuna_da_internet] Resumo 5864 [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/d78f29b24a365316
    - Clipping : E-mail de compilação para clipping-...@googlegroups.com - 22 mensagens em 22 tópicos [1 atualização]
    http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/fa090adb2c0a00b8
     
     
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    Tópico: Porquê o Socialismo?
    URL: http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/2c3911ae22e063be
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    ---------- 1 de 1 ----------
    De: Ana Santanna <anapai...@gmail.com>
    Data: Feb 18 06:29PM -0200
    URL: http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/msg/c586c6a104e717d5
     
    De: Vanderley - Revista
     
    **
     
    *Porquê o Socialismo? *
     
    *por Albert Einstein *****
     
    [image: Albert Einstein]Será aconselhável para quem não é especialista em
    assuntos económicos e sociais exprimir opiniões sobre a questão do
    socialismo? Eu penso que sim, por uma série de razões.
     
    Consideremos antes de mais a questão sob o ponto de vista do conhecimento
    científico. Poderá parecer que não há diferenças metodológicas essenciais
    entre a astronomia e a economia: os cientistas em ambos os campos tentam
    descobrir leis de aceitação geral para um grupo circunscrito de fenómenos
    de forma a tornar a interligação destes fenómenos tão claramente
    compreensível quanto possível. Mas, na realidade, estas diferenças
    metodológicas existem. A descoberta de leis gerais no campo da economia
    torna-se difícil pela circunstância de que os fenómenos económicos
    observados são frequentemente afectados por muitos factores que são muito
    difíceis de avaliar separadamente. Além disso, a experiência acumulada
    desde o início do chamado período civilizado da história humana tem sido –
    como é bem conhecido – largamente influenciada e limitada por causas que
    não são, de forma alguma, exclusivamente económicas por natureza. Por
    exemplo, a maior parte dos principais estados da história ficou a dever a
    sua existência à conquista. Os povos conquistadores estabeleceram-se, legal
    e economicamente, como a classe privilegiada do país conquistado.
    Monopolizaram as terras e nomearam um clero de entre as suas próprias
    fileiras. Os sacerdotes, que controlavam a educação, tornaram a divisão de
    classes da sociedade numa instituição permanente e criaram um sistema de
    valores segundo o qual as pessoas se têm guiado desde então, até grande
    medida de forma inconsciente, no seu comportamento social.
     
    Mas a tradição histórica é, por assim dizer, coisa do passado; em lado
    nenhum ultrapassámos de facto o que Thorstein Veblen chamou de “fase
    predatória” do desenvolvimento humano. Os factos económicos observáveis
    pertencem a essa fase e mesmo as leis que podemos deduzir a partir deles
    não são aplicáveis a outras fases. Uma vez que o verdadeiro objectivo do
    socialismo é precisamente ultrapassar e ir além da fase predatória do
    desenvolvimento humano, a ciência económica no seu actual estado não
    consegue dar grandes esclarecimentos sobre a sociedade socialista do
    futuro.
     
    Segundo, o socialismo é dirigido para um fim sócio-ético. A ciência,
    contudo, não pode criar fins e, muito menos, incuti-los nos seres humanos;
    quando muito, a ciência pode fornecer os meios para atingir determinados
    fins. Mas os próprios fins são concebidos por personalidades com ideais
    éticos elevados e – se estes ideais não nascerem já votados ao insucesso,
    mas forem vitais e vigorosos – adoptados e transportados por aqueles muitos
    seres humanos que, semi-inconscientemente, determinam a evolução lenta da
    sociedade.
     
    Por estas razões, devemos precaver-nos para não sobrestimarmos a ciência e
    os métodos científicos quando se trata de problemas humanos; e não devemos
    assumir que os peritos são os únicos que têm o direito a expressarem-se
    sobre questões que afectam a organização da sociedade.
     
    Inúmeras vozes afirmam desde há algum tempo que a sociedade humana está a
    passar por uma crise, que a sua estabilidade foi gravemente abalada. É
    característico desta situação que os indivíduos se sintam indiferentes ou
    mesmo hostis em relação ao grupo, pequeno ou grande, a que pertencem. Para
    ilustrar o meu pensamento, permitam-me que exponha aqui uma experiência
    pessoal. Falei recentemente com um homem inteligente e cordial sobre a
    ameaça de outra guerra, que, na minha opinião, colocaria em sério risco a
    existência da humanidade, e comentei que só uma organização supra-nacional
    ofereceria protecção contra esse perigo. Imediatamente o meu visitante,
    muito calma e friamente, disse-me: “Porque se opõe tão profundamente ao
    desaparecimento da raça humana?”
     
    Tenho a certeza de que há tão pouco tempo como um século atrás ninguém
    teria feito uma afirmação deste tipo de forma tão leve. É a afirmação de um
    homem que tentou em vão atingir um equilíbrio interior e que perdeu mais ou
    menos a esperança de ser bem sucedido. É a expressão de uma solidão e
    isolamento dolorosos de que sofre tanta gente hoje em dia. Qual é a causa?
    Haverá uma saída?
     
    É fácil levantar estas questões, mas é difícil responder-lhes com um certo
    grau de segurança. No entanto, devo tentar o melhor que posso, embora
    esteja consciente do facto de que os nossos sentimentos e esforços são
    muitas vezes contraditórios e obscuros e que não podem ser expressos em
    fórmulas fáceis e simples.
     
    O homem é, simultaneamente, um ser solitário e um ser social. Enquanto ser
    solitário, tenta proteger a sua própria existência e a daqueles que lhe são
    próximos, satisfazer os seus desejos pessoais, e desenvolver as suas
    capacidades inatas. Enquanto ser social, procura ganhar o reconhecimento e
    afeição dos seus semelhantess, partilhar os seus prazeres, confortá-los nas
    suas tristezas e melhorar as suas condições de vida. Apenas a existência
    destes esforços diversos e frequentemente conflituosos respondem pelo
    carácter especial de um ser humano, e a sua combinação específica determina
    até que ponto um indivíduo pode atingir um equilíbrio interior e pode
    contribuir para o bem-estar da sociedade. É perfeitamente possível que a
    força relativa destes dois impulsos seja, no essencial, fixada por herança.
    Mas a personalidae que finalmente emerge é largamente formada pelo ambinte
    em que um indivíduo acaba por se descobrir a si próprio durante o seu
    desenvolvimento, pela estrutura da sociedade em que cresce, pela tradição
    dessa sociedade, e pelo apreço por determinados tipos de comportamento. O
    conceito abstracto de “sociedade” significa para o ser humano individual o
    conjunto das suas relações directas e indirectas com os seus contemporâneos
    e com todas as pessoas de gerações anteriores. O indíviduo é capaz de
    pensar, sentir, lutar e trabalhar sozinho, mas depende tanto da sociedade –
    na sua existência física, intelectual e emocional – que é impossível pensar
    nele, ou compreendê-lo, fora da estrutura da sociedade. É a “sociedade” que
    lhe fornece comida, roupa, casa, instrumentos de trabalho, língua, formas
    de pensamento, e a maior parte do conteúdo do pensamento; a sua vida foi
    tornada possível através do trabalho e da concretização dos muitos milhões
    passados e presentes que estão todos escondidos atrás da pequena palavra
    “sociedade”.
     
    É evidente, portanto, que a dependência do indivíduo em relação à sociedade
    é um facto da natureza que não pode ser abolido – tal como no caso das
    formigas e das abelhas. No entanto, enquanto todo o processo de vida das
    formigas e abelhas é reduzido ao mais pequeno pormenor por instintos
    hereditários rígidos, o padrão social e as interrelações dos seres humanos
    são muito variáveis e susceptíveis de mudança. A memória, a capacidade de
    fazer novas combinações, o dom da comunicação oral tornaram possíveis os
    desenvolvimentos entre os seres humanos que não são ditados por
    necessidades biológicas. Estes desenvolvimentos manifestam-se nas
    tradições, instituições e organizações; na literatura; nas obras
    científicas e de engenharia; nas obras de arte. Isto explica a forma como,
    num determinado sentido, o homem pode influenciar a sua vida através da sua
    própria conduta, e como neste processo o pensamento e a vontade conscientes
    podem desempenhar um papel.
     
    O homem adquire à nascença, através da hereditariedade, uma constituição
    biológica que devemos considerar fixa ou inalterável, incluindo os desejos
    naturais que são característicos da espécie humana. Além disso, durante a
    sua vida, adquire uma constituição cultural que adopta da sociedade através
    da comunicação e através de muitos outros tipos de influências. É esta
    constituição cultural que, com a passagem do tempo, está sujeita à mudança
    e que determina, em larga medida, a relação entre o indivíduo e a
    sociedade. A antropologia moderna ensina-nos, através da investigação
    comparativa das chamadas culturas primitivas, que o comportamento social
    dos seres humanos pode divergir grandemente, dependendo dos padrões
    culturais dominantes e dos tipos de organização que predominam na
    sociedade. É nisto que aqueles que lutam por melhorar a sorte do homem
    podem fundamentar as suas esperanças: os seres humanos não estão
    condenados, devido à sua constituição biológica, a exterminarem-se uns aos
    outros ou a ficarem à mercê de um destino cruel e auto-infligido.
     
    Se nos interrogarmos sobre como deveria mudar a estrutura da sociedade e a
    atitude cultural do homem para tornar a vida humana o mais satisfatória
    possível, devemos estar permanentemente conscientes do facto de que há
    determinadas condições que não podemos alterar. Como mencionado
    anteriormente, a natureza biológica do homem, para todos os objectivos
    práticos, não está sujeita à mudança. Além disso, os desenvolvimentos
    tecnológicos e demográficos dos últimos séculos criaram condições que
    vieram para ficar. Em populações com fixação relativamente densa e com bens
    indispensáveis à sua existência continuada, é absolutamente necessário
    haver uma extrema divisão do trabalho e um aparelho produtivo altamente
    centralizado. Já lá vai o tempo – que, olhando para trás, parece ser
    idílico – em que os indivíduos ou grupos relativamente pequenos podiam ser
    completamente auto-suficientes. É apenas um pequeno exagero dizer-se que a
    humanidade constitui, mesmo actualmente, uma comunidade planetária de
    produção e consumo.
     
    Cheguei agora ao ponto em que vou indicar sucintamente o que para mim
    constitui a essência da crise do nosso tempo. Diz respeito à relação do
    indivíduo com a sociedade. O indivíduo tornou-se mais consciente do que
    nunca da sua dependência relativamente à sociedade. Mas ele não sente esta
    dependência como um bem positivo, como um laço orgânico, como uma força
    protectora, mas mesmo como uma ameaça aos seus direitos naturais, ou ainda
    à sua existência económica. Além disso, a sua posição na sociedade é tal
    que os impulsos egotistas da sua composição estão constantemente a ser
    acentuados, enquanto os seus impulsos sociais, que são por natureza mais
    fracos, se deterioram progressivamente. Todos os seres humanos, seja qual
    for a sua posição na sociedade, sofrem este processo de deterioração.
    Inconscientemente prisioneiros do seu próprio egotismo, sentem-se
    inseguros, sós, e privados do gozo naïve, simples e não sofisticado da
    vida. O homem pode encontrar sentido na vida, curta e perigosa como é,
    apenas dedicando-se à sociedade.
     
    A anarquia económica da sociedade capitalista como existe actualmente é, na
    minha opinião, a verdadeira origem do mal. Vemos perante nós uma enorme
    comunidade de produtores cujos membros lutam incessantemente para despojar
    os outros dos frutos do seu trabalho colectivo – não pela força, mas, em
    geral, em conformidade com as regras legalmente estabelecidas. A este
    respeito, é importante compreender que os meios de produção – ou seja, toda
    a capacidade produtiva que é necessária para produzir bens de consumo bem
    como bens de equipamento adicionais – podem ser legalmente, e na sua maior
    parte são, propriedade privada de indivíduos.
     
    Para simplificar, no debate que se segue, chamo “trabalhadores” a todos
    aqueles que não partilham a posse dos meios de produção – embora isto não
    corresponda exactamente

     

    arthur garbayo <arthur...@gmail.com> Feb 18 05:08PM -0200  

    <http://vejaonline.abril.com.br/>18/02/2012
     
    *Maílson da Nóbrega*
     
    *A China, a Embrapa e o passado*
     
    O desenvolvimento decorre da dotação inicial de fatores e de mudanças
    incrementais ao longo do tempo. São fundamentais as instituições, a
    demografia, a taxa de poupança e investimento e a produtividade, que
    depende da educação, da ciência, da tecnologia e da inovação.
     
    Acontecimentos pretéritos e seus efeitos costumam explicar o
    desenvolvimento. A bem-sucedida trajetória da Inglaterra – que se tornou a
    potência dominante no século XIX – nasceu de avanços institucionais como os
    da Carta Magna (1215), da Lei de Patentes (1624) e da Revolução Gloriosa
    (1688). Esta pôs fim ao absolutismo, assegurou direitos de propriedade e
    criou o Banco da Inglaterra. Constitui-se daí o ambiente favorável ao
    investimento e à inovação.
     
    É provável que fosse outro o curso desses acontecimentos caso a Batalha de
    Hastings (1066) tivesse sido vencida pelo rei Haroldo, e não pelo nobre
    normando Guilherme, o Conquistador. Ele foi coroado rei da Inglaterra e
    impôs o idioma francês na corte e o latim nos documentos oficiais, regra
    que durou três séculos. Mesmo assim, tornou-se um herói inglês, reconhecido
    pela unificação do país, pelo fortalecimento de sua capacidade de defesa e
    por plantar sementes que gerariam frutos oito séculos depois. A atual
    rainha Elizabeth II é descendente de Guilherme.
     
    O efeito de acontecimentos passados na vida das nações me veio à mente com
    a leitura do recente livro de Henry Kissinger (Sobre a China), no qual ele
    descreve as negociações secretas que culminaram na visita de Richard Nixon
    (1913-1994) a Pequim e no restabelecimento das relações dos Estados Unidos
    com a China (1971). A aproximação sino-americana, afirma Kissinger, começou
    como um aspecto tático da Guerra Fria, mas "evoluiu a um ponto em que se
    tornou central para o desenvolvimento de uma nova ordem mundial".
     
    A ascensão da China deriva de muitos outros fatores, em especial as
    mudanças empreendidas por Deng Xiaoping (1904-1997), o arquiteto das
    reformas pró-mercado, que contribuíram para a mais rápida e espetacular
    transformação econômica e social da história. O êxito da China, hoje a
    segunda maior economia do planeta, está intimamente associado à abertura
    americana para os seus produtos.
     
    Trinta anos após, o crescimento chinês viria a ter enorme repercussão no
    Brasil. Em uma década (2002-2011), a China se tornou o nosso maior parceiro
    comercial e a maior fonte do superávit no comércio exterior de nossas
    commodities agrícolas e minerais, de 85 bilhões de dólares em 2011. Isso
    reduziu a vulnerabilidade do país a crises externas e contribuiu para o
    crescimento do período.
     
    Na mesma época da histórica visita de Nixon, desenvolviam-se no Brasil os
    estudos que fundamentariam a criação da Embrapa (1973). Suas pesquisas e as
    de outros centros, como a Universidade Federal de Viçosa e o Instituto
    Agronômico de Campinas, criaram a melhor e mais avançada tecnologia
    tropical do mundo. Empresas privadas contribuíram para a importação e a
    adaptação de modernas tecnologias. Esse trabalho, fonte de elevados ganhos
    de produtividade, possibilitou o atendimento da demanda chinesa. O cerrado,
    antes quase imprestável por causa de sua baixa fertilidade natural,
    responde hoje por quase 70% da produção de grãos do país. O Brasil se
    tornou o maior produtor mundial de café, açúcar e suco de laranja e o
    segundo de soja e etanol. Somos internacionalmente fortes em carnes,
    algodão, milho, tabaco, papel e celulose.
     
    O Brasil alcançou o status de potência agrícola e mineral em consequência
    também, tal como na China, de outros fatores, particularmente as mudanças
    institucionais iniciadas em 1986, a abertura da economia, a vitória contra
    a inflação (Plano Real, 1994) e as reformas estruturais do governo Fernando
    Henrique Cardoso (1995-2002).
     
    Sem esquecer esse passado, é preciso avançar. Necessitamos de novas
    reformas para ampliar as conquistas políticas, econômicas e sociais. Lula
    se julga o autor exclusivo do desempenho recente da economia, mas se a
    história se impuser, como se espera, ficará provado que o êxito teve a ver
    com esforços anteriores. E, claro, com a coragem do ex-presidente de
    renunciar às equivocadas ideias econômicas do PT.
     
    --
     
    *Para ter mais informação acesse estes portais:
    www.desenvolvimentistas.com.br e http://www.joserobertoafonso.ecn.br/*

     

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Feb 19, 2012, 11:00:52 PM2/19/12
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      ---------- 1 de 1 ----------
      De: Ana Santanna <anapai...@gmail.com>
      Data: Feb 20 12:23AM -0200
      URL: http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/msg/7cb38f36193f91a
       
      *ECUAVOLEY: PARTE II*
      *TRES TOQUES: ACERCA DE LOS JUGADORES Y LAS TÉCNICAS*
      Por Gustavo Abad www.rostroadusto.blogspot.com
      El sentido del juego
      Un partido se inicia con el saque o batida a cargo del equipo que haya
      ganado
      el sorteo previo. El saque se ejecuta desde atrás de la línea final y
      consiste en golpear la pelota con el puño o con la mano extendida y enviarla
      al campo rival. Esta ligera ventaja inicial es importante porque pone al
      abridor muy cerca de marcar el primer punto a su favor.....
      LEER TODO: http://lalineadefuego.info/2012/02/19/2206/
       
      *RESEÑA DE “DEATH ROW” DE WERNER HERZOG
      LA MÁS OSCURA PESADILLA NORTEAMERICANA*
      Luciano Monteagudo Página 12 <www.pagina12.co.ar>
      El documental consta de cuatro films en los que el director entrevista a
      igual
      número de condenados a muerte y plantea que no debería estar permitido que
      un
      Estado ejecute personas. En septiembre del año pasado, en el Festival de
      Toronto, Werner Herzog presentó un estupendo largometraje documental
      titulado
      Into the Abyss (Hacia el abismo), que consistía básicamente en una serie de
      entrevistas a dos jóvenes convictos –Michael Perry, condenado a muerte.....
      LEER TODO:
      http://lalineadefuego.info/2012/02/19/death-row-de-werner-herzog-la-mas-oscura-pesadilla-norteamericana/
       
       
      *LA MEMORIA VIVA DEL HOSPITAL VARSOVIA*
      Enric LlopisRebelión <www.rebelion.org>
      Toulouse -ciudad francesa de medio millón de habitantes, capital de la
      antigua
      Occitania- ha estado siempre emparentada con la inmigración. Hoy, acoge a
      una
      población magrebí de unas 50.000 personas. Hace siete décadas, al terminar
      la Guerra Civil española, se convirtió en capital y en uno de los
      principales
      refugios del exilio republicano. El Hospital Varsovia es uno de sus
      principales
      legados. Fundado en 1944 por médicos españoles (la mayoría catalanes) que
      lucharon en la resistencia francesa contra el nazismo.....
      LEER TODO:
      http://lalineadefuego.info/2012/02/19/la-memoria-viva-del-hospital-varsovia-por-enric-llopis/
       
       
       
      --
       
      [A rede castorphoto é uma rede independente tem perto de 41.000
      correspondentes no Brasil e no exterior. Estão divididos em 28
      operadores/repetidores e 232 distribuidores; não está vinculada a nenhum
      portal nem a nenhum blog ou sítio. Os operadores recolhem ou recebem
      material de diversos blogs, sítios, agências, jornais e revistas
      eletrônicos, articulistas e outras fontes no Brasil e no exterior para
      distribuição na rede]
       
      *Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira
      continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o
      assunto: REMOVER*
       
       
       
      =============================================================================
      Tópico: [Cubadebate] Boletín de noticias del 2012-02-18: Dom 19/02/12 04:00
      URL: http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/t/e52795f9123b7801

      =============================================================================
       
      ---------- 1 de 1 ----------
      De: Ana Santanna <anapai...@gmail.com>
      Data: Feb 20 12:22AM -0200
      URL: http://groups.google.com/group/clipping-de-esquerda/msg/9175aa72758c7f07
       
      ***Resumen diario de noticias del sitio CUBADEBATE*
      www.cubadebate.cu
       
      Fecha: *2012-02-18*
       
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      *Más celulares que inodoros en la India, se queja Ministro
      <http://www.cubadebate.cu/?p=145692>*
      El ministro indio de Desarrollo Rural, Jairam Ramesh, declaró hoy que las
      mujeres de su país "prefieren tener un teléfono móvil antes que un
      inodoro", en relación al fenómeno de la defecación al aire libre. En el
      marco de una conferencia organizada por Naciones Unidas en Nueva Delhi, el
      funcionario aclaró que "el 60 por ciento de la población mundial que
      practica la defecación al aire libre vive en India, donde hay 700 millones
      de teléfonos móviles".
       
      *Recordando a Alí Primera <http://www.cubadebate.cu/?p=145653>*
      Alí Primera, una de las figuras más carismáticas de ese nuevo modo de
      cantar -nuevo, pero afincado en una trayectoria de más de un siglo-, no se
      rindió al comercialismo. Jamás renunció a la inconformidad; jamás dejó de
      condenar la deshumanización del hombre en el capitalismo. A pesar de las
      jugosas ofertas que le hicieron para que diluyera su arte en las
      inofensivas aguas de la música facilona, Alí no se dejó poner jamás -como
      dicen los venezolanos de aquellos artistas y escritores que no claudican-
      «el bozal de arepas».
       
      *Líder de los comunistas de Vietnam envía saludo a cubanos
      <http://www.cubadebate.cu/?p=145731>*
      El máximo líder político de Vietnam, Nguyen Phu Trong, felicitó hoy a los
      comunistas cubanos por el éxito de su primera Conferencia Nacional,
      celebrada recientemente. El secretario general del Partido Comunista de
      Vietnam transmitió su saludo al recibir aquí a Carlos Rafael Miranda,
      dirigente de la mayor organización de masas de Cuba, los Comités de Defensa
      de la Revolución.
       
      *Cierra hoy en La Habana reunión de estudiantes latinoamericanos y
      caribeños<http://www.cubadebate.cu/?p=145719>
      *
      El Secretariado General de la Organización Continental Latinoamericana y
      Caribeña de Estudiantes (OCLAE) concluirá hoy tres días de intercambio,
      debates, concertaciones y acuerdos en la capital cubana. Precisamente, en
      la sesión matutina debe quedar aprobada una Declaración Final y presentarse
      el plan estratégico general de lucha, hasta el próximo congreso, de esta
      plataforma regional, con 33 organizaciones miembros de 23 países y que
      agrupa y representa a 100 millones de estudiantes.
       
      *Presentan en la Feria del Libro testimonio de un cubano que infiltró
      la CIA<http://www.cubadebate.cu/?p=145625>
      *
      Fue presentado hoy en la Feria Internacional del Libro de La Habana el
      libro "Enemigo", testimonio de Raúl Capote sobre su participación desde las
      filas de la Seguridad del Estado en la neutralización de los planes de la
      CIA contra Cuba. A raíz de comenzar a ser conocido en el ambiente cultural
      dentro y fuera de la Isla, la inteligencia enemiga, mediante agentes
      radicados en Cuba bajo el palio diplomático, inició una labor de captación.
      Ignoraban, sin embargo, los irreductibles principios de Capote. Y menos su
      desempeño como agente de los Órganos de la Seguridad del Estado.
       
      *En Casa de las Américas con dos herejes: Gerardo Alfonso y Carlos Varela
      (+ Fotos) <http://www.cubadebate.cu/?p=145630>*
      este 17 de febrero la sala Che Guevara de la Casa fue el escenario idóneo
      para presentar el libroTrovadores de la herejía (Casa Editora Abril), de
      los periodistas e investigadores Bladimir Zamora y Fidel Díaz. El volumen
      agrupa entrevistas, canciones, acordes y fotos de cuatro grandes bardos:
      Santiago Feliú, Frank Delgado, Gerardo Alfonso y Carlos Varela. Los
      cantautores Gerardo Alfonso y Carlos Varela regalaron un concierto especial.
       
      *Presentan volumen de fotografías de Alex Castro dedicado a
      Haití<http://www.cubadebate.cu/?p=145645>
      *
      "Haití. Viaje al reino de este mundo" es el volumen del fotógrafo Alex
      Castro, colaborador de Cubadebate, que se presentó este viernes en la Feria
      Internacional del Libro de La Habana, con el sello de la Casa Editora
      Abril. Contiene más de un centenar de imágenes que dibujan un discurso
      gráfico apoyado por textos dedicados a ese país del Comandante en Jefe
      Fidel Castro, Eduardo Galeano, Alejo Carpentier, entre otros.
       
      *Varios heridos tras protesta social en región chilena de
      Aysén<http://www.cubadebate.cu/?p=145657>
      *
      Un chileno perdió la visión de un ojo tras impacto de bala en su rostro,
      durante las protestas que sacuden hoy la austral región de Aysén por
      reivindicaciones sociales. De acuerdo con las redes sociales, hay unas 35
      personas heridas como resultado del lanzamiento de bombas lacrimógenas y
      debido a balines disparados por los uniformados.
       
      *Drones vigilan Siria, afirma cadena de televisión
      NBC<http://www.cubadebate.cu/?p=145669>
      *
      Esos vuelos de aviones sin pilotos "no constituyen una preparación para una
      intervención militar estadounidense", precisó la cadena, que citó a
      responsables norteamericanos de defensa que solicitaron el anonimato. El
      gobierno estadounidense espera utilizar esa vigilancia aérea y las
      intercepciones de las comunicaciones del gobierno sirio con sus militares
      para apoyar sus argumentos en busca de una respuesta internacional para
      intervenir en Siria, según NBC.
       
      *Google convierte los iPhones en espías de las empresas, afirma The Wall
      Street Journal <http://www.cubadebate.cu/?p=145684>*
      Google ha estado espiando a millones de usuarios de iPhone alrededor del
      mundo, según un diario de Estados Unidos. En un reporte especial publicado
      el viernes, The Wall Street Journal indicó que Google, junto a numerosas
      agencias de publicidad, colocó un código computarizado especial en millones
      de iPhones que permite a las compañías rastrear la conducta del usuario.
       
      *Apoyan indignados estadounidenses causa de los Cinco
      <http://www.cubadebate.cu/?p=145687>*
      El movimiento Ocupar Wall Street respaldó la causa de los Cinco
      antiterroristas cubanos condenados en ese país, mediante un llamado a
      apoyar la campaña por la liberación de los prisioneros políticos en Estados
      Unidos. Miembros de Ocupar Oakland, una de las ramas del grupo extendido a
      toda la nación norteamericana, convocó para el lunes 20 de febrero un Día
      Nacional de Ocupación por los Prisioneros, en las inmediaciones de San
      Quentin, la prisión al norte de San Francisco.
       
      *Récord: El barril de petróleo por encima de los 119
      dólares<http://www.cubadebate.cu/?p=145716>
      *
      Los precios del barril de petróleo escalaron esta semana aún más en los
      mercados de Londres y Nueva York, donde remontaron cotas de 119 y 103
      dólares respectivamente, comentaron hoy analistas. No obstante el declive
      de la sesión del viernes, el crudo Brent del Mar del Norte, de referencia
      en Europa, despidió el lapso con ganancias, a 119,58 dólares el tonel, tras
      tocar en varios instantes los 120 dólares.
       
      *Ministro de Defensa de Israel reitera que no descarta ninguna opción
      contra Irán <http://www.cubadebate.cu/?p=145697>*
      El ministro israelí de Defensa, Ehud Barak, declaró hoy en Tokio, donde se
      encuentra en visita oficial, que no se debe descartar ninguna opción para
      frenar las aspiraciones nucleares de Irán y pidió de nuevo sanciones "más
      duras" contra el gobierno iraní. En una rueda de prensa en el último tramo
      de su visita a Japón, adonde llegó el miércoles, Barak aseguró que "ninguna
      opción se debe retirar de la mesa" para presionar a Irán.
       
      *Miles despiden a Whitney Houston en Nueva Jersey; Kevin Costner conmovido
      (+ Video) <http://www.cubadebate.cu/?p=145701>*
      Alegres himnos y aleluyas del coro de la iglesia recibieron a distintas
      personalidades que asisten al entierro de Whitney Houston en la Iglesia
      batista de Newark, rodeada de miles de personas, a pesar del llamado de que
      se siguiera por televisión e internet los detalles del funeral. El oficio
      comenzó con la intervención del párroco de la iglesia la cual vio nacer a
      la artista y Ministro de Música de New Hope, seguida por alocución del
      alcalde de Newark, el cual recordó a Houston como "ángel".
       
      *En duelo de gigantes, Liu Xiang derrota a Dayron Robles (+
      Video)<http://www.cubadebate.cu/?p=145696>
      *
      El chino Liu Xiang ganó hoy al cubano Dayron Robles el primer duelo de
      gigantes en las vallas bajas del año al imponerse en los 60 metros del
      meeting de Birmingham. El campeón olímpico de 2004 derrotó con una mejor
      marca personal de 7,41 segundos al campeón olímpico de 2008 (7,50). El
      chino de 28 años hizo también el mejor tiempo de la temporada en pista
      cubierta.
       
      *Ataque israelí a Irán no es tan sencillo como
      parece<http://www.cubadebate.cu/?p=145722>
      *
      Pese a la especulación mediática sobre un ataque israelí contra las
      instalaciones nucleares de Irán en la próxima primavera boreal, hay un
      considerable escepticismo sobre el éxito de semejante campaña. El dicho
      "perro que ladra no muerde" podría aplicarse a Israel. Este país no puede
      esperar otro golpe como el de 1981, cuando un ataque aéreo le permitió

       

        arthur garbayo <arthur...@gmail.com> Feb 19 05:59PM -0200  

        <http://revistaepoca.globo.com/>18/02/2012
         
        *"Não temos o direito de ficar isolados"*
         
        Almir Suruí
         
        Eleito pela revista americana "Fast Company" como um dos líderes mais
        criativos do mundo dos negócios, o índio receita a tecnologia para
        preservar as tradições
         
        ALINE RIBEIRO
         
        Soa contraditório, mas a mesma modernidade que quase dizimou os Suruís nos
        tempos do primeiro contato promete salvar a cultura e preservar o
        território desse povo. Em 2007, o líder Almir Suruí, de 37 anos, fechou uma
        parceria inédita com o Google e levou a tecnologia às tribos. Os índios
        passaram a valorizar a história dos anciãos. E a resguardar, em vídeos e
        fotos on-line, as tradições da aldeia. Ainda se valeram de smartphones e
        GPS para delimitar suas terras e identificar os desmatamentos ilegais. Em
        2011, Almir foi eleito pela revista americana Fast Company um dos 100
        líderes mais criativos do mundo dos negócios.
         
        ÉPOCA – Quando o senhor percebeu que a internet poderia ser uma aliada do
        povo suruí?
        Almir Suruí – Meu povo acredita no diálogo. Para nós, é uma ferramenta
        muito importante. Sem a tecnologia, não teríamos como dialogar
        suficientemente para propor e discutir os direitos e territórios de nosso
        povo. Nós, povos indígenas, não temos mais o direito de ficar isolados. Ao
        usar a tecnologia, valorizamos a floresta e criamos um novo modelo de
        desenvolvimento. Se a gente usasse a tecnologia de qualquer jeito, seria um
        risco. Mas hoje temos a pretensão de usar a ferramenta para valorizar nosso
        povo, buscar nossa autonomia e ajudar na implementação das políticas
        públicas a favor do meio ambiente e das pessoas. Estamos construindo um
        modelo diferente. Ainda não temos resultados econômicos, mas com certeza
        teremos. Temos a clareza de que o dinheiro não é a solução, mas um
        instrumento de trabalho. O respeito que conseguimos com a comunicação nos
        trouxe resultados políticos e sociais. Há valores adquiridos com esse
        diálogo.
         
        ÉPOCA – Qual o impacto da internet na cultura da tribo?
        Suruí – Entendemos que cultura não é algo parado. Cultura anda, cultura
        avança. A própria história do país mostra isso. A cultura de antes é
        diferente de agora. Precisamos ter responsabilidade para administrar tudo.
        Teremos uma política pedagógica na escola para mostrar às crianças suruís
        que é necessário respeitar nossa religião, nosso plano, nossas ideias. Para
        valorizar nossa cultura, usamos as práticas dos rituais. Vamos continuar
        com nossos rituais. Sempre. Mas isso não nos impede de avançar. Os suruís
        vão continuar com sua cultura, mas ao mesmo tempo terão nível superior,
        doutorado. Em 1997, começamos a desenhar o que chamamos de Plano de Gestão
        de 50 anos. Ele prevê melhorias no sistema de saúde, de educação, além da
        valorização das tradições e o combate ao desmatamento. Nele, está também a
        criação de uma universidade indígena.
         
        ÉPOCA – O primeiro contato dos suruís com o homem branco foi em 1969. A
        população foi dizimada por doenças e matanças e recentemente voltou a
        crescer. Qual é a situação de seu povo hoje?
        Suruí – Temos uma população de 1.300 índios em 25 aldeias espalhadas pelo
        centro-sul de Rondônia e noroeste de Mato Grosso. A maior pressão em nossas
        terras é o desmatamento para retirada de madeira, preparo de pastagens e
        agora também para plantar soja. O modelo atual de desenvolvimento na região
        traz essa pressão.
         
        ÉPOCA – Vocês usam smartphones e GPS para fiscalizar desmatamentos ilegais
        desde quando? Quais são os resultados?
        Suruí – Temos usado a tecnologia para comunicar essas pressões. O
        conhecimento tecnológico não é adquirido de um dia para o outro. Nosso povo
        continua se capacitando. s
        Temos ganhos significativos. Sem essas tecnologias, não chegaríamos entre
        os 100 mais criativos da Fast Company. Não faço isso sozinho. Tenho uma
        equipe, a maioria indígenas suruís, além de parceiros importantes. Temos
        agentes ambientais para vigiar as ameaças ao território. Claro, com o apoio
        da polícia, do Ministério Público e da Funai. É uma parceria, não uma ação
        isolada. O resultado, de imediato, é que os invasores das terras dos suruís
        diminuíram muito. Ainda há ameaças, sim, mas elas ficaram menores.
         
        ÉPOCA – Quais são as grandes ameaças hoje à manutenção do território suruí?
        Suruí – Nossa maior preocupação ainda é conter o ritmo de desmatamento
        ilegal. E, para piorar, o governo está planejando construir uma
        hidrelétrica no Rio Machado, em Rondônia. Vamos sofrer a pressão do PAC
        (Programa de Aceleração do Crescimento) em breve. Já aproveito para chamar
        a atenção das autoridades ambientais e dos responsáveis pelos direitos
        humanos. Quero que olhem para nossa região. Já recebemos diversas denúncias
        de invasão de madeireiros ilegais depois do anúncio da usina. Os
        desmatamentos vão ficar cada vez mais comuns.
         
        ÉPOCA – O clima então começa a ficar tenso por aí...
        Suruí – É como em outras partes da Amazônia. Quem quer usar os recursos
        naturais de maneira irresponsável acha que as pessoas que pretendem
        construir um plano melhor para a floresta atrapalham o desenvolvimento. A
        gente entende o contrário. Queremos usar a floresta de maneira responsável
        para garantir o futuro da humanidade. Não podemos entender o
        desenvolvimento como algo imediatista. O desenvolvimento só é alcançado por
        quem tem uma visão de médio e longo prazo. As futuras gerações também têm
        direito de viver, direito de ter floresta. A floresta não precisa ser
        intocada, mas tem de ser usada com responsabilidade.
         
        ÉPOCA – O que seu povo está fazendo para explorar a floresta de forma
        responsável?
        Suruí – Quando preservamos a floresta em nossas terras indígenas, geramos
        créditos. Isso porque evitar o desmatamento reduz a emissão de carbono na
        atmosfera, a principal causa das mudanças climáticas. Faz parte do plano
        Carbono Suruí, a primeira iniciativa brasileira de REDD (Redução de
        Emissões por Desmatamento e Degradação) feita por índios. Estamos em
        processo de verificação pelo Imaflora, empresa de auditoria e certificação
        ambiental. Em breve, teremos a oportunidade de oferecer aos nossos clientes
        o produto do que conservamos hoje. Já evitamos jogar na atmosfera 360.000
        toneladas de carbono entre 2009 e 2011. Também estamos trabalhando com
        reflorestamento. E num plano de negócios para vender produtos florestais,
        como castanha-do-brasil e copaíba. Tudo isso faz parte do nosso plano de 50
        anos.
         
        ÉPOCA – Vocês já ganharam dinheiro com esses créditos?
        Suruí – Ainda não. Queremos certificar primeiro para dar uma garantia
        isenta ao comprador. Estamos trabalhando baseados nas políticas públicas.
        Como nosso projeto é um dos primeiros do mundo, precisamos trabalhar com
        cautela para mostrar que é possível desenvolver respeitando a floresta.
         
        ÉPOCA – O mercado de carbono não avançou nos últimos anos por causa da
        crise econômica e pela falta de um acordo que obrigue os países a reduzir
        suas emissões. Vocês estão desanimados?
        Suruí – Sim, às vezes ficamos frustrados. Mas ainda temos esperança. Até
        porque existem várias empresas procurando os suruís para comprar o projeto
        de carbono. Não posso dizer o nome das companhias, mas são cinco
        interessados entre empresas e governos. O que falta, no nosso entender, é
        incentivo político. Os países que vão para as negociações do acordo do
        clima estão lá defendendo interesses próprios. Eles não querem construir
        políticas públicas de responsabilidade, para melhorar o meio ambiente e a
        vida das pessoas.
         
        ÉPOCA – É a segunda vez que o senhor ficou entre os 100 mais criativos da
        Fast Company, ao lado de nomes como o empresário Eike Batista. Por quê?
        Suruí – Sou péssimo para falar de mim mesmo. Só sei que não cheguei aqui
        sozinho, mas com o apoio da minha família, do meu povo. A gente ficou feliz
        em ter chegado entre os 100. Até porque nunca aconteceu na história do
        Brasil de um indígena conseguir uma homenagem assim. A revista Fast
        Company, acima de tudo, tem um pensamento econômico tradicional. No
        passado, ela nunca reconheceria esse tipo de ação. E isso é um avanço. Mais
        uma responsabilidade para a gente.
         
        ÉPOCA – O que o senhor diria ao Eike se o encontrasse?
        Suruí – Tenho muito orgulho de empresários que conseguem se tornar
        milionários. Eu só o cumprimentaria. Somos iguais como seres humanos. Não
        acho que ele seja superior a mim, nem eu a ele. Temos nossos potenciais
        diferentes. Eu me refiro do mesmo jeito a qualquer pessoa, com respeito.
        Independentemente de ser um milionário, empresário ou presidente da
        República. Mas, pensando bem, eu o chamaria para apoiar o desenvolvimento
        do meu Estado, Rondônia.
          arthur garbayo <arthur...@gmail.com> Feb 19 05:58PM -0200  

          <http://vejaonline.abril.com.br/>18/02/2012
           
          *Gasto sem qualidade*
           
          O governo e as empresas estatais cortam os investimentos, mas as despesas
          improdutivas da máquina pública continuam em alta
           
          Marcelo Sakate
           
          Existe um princípio das finanças públicas saudáveis, chamado de regra de
          ouro, segundo o qual gastos com o custeio da máquina pública não devem ser
          financiados com o aumento de dívida. Assim, as despesas como pagamento de
          funcionários, aposentadorias, viagens e cafezinhos precisam ser custeadas
          exclusivamente pelo dinheiro recolhido com os impostos. Quando isso não
          ocorre (ou seja, o governo gasta mais do que arrecada), o caixa fica
          negativo e o governo precisa aumentar os impostos ou tomar dinheiro
          emprestado, fazendo mais e mais dívidas. Pela regra de ouro, apenas os
          investimentos em infraestrutura deveriam ser financiados com o aumento da
          dívida. Isso porque, quando bem executados, os investimentos possuem uma
          taxa de retorno econômico superior aos juros pagos pelo financiamento e, ao
          final, existe um ganho para o país. No Brasil, apesar de estar na
          Constituição, esse princípio é desrespeitado há anos. Os gastos da máquina
          pública não cabem nos limites do Orçamento. Como a maior parte dessas
          despesas é obrigatória por lei, sobra pouco espaço de manobra para que o
          governo mantenha suas contas minimamente equilibradas. Os cortes de gastos,
          quando necessários, recaem sobretudo nos investimentos – justamente os
          gastos mais favoráveis ao crescimento econômico do país.
           
          No primeiro ano do governo Dilma Rousseff, não foi diferente. A despeito do
          discurso de austeridade e estímulo à infraestrutura, na verdade houve queda
          nos investimentos (os gastos bons) e aumento das despesas com Previdência e
          funcionalismo (os gastos ruins), como mostra o quadro abaixo. O resultado
          foi no sentido contrário ao prometido pela presidente em seu discurso de
          posse, quando afirmou: “Um fator importante da qualidade da despesa é o
          aumento dos níveis de investimento em relação aos gastos de custeio. O
          investimento público é essencial como indutor do investimento privado”. O
          gasto com obras de infraestrutura representa menos de 5% do Orçamento
          federal. Desde 2003, os gastos com esses projetos vinham crescendo
          anualmente, ainda que de maneira tímida. Mas, em 2011, pela primeira vez
          nos últimos anos, houve queda nos investimentos federais. As sucessivas
          contenções de investimentos e a incapacidade do governo de executá-los nos
          prazos e preços estipulados fazem com que obras que já deveriam estar
          prontas há anos – como a ampliação do Porto de Santos, a construção da
          Ferrovia Transnordestina e a transposição do Rio São Francisco – permaneçam
          sem data para ser entregues.
           
          Não foi apenas o governo, no entanto, que reduziu os investimentos no ano
          passado. Peja primeira vez em uma década, as empresas estatais também
          diminuíram os gastos com a ampliação da capacidade produtiva. A principal
          responsável por essa queda foi a Petrobras. Ao servir como vetor de uma
          política de governo protecionista que exige conteúdo nacional de
          fornecedores, a estatal se tornou refém de atrasos em projetos, seja porque
          a indústria nacional ainda não tem capacidade técnica para atender à
          crescente demanda, seja porque ela cobra um preço mais alto que as empresas
          estrangeiras. O atraso na entrega de sondas de perfuração e de plataformas
          restringiu o aumento da produção de petróleo, que ficou abaixo das metas da
          estatal. Além disso, a Petrobras tem seguidos prejuízos ao segurar, por
          determinação do governo, o reajuste do preço dos combustíveis. O objetivo é
          não pressionar a inflação, mesmo diante da alta de 40% no preço do barril
          de petróleo no ano passado. Em um ano em que o consumo interno de
          combustíveis deu um salto – as vendas de gasolina cresceram 19%, a maior
          alta em uma década –, a Petrobras acumulou uma perda estimada em 8 bilhões
          de reais com esse subsídio.
           
          Essa política afetou a geração de caixa da empresa, reduzindo sua
          capacidade de investimento. As ações da Petrobras perderam 8% do valor
          desde que o seu balanço financeiro foi divulgado, no último dia 9. Resume
          Paulo Resende, coordenador do núcleo de infraestrutura e logística da
          Fundação Dom Cabral: “O governo tem muitas frentes de combate, como as
          políticas sociais, a inflação e o investimento. Isso impõe a ele decidir o
          que é prioritário. Um caminho é ampliar as parcerias com o setor privado”.
          Foi o que ocorreu, finalmente, com os aeroportos. Falta expandir a
          iniciativa para novas áreas. E o governo fazer a sua parte.
            arthur garbayo <arthur...@gmail.com> Feb 19 05:56PM -0200  

            <http://vejaonline.abril.com.br/>18/02/2012
             
            *Gustavo Ioschpe*
             
            *O ensino superior do futuro *
             
            Há uns anos, fui dar uma palestra em uma universidade privada. Perguntei ao
            diretor qual era o maior desafio deles. Imaginei que ele fosse me dizer que
            eram outras universidades semelhantes, ou a universidade pública, mas não:
            “O que nos atrapalha é esse pessoal que engana os alunos dizendo que curso
            de dois anos é ensino superior”. Eis um bom retrato do nosso ensino
            superior: não só pequeno como atrasado. Hoje, nosso primeiro problema é
            termos uma taxa de matrícula de 22%, entre um terço e um quarto da dos
            países desenvolvidos, metade da de países como Chile, Venezuela e Peru e
            abaixo da de todos os Brics, exceto a Índia.
             
            A principal explicação para esse acanhamento no ensino superior é a
            falência da nossa educação básica. Mas, se algum dia consertarmos esse
            problema (crença que se aproxima cada vez mais do dito sobre o segundo
            casamento: é o triunfo da esperança sobre a experiência), nossos graduandos
            se defrontarão com um modelo de ensino superior defasado. Esse não é um
            problema só brasileiro. No começo do ano participei de um seminário sobre
            ensino superior em países em desenvolvimento na Universidade de Oxford, e o
            que se discutiu lá, mais aquilo que já vem sendo pensado aqui, nos permite
            ter uma ideia de como será o ensino superior da próxima geração. Eis os
            horizontes mais relevantes (agradeço a Jamil Salmi, até recentemente líder
            da área de ensino superior do Banco Mundial, por muitos dos exemplos
            abaixo).
             
            *Flexibilidade* - Durante séculos, o ensino superior foi algo que acontecia
            em universidades, em cursos de quatro anos, preparando o aluno para uma
            carreira específica. No futuro, o ensino se dará em universidades, em
            escolas técnicas e em outros formatos que ainda não conhecemos que permitam
            o *lifelong learning*, o aprendizado ao longo de toda a vida. Os cursos
            poderão ser presenciais ou on-line. Mais frequentemente, serão das duas
            formas. Terão dois, três ou quatro anos de duração. Tratarão de várias
            áreas do conhecimento, e estarão mais preocupados em ensinar a pensar do
            que em transmitir conhecimentos e habilidades específicos, pois a
            obsolescência do saber será ainda maior do que é hoje.
             
            *Menor duração *– O Brasil tem três tipos de formação: bacharelado,
            licenciatura e curso de tecnólogo. Esse último dura entre dois e três anos,
            focado no desenvolvimento de uma competência profissional específica,
            normalmente para cargos de salário médio. No Brasil, só 10% das matrículas
            em cursos presenciais está nesse tipo de curso. Na China, é mais da metade.
            Nos países desenvolvidos (OCDE), é um terço (dados disponíveis em
            twitter.com/gioschpe). Em vez de ser percebido como a melhor alternativa
            para a pessoa que busca um diferencial rápido e eficaz no mercado de
            trabalho, o curso de tecnólogo ainda é erroneamente visto como um “primo
            pobre” do ensino “de verdade”.
             
            *Laços com o ensino básico* – Nas últimas décadas, o ensino superior se
            massificou e deselitizou (o Brasil ainda chegará lá), e o ritmo de inovação
            no mercado de trabalho fez com que um diploma de uma boa universidade não
            fosse mais suficiente para uma carreira cada vez mais longa. Assim, a
            distinção entre educação básica e superior vai ter cada vez menos sentido.
            Ambas estarão dentro de um contínuo, que começa na pré-escola e só termina
            com a morte. Na Alemanha, as faculdades de engenharia e escolas
            politécnicas já estão em contato com jardins de infância para atrair
            futuros bons engenheiros. No Brasil, teremos um problema adicional a
            resolver: as áreas de licenciatura e pedagogia, hoje patinhos feios da
            academia, terão de ganhar em importância e prestígio. As universidades
            terão de entender que sem um aluno bem formado no ensino básico não
            conseguirão fazer o seu trabalho com qualidade.
             
            *Tecnologia *– No Brasil, só reconhecemos diplomas de instituições
            brasileiras, mas certamente em breve validaremos o ensino dado nas melhores
            universidades do mundo. Hoje já é possível assistir, on-line e sem custo, a
            aulas de instituições como o MIT e Stanford. Nos EUA, um sexto das
            matrículas do ensino superior já é feito em cursos on-line. O Brasil está
            chegando perto, com uma em cada sete, depois de uma explosão que levou o
            número de matriculados de 200 000, em 2006, para 930 000, em 2010.
            Stanford, Purdue e Duke são universidades que já gravam todos os seus
            cursos, para que os alunos possam baixá-los e rever as aulas quantas vezes
            quiserem. Há algumas semanas, a Apple lançou uma plataforma de venda de
            livros didáticos para o iPad. Além do texto, tem vídeos, animações, lugar
            para resumos. Em breve, serão compartilháveis.
             
            *Desabou a Torre de Marfim* – À medida que o ensino superior se massifica,
            desaparece a noção da academia como instituição alheia (e superior) ao
            mundo “real”. Haverá cada vez mais forte competição entre instituições pelo
            aluno, o que faz com que as universidades precisem se desdobrar para
            atender às demandas dos alunos e de seus futuros empregadores. A
            Universidade do Sul da Flórida dá uma garantia a seus alunos de engenharia:
            se, durante seus cinco primeiros anos no mercado de emprego, eles sentirem
            a necessidade de competências que não aprenderam na faculdade, podem voltar
            e aprendê-las de graça.
             
            *Currículo* – Oscar Wilde (1854-1900) escreveu que nada que vale a pena
            saber pode ser ensinado. O desafio das universidades do futuro será ensinar
            apenas aquilo que vale a pena saber, o que demandará novos currículos e
            nova didática. Um exemplo é o Olin College of Engineering, nos EUA. O
            ensino é centrado na resolução de problemas, sempre em equipes. Não há
            departamentos acadêmicos e os professores não recebem cátedra. O currículo
            é baseado em um triângulo entre engenharia (o projeto é exequível?),
            empreendedorismo (é viável?) e humanas (é desejável?).
             
            *Interdisciplinaridade *– Os problemas do mundo real são complexos e não
            respeitam fronteiras departamentais. A universidade do futuro terá de
            respeitar essa realidade. Todo aluno de graduação nos EUA passa por todas
            as grandes áreas do saber. Só no início do terceiro ano é que ele precisará
            decidir qual será a sua “major”, a área em que vai se diplomar. Antes
            disso, o futuro cientista estuda sociologia e o historiador estuda
            matemática. A especialização virá mesmo só na pós-graduação. Algumas
            universidades federais no Brasil tomaram a iniciativa de criar um
            “bacharelado interdisciplinar”. É um bom começo, ainda que a iniciativa
            seja limitada pelo fato de que o aluno estuda apenas uma de quatro grandes
            áreas (artes, humanidades, saúde e ciência e tecnologia).
             
            *Nada é de graça* – Um sistema educacional que matricule perto de 100% dos
            jovens (EUA, Finlândia e Coreia do Sul já estão chegando perto disso) é
            caro. Não é possível estender esse benefício a número tão grande de alunos
            e esperar que os contribuintes paguem a conta. Com exceção de México,
            República Checa e países escandinavos, todos os países da OCDE cobram
            mensalidades de seus alunos em universidades públicas. Passaremos por mais
            algumas invasões de reitorias, mas chegaremos lá.
             
             
             
            P.S. – O artigo do mês passado, sobre o fechamento de vagas em
            universidades de “má qualidade”, suscitou algumas respostas curiosas. Uma
            delas, de um médico que concordava que não se deviam fechar vagas em nenhum
            curso – exceto medicina. Pois haveria médicos suficientes para atender à
            população. Infelizmente, não é verdade. Há 1,87 médico por grupo de 1 000
            habitantes no Brasil. Nos países da OCDE, esse número é de 3,32 – 78% mais,
            portanto. No Uruguai, é de 4,18. Para chegarmos à média da OCDE,
            precisaríamos de 634 000 médicos, ou 277 000 mais do que temos hoje em
            atividade no país.
                    Flavio Tavares de Lyra <lyra....@gmail.com> Feb 19 01:39PM -0300  

                    Caros amigos: Examino neste texto o caráter pouco dinâmico do modelo
                    de capitalismo instaurado no Brasil com as reformas liberais dos anos
                    90 e as mudanças feitas na última década. Agradeço a divulgação que
                    possam fazer.
                     
                    Um forte abraço.
                    Flavio
                        arthur garbayo <arthur...@gmail.com> Feb 19 11:27AM -0200  

                        *‘Exportar matérias-primas tem limites’*
                         
                        *Criador do Bric alerta que preço de "commodities" cairá com PIB mais verde
                        da China e Brasil precisa mudar modelo*
                         
                        Gilberto Scofield Jr.
                         
                        Entrevista
                         
                        Jim O’Neill
                         
                        SÃO PAULO. Doze anos depois de criar o termo Bric — acrônimo de Brasil,
                        Rússia, Índia e China, grupo de países que, pelo tamanho da população e
                        ritmo de crescimento de suas economias, interferem nas relações econômicas
                        e de poder internacionais a partir do século XXI —, o economista Jim
                        O"Neill, presidente do Goldman Sachs Asset Management, lança seu novo
                        livro, "O mapa do crescimento: oportunidades econômicas no Bric" (no Brasil
                        em abril pela Globo Livros), reafirmando sua crença nestes países como
                        motores do crescimento do planeta.
                         
                        Mas faz um alerta: o preço das commodities cairá, afetado por um
                        crescimento diferente — e menor — de China e Índia, mais focadas em modelos
                        sustentáveis (uso de fontes de energia renováveis, carros elétricos e
                        tecnologias limpas). O Brasil, fornecedor de matérias-primas, deve buscar
                        agregar valor aos produtos que vende dentro do Bric e investir em
                        tecnologia e educação para mudar a base de sua economia. No livro, O"Neill
                        cria um novo indicador de desenvolvimento. O Growth Environment Score (GES,
                        Índice de Capacidade de Crescimento) usa 13 variáveis macro e
                        microeconômicas para medir a capacidade de um país de fazer convergir a sua
                        economia para os padrões de países de alta renda. O Brasil tem o mais alto
                        indicador entre o Bric, 5,5, mas a China, com 5,4, não fica muito atrás. E
                        a Coreia do Sul, país que O"Neill recomenda ao Brasil imitar, tem 7,6.
                         
                        *O GLOBO: Em seu novo livro, o Brasil está desde 2010 em primeiro lugar no
                        Bric no ranking do GES. Era o terceiro em 2005. O que houve?*
                         
                        JIM O"NEILL: Apesar de todos os problemas, o Brasil avançou em termos de
                        controle da inflação e do déficit público e com modesto crescimento do
                        comércio externo.
                        Comparativamente com os outros países do Bric, o país avançou, mas o índice
                        de 5,5 do Brasil é próximo ao 5,4 da China, que não foi tão bem em tópicos
                        como níveis de corrupção ou uso de tecnologia. O Brasil precisa fazer mais
                        e deveria mirar na Coreia do Sul, que possui um índice GES de 7,65.
                         
                        *E no que o Brasil precisa melhorar?*
                         
                        O"NEILL: Tem que avançar em quatro frentes: aumentar o uso da tecnologia,
                        especialmente computadores e internet; melhorar e ampliar a educação em
                        todos os níveis; aumentar a fatia do comércio externo no PIB (Produto
                        Interno Bruto, a soma de toda a riqueza produzida no país) e fazer crescer
                        os investimentos privados dentro dos investimentos totais.
                         
                        *O consumo interno dos países do Bric foi um motor extraordinário no
                        crescimento do planeta na última década. Vai continuar assim?*
                         
                        O"NEILL: A crise foi boa para alguns países, especialmente para a China,
                        porque evidenciou que o crescimento não pode ser baseado somente em
                        exportações, e para mercados ricos. O governo da China já sabia disso,
                        tanto que no último Plano Quinquenal, a prioridade do governo de Pequim é o
                        crescimento do mercado doméstico. Mas há uma mudança importante para a
                        próxima década. A China cresceu US$ 1,4 trilhão nos últimos dois anos.
                        Mantido esse ritmo, como digo no livro, o país ultrapassará os Estados
                        Unidos em tamanho até 2027, talvez antes. A China admira o estilo de vida
                        americano mas sabe que, com 1,3 bilhão de pessoas, o planeta não possui
                        condições de sustentar um padrão como o americano. Então o governo chinês
                        vem adotando um novo modelo de desenvolvimento mais sustentável, inclusive
                        em relação aos EUA.
                         
                        *E qual a consequência disso?*
                         
                        O"NEILL: Os países, especialmente alguns emergentes, como a China, mas
                        incluindo os ricos, se lançam no desenvolvimento de fontes alternativas e
                        renováveis de energia, novas formas de transporte menos agressivas para o
                        ambiente, maior produtividade na produção agrícola e industrial. A China já
                        é o terceiro país que mais opera carros elétricos e as indústrias
                        americanas mudam radicalmente para a adição de gás natural. O Brasil mesmo
                        já usa formas de energia alternativas e renováveis, como o etanol. Então é
                        preciso ter em mente que este modelo exportador de matérias- primas brutas
                        tem limites e vai perder importância no médio e longo prazos. O comércio
                        dentro do Bric, que cresceu bem mais que o comércio mundial, foi
                        fundamental para alavancar os países na última década, mas o Brasil precisa
                        estar atento a essas mudanças no formato do desenvolvimento, principalmente
                        o chinês.
                         
                        *O senhor diz no livro que titubeou sobre a inclusão do Brasil no Bric, a
                        despeito dos excelentes jogadores brasileiros de futebol, uma paixão sua.
                        Por que o Brasil entrou, afinal?*
                         
                        O"NEILL: Pela vitória do governo brasilero sobre a inflação.
                         
                        *Muita gente acha que México e Coreia do Sul deveriam entrar no Bric e o
                        senhor mesmo fala dos dois países. Por que não entraram no conceito?*
                         
                        O"NEILL: Por uma questão de tamanho do mercado interno, que é um fator
                        determinante para um país ser considerado um mercado de crescimento e pelo
                        grau de desenvolvimento.
                        Ainda que a Coreia do Sul tenha um forte mercado doméstico, o país tem
                        problemas demográficos, com uma população que envelhece rapidamente.
                        O México era o maior candidato para entrar.
                         
                        *Como a crise europeia afetará o crescimento dos emergentes? Ela será
                        capaz, por exemplo, de acelerar o jogo de forças dentro dos organismos
                        multilaterais, como o FMI?*
                         
                        O"NEILL: Não afetará tanto quanto em outras épocas. É incrível como alguns
                        países da Europa entraram num processo insular e isso é desapontador.
                        Porque o bloco tem que caminhar para uma abordagem de administração fiscal
                        única e redução de endividamento de forma conjunta.
                        Até mesmo por isso, os países europeus precisam se convencer de que não há
                        a necessidade de termos a União Europeia e mais cinco países europeus no
                        G-20. Ficarei desapontado se até o fim desta década, mudanças reais nos
                        organismos multilaterais não evidenciarem esta nova ordem. Porque o fato é
                        que o Bric cresceu muito mais radicalmente do que eu esperava de 2001 a
                        2010. O crescimento do PIB conjunto do Bric quadruplicou neste meio tempo
                        de US$ 3 trilhões para US$12 trilhões, representando 14% do PIB mundial.
                        Tem metade da população do planeta e é responsável por quase um terço do
                        crescimento mundial. As consequências geopolíticas disso são evidentes.
                        Ficarei desapontado se até o fim desta década o real brasileiro, o yuan
                        chinês e o rublo russo não tiverem um peso maior na cesta de moedas do FMI.
                         
                        *O senhor fala na importância do comércio internacional para o crescimento
                        dos países.
                        Por que é tão difícil destravar a Rodada de Doha então?*
                         
                        O"NEILL: Primeiro, porque é um processo muito burocrático, que envolve
                        muitos países, que querem muitas coisas. Segundo, porque o comércio entre
                        os países do Bric aumentou tanto e se complementou tanto que a Rodada de
                        Doha, para eles, já não tem mais a menor importância. O próprio crescimento
                        do fenômeno da globalização enfraquece estes mecanismos formais de
                        discussão sobre desregulação tarifária.
                         
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                        *Novas formas de prever o futuro*
                         
                        *Indicador avalia capacidade de 180 países de atingir alto padrão de renda*
                         
                        SÃO PAULO. O economista Jim O"Neill não cansa de se dizer surpreso com o
                        desempenho do Bric na última década. Ele confessa isso em seu novo livro "O
                        mapa do crescimento: oportunidades econômicas no Bric", admitindo que,
                        olhando para trás, poderia ter sido mais audacioso nas previsões de
                        crescimento a longo prazo. O trunfo do seu livro não se resume ao balanço
                        da saga do Bric, mas traz uma discussão sobre o que realmente faz com que
                        um país se torne de renda elevada. E, a partir daí, levando em conta
                        diversas variáveis, especialmente demográficas, traçar macrotendências.
                         
                        A criação do Growth Environment Score (GES, Índice de Capacidade de
                        Crescimento) — indicador que usa13 variáveis macro e microeconômicas para
                        medir a capacidade de 180 países de fazer convergir suas economias para
                        altos padrões de renda — avança muito ao incluir no árido terreno das
                        análises econômicas variáveis não econômicas, como uso de internet e
                        computadores, educação, Justiça, níveis de corrupção, estabilidade
                        política, expectativa de vida, entre outros.
                        Educação e uso de tecnologia são, para ele, pontos-chave das grandes
                        transformações.
                         
                        O comércio entre o Bric foi apontado por O"Neill como o grande trunfo de
                        crescimento, com Brasil e Rússia oferecendo boa parte das commodidites de
                        que precisam China e Índia.
                        — No Bric, o comércio foi de fato a chave para o sucesso do acrônimo — diz
                        Christian Deseglise, executivo-sênior de Distribuição de Fundos do HSBC na
                        América Latina e codiretor do BricLab da Universidade de Columbia.
                        — Não se pode também menosprezar o impacto da apreciação do câmbio desses
                        países.
                         
                        O Goldman Sachs projeta que as dez maiores economias do planeta em 2050
                        serão EUA, China, Índia, Japão, Brasil, Rússia, Reino Unido, Alemanha,
                        França e Itália. O conceito N-11 (Next Eleven, os próximos candidatos a se
                        tornarem Bric), criado em 2005, é desenvolvido para explicar a importância
                        de um grande mercado consumidor na trajetória do desenvolvimento. O grupo
                        (Bangladesh, Egito, Indonésia, Irã, México, Nigéria, Paquistão, Filipinas,
                        Coreia do Sul, Turquia e Vietnã) tem pouco em comum.
                         
                        — O N-11 é um conceito arriscado porque não há estabilidade política em
                        muitos países. É o caso do governo no Egito, dos fundamentalistas no
                        Paquistão ou a possibilidade de crise entre Irã e Israel, cada vez maior —
                        diz Fabiano Mielniczuk, do Centro de Estudos dos Países Bric da PUC-Rio e
                        da prefeitura carioca.
                        Sobre o Brasil, O"Neill não economiza elogios, mas adverte para o risco da
                        doença holandesa, consequência da supervalorização do real, que poderá
                        afetar a produção industrial e as exportações.
                        Para ele, em 2050, o país terá uma economia de US$ 10 trilhões.
                        (Gilberto Scofield Jr.)
                         
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                        O GLOBO
                         
                        19fev12

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