Me pareceu muito boa essa exposição aqui do Adolfo:
Estou perturbado, no bom sentido, porque o Adolfo parece estar certo em tudo...
Ao mesmo tempo, parece que essa revolução tecnológica vai nos atropelar, de um jeito ou de outro. E do meu ponto de vista, o do materialismo filosófico, já não havia nenhuma razão (além das limitações de nossa tecnologia ou da nossa perspicácia) que impedisse a fabricação de máquinas capazes de simular a inteligência humana, ou certos aspectos dessa inteligência. Lembrando a metáfora do Carl Sagan que citei dias atrás, estamos vendo a ilha da exclusividade humana diminuir de tamanho.
Eu usei o ChatGPT apenas quatro vezes para resolver problemas matemáticos para mim, quatro dúvidas antigas que eu tinha. Agora que eu sei que a máquina é capaz de resolver os problemas em que eu muitas vezes fiquei estacionado, travado, isso me deu uma espécie de segurança psicológica. É como ter o "livro de resoluções" na estante. Antes eu me sentia desanimado, chateado, pois já estou velho, e fora do circuito acadêmico, não tenho colegas com quem conversar sobre matemática, nem professores. Saber que há um dispositivo que removeria, em princípio, qualquer obstáculo daqueles em que ficamos atolados quando somos meio autodidatas é libertador. Normalmente, eu uso a máquina como um tipo de espelho com distorção produtiva: um espelho relativamente autônomo, que devolve os meus próprios pensamentos remodelados, produzindo uma interlocução útil.
Ainda não consegui voltar ao "Ciência e Valores Humanos", do Bronowski. Mas o terceiro ensaio é o que trata do "senso de dignidade humana". Todos estamos implicados nos produtos da ciência e em seus resultados... Se usarmos os LLMs, estaremos de algum modo dividindo a responsabilidade por tudo o que eles carregam...
Bem, vou ouvir agora esse programa do Prof. Marcelo Finger.
Abraços,
M.