Valeria, e demais colegas:
As "modalidades positivas" mais comuns, box e diamond, são
caracterizadas, nas lógicas modais normais, por serem monotônicas com
relação à noção de consequência:
se α ⊢ β, então #α ⊢ #β (onde # é diamond ou box)
Como consequência óbvia, segue que as lógicas correspondentes são
congruenciais (isto é, sentenças equivalentes podem ser tratadas como
sinônimas), e é exatamente isto que faz com que elas se prestem a ter
uma semântica "modal-like". O Mike Dunn (1995) estudou as modalidades
positivas em detalhe em uma linguagem sem implicação (vale conferir
também o paper Celani & Jansana 1997, que estende os resultados de
Dunn).
As "modalidades negativas" (introduzidas e estudadas principalmente
por Dosen 1984 e Vakarelov 1989, mas também por Restall 1997) são
antitônicas com relação à noção de consequência, isto é:
se α ⊢ β, então #β ⊢ #α (onde # é uma versão negativa do diamond ou do box)
Note-se que a interpretação do box-negativo é exatamente a mesma da
negação intuicionista, e o diamond-negativo é uma negação
paraconsistente (nas lógicas modais não degeneradas). O Mike Dunn
também escreveu sobre este tópico um paper publicado em 2005, com
Chou. Em 2006 o Jean-Yves publicou um paper (escrito vários anos
antes) em que mostrou como caracterizar a lógica S5 sem usar a negação
clássica mas apenas o diamond-negativo, sobre uma base clássica. O
Batens publicou essencialmente o mesmo resultado mais ou menos na
mesma época. No meu paper "Nearly every normal modal logic is
paranormal", publicado em 2005, eu mostrei que de fato *toda* lógica
modal pode ser reescrita usando apenas o diamond-negativo sobre uma
base clássica.
Uma caracterização *abstrata* do que são estes operadores
"box-negativo" e "diamond-negativo" está no paper "Negative
Modalities, Consistency and Determinedness", nos anais do IMLA de
2013:
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S157106611300090X
Na linguagem que vimos estudando mais recentemente, os operadores
modais negativos são acrescidos de operadores modais de "consistência"
e de "determinação" (também caracterizados abstratamente no paper
supra-citado), que as tornam muito mais ricas e expressivas.
O paper sobre o qual estarei falando nesta palestra divulgado pela Elaine é
"It ain't necessarily so: Basic sequent systems for negative modalities":
http://arxiv.org/abs/1606.04006
Ele será apresentado no AiML em Budapeste no fim deste mês. Neste
paper demonstramos a analiticidade dos sistemas de sequentes que
oferecemos para algumas das principais lógicas apresentáveis na
linguagem já citada, e mostramos exatamente quais dentre estas lógicas
são capazes de definir uma negação clássica. Alguns dos resultados
são bastante surpreendentes!
Toda as referências citadas podem ser encontradas nos dois papers com
links acima. Comments are welcome! Os slides serão depositados
online junto com o video da palestra. Abraços,
Joao Marcos
>
https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAESt%3DXv1riLdgrSbSdUhD%3DfhsKoZCVg_Y9%3D%3DdrM9t2xn0Laf%3DQ%40mail.gmail.com.
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