| Este texto é uma tradução autorizada do texto Good Bad Attitude (ou The Word "Hacker") de autoria de Paul Graham, e foi executada para publicação no site SouNerd.com como mais uma parte de uma série. Quem realmente se interessa por programação, por cultura nerd ou assuntos nerd em geral deveria ler os textos desse cara com certeza. Original: Abril de 2004 Tradução: Novembro de 2004 Texto original: Good Bad Attitude (ou The Word "Hacker"), autoria de Paul Graham. Tradução por Börje Karlsson (tellarin at sounerd dot com). Eventuais comentários entre colchetes são adições pelo tradutor, não existindo na versão original. -- Para a imprensa em geral, "hacker" significa alguém que invade sistemas de computadores. Já entre programadores, o termo significa um programador que se garante. Mas os dois significados estão de alguma maneira conectados. Para programadores, "hacker" denota maestreza no sentido mais absoluto da palavra: alguém que pode fazer o computador fazer o que ele quer-- quer o computador queira fazê-lo ou não. Para aumentar ainda mais a confusão, o substantivo "hack" em inglês tem dois significados. Ele pode tanto ser um elogio quanto um insulto. Se chama um hack quando você faz algo de uma maneira feia. Mas quando você faz algo tão esperto que de algum modo você deturpa o sistema, isto também é chamado de hack. A palavra é mais comumente usada no sentido de gambiarra do que no outro sentido, provavelmente porque soluções feias são bem mais comuns que soluções brilhantes. Acredite ou não, os dois sentidos de "hack" também estão conectados. Soluções feias e imaginativas tem algo em comum: ambas quebram as regras. E existe um contínuo gradual entre quebrar as regras de maneira feia (usando fita adesiva para segurar algo na sua bicicleta) e quebrar as regras de uma maneira que seja brilhante e extremamente imaginativa (descartar o espaço Euclideano). O ato de Hackear (Hacking) antecede os computadores. Quando ele estava trabalhando no Projeto Manhattan [projeto que resultou na bomba atômica], Richard Feynman [dentre outras coisas, ganhador do Prêmio Nobel de Física pelo seu trabalho com eletrodinâmica quântica] se divertia arrombando cofres contendo documentos secretos. Esta tradição continua hoje em dia. Quando nós estávamos na graduação, um hacker amigo meu que passou muito tempo por perto do MIT tinha seu próprio kit de abrir fechaduras (lock picking kit). (Ele agora dirige um hedge fund, um empreendimento relativamente co-relacionado.) Alguma vezes é difícil explicar às autoridades porque alguém iria querer fazer tais coisas. Outro amigo meu uma vez entrou em problemas com o governo por invadir computadores [e um amigo do tradutor também :)]. Fazia pouco tempo que isso havia sido declarado como sendo um crime, e o FBI descobriu que seus métodos usuais de investigação não funcionavam. Investigação policial aparentemente começa com um motivo. Os motivos comuns são poucos: drogas, dinheiro, sexo, vingança. Curiosidade intelectual não era um dos motivos na lista do FBI. De fato, o próprio conceito em si lhes parecia alienígena. Aqueles com "autoridade" tendem a se sentir perturbados pela atitude de desobediência (geral) dos hackers. Mas essa desobediência é resultado das qualidades que fazem deles bom programadores [ou administradores de sistemas, engenheiros, etc.]. Eles podem rir do presidente da empresa quando ele fala usando buzzwords genéricas, mas eles também riem quando alguém lhes diz que um certo problema não pode ser resolvido. Reprima um, e você acaba reprimindo o outro. Esta atitude no entanto é algumas vezes afetação. Alguns programadores mais jovens notam as "excentricidades" dos hackers mais eminentes e decidem adotá-las de modo a parecerem mais espertos. Esta versão falsa da atitude não apenas chateia; a atitude "abusada" desses posers pode na verdade atrapalhar o processo de inovação. Mas mesmo levando em conta suas excentricidades irritantes, a atitude de desobediência dos hackers resulta num lucro líquido. Eu gostaria que suas vantagens fossem melhor entendidas. Por exemplo, eu suspeito que o pessoal em Hollywood fique simplesmente mistificado com a atitude dos hackers com relação a copyrights. Eles (copyrights) são um assunto recorrente de discussão acirrada na Slashdot [e em vários outros fórums]. Mas porque deveriam as pessoas que programam computadores ser tão preocupadas logo com copyrights dentre todas as coisas? Parcialmente porque algumas empresas usam "mecanismos" para tentar prevenir cópias. Mostre a qualquer hacker uma fechadura/trava e o primeiro pensamento dele será de como abrí-la. Mas existe um razão mais profunda para que os hackers fiquem alarmados por medidas como copyrights e patentes. Eles vêem essas medidas cada vez mais agressivas para proteger a dita "propriedade intelectual" como uma ameaça a liberdade intelectual necessária para que eles realizem seu tabalho. E eles estão certos. É mexendo nas entranhas da tecnologia atual que os hackers encontram idéias para a próxima geração. Não obrigado, podem dizem os donos da "propriedade intelectual", não precisamos de nenhuma ajuda externa. Mas eles estão errados. A próxima geração de tecnologia em computação frequentemente --talvez bem mais frequentemente que não-- tem sido desenvolvida por "pessoas de fora". Em 1977 não há dúvida de que havia algum grupo dentro da IBM que estava desenvolvendo o que eles esperavam que fosse a próxima geração de computadores para as negócios. Eles estavam completamente enganados. A próxima geração de computadores estava sendo desenvolvida em linhas totalmente diferentes por dois caras de cabelo comprido chamados Steve em uma garagem em Los Altos [Califórnia, EUA]. Mais ou menos ao mesmo tempo, os no poder estavam cooperando para desenvolver o sistema operacional oficial da próxima geração, o Multics. Mas dois caras que acharam o Multics excessivamente complexo foram lá e escreverm o SO deles mesmos. E eles deram ao SO um nome que era uma referência tirando onda com o Multics: Unix. As últimas leis de propriedade intelectual [especialmente nos EUA] impõem restrições sem precedentes no tipo de cutucadas e mexidas que levam à criação de novas idéias. No passado, um competidor podia usar patentes para evitar que você vendesse uma cópia de algo que ele tenha feito, mas eles não podiam impedí-lo de desmontar o "produto" e ver como ele funcionava. As últimas leis fazem desse tipo de coisa um crime [vide o DMCA]. Como poderemos desenvolver novas tecnologias se nós não podemos estudar a tecnologia atual para descobrir como melhorá-la? Ironicamente, os hackers atraíram esse tipo de coisa para eles mesmos. Computadores são responsáveis pelo problema. Os sistemas de controle dentro de máquinas era antigamente físico: engrenagens e alavancas e câmaras. Cada vez mais, o cérebro (e consequentemente o valor) de um produto está no software. E por software eu quero dizer software num sentido geral: i.e. dados. Uma música num LP está fisicamente marcada no vinil. Uma música num disco rígido de um iPod [da Apple] está meramente guardada/armazenada nele. Dados são por definição fáceis de copiar. E a Internet faz com que as cópias sejam de fácil distribuição. Então não é de se admirar que as companhias estejam com medo. Mas, como tão frequentemente ocorre, esse medo tem nublado o julgamento delas. O governo tem respondido com leis draconianas para proteger a "propriedade intelectual". Eles provavelmente tem boas intenções. Mas eles não percebem que tais leis vão causar mais mal que bem. Por que os programadores se opõem tão violentamente a tais leis? Se eu fosse um legislador, eu estaria interessado nesse mistério --pela mesma razão que, se eu fosse um fazendeiro e de repente ouvisse um bocado de cacarejos e barulho vindo do meu galinheiro numa noite, eu iria querer ir lá e investigar. Hackers não são estúpidos, e unanimidade é muito rara nesse mundo. Então se eles estão todos fazendo barulho, pode ser que algo de errado esteja acontecendo. Poderia ocorrer de tais leis, mesmo que criadas com a intenção de proteger, acabem na verdade causando mal? Pense sobre isso. Tem algo bem "americano/estadunidense" no caso do Feynman arrombando cofres durante o Projeto Manhattan. É bem difícil imaginar as autoridades tendo senso de humor sobre o assunto na Alemanha da época. Talvez não seja coincidência. Hackers são "ingovernáveis". Essa é a essência do hackear. E isso é também [ou era] a essência dos estadunidenses. Não é por acaso que o Silicon Valley é nos EUA, e não na França, ou Alemanha, ou Inglaterra, ou Japão. Nesses países, as pessoas colorem dentro das linhas [ou pelo menos tem mais tendência a fazê-lo. O Brasil seria um exemplo de país onde a "criatividade" (nesse sentido) também é mais pronunciada]. Eu vivi por um tempo em Florença. Mas depois de estar vivendo lá por alguns meses eu percebi que o que eu estava inconscientemente esperando encontrar por lá estava na verdade no lugar de onde eu havia saído. A razão pelo qual Florença se tornou famosa é que em 1450, ela era Nova York. Em 1450 a cidade estava cheia com o tipo de pessoas turbulentas e ambiciosas (no bom sentido) que você encontra nos EUA [pelo menos há um tempo atrás]. (Então eu voltei pros EUA.) É bem vantajoso pros EUA que essa seja uma atmosfera propícia para o tipo certo de "não governança" --que este é o lugar não só para os espertos, mas para os "desenrolados" [Schlaubergern em alemão, do original em inglês smart-alecks, que normalmente em inglês tem uma conotação não muito boa mas seria algo tipo espertinho e engraçadinho no sentido "bacana" dos termos, as vezes metido a besta; mas aqui quer dizer o cara esperto-engraçado, que é inteligente, tem boas tiradas, desenrolado]. Qualquer hacker é invariavelmente um "desenrolado". Se os EUA tivessem um feriado nacional, ele devia ser o 1o de Abril. Diz muito sobre a cultura dos EUA o fato de usarem a mesma palavra pra uma solução brihante e pra uma solução nojenta. Quando nós preparamos uma, nunca se pode ter 100% de certeza que qual será no final. Mas desde que a solução apresente o grau certo de "erradez", esse é um sinal promissor. É um tanto quanto estranho que as pessoas pensem em programação como sempre precisa e metódica. Computadores são precisos e metódicos. Hacking é algo que você faz com um sorriso alegre no rosto. No nosso mundo [(computação)] algumas das soluções mais características não estão muito longe de tiradas de onda (practical jokes). A IBM sem dúvida ficou surpresa pelas consequências do acordo de licenciamento do DOS, assim como o "adversário" hipotético deveria ficar quando Michael Rabin [cientista da computação que recebeu (junto com Dana Scott) o Turing Award (prêmio super conceituado da computação) pela idéia de máquinas não determinísticas, chave pra teoria de complexidade computacional] resolve um problema redefinindo-o como um que seja mais simples de resolver. "Desenrolados/espertinhos" tem que desenvolver um aguçado senso de até onde eles podem se safar. E ultimamente os hackers tem sentido uma mudança de atmosfera. Ultimamente a habilidade de hackear (a "hackeza") tem sido encarada com uma certa cara feia. Para os hackers, a recente contração das liberdades civis parece especialmente sinistra. Isso também deve impressionar os de fora do meio. Por que nós deveríamos nos preocupar mais com as liberdades civis? Por que programadores deveriam se preocupar mais que dentistas ou vendedores ou salesmen or paisagistas? Deixe-me exibir o caso em termos que um funcionário do governo fosse apreciar. Liberdades civis não são somente um ornamento/enfeite, ou uma estranha tradição dos EUA. Liberdades civis tornam os países ricos. Se você fizer um gráfico do PIB per capita vs. liberdades civis, você iria notar um tendência clara e bem definida. Poderiam as liberdades civis realmente ser a causa, ao invés de somente um efeito? Eu acho que sim. Acredito que uma sociedade na qual as pessoas podem fazer e dizer o que querem vai também tender a ser uma onde as soluções mais eficientes vencem, e não aquelas bancadas pelas pessoas mais influentes/poderosas. Países autoritários se tornam corruptos; países corruptos se tornam pobres; e países pobres se tornam fracos. Me parece que existe uma curva de Laffer para o poder do governo, assim como existe para receita de impostos. No mínimo, isso parece tão provável que seria estupidez tentar um experimento para provar a idéia errada. Ao contrário de impostos altos, você não pode repelir facilmente o totalitarismo se ele se provar um engano. É por isso que os hackers se preocupam. O governo estar espionando as pessoas não faz com que os programadores literalmente escrevam código pior. Isso só nos leva com o tempo a um mundo onde as más idéias vencem. E por que essa é uma questão tão importante pros hackers, eles são especialmente sensíveis aos acontecimentos. Eles podem perceber o totalitarismo se aproximando a uma grande distância, assim como os animais podem pressentir uma tempestade que se aproxima. Seria irônico se, como os hackers temem, as medidas recentes intencionadas para proteger a segurança nacional [dos EUA] e a propriedade intelectual acabassem se mostrando um míssil apontado diretamente pro que fez os EUA ter sucesso. Mas não seria a primeira vez que medidas tomadas numa atmosfera de pânico tiveram o efeito contrário ao desejado. Existe uma coisa chamada "jeito estadunidense" (American-ness) [nesse sentido apresentado no texto, realmente acho que há]. Não há nada como morar fora para lhe mostrar isso. E se você quer saber se algo vai nutrir ou esmagar essa qualidade, seria difícil encontrar um melhor grupo de estudo/observação/controle que os hackers, pois eles estão mais perto que qualquer grupo que conheço de personificar o conceito. Mais perto, provavelmente, que os homens disputando e controlando nosso governo, que por todas suas falas sobre patriotismo me lembram mais de Richelieu ou Mazarin do que de Thomas Jefferson ou George Washington. Quando se lê sobre o que os "pais-fundadores" [founding fathers, os "criadores" dos EUA] tinham a dizer sobre eles mesmos, eles soam bastante como hackers. "O espírito da resistência ao governo," escreveu Jefferson, "é tão valioso em certas ocasiões, que eu desejaria que ele sempre se mantivesse vivo." Imagine um presidente dos EUA dizendo isso hoje em dia. Assim como os comentários de uma velha avó falante, os ditos dos pais-fundadores dos EUA constrangeram gerações de seus sucessores menos confiantes. Eles nos lembram de onde viemos. Eles nos lembram que são as pessoas que "quebram" as regras que são a fonte da riqueza e poder que os EUA conseguiram. Aqueles em posição de impôr regras naturalmente querem que elas sejam obedecidas. Mas seja cuidadoso no que você deseja/pede. Você pode acabar conseguindo. [Paul Graham:]Agradecimentos a Ken Anderson, Trevor Blackwell, Daniel Giffin, Sarah Harlin, Shiro Kawai, Jessica Livingston, Matz, Jackie McDonough, Robert Morris, Eric Raymond, Guido van Rossum, David Weinberger e Steven Wolfram por lerem rascunhos deste ensaio [o original]. Este texto foi anteriormente intitulado *Um Bom "Comportamento Ruim"*, mas eu [Paul] voltei ao título original quando percebi que eu ficava tendo problemas pra lembrar desse título bonitinho novo. -- tellarin |
Grupo: http://groups.google.com/group/thackday/topics
- Ministérios nas Mídias Sociais [3 atualizações]
- Vem aí o Governo Mundial da Internet [2 atualizações]
- Ciclo de vida das palavras [2 atualizações]
- quando a física pega ônibus - matéria da revista darcy [2 atualizações]
- Scrapping do site transparecia do senado [6 atualizações]
- Workshop Python, Scraperwiki e Visualização de Dados [1 atualização]
- droidOpenDataBr [1 atualização]
Tópico: Ministérios nas Mídias SociaisPedro Markun <pe...@esfera.mobi> Jul 17 01:37AM -0300 ^
Caros,
a Bel (minha namorada =) esta montando um estudo sobre o uso de redes
sociais nos ministérios, acabei dando uma ajuda técnica pra ela com scrapers
e afins.
O estudo ainda deve demorar um cadim, mas acho legal já compartilhar o
código:
http://scraperwiki.com/scrapers/pesquisa-redessociaisgov-twitter/
Ainda tem alguns defeitos (sobretudo na parte de evitar o retrabalho do
scraper) mas esta funcionando legal. Não é exatamente rocket science... já
que esta tudo em json.
Uma das coisas interessantes que vamos extrair dai - a proporção entre
'tweets' e 'respostas' de cada ministério.
O CulturaGovBr por exemplo tem a surpreendente marca de 655 replies pra 372
pessoas em 3190 tweets analisados!
abs,
Pedro Markun
ps: Boaro, como eu faço pro OpenOffice reconhecer o formato da data?
"Cleber Gouvêa" <cle...@gmail.com> Jul 17 01:59AM -0300 ^
O Twitalyzer tem várias estatísticas interessantes, inclusive estas q tu
passou:
http://twitalyzer.com/metrics.asp?u=culturagovbr
9.9% de impacto, 1.6% de influência, nada mal comparando com os Twitters dos
Partidos Políticos do Brasil.
Cleber
2011/7/17 Pedro Markun <pe...@esfera.mobi>
Pedro Markun <pe...@esfera.mobi> Jul 17 02:02AM -0300 ^
Opa,
valeu pelo link Cleber.
O mais curioso, estou vendo aqui, é que esses replies são todos de 2011. Em
2009-10 só rolaram 19 replies.
Para um Minc que supostamente não dialoga... tem até bastante esforço ai :P
abs,
Pedro Markun
2011/7/17 Cleber Gouvêa <cle...@gmail.com>
Demoulidor <demou...@gmail.com> Jul 16 09:35PM -0700 ^
Há uma previsão disto sim. Veja trechos do livro:
(...), naquele chão da borda superior da concha da câmara dos
deputados. Observo lá embaixo o centro iluminado com suas poltronas em
semicírculo e a cortina atrás da mesa como uma cachoeira do teto da
concha até o chão. A cortina, antes com vinte e nove retângulos
inúteis, agora é um grande painel, onde milhões de pequenos rostos se
revezam, apresentando cada brasileiro que delibera naquele momento.
Tal qual uma arena de gladiadores romanos, agora a batalha na plenária
se dá entre os hologramas projetados por discos pretos em cada
poltrona, assistidos por uma plateia invisível espalhada pelo mundo
afora.
(...)
Enquanto descíamos, pensava: mesmo aposentado como engenheiro aquela
sim era uma prazerosa ocupação antes que eu partisse desta vida.
Gostava de apreciar o dinamismo com que o povo participava diretamente
das decisões políticas. Sabia que a nova democracia que se alastrava
pelo mundo neste ano de 2068 não dependia destes prédios, destas
arenas.
Este espaço era apenas mais um entre milhares de espaços simbólicos do
planeta, que serviam apenas para serem apreciados de vez em quando por
um turista ou cidadão. Para completar, só restavam serem simbolizadas
à nova ordem as sedes do Governo Chinês, da União Européia e da ONU.
(...)
Quando cansava, parava para observar e participar das deliberações.
Estava em votação uma proposta de Reforma Tributária. O imposto de
renda deverá ser proporcional, de tal forma que quanto maiores os
rendimentos individuais, maior a porcentagem de imposto sobre a renda
e, para quem ganha abaixo dos direitos fundamentais, isenção e
recebimento de renda complementar. A proposta não precisou ser votada
pela Câmara Virtual de Deputados. Ela fora diretamente aprovada por
65% dos eleitores brasileiros e virou lei.
Em seguida, as propostas de regulamentação desta lei foram chegando: o
limite do imposto sobre a renda será de 30%, 40%, 50%, 60% ou 70%? Eu
acionei meu simulador de impactos na minha lente direita. 30% não
reduziria muito a concentração de renda no Brasil. 60% e 70% apontavam
para baixo poder de compra e investimentos que fariam o país reduzir o
crescimento. Na tela da lente esquerda, votei em 40%, mas o limite de
50% ganhou diretamente.
– Zé, hora de aspirar a plenária!
– Certo. Eu limpo a esquerda e você a direita, ok?
As propostas de faixas de tributação foram apresentadas: 50 faixas de
tributação de R$ 1.000,00 até R$ 50.000,00, tantos por cento quantos
sejam os mil reais recebidos por mês pelo cidadão; 25 faixas de
tributação de R$ 1.000,00 até R$ 100.000,00, 0,25% quantos sejam os
mil reais recebidos por mês ou 100 faixas de tributação de R$ 1.000,00
até R$ 100.000,00, meio por cento quantos sejam os mil reais recebidos
por mês. Parei a aspiração e, após conferir os simuladores, votei na
primeira opção. Como o resultado estava demorando, voltei à faxina.
Após o tempo limite de meia hora, apuraram-se os votos e apenas 47%
haviam votado. Agora sim os hologramas virtuais começaram a se
digladiar com palavras nas poltronas da câmara.
Terminamos a limpeza e os turistas começavam a entrar na plenária.
Após 20 minutos, os deputados votaram e a proposta de 25 faixas de
tributação ganhou. Dez minutos depois, em meio à votação da mesma
matéria no Senado, a votação direta atingiu 51% de votantes e, destes,
67% aprovaram a proposta de 50 faixas de tributação. Esta vencedora,
fez encerrar-se definitivamente a votação em todas as instâncias
deliberativas.
As propostas eram apresentadas diretamente pelo povo. Pensava enquanto
bebia água com o Zé. Eu mesmo submeti no parlamento do bairro onde
moro uma proposta de lei que garantia equipamentos de última geração
aos faxineiros de órgãos públicos. Minha proposta foi aprovada e
passou a ser apreciada pela Câmara Virtual de Vereadores. Lá, outra
proposta similar de outro bairro foi unificada à minha. Uma terceira
proposta similar, mas que requeria os equipamentos apenas para órgãos
municipais, foi votada, aprovada e encerrada. Minha proposta não
atingiu o interesse da maioria das pessoas de minha cidade e não foi
aprovada diretamente no tempo legal. Com isto, os vereadores receberam
o poder de decidir a questão. A proposta foi aprovada por eles. Agora,
a mesma estava sendo apreciada em nível estadual. Ela nem aparece na
lista das mais interessantes e, por isto, tenho certeza que não será
votada diretamente, mas a partir de representantes eleitos.
É bom que seja assim mesmo: as questões mais relevantes sendo
decididas diretamente pelo povo e as menos importantes sendo delegadas
aos representantes. Representantes de verdade, relembro, enquanto
observo-os à minha frente. Os hologramas apenas apresentavam o
brasileiro da vez que estava eleito deputado naquele momento, que
tinha a confiança de quem o elegeu. De vez em quando o rodapé de algum
holograma fica avermelhando ao mostrar uma numeração diminuindo
(eleitores retirando votos do político) até que outro avatar, de verde
numeração elevada, substitui em tempo real o que perdeu votos de
representatividade. As candidaturas e eleições ocorrem o tempo todo, e
o voto sempre pode ser retirado de um candidato e atribuído a outro
mais comprometido com o eleitor. Isto garante a representação real do
povo.
– Até amanhã, Zé.
– Até, Fran. Da próxima vez aspiraremos o Senado.
Enquanto caminhava por baixo da rampa do planalto em meio ao sol
escaldante, relembrava: desde que a democracia direta eletrônica
começou no Brasil, muitas coisas mudaram. O povo aprovou a auditoria
da dívida externa. Em seis meses, ficou comprovado que a dívida já
fora paga com sobras. Decretou-se moratória. Os investidores ameaçaram
retirar o dinheiro do Brasil, mas, como nossos negócios são seguros,
se aquietaram. A auditoria das terras também foi aprovada e culminou
com a Reforma Agrária esperada há séculos. O povo também aprovou
diretamente a retomada das nações indígenas Waimiri Atroari e Raposa
Terra do Sol. Elas haviam sido alardeadas como independentes do Brasil
pelas corporações internacionais camufladas de ONGs para que as mesmas
explorassem com exclusividade as riquezas amazônicas.
Outras deliberações estavam em andamento: a auditoria e reestatização
das outroras estatais que foram privatizadas com perdas para o povo
brasileiro; a revitalização de todo o rio São Francisco e a
democratização do acesso à sua água. A proposta mais badalada é a de
refazer a transposição do rio São Francisco para que a água irrigue o
semiárido nordestino e não as áreas já ricas às quais fora
originalmente destinada. Mas como a questão é muito técnica, o povo
tem participado pouco e ela tem sido votada pelos parlamentares mesmo.
Outras propostas de pouca repercussão chegaram até à Câmara Virtual
Federal por aprovação dos representantes de municípios e estados e
foram decididas pelos deputados e senadores mesmo: o envio de um
brasileiro a Marte foi aprovado, mas a estranha proposta de reforma
arquitetônica da concha plenária do Senado Federal foi rejeitada. Seus
propositores argumentavam que, se agora realmente todo o poder emanava
do povo, a concha do Senado Federal, hoje voltada para baixo,
representando os estados federados, deveria ser reformada para também
ser voltada para cima, da mesma forma que a Câmara que representa o
povo. Os brasileiros, a maioria indiferente à proposta, a rejeitaram,
porque entenderam ser a mesma irrelevante. O poder dos estados
continuaria simbolizado, porque este, igualmente do povo emanado,
manteria a tradição da federação de estados e a beleza do cartão
postal.
Mal chego em casa, uma angústia invade meu peito. Aliso meu cachorro,
tomo um banho e me deito. Meus sentimentos me atraem para algo ruim
que se esboça. Não era Manhattam. Minha mente era atraída para um
salão nobre de um hotel em uma ilha particular no Pacífico. Meu corpo
tremula e eu não mais estou preso a ele.
Fonte: http://bigbangmicrocosmico.blogspot.com
Leandro Salvador <leandro...@gmail.com> Jul 17 01:49AM -0300 ^
Olá THacks!
Não acho a ideia boa, mas acho que há boas ideias aí... talvez pudesse
inspirar THacks como nós a criar algo melhor, e embebido por princípios que
nossa comunidade tem como caros e que, aparentemente, nem chegam perto desta
nova "rede social"...
Penso que a própria Wikipedia é muito mais democrática, colaborativa e livre
(de looonge!) do que este site pretende ser. São "pegadas"
diferentes... o *modus
operandi* da Wikipedia pode inspirar comunidades com focos outros que não
uma grande enciclopedia... um "mix" de rede social com foco em "governo
mundial", com uma lógica de funcionamento semelhante à da Wikipedia, talvez
pudesse inspirar ideias interessantes... Não imagino ambiente mais fértil
para isso, ao menos no Brasil, do que esta nossa comunidade aqui...
Quem sabe possa servir-nos como fonte de inspiração... ;)
Abraços!
Tópico: Ciclo de vida das palavrasCapi Etheriel <barra...@gmail.com> Jul 16 07:08PM -0700 ^
tenta "hacker", "cracker" e "reintegração de posse" (se puder usar
expressão). esse último deve contar uma história.
"Vítor Baptista" <lis...@vitorbaptista.com> Jul 16 11:56PM -0300 ^
Oi Bárbara,
Que legal! Gostei da ideia. Tinha visto algo parecido há pouco tempo no
Google. O projeto parece que é chamado de NGrams. Basicamente, você pode
escolher n palavras e ver o uso dela no tempo, usando os dados dos milhares
de livros escaneados pelo Google Books. Dá uma olhada:
http://urbantick.blogspot.com/2011/03/word-count-library-google-ngram-viewer.html
.
E, como são só determinadas palavras, acho que a visualização mais
simples/direta seria num plano cartesiano mesmo...
Abraços,
2011/7/15 bárbara lopes <babi...@gmail.com>
--
Vítor Baptista
Capi Etheriel <barra...@gmail.com> Jul 16 05:48PM -0700 ^
pensei que era o nosso ônibus :/
Nitai Silva <nitaib...@gmail.com> Jul 16 10:11PM -0300 ^
Esses dados poderiam ser abertos pelo DFTrans.
[]s
Renato Fabbri <renato...@gmail.com> Jul 16 11:06AM -0300 ^
em python, quando muito se quer, faz-se assim:
In [1]: a=('escolha1','escolha2')[7==8]
In [2]: a
Out[2]: 'escolha1'
In [3]: a=('escolha1','escolha2')[7==7]
In [4]: a
Out[4]: 'escolha2'
ou seja, coloca-se a condicional entre os colchetes finais e as opções
numa tupla ao início.
Duke,
<condição> ? <operação 1> : <operação 2>
não seria na verdade:
<condição> ? <valor 1> : <valor 2>
??
ou seja:
$verdade=opiniao_do_Senhor('Duke correto') ? 'operação' : 'valor';
XD
--
GNU/Linux User #479299
skype: fabbri.renato
Duke <du...@riseup.net> Jul 16 02:04PM -0300 ^
Ola Renato,
Veja bem,
opiniao_do_senhor("Renato Correto") ? verdade(People.new(:name => "Renato")) : verdade(People.new(:name => "Duke")
usei o ternario sem definir valor algum para nada, ou seja, seria condição ? a operação executada se verdadeira : a operação executado se falso, no exemplo, dos emails anteriores, usamos apenas a definição de uma string, que no caso, a nossa operação seria retornar um valor
XD
On Jul 16, 2011, at 11:06 AM, Renato Fabbri wrote:
Renato Fabbri <renato...@gmail.com> Jul 16 02:18PM -0300 ^
verdade mesmo!!!
valeu!
obatalá matou um gatinho fofo a menos hoje. Veja só
este script iniciado na Criação:
from Pantheon import Obatalá
from World import sharing, kitten
while True:
if sharing == 0:
Obatalá.kill( kitten )
--
GNU/Linux User #479299
skype: fabbri.renato
Bruno Gola <brun...@gmail.com> Jul 16 07:59PM -0300 ^
Duke, pode me adicionar la no thacker?
github.com/brunogola
:)
tks.
--
Bruno Fialho Marques Gola <brun...@gmail.com>
http://www.brunogola.com.br
Cel: (11) 9294-5883
Nitai Silva <nitaib...@gmail.com> Jul 16 08:33PM -0300 ^
Bem legal a brincadeira com as operações ternárias.
Dá até pra encadear várias operações ternárias, porém, não é uma boa
prática utilizá-los. É preferível a legibilidade do código ao
minimalismo do código.
Ou seja, trocar 1 linha por 3 ou 5, ganhando em legibilidade.
:D
[]s
Nitai
Capi Etheriel <barra...@gmail.com> Jul 16 05:46PM -0700 ^
vc esqueceu de checar se no user.Pantheon tem o Obatalá.
Bruno Gola <brun...@gmail.com> Jul 16 08:18PM -0300 ^
só vi agora, vamo ai! ajudo no que for preciso e ja reservei aqui o
dia 24/08 ! :-)
--
Bruno Fialho Marques Gola <brun...@gmail.com>
http://www.brunogola.com.br
Cel: (11) 9294-5883
Tópico: droidOpenDataBrBruno Gola <brun...@gmail.com> Jul 16 08:07PM -0300 ^
--
https://github.com/cabelo/droidOpenDataBr
--
Bruno Fialho Marques Gola <brun...@gmail.com>
http://www.brunogola.com.br
Cel: (11) 9294-5883
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "Transparência Hacker" dos Grupos do Google.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para thac...@googlegroups.com.
Para cancelar a inscrição nesse grupo, envie um e-mail para thackday+u...@googlegroups.com.
Para obter mais opções, visite esse grupo em http://groups.google.com/group/thackday?hl=pt-BR.
Daniel, muito bom o texto, especialmente os primeiros paragrafos.
Att.
Thiago Ghisi
@thiagoghisi
Enviado do meu Android.
Daniel, muito bom o texto, especialmente os primeiros paragrafos.