o embate do século

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Valdenito Pereira de Souza

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Apr 12, 2026, 11:08:44 AMApr 12
to {Ex-alunos e Amigos do I B C}, radio-...@googlegroups.com

Igor Patrick

China testa ruptura com os EUA ao fazer aposta doméstica de IA
DeepSeek decide reescrever modelo para chips da Huawei desafia
estratégia de Washington de conter avanço chinês
Deixou de ser uma corrida por capacidade e passou a ser uma disputa por
otimização de engenharia industrial

10.abr.2026 às 23h00

A startup chinesa DeepSeek anunciou nesta semana que vai reescrever do
zero o código de seu próximo modelo de inteligência artificial
(conhecido até agora como V4) para funcionar exclusivamente em chips da
Huawei, abandonando a americana Nvidia. A decisão é a aposta mais
explícita já feita por um laboratório de ponta chinês de que o silício
nacional já é capaz de sustentar o estado da arte da IA.

Para dimensionar o que isso significa, é preciso entender como funciona
a infraestrutura da IA. Modelos como o ChatGPT não rodam em computadores
comuns, dependendo de chips especializados (os chamados aceleradores)
que processam volumes colossais de operações matemáticas em paralelo.

A Nvidia reina quase sozinha nesse mercado, e Washington apostou nessa
dependência ao restringir a venda dos modelos mais avançados à China.
Americanos apostaram que, sem acesso ao melhor hardware, Pequim não
teria como competir na fronteira da IA. A DeepSeek acaba de sinalizar
que essa premissa caducou.


A chinesa DeepSeek vai reescrever do zero o código de seu próximo modelo
de inteligência artificial - Dado Ruvic -29.jan.25/Reuters
Fabricado pela chinesa SMIC, o chip Ascend 950PR da Huawei tem
tecnologia de 5 nanômetros. Não é o modelo mais avançado do mercado (que
já trabalha em 2 nanômetros), mas ele entrega 1,56 petaflops de
capacidade de processamento em operações de baixa precisão utilizados
por modelos de IA.

Isso é quase três vezes mais que o Nvidia H200, uma versão piorada dos
chips mais poderosos da empresa e os únicos autorizados por Washington
para exportação. A variante mais poderosa H200 ainda favorece a Nvidia
em largura de banda de memória e velocidade com que o chip acessa dados
armazenados, mas a Huawei compensa essa diferença com uma rede de
interconexão óptica capaz de conectar até 8.192 processadores numa única
máquina lógica. É até possível fazer isso no ecossistema Nvidia, mas a
um custo altíssimo e difícil de escalar.
Com o mercado chinês avançando na migração, o resultado tem sido sentido
no bolso da empresa dos EUA. Alibaba, ByteDance e Tencent encomendaram
centenas de milhares de unidades do Ascend 950PR, fazendo os preços dos
chips locais subirem em 20% com a demanda.

Máquinas pré-carregadas com modelos DeepSeek estão sendo vendidas por
algo entre ¥ 300 mil e ¥ 5 milhões (R$ 220 mil a R$ 3,67 milhões). É
caro, mas significativamente mais em conta que os sistemas com chips
Nvidia que chegam a até ¥ 20 milhões (R$ 14,6 milhões) no mercado paralelo.

Mas o ponto que mais deveria incomodar Washington é outro. A verdadeira
barreira da Nvidia nunca foi apenas o silício, mas o Cuda, um
ecossistema de software que há mais de uma década prende desenvolvedores
às suas placas como os programas do seu computador Windows te obrigam a
pagar um adicional à Microsoft toda vez que você troca de aparelho.

A Huawei lançou no ano passado uma alternativa de código aberto chamada
CANN e os engenheiros da DeepSeek já demonstraram que conseguem atingir
60% do desempenho de um chip Nvidia H100 usando hardware Huawei no
primeiro dia de operação. A comunidade de desenvolvedores integrou
suporte aos novos modelos em semanas. Se o Cuda era o fosso que protegia
o castelo da Nvidia, a água está baixando rápido.

A lógica das sanções presumia que cortar o acesso ao melhor hardware
bastaria para congelar o avanço chinês, mas a resposta do país asiático
foi inventar o próprio hardware, otimizar o software para extrair o
máximo de cada transistor e treinar modelos de fronteira com orçamentos
a uma fração do que gastam laboratórios americanos. Deixou de ser uma
corrida por capacidade e passou a ser uma disputa por otimização de
engenharia industrial.

--
Valdenito de Souza - o Nacionalista Místico

- Ex-aluno do Instituto Benjamin Constant

- Rio de Janeiro/RJ

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