Olá Eduardo,
o esboço de etimologia proposto parece-me pouco provável, ou até impossível. A etimologia proposta – quem sabe de quem é, mas está também no artigo “umbu” da Wikipédia alemã – tem pelo menos dois obstáculos.Primeiro, o sufixo causativo mbo- diante de ‘u (‘ingerir, comendo ou bebendo’) acho que não se pode reduzir a “mbu” porque a consoante glotal que faz parte integrante da raiz ‘u não se omite em tal caso. Outro obstáculo morfossintático é a posição do presunto elemento “y” ´’água’. Segundo as regras tupinambá estaria incorporado: mbo-‘y-‘u ‘dar água’. Além disso, a mudança de y ‘água’ a /u/ seria lógica na Língua Geral e na traição brasileira, mas a palavra é umbu já em tupinambá. Montoya (1639), também anota umbú para o guarani paraguaio da sua época. O grande dicionário kaiowá-português (Chamorro 2023, para o kaiowá do Mato Grosso do Sul) tem um artigo “umbu” ‘pé de umbu’. Portanto, a forma umbu se conhece em várias línguas Tupi-Guarani, mas nelas não é analisável.
Um abraço,
Wolf
Eduardo Ribeiro schrieb am 2025-04-14:
> Prezados,
> Eu venho sugerindo há algum tempo que a palavra *umbu* (Spondias tuberosa)
> seria de origem não-Tupi (o que faria mais sentido geográfica e
> etnobotanicamente). Palavras semelhantes foram documentadas não apenas no
> Dzubukuá <
http://www.etnolinguistica.org/doc:15> (família Karirí), mas
> também entre os "Tapuya
> <
https://x.com/linguistica/status/1909340223319711765>" visitados pelos
> holandeses no Nordeste.
> O que pareceria corroborar uma origem Tupi para o termo é o fato de que a
> palavra seria morfologicamente analisável: *y-mb-u*, que significaria
> 'árvore-que-dá-de-beber'. Mas isto me soa meio questionável, lembrando
> as fantasiosas
> etimologias (como diria Lemos Barbosa) de Teodoro Sampaio.
> Alguém saberia dizer quem propôs esta etimologia? E se ela faz sentido na
> morfologia derivacional do Tupi Antigo?
> Desde já, agradecido.
> Abraços,
> Eduardo
>
https://tiny.one/ribeiro