envolvi] E-mail de compilação para desenvolvimentistas@googlegroups.com - 17 mensagens em 7 tópicos

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desenvolv...@googlegroups.com

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Feb 12, 2012, 4:18:08 AM2/12/12
to Destinatários de e-mail de compilação

Grupo: http://groups.google.com/group/desenvolvimentistas/topics

    Flavio Tavares de Lyra <lyra....@gmail.com> Feb 12 01:18AM -0200  

    Caros amigos: Vale a pena examinar os argumentos usados nesse
    interessante debate em torno do grau de dominação que a China poderá
    exercer nos próximos anos sobre a economia mundial.
    Um abraço.
    Flavio
     
     
    ---------- Forwarded message ----------
    From: arthur garbayo <arthur...@gmail.com>
    Date: 2012/2/11
    Subject: FOREIGN AFFAIRS / Scissors and Subramanian : The Great China
    Debate. Will Beijing Rule the World?
    To:
     
     
    The Great China Debate
     
    Will Beijing Rule the World?
    By Derek Scissors; Arvind Subramanian
    January/February 2012
     
    --
     
     
     
     
     
     
     
     
    --
     
    Para ter mais informação acesse estes portais:
    www.desenvolvimentistas.com.br e http://www.joserobertoafonso.ecn.br/

     

    ceci....@terra.com.br Feb 11 12:07PM  

    Uma das formas de combater teses equivocadas é o recurso à
    história concreta de nosso país e de nosso povo. Vejam abaixo
    pronunciamento de líder empresarial contemporâneo da criação de
    duas grandes empresas - Companhia Vale do Rio Doce e Companhia
    Siderúrgica National - , retiradas do alcance do corsário dono de
    muitas ferrovias brasileiras, Percival Farqhuar. Ceci
    ...
    "Tenhamos em mente o sucedido com o canal de Suez que pela sua
    posição estratégica tornou-se cobiçado
    Uma vez de posse da empresa organizada para explorá-lo, teve a
    Inglaterra todas as facilidades para a intervenção armada e completo
    domínio sobre o Egito.
    ...
    Não será pois despropositado, nos tempos que correm, quando
    assistimos aos fatos mais desconcertantes nas relações
    internacionais, termos a preocupação de não entregar a mãos
    estrangeiras este precioso sistema: Jazidas de minério ligadas por
    uma estrada de ferro a um porto de mar. Tudo isso contratualmente
    assegurado aos exclusivos interesses alienígenas por uma concessão
    praticamente perpétua ! "
    GUILHERME GUINLE. A Grande Siderurgia e a exportação de minério
    de ferro brasileiro em larga escala (retirado de E. CARONE, O
    Pensamento Industrial no Brasil 1880-1945)

     

    Sergio Botinha <sergiop...@yahoo.com.br> Feb 11 04:55AM -0800  

    Venho acompanhando o debate do site e de uma maneira geral o debate da
    sociedade e acredito que mais uma análise pode ser feita do
    Governo. Cada dia mais é possível vislumbrar melhor os rumos de Dilma e explicar ações e reações, o que nos foi de certa maneira difícil durante o primeiro ano.
     
    Há graves faltas de planejamento no setor da Educação, hoje,
    principalmente no ensino médio! Esses problemas continunam e são sérios.
     Um outro problema, continua sendo a prioritização de algumas obras em detrimento de outras (reposiçao do São Francisco invés
    de Hidrovias e Ferrovias mais bem acertadas), tratam-se de desperdícios
    de aporte, o que, apesar de não dever ser aceitável, é normal ocorrerem.
     
    O combate à corrupção, ainda que sugerido pelos PIG,fortaleceram o Governo e ajudaram a agenda, uma vez que o
    combate ao desperdício e a melhoria (imensamente necessária) do Poder
    Judiciário são medidas extremamente necessárias. Oxalá dê resultados!
     
    Se o Poder Judiciário melhorar um pouco que seja, mas de forma
    efetiva, no sentido de impedir certas injustiças e prescrições, não
    imaginamos as melhorias que daí poderiam advir.
     
     
    No campo da economia, ainda no capítulo da batalha da Crise financeira,
    enxergo timidamente um fio da meada. O que que está acontecendo com as
    vozes dos críticos que esquecem de aplaudir o que tanto pediram, como a
    redução dos juros? Deverão entrar nos pormenores, discutir os méritos?
     
    Fato é que a política ecônomica, seja por abarcar a tese do risco, qual
    seja a de investigar a dinâmica a ocorrer quando juros baixos e admissão das taxas inflacionárias flutuantes se
    conjugassem fez o que muitos queriam e pediam.
     
    A dependência nas commodities é uma preocupação, mas ela se advém da
    inafastável condição que o País tem de ser o famoso celeiro planetário,
    detentor de recursos importantíssimos. Isso é uma circunstância que
    melhora havendo uma Política Indústrial mais eficaz, efetiva
    possível, mas também é uma circunstância que tem limites e delineadores
    na cultura além de termos, é claro, uma demanda externa a atender. São
    delineadores que têm a ver com vocações e condições e que precisam ser enfrentados. Tímida a ação, ainda, de Fernando Pimentel no comando do MDIC.
    O Combate à internacionalização de bens deve continuar a ser preocupação (aí vejo melhors iniciativas do MDIC)
    Mas o capital estrangeiro deve continuar como parceiro, o dinamismo dessa conjugação de forças é necessário para a rápida
    acomodação da nova classe média interna (mercado interno enlevado) e
    continuidade das melhorias de condicionantes. Mas aí é necessário
    pontuar com melhor educação e um pouco mais de vigor cultural no melhor
    sentido da ética (desculpem se fui conservador aqui, mas se a ética é
    conservadora, nesse ponto ficaria feliz com a categorização)
     
     
    Um dia um algum grande presidente ainda vai criar uma vigorosa
    regulamentação na saída de todas as riquezas. E na imposição de agregação de valor nelas. Temos potencial para dominar o mundo :) ?
     
     
    Eu assumiria a crítica na falta de foco no aperfeiçoamento dos entraves
    burocráticos e contrários à produção. Muito grave e vejo, no dia a dia, como isso entrava a iniciativa produtiva. É assustador esse custo não tributário.
    Com a potencial saída do fluxo de capital saindo dos investimentos financeiros dada redução da Selic (agora prevista para cerca de 9%) o Governo tem de desamarrar entravas para a produção. Isso é tão ou mais importante que defesa comercial para a indústria.
     
    Aliás, dava para fazer uma grande revolução industrial nesse país sem precisar preocupar-se com defesa comercial.
     
     
     
    De uma forma geral, não acredito que haja uma descoordenação de
    propósitos, o que é mais importante. Vejo a coordenação clara e a aceitação tácita a práticas que a Presidente não aprova, mas em nome do pragmatismo necessário.Há o embate político de todos os
    dias, é bruto, não se enganem, pois move com pessoas e com fortunas
    palpáveis. Acredito que a condução se mantém, e essa conclusão não vem isenta de surpresas, pois todas as conclusões a que se chega, o processo de conclusão não ´óbvio e latente, mas deve ser percorrido analisando indicações sutis e demais surpresas, diferentemente de Lula, tão óbvio, mas no caso de Dilma,
    com as surpresas advindas da Presidenta mineira.
     
    A condição feminina da líder maior impõs ao País, ainda que com
    enredo a tiros e facadas, um avanço na discussão dos Direitos Humanos
    (e equânimes) das mulheres.
     
    No campo dos Direitos Humanos e da Política Internacional, pouco tenho a
    me manifestar, até por achar sempre que o teatro da Diplomacia muda (e
    deve) mudar o tempo todo. Dizer que ela foi ou não condescendente com
    Cuba é mera questão de interpretação de discursos. Ela foi lá e mexeu no
    tema. É o máximo que líderes como os americanos fazem quando visitam a
    China ou tratam com países árabes, e suas culturas distintas. Manteve-se
    distante nas quesões beligerantes, até mesmo porque aí não haverá nada
    para fazermos, além de solicitar aos outros o bom senso e a paz e foi
    irônica sobre os empréstimos que nem mesmo a Europa de Merkel não faz a
    si própria.
     
     
    Esse percurso do governo é feito de altos e baixos, mas é sua consecução
    que vai fazendo a História. CLaro que o grupo de pessoas que lá estão é
    heterogêneo e nenhum grupo vai ter total coesão de príncipios e de
    forças. Mas de uma forma geral, vê-se que há comando.
    Erros específicos, há de se convir, sempre existirão, em qualquer governo, mas a justeza do atual reside exatamente na continuada percepção dos objetivos de deslocamento da rota de benesses governamentais (ou de políticas ou de recursos) tangenciando essa rota para atingir a uma classe antes desatendida. Quaisquer que sejam as críticas ou antipatias, é extremamente injusto qualquer análise que destoe dessa tendência.
    É isso amigos, minha opinião - formou-se quando tinha de ser , e espero
    que alguém concorde com alguma coisa!
    E também discorde, claro. Também me ressalvo o direito de lembrar e
    mudar de idéia !:)!
     
    Ressalvo que não faço essa análise sob o calor de qualquer agenda de
    notícias do dia de hoje. Simplesmente vamnos querendo ver a "cara" do
    governo e não podemos fazê-lo às labaredas do momento. Aliás, no
    momento, a questão da privatização é mesmo muito curiosa e vai merecer
    futuras análises de qualquer um que teime em querer analisar um Governo.
    A princípio, vejo que é o teste de um molde, um pragmatismo o Governo
    que, muito bem, sabe que o importante é fazer os aeroportos funcionarem
    e não ficarem discutindo. Tomara que funcione. É evidente que o governo
    está gastando e que o ágio é um pouco do retorno disso, e o
    gerenciamento deverá vir da iniciativa privada. Também não se tratou de uma privatização, mas de uma concessão, há importantes diferenças entre a alienação e a concessão. Creio que foi proposital
    o discurso duro de Dilma hoje na visita a obras no nordeste,
    demonstrando que vai cobrar resultado das obras (isso é ela enfrentando
    os problemas de infra-estrutura e fraco desembolso de investimento,
    críticas a seu primeiro ano - ela está enfrentando o problema, que sabe
    que tem nas mãos, de infra estrutura, parabéns por isso, tomara que dê
    certo).
     
     
    Não pretendi tampouco aqui me estender sobre a oposição, que não tem
    muito mesmo a acrescentar no debate. Aliás, na minha primeira análise do
    Governo isso já era conclusão - o maior trabalho da Presidente é tratar
    com sua rede de apoios - li com gosto e interesse uma nota da Veja,
    informando que Dilma havia deixado escapar que os momentos que mais quer
    evitar no governo são aqueles de ter de lidar com o Congresso.
     
     
     
     
    Sobre os caminhos do grupo, se posso oppinar, acredito que o grupo deve
    decidir a voz e os temas que quer levantar, e dentre esses temas,
    dividi-lo em grupos que vão pensar mais especificamente como fazer-se
    ouvir.
    .
     
     
    No mais é um sucesso Gustavo, e todos os demais que conheço só das
    linhas a iniciativa de fomentar esse nosso debate
     
    Abraços
     
    Sergio P. Botinha

     

    "Carlos Ferreira" <ferre...@oi.com.br> Feb 11 09:49PM -0200  

    Ainda bem que alguém conseguiu romper a “camisa-de-força” na qual a
    discussão “privatização x concessão” nos estava sendo imposta, e passou a
    uma análise crítica mais ampla e pró-ativa das ações do governo federal.
     
    Qualquer um que tenha exercido algum tipo de gerência ou coordenação, mesmo
    que tenha sido em um simples condomínio, sabe o quanto é difícil governar.
    Agora, imagine fazer isto em país complexo como o nosso. Sob uma
    Constituição misto de parlamentarismo/presidencialismo, onde é necessária
    uma maioria parlamentar impossível de ser conseguida, que não por
    coligações. Com um Judiciário que nem cabe mais falar. Um mídia monopolista
    sem qualquer compromisso com a Nação. Uma província separatista (S. Paulo) e
    preconceituosa que pensa que "L'État c'est moi". Um cenário político
    internacional extremamente complicado e ameaçador. E para coroar tudo isto,
    um elite colonizada cujo o objetivo principal é enriquecer cada vez mais,
    sem qualquer compromisso com a nossa gente e o Brasil. É “coisa para
    maluco”. Mesmo assim, como no texto do Sérgio Botinha e ressaltado no artigo
    do Antonio Lacerda, temos o que comemorar neste 1ª ano de governo da
    Presidenta Dilma.
     
    Abs,
     
    Carlos
     

     
    De: desenvolv...@googlegroups.com
    [mailto:desenvolv...@googlegroups.com] Em nome de Rodrigo Medeiros
    Enviada em: sábado, 11 de fevereiro de 2012 12:43
    Para: desenvolv...@googlegroups.com
    Assunto: Re: envolvi] analise
     

     
    Acredito que o artigo do Antonio Correa de Lacerda acertou na mosca:
     

     
    http://blogprojetonacional.com.br/a-armadilha-da-acomodacao/
     

     
    Cordialmente,
     
    2012/2/11 Sergio Botinha <sergiop...@yahoo.com.br>
     

     
    Venho acompanhando o debate do site e de uma maneira geral o debate da
    sociedade e acredito que mais uma análise pode ser feita do
    Governo.

    Cada dia mais é possível vislumbrar melhor os rumos de Dilma e explicar
    ações e reações, o que nos foi de certa maneira difícil durante o primeiro
    ano.
     
     
    Há graves faltas de planejamento no setor da Educação, hoje,
    principalmente no ensino médio! Esses problemas continunam e são sérios.
    Um outro problema, continua sendo a prioritização de algumas obras em
    detrimento de outras (reposiçao do São Francisco invés
    de Hidrovias e Ferrovias mais bem acertadas), tratam-se de desperdícios
    de aporte, o que, apesar de não dever ser aceitável, é normal ocorrerem.

    O combate à corrupção, ainda que sugerido pelos PIG,fortaleceram o Governo e
    ajudaram a agenda, uma vez que o
    combate ao desperdício e a melhoria (imensamente necessária) do Poder
    Judiciário são medidas extremamente necessárias. Oxalá dê resultados!

    Se o Poder Judiciário melhorar um pouco que seja, mas de forma
    efetiva, no sentido de impedir certas injustiças e prescrições, não
    imaginamos as melhorias que daí poderiam advir.


    No campo da economia, ainda no capítulo da batalha da Crise financeira,
    enxergo timidamente um fio da meada. O que que está acontecendo com as
    vozes dos críticos que esquecem de aplaudir o que tanto pediram, como a
    redução dos juros? Deverão entrar nos pormenores, discutir os méritos?

    Fato é que a política ecônomica, seja por abarcar a tese do risco, qual
    seja a de investigar a dinâmica a ocorrer quando juros baixos e admissão
    das taxas inflacionárias flutuantes se
    conjugassem fez o que muitos queriam e pediam.

    A dependência nas commodities é uma preocupação, mas ela se advém da
    inafastável condição que o País tem de ser o famoso celeiro planetário,
    detentor de recursos importantíssimos. Isso é uma circunstância que
    melhora havendo uma Política Indústrial mais eficaz, efetiva
    possível, mas também é uma circunstância que tem limites e delineadores
    na cultura além de termos, é claro, uma demanda externa a atender. São
    delineadores que têm a ver com vocações e condições e que precisam ser
    enfrentados. Tímida a ação, ainda, de Fernando Pimentel no comando do MDIC.

     
    O Combate à internacionalização de bens deve continuar a ser preocupação (aí
    vejo melhors iniciativas do MDIC)
    Mas o capital estrangeiro deve continuar como parceiro, o dinamismo dessa
    conjugação de forças é necessário para a rápida
    acomodação da nova classe média interna (mercado interno enlevado) e
    continuidade das melhorias de condicionantes. Mas aí é necessário
    pontuar com melhor educação e um pouco mais de vigor cultural no melhor
    sentido da ética (desculpem se fui conservador aqui, mas se a ética é
    conservadora, nesse ponto ficaria feliz com a categorização)


    Um dia um algum grande presidente ainda vai criar uma vigorosa
    regulamentação na saída de todas as riquezas. E na imposição de agregação de
    valor nelas. Temos potencial para dominar o mundo :) ?
     
     
    Eu assumiria a crítica na falta de foco no aperfeiçoamento dos entraves
    burocráticos e contrários à produção. Muito grave e vejo, no dia a dia, como
    isso entrava a iniciativa produtiva. É assustador esse custo não tributário.
     
    Com a potencial saída do fluxo de capital saindo dos investimentos
    financeiros dada redução da Selic (agora prevista para cerca de 9%) o
    Governo tem de desamarrar entravas para a produção. Isso é tão ou mais
    importante que defesa comercial para a indústria.

    Aliás, dava para fazer uma grande revolução industrial nesse país sem
    precisar preocupar-se com defesa comercial.



    De uma forma geral, não acredito que haja uma descoordenação de
    propósitos, o que é mais importante. Vejo a coordenação clara e a aceitação
    tácita a práticas que a Presidente não aprova, mas em nome do pragmatismo
    necessário.Há o embate político de todos os
    dias, é bruto, não se enganem, pois move com pessoas e com fortunas
    palpáveis. Acredito que a condução se mantém, e essa conclusão não vem
    isenta de surpresas, pois todas as conclusões a que se chega, o processo de
    conclusão não ´óbvio e latente, mas deve ser percorrido analisando
    indicações sutis e demais surpresas, diferentemente de Lula, tão óbvio, mas
    no caso de Dilma,
    com as surpresas advindas da Presidenta mineira.

    A condição feminina da líder maior impõs ao País, ainda que com
    enredo a tiros e facadas, um avanço na discussão dos Direitos Humanos
    (e equânimes) das mulheres.

    No campo dos Direitos Humanos e da Política Internacional, pouco tenho a
    me manifestar, até por achar sempre que o teatro da Diplomacia muda (e
    deve) mudar o tempo todo. Dizer que ela foi ou não condescendente com
    Cuba é mera questão de interpretação de discursos. Ela foi lá e mexeu no
    tema. É o máximo que líderes como os americanos fazem quando visitam a
    China ou tratam com países árabes, e suas culturas distintas. Manteve-se
    distante nas quesões beligerantes, até mesmo porque aí não haverá nada
    para fazermos, além de solicitar aos outros o bom senso e a paz e foi
    irônica sobre os empréstimos que nem mesmo a Europa de Merkel não faz a
    si própria.


    Esse percurso do governo é feito de altos e baixos, mas é sua consecução
    que vai fazendo a História. CLaro que o grupo de pessoas que lá estão é
    heterogêneo e nenhum grupo vai ter total coesão de príncipios e de
    forças. Mas de uma forma geral, vê-se que há comando.

     
    Erros específicos, há de se convir, sempre existirão, em qualquer governo,
    mas a justeza do atual reside exatamente na continuada percepção dos
    objetivos de deslocamento da rota de benesses governamentais (ou de
    políticas ou de recursos) tangenciando essa rota para atingir a uma classe
    antes desatendida. Quaisquer que sejam as críticas ou antipatias, é
    extremamente injusto qualquer análise que destoe dessa tendência.
    É isso amigos, minha opinião - formou-se quando tinha de ser , e espero
    que alguém concorde com alguma coisa!
    E também discorde, claro. Também me ressalvo o direito de lembrar e
    mudar de idéia !:)!

    Ressalvo que não faço essa análise sob o calor de qualquer agenda de
    notícias do dia de hoje. Simplesmente vamnos querendo ver a "cara" do
    governo e não podemos fazê-lo às labaredas do momento. Aliás, no
    momento, a questão da privatização é mesmo muito curiosa e vai merecer
    futuras análises de qualquer um que teime em querer analisar um Governo.
    A princípio, vejo que é o teste de um molde, um pragmatismo o Governo
    que, muito bem, sabe que o importante é fazer os aeroportos funcionarem
    e não ficarem discutindo. Tomara que funcione. É evidente que o governo
    está gastando e que o ágio é um pouco do retorno disso, e o
    gerenciamento deverá vir da iniciativa privada. Também não se tratou de uma
    privatização, mas de uma concessão, há importantes diferenças entre a
    alienação e a concessão. Creio que foi proposital
    o discurso duro de Dilma hoje na visita a obras no nordeste,
    demonstrando que vai cobrar resultado das obras (isso é ela enfrentando
    os problemas de infra-estrutura e fraco desembolso de investimento,
    críticas a seu primeiro ano - ela está enfrentando o problema, que sabe
    que tem nas mãos, de infra estrutura, parabéns por isso, tomara que dê
    certo).


    Não pretendi tampouco aqui me estender sobre a oposição, que não tem
    muito mesmo a acrescentar no debate. Aliás, na minha primeira análise do
    Governo isso já era conclusão - o maior trabalho da Presidente é tratar
    com sua rede de apoios - li com gosto e interesse uma nota da Veja,
    informando que Dilma havia deixado escapar que os momentos que mais quer
    evitar no governo são aqueles de ter de lidar com o Congresso.




    Sobre os caminhos do grupo, se posso oppinar, acredito que o grupo deve
    decidir a voz e os temas que quer levantar, e dentre esses temas,
    dividi-lo em grupos que vão pensar mais especificamente como fazer-se
    ouvir.
    .


    No mais é um sucesso Gustavo, e todos os demais que conheço só das
    linhas a iniciativa de fomentar esse nosso debate

    Abraços
     

     
    Sergio P. Botinha
     

     
    --
    Notícias, Informações e Debates
    sobre o Desenvolvimento do Brasil:

    www.desenvolvimentistas.com.br
     

     
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    "Roberto na UOL" <roberto...@uol.com.br> Feb 11 08:22AM -0200  

    Perfeito!
     

     
    De: desenvolv...@googlegroups.com
    [mailto:desenvolv...@googlegroups.com] Em nome de Samuel Gomes
    Enviada em: sábado, 11 de fevereiro de 2012 00:43
    Para: desenvolv...@googlegroups.com
    Assunto: Re: envolvi] Sobre a privataria tucana e petista...
     

     
    Prezados
     

     
    Que tal analisarmos um caso concreto? As ferrovias foram privatizadas no
    governo FHC. Foram concessionadas à iniciativa privada. Nada foi vendido.
    Foram transferidos bens operacionais e não operacionais e a concessão
    propriamente dita. Fixou-se preço para a concessão e para o uso dos bens
    operacionais. E criou-se - cinco anos depois, é verdade - a agência
    reguladora, ANTT. Deu no que deu. Não adiante dizer que o Estado pode
    retomar o serviço se ele não estiver aparelhado para isso. A realidade é que
    o Estado fica refém do capital, que passa a gerir as próprias agências, como
    é o caso da ANTT. A maior parte da malha destruída, com financiamento do
    BNDES e participação dos fundos de pensão.
     

     
    Abraço
     

     
    Samuel
     

     
    Em 10 de fevereiro de 2012 12:15, Celso Evaristo Silva .
    <oslec...@globo.com> escreveu:
     
    Meus caros,
     

     
    Há diferença sim entre privatizar e fazer concessões, não é mero jogo de
    palavras: quem privatiza transfere o patrimônio público - sem consultar a
    população, o povo - definitivamente, definitivamente, para para um ente
    privado, uma empresa, um grupo privado ou uma pessoa; quando uma concessão é
    feita, é a posse e o uso do bem ou serviço que, temporariamente fica sob
    responsabilidade do ente privado. Findo o período da concessão, o serviço
    retorna para o poder público. Se a Cia Valle for mal administrada e quebrar,
    já era. Mas se os vencedores do leilão das concessões não cumprirem o que é
    exigido no edital da concessão, o poder público pode intervir e reaver o
    controle do serviço. Falar diferente disso é propaganda tucana. Não sou
    filiado ao PT, mas a verdade precisa ser dita.
     

     
    ab
     

     
    Celso
     
    Em 10 de fevereiro de 2012 11:50, Rodrigo Medeiros <medro...@gmail.com>
    escreveu:
     

     
     
    Sinais trocados e convergentes
     
     
    Por Maria Cristina Fernandes / Valor Econômico
     
    O governo do PT faz privatização de ágio recorde e o líder de um dos mais
    longos motins da história é do PSDB. Petistas renegam o termo privatização,
    da mesma maneira que tucanos sustentam que a principal liderança da
    paralisação dos policiais militares de Salvador, Marco Prisco, do PSDB, só
    tem a ficha de filiação.
     
    A privatização dos três aeroportos responsáveis por 30% do movimento aéreo
    do país tem consequências mais claras para o debate político que o motim
    baiano.
     
    Nenhum tucano vai sair em defesa de Prisco porque greve policial é
    inconstitucional. Se é por meio da polícia que o Estado exerce o monopólio
    da força, seus integrantes, ainda que tenham o direito, como qualquer
    trabalhador, de fazer reivindicações, ameaçam a segurança do cidadão porque
    ao cruzarem os braços os deixam mais próximos de suas armas.
     
    Convicções estatizantes não elegem presidente
     
    Prisco já passou por PCdoB e PSOL antes de aportar no PSDB por conveniências
    regionais e eleitorais. Os tucanos dificilmente teriam como capitalizar um
    movimento ilegal e do qual já foram vítimas em São Paulo e Minas. Mas
    sobrevive como problema à espera de um partido a conciliação entre pisos
    nacionais para o funcionalismo público e o gargalo das finanças estaduais. O
    governador Jaques Wagner (PT) mostrou que, apesar dessa bandeira ter ajudado
    a elegê-lo, não é só o PSDB que custa a honrá-la.
     
    Se o motim baiano mostrou que petistas e tucanos convergem na dificuldade de
    lidar com funções essenciais do Estado, como a segurança pública, a
    presidente Dilma revelou a grande comunhão entre os dois partidos quando o
    tema é a alienação de serviços públicos à iniciativa privada.
     
    É do jogo que petistas se contorçam para tentar diferenciar a privatização
    dos aeroportos daquelas feitas no governo Fernando Henrique Cardoso, mas não
    faz sentido dizer que um faz concessões enquanto o outro privatiza.
     
    Telefonia, ferrovias e energia elétrica também são serviços públicos que
    foram concedidos à iniciativa privada por meio de leilões. Todos tiveram
    participação de fundo de pensão e BNDES. As privatizações do PT preservaram
    uma fatia maior com o Estado, o que, por si só, não lhes garante selo de
    qualidade.
     
    Ônibus municipais são tradicionais concessões à iniciativa privada em
    governos de quaisquer colorações. Ninguém questiona que assim o seja, apesar
    de uma pesquisa do Ipea ter apurado que 50 milhões de brasileiros não usam
    transporte coletivo regularmente porque não podem pagar tarifa.
     
    Talvez não seja coincidência que um dos últimos prefeitos a tentar
    confrontar os concessionários municipais de transporte, Luiza Erundina, ter,
    há muito, deixado o PT.
     
    Useiro e vezeiro em propagar estelionato eleitoral e privatarias tucanas, é
    natural que o PT tema perder discurso e eleitor.
     
    Mas se algum voto os petistas ganharam em cima das privatizações tucanas, é
    provável que isso tenha ocorrido menos em função das convicções estatizantes
    do eleitorado nacional do que da percepção de que a venda de patrimônio
    público não trouxe os benefícios esperados.
     
    Hoje o país tem mais celular que gente, o que não significa que todos os
    brasileiros tenham um, mas serviços de defesa do consumidor calculam que a
    assinatura básica da telefonia teve um aumento de mais de 100% acima da
    inflação desde a privatização.
     
    Na energia, o governo petista tentou reverter a alta de tarifas decorrente
    das privatizações com leilões vencidos não pelo maior ágio, mas pela empresa
    que se dispusesse a cobrar menos do consumidor. Nas rodovias também se
    buscou o mesmo modelo, mas um e outro falharam em baixar tarifas.
     
    Um motivo possível para isso é que a maior parte dessas atividades é
    monopólio natural, em que é difícil estabelecer concorrência.
     
    Sem disputa de mercado, aumenta a responsabilidade da regulação. Esvaziadas
    nos governos petistas, é de se esperar, agora que têm uma privatização para
    chamar de sua, que as agências reguladoras sejam fortalecidas.
     
    Se a regulação tem sido inconstante, a participação do consumidor na gestão
    das concessionárias de serviços públicos tem sido desprezada por governos de
    ambas as colorações, a despeito de a Lei das Concessões exigi-la.
     
    Em audiência pública recente no Congresso, o presidente de uma confederação
    de usuários de transportes informou que nas concessões municipais de ônibus
    apenas 1% das cidades têm comissões de gestão que reúnem governo, empresas e
    consumidores.
     
    Dados o valor do ágio pago, a natureza monopolística do serviço
    aeroportuário, a regulação incipiente e a fraca participação dos usuários na
    gestão, é de se esperar que eficiência e tarifas não sigam o mesmo compasso.
     
    Pelas idas e vindas do processo, o governo parece ter tomado a decisão de
    privatizar por ter ficado sem saída. O número de passageiros praticamente
    duplicou na era petista, e no ano passado mais brasileiros usaram avião do
    que ônibus para viagens entre Estados.
     
    Estudo do Ipea mostrava desde o início do ano passado que não seria possível
    concluir os aeroportos das cidades-sede da Copa com o aporte de
    investimentos que se vinha fazendo no setor. E a Infraero se queixava de que
    as amarras do setor público não permitiam agilizá-los.
     
    Um dos contorcionismos produzidos por um ministro de Estado foi o de que a
    privatização petista, ao contrário da tucana, não serviria para pagar
    dívida, mas para fazer face aos investimentos necessários à infraestrutura
    aeroportuária. Não há garantia, no entanto, de que os recursos do fundo de
    aviação, que acolherá os R$ 24,5 bilhões arrecadados, não venham a ser
    contingenciados para fazer superávit assim como foram os do fundo de
    telecomunicações.
     
    No breve comentário sobre o leilão dos aeroportos, a presidente Dilma
    Rousseff limitou-se a dizer que agora caberia ao governo zelar pela
    eficiência da administração privada. E há de torcer também para que a renda
    da população continue crescendo para abarcar o aumento das tarifas.
     
    Só não dá pra saber que discurso terá o PT se o partido for mais capaz de
    colocar aeroportos para funcionar do que garantir que o funcionalismo preste
    um bom serviço público.
     
    Maria Cristina Fernandes é editora de Política.
     
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    "RCM" <arau...@globo.com> Feb 11 08:42AM -0200  

    Também não conheço os detalhes do “negócio” aeroportos, se é que é um
    negócio. Estou tentando levantar questões relacionadas que, na minha
    opinião, tornam essa discussão privatização x concessão um debate teórico.
     
    1. Como disse o Samuel Gomes, nas concessões, o estado fica refém do
    capital. Não só porque compromete recursos públicos via BNDES, desonerações
    e fundos estatais, mas também por estar absolutamente incapacitado de
    retomar a concessão caso haja quebras graves de contrato. Na prática, o que
    se vê é exatamente isso. Vergonhosos exemplos de péssimos serviços e o velho
    e bem brasileiro “fica tudo por isso mesmo”. São muitos os exemplos.
     
    2. Interrompeu-se a privatização das empresas, mas a continuidade de
    deterioração do seu corpo técnico continua. Mais veloz do que antes! Quem
    garante que daqui a dois ou três anos, alguém do governo diga: É, ta vendo,
    não tem jeito mesmo! Tem que privatizar!
     
    3. 30 anos é um tempo longo demais para fazer diferença entre uma coisa e
    outra.
     

     

     
    De: desenvolv...@googlegroups.com
    [mailto:desenvolv...@googlegroups.com] Em nome de Márcio Oliveira
    Enviada em: sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 22:47
    Para: desenvolv...@googlegroups.com
    Assunto: Re: RES: envolvi] Sobre a privataria tucana e petista...
     

     
    De acordo, Roberto. Como disse, nao tenho opiniao formada sobre essas
    conceçoes de aeroportos. Se tivessemos alguem na lista q entendesse do setor
    teriamos aqui um belo debate. Enquanto isso, podemos avançar no distinçao de
    quais setores devem ser o foco de empresas 100% estatais. Pra mim: bancos,
    energia, transporte urbano, farmacos. O restante, incluindo aeroportos,
    eclusas, portos, ferrovias, rodovias, coleta de lixo etc. por mim podem ser
    concedidos a empresas privadas sob coordenaçao estatal. Educacao e saude
    gratuitos com os mais bem remunerados profissionais, deixando para os
    privados as escolhas religiosas e nao prioritarias. Eh uma questao de foco.
     
    Em 10/02/2012 22:13, "Roberto na UOL" <roberto...@uol.com.br> escreveu:
     
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    "Atenágoras Oliveira Duarte" <atenagora...@hotmail.com> Feb 11 01:27PM  

    Prezado Flávio

    Como eu disse antes, existem formas diferentes de privatização, mas que continuam a ser privatização. Quanto ao não cumprimento das cláusulas contratuais, os atuais donos da malha ferroviária no Nordeste quebraram, segundo a própria grande imprensa, com várias obrigações decorrentes da privatização. O que ganharam? Um maravilhoso financiamento público de mais de 80% da Transnordestina. Se o governo Lula quisesse anular a privatização das ferrovias que começou no governo FHC, mas que terminou no governo Lula, poderia ter feito, pura e simplesmente "respeitando os contratos".
    Se a privatização na forma de concessão (modelo que FHC também adotou, além da forma "transferência total") é menos prejudicial ao país do que os outros modelos de privatização, entramos noutro debate. Mas não deixa de ser privatização. Durante 30 anos serão os interesses privados que irão guiar a gestão destes aeroportos, inclusive nos gastos com segurança. Os projetos de engenharia sempre envolvem "margens de segurança" nos parâmetros técnicos envolvidos (resistência dos materiais, resistência ao calor, variação das correntes, etc.). Quando o interesse é público, o foco está na segurança e o bem estar das pessoas, mas quando o foco é privado, a lei é o lucro. Com 49% das ações, a Infraero não vai quebrar esta lógica. Não seria nenhuma surpresa que a gestão privada chegue "aos limites da irresponsabilidade" (não foi essa a frase de Mendonça de Barros?), ponderando, probabilisticamente, a razão entre riscos e ganhos. Do ponto de vista estritamente privado, pode ser muito mais rentável pagar algumas multas (lembrando que nossas agências costumam ser muito generosas, como o caso escandaloso dos R$ 7 bilhões, "cobrados indevidamente" no setor elétrico que a ANEEL deixou por isso mesmo) e gastar menos com segurança e bem-estar (lembrando que não há concorrência para estes aeroportos - ou alguém vai viajar quilômetros por terra para viajar em outro aeroporto?). E não tarda muito para que o controle sobre as tarifas tenda a ser "flexibilizado" ("para viabilizar investimentos", "para acompanhar as tendências do mercado", "os investidores precisam manter a rentabilidade almejada", etc.).
    Os modelos de privatização são diferentes entre si? São. Mas continuam tendo um ponto em comum que os define como privatização: prevalece o interesse privado, e não o interesse público.

    saudações,

    Atenágoras
     

     

     

    "Márcio Oliveira" <gime...@gmail.com> Feb 11 12:29PM -0200  

    O debate está bom. Alguém tem sugestão de como poderia melhor funcionar
    essa relação público-privado diferenciando por setor a participação estatal
    (direta/executiva ou coordenação concedendo aos privados e os regulando)?
    Em outras palavras, creio que todos aqui concordam que padarias, bancas de
    jornal e oficinas mecânicas não precisam de execução direta estatal. Mas
    tudo em infraestrutura precisa? Não seria melhor focar nos bancos e a
    partir daí o Estado se impôr?
    Não estou falando em tese, fugindo do debate sobre como funciona o Brasil
    hoje. Estou querendo é avançar nas linhas gerais de como contribuiremos
    para mudar.
    Em 11/02/2012 11:27, "Atenágoras Oliveira Duarte" <
    atenagora...@hotmail.com> escreveu:

     

    Flavio Tavares de Lyra <lyra....@gmail.com> Feb 11 02:09PM -0200  

    Atenágoras: Sua argumentação é irrebatível sempre que se parta do
    suposto de que trata-se apenas de decidir entre alternativas que estão
    disponíveis. Será que é o caso? Estaria a Infraero apta a executar o
    projeto no prazo requerido? Não há usos alternativos melhores para o
    uso da capacidade administrativa do governo, sabidamente limitada?
    O que mais choca no presente caso é confundir uma política que
    transferiu uma centena de bilhões de dólares para empresas privadas,
    muitas delas sem capacidade financeira e gerencial, com um caso de
    privatização numa situação muito especial em que é reconhecida a
    incapacidade do estado para levar adiante o projeto no tempo
    disponível.
    Sou de opinião que todo argumento absoluto é falso ( Foucault), pois a
    realidade é composta de casos singulares. Todos somos contra a
    mentira, mas será que estamos livres de mentir em certas situações
    específicas?
     
    Um abraço.
    Flavio
     
    Em 11 de fevereiro de 2012 12:44, Rodrigo Medeiros

     

    "Atenágoras Oliveira Duarte" <atenagora...@hotmail.com> Feb 11 09:00PM  

    Prezado Flávio

    Trabalhei em um banco estatal (o BNB). Hoje trabalho na UFPE. Travei contato direto ou indireto com com profissionais do próprio BNB, do BNDES, do BB, da CEF, de universidades federais, do IPEA, da EMBRAPA, da CHESF, da Petrobrás, de governos estaduais. E fiz análises de projetos de empresas privadas dos mais diferentes portes, inclusive de multinacionais presentes em vários países do mundo, com orçamentos de bilhões. Essa experiência pessoal só fez consolidar as convicções que tenho desde adolescente: é um mito a crença em uma suposta superioridade gerencial do setor privado. Existem profissionais qualificados (e desqualificados) nos dois setores. A diferença reside em a quem beneficia a competência de cada um.
    O setor público brasileiro é plenamente capaz de promover as reformas dos nossos aeroportos, assim como tantas outras realizações, desde que exista a decisão política para isso. Com as estatais sendo geridas por políticos de partidos notoriamente privatistas, não é de se estranhar que ocorra uma piora dos serviços antes das privatizações. Não sei avaliar se foi este o caso da Infraero, mas é claramente o caso dos Correios.
    Transnordestina (os concessionários, privados, têm estourado prazos e metas vão anos), transposição de águas do Rio São Francisco (sem entrar no mérito de sua validade), novos estádios para a Copa, são todos investimentos implementados pelo setor privado. E estão atrasados. Quanto mais atrasados estiverem, maior será o poder de pressão para aprovar "aditivos" aos contratos.
    E a Infraero já realizou boas reformas aqui pelo Nordeste. Os aeroportos privatizados são maiores, sem dúvida, envolvem condições mais difíceis, mas se a Infraero, com sua maior experiência no Brasil, não for capaz de conduzir tais reformas, não serão gestores de aeroportos em Chipre (sem preconceitos com o Chipre, mas o Brasil é um país bem maior) que vão conseguir. Na verdade, mesmo com a Infraero a frente, quem efetivamente realiza as reformas são empreiteiras privadas. Os donos dos aeroportos especificam o que querem, como querem e fiscalizam.
    Sabe o que vai acontecer? Os aeroportos serão reformados... com o dinheiro do BNDES. As reformas serão acompanhadas... em sua maioria por técnicos da Infraero, que é sócia minoritária, não tem poder de mando, mas tem mais experiência no assunto. Talvez os sócios privados se engajem, de fato, quando for para discutir a área comercial, das lojas do aeroporto. E estarão lá para receber os lucros, claro.

    saudações,

    Atenágoras


     

     

    Flavio Tavares de Lyra <lyra....@gmail.com> Feb 11 08:41PM -0200  

    Atenágoras: Que coincidência, nossos currículos têm muito em comum,
    pois minha vida profissional como econômista deu-se na Sudene, no BNB,
    no IPEA e no Ministério de Indústria, a maioria do tempo tratando de
    projetos industriais e de política industrial. Como regra geral,
    concordo com você, não há por que superestimar a competência técnica
    da empresa privada. Há, porém, situações históricas específicas, em
    que a maior flexibilidade da empresa privada pode dar melhores
    resultados. Como política geral, jamais faz sentido essa prescrição.
    Não estou seguro se é a situação atual, mas sei que a passagem de
    Carlos Wilson pela Infraero degradou a competência técnica da empresa
    e a transformou em um balcão de negócios. Estou quase seguro de que
    opção pela privatização dos aeroportos não representa a convicção do
    alto escalão do governo pela superioridade dos empreendimentos
    privados frente aos estatais, como regra geral. Trata-se de uma
    situação conjuntural.
    A reação contrária à privatização, que vem tomando corpo, parece-me
    altamente positiva, pois vejo a questão da maior eficiência da empresa
    privada como um mito, particularmente tendo em conta que a maior
    eficiência privada pode não coincidir com a maior eficiência social
    (avaliação segundo critérios que abarquem todos os aspectos envolvidos
    e não apenas o lucro).
    Daí, a desconhecer as diferenças entre a forma de concessão adotada
    agora e as privatizações do período FHC, vai uma certa distância. As
    condições estabelecidas no caso atual são muito mais restritivas no
    que respeita ao favorecimento do capital privado, além de tratar-se de
    um caso bem delimitado e não uma política geral.
     
    Um forte abraço.
    Flavio
     
    Em 11 de fevereiro de 2012 19:00, Atenágoras Oliveira Duarte

     

    ceci....@terra.com.br Feb 11 05:42PM  

    O STF SOBRE O CNJ: A DISCRETA REVOLUçãO
    A DECISãO DO SUPREMO é MAIS UM EPISóDIO DESTE MOVIMENTO HISTóRICO,
    QUE TEM ENFRENTADO E, GRAçAS A DEUS, VENCIDO, A REAçãO ENFURECIDA
    DOS INTERESSES EXTERNOS E DOS OPRESSORES NACIONAIS. NãO PODEMOS
    PERDER ESSA VITóRIA, APARENTEMENTE MENOR, MAS ESSENCIAL.
     
    MAURO SANTAYANA/CARTA MAIOR Embora tenha sido apertada, a decisão de
    ontem do Supremo Tribunal Federal, confirmando a competência
    constitucional do Conselho Nacional de Justiça, de atuar ex-officio,
    como claramente lembrou o ministro Joaquim Barbosa, inicia uma
    discreta, mas profunda, revolução no sistema judiciário brasileiro.
     
    Todos os poderes do Estado devem estar submetidos ao rigor da ética,
    mas a ausência dessa atitude no poder judiciário é mais danosa. As
    sociedades se submetem à Justiça. A ela cabe dizer o que é certo e
    o que é errado, embora não se encontre ungida pelo mandato do
    Absoluto. A justiça se exerce, como se exercem todas as atividades
    humanas, na busca de uma verdade provável entre as dúvidas.
    Mas o fundamento da justiça, para lembrar a definição admirável
    de Cícero, é a boa fé nos contratos. Em todos os contratos, e mais
    ainda no pacto entre o magistrado e as sociedades nacionais a que
    serve. Esse compromisso dos juízes lhes exige ter as mãos e as
    mentes sempre limpas, e servir com absoluta independência e lisura,
    conforme o seu saber e a sua consciência. Tal contrato com a
    sociedade não lhes é imposto, porque a magistratura não se forma de
    maneira compulsória, mas assumido voluntariamente por todos aqueles
    que decidem ingressar nos corpos judiciais.
    Os juízes podem errar, e erram frequentemente, mas não podem faltar
    à boa fé em suas decisões. De certa forma, todos nós somos
    juízes, e atuamos em nossas relações sociais examinando o
    comportamento de nossos eventuais parceiros nos negócios, na ação
    política, na amizade e no amor. Toda escolha, até mesmo dos sapatos
    a cada manhã, é um ato de juízo - e não é por acaso que a
    expressão juízo signifique uma escolha reta. O sistema judiciário,
    criado e mantido pelos estados nacionais é a suprema expressão dessa
    faculdade humana. Os juízes, valha o truísmo, devem orientar-se
    também pelas leis da lógica, e estabelecer suas sentenças de forma
    a que possam ser cumpridas – e, assim, impedir einer Grossen
    Konfusion, a que fez referência, bem humorada – o que nele é raro
    – o Ministro Gilmar Mendes.
    A nossa justiça, de modo geral, tem sido uma justiça de classe.
    Desde suas origens medievais, em nossa formação ibérica, foi uma
    justiça de senhores contra os servos, dos santos contra os pecadores,
    dos reis contra os vassalos e, nos tempos modernos, dos patrões
    contra os empregados, dos ricos contra os pobres. Os juízes
    dependiam, e ainda dependem, de um juízo além de si mesmos, o dos
    grupos que formam e comandam os Estados - e legislam.
    O Zeitgeist é também uma construção do poder. A decisão de ontem
    se conforma ao novo desenho do poder nacional. Aceitem os excelsos
    pensadores acadêmicos, que refletem o interesse das elites
    oligárquicas, a verdade de que, mal ou bem, com as infecções morais
    aqui e ali, o povo brasileiro está construindo nova sociedade
    nacional. A partir da Revolução de 30, com avanços e retrocessos, a
    mobilidade social tem sido impetuosa em nosso país. Os ricos, que
    sempre dispuseram de tudo, a partir do fácil acesso ao ensino, não
    podem saber o que sentimos, os que viemos do chão do povo, ao ver uma
    ex-favelada, Graça Foster, assumir o comando da mais importante
    empresa nacional. É como se, de repente, nos devolvessem tudo o que
    nos negaram, da bicicleta de criança a um emprego decente – sempre
    reservados aos outros, quase que por direito divino.
    A eleição do retirante Lula, a decisão nacional de eleger Dilma,
    uma mulher que se rebelou, na juventude, contra a injustiça social, e
    a ascensão das mulheres a todos os poderes republicanos, ao quebrar
    os velhos paradigmas, abriram esse caminho, que não podemos mais
    abandonar, e isso exige estrita vigilância no comportamento do
    governo. É oportuno, dentro desse raciocínio, registrar a concisão
    e a força dos votos das ministras Carmem Lúcia e Rosa Weber na
    decisão do STF, ontem. Se associarmos a democratização do poder à
    moralização rigorosa da ação administrativa, a conquista será
    irreversível.
    A decisão do Supremo é mais um episódio deste movimento
    histórico, que tem enfrentado e, graças a Deus, vencido, a reação
    enfurecida dos interesses externos e dos opressores nacionais. Não
    podemos perder essa vitória, aparentemente menor, mas essencial. Os
    juízes venais e corruptos sabem que estão sujeitos, de agora em
    diante, ao poder do CNJ. E, o mais importante: esse poder poderá ser
    provocado pela simples representação de qualquer cidadão
    brasileiro, que assim se identificar junto ao Conselho.

     

    ceci....@terra.com.br Feb 11 10:41AM  

    OTAN ASSASSINA SEIS CRIANçAS NO AFEGANISTãO
     
    Posted on 10/02/2012 Rate This
     
    Alguém viu esta notícia na Globo, Band, Record, SBt, Estadão, FSP,
    o Globo….alguém viu Hillary, Cameron etc se manifestar? Alguém viu
    o DDHH, a ONu, UNICEF gritar?
     
    _______ [1]
     
    La OTAN asesina a seis niños en Afganistán
     
    10/02/12.-Un ataque aéreo de la Organización del Tratado del
    Atlántico Norte (OTAN) causó la muerte a ocho civiles afganos, entre
    ellos seis niños, en la provincia oriental de Kapisa, comunicaron hoy
    medios informativos nacionales. De acuerdo con la agencia afgana de
    noticias Khaama Press, los aviones dispararon misiles y fuego de
    ametralladoras contra el distrito de Nejrab, donde varios habitantes
    perdieron la vida mientras alimentaban a sus animales en la región
    montañosa de Giawa.
     
    Sin embargo, la Fuerza Internacional de Asistencia para la Seguridad
    (ISAF), bajo el comando de la OTAN, permanece sin emitir información
    al respecto, y las autoridades provinciales anunciaron una
    investigación sobre el incidente.
     
    Según un informe de la Misión de Asistencia de las Naciones Unidas
    para el Afganistán (UNAMA), en total tres mil 21 civiles perecieron
    en el 2011, un ocho por ciento más que en 2010.
     
    Esa cifra representa también un aumentó por quinto año
    consecutivo, récord desde la invasión del territorio por Estados
    Unidos y Reino Unido en octubre del 2001.
     
    Además, se registró el incremento del número de muertos como
    resultado de las acciones de las tropas de Estados Unidos y la ISAF y
    que los ataques aéreos constituyen la táctica más mortífera (…).
     
     
    El jefe de la UNAMA, Jan Kubics, y el alto comisionado para los
    Derechos Humanos, Navanethem Pillay, expresaron su gran preocupación
    con motivo del incrementó consecutivo del número de las víctimas
    entre los civiles.
     
    En iguales términos se pronunció el emisario de la cancillería
    rusa, Konstantin Dolgov, quien instó a “los contingentes
    internacionales en Afganistán a dar inmediatamente pasos adicionales
    eficientes en la observación de los derechos humanos y las normas
    humanitarias en el marco del cumplimiento del mandato recibido del
    Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas.
     
    --

     

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