INTIMAÇÃO POLICIAL DE ESTUDANTES DO IE
No fim da tarde desta sexta-feira feira, 22/10, membros do CAECO e da ATLÉTICA foram procurados pelo Orlando, nas escadarias do Instituto, que, sob o pretexto de manter contato, pediu uma relação de nomes e emails dos integrantes dessas instituições. Além disso, pediu nomes de membros da gestão passada de ambas.
Após conseguir o que queria, ele revelou para os alunos que a situação, na verdade, se tratava da reabertura de um inquérito policial para apurar uma denuncia de barulho após as 22h, feita pela procuradora da UNICAMP em novembro de 2009, por conta do suposto encontro de baterias no ano passado. A referida procuradora dirigiu sua denúncia contra responsáveis que ela identificou através de um cartaz entregue ao delegado de Barão Geraldo: IE, FCM, IA, IFCH e Engenharias. Isso gerou um trâmite similar na diretoria de cada Instituto e Faculdade.
O processo que chegou às mãos da direção do IE continha três documentos (anexados). O primeiro registrava a denúncia da procuradora junto à delegacia de Barão. O segundo trazia um pedido do delegado para que a reitoria da Unicamp informasse à polícia os nomes de possíveis envolvidos no tal encontro. Numa terceira folha a reitoria exigia, com prazo de cinco dias corridos, que o diretor do Instituto entregasse os nomes de quem ela julgava, à priori, possíveis responsáveis pelo evento: a gestão do centro acadêmico. Esta última datava do dia 20/10, 4a-feira.
Notem que a reitoria pediu ao diretor Mariano Laplane nomes dos membros atuais do CAECO. Mas ele sabia que: a) a bateria era da Atlética e não do CAECO; b) Que se tratava de algo relacionado à gestão passada e não da atual. Por livre iniciativa ele foi atrás de quem julgou serem os responsáveis.
Fomos informados pelos próprios professores que alunos da gestão passada da Atlética e possivelmente do CAECO receberam emails convocando-os para uma reunião na segunda-feira (25/10). Assumimos que seja de manhã porque à tarde, 14h30, ocorrerá a reunião da Congregação, presidida pelo Diretor.
A direção tem nomes da gestão passada da Atlética e do CAECO. Os alunos estão sendo perseguidos de duas maneiras: a) Judicialmente, pela polícia, por causa do barulho após as 22h00; b) Disciplinarmente, pela reitoria, pela venda de bebidas alcoólicas no campus e organização de festa fora dos regulamentos colocados pela universidade. Portanto, os alunos considerados envolvidos poderão ser jubilados, além de ter de responder criminalmente.
O que se passa é que a Associação dos Moradores (AMOC) têm se esforçado para transformar Barão Geraldo num bairro pacato para ser uma boa área de expansão imobiliária para grandes condomínios. Esse esforço passa por disciplinar a UNICAMP e transformar a universidade em um colégio, reprimindo qualquer manifestação cultural, desde a festa do Festival de Artes do IA até encontros de baterias. Não se nega que a reitoria receba pressões externas, contudo, inegavelmente ela lançou mão de uma agenda própria para coibir esses espaços no campus, implantando um projeto específico de universidade.
Agora as coisas estão se resolvendo pelo caminho de menor resistência, ao invés da reitoria enfrentar a especulação da AMOC, sai à caça de estudantes que não fizeram nada mais do que ocupar o espaço público com o qual eles estão envolvidos em prol de manifestações culturais e comunitárias.
A direção do Instituto é declaradamente contra as iniciativas dos estudantes. O vice, Cláudio Maciel, era chefe da comissão da reitoria para apurar e punir estudantes organizadores de eventos. O diretor Mariano Laplane fez considerações sobre as festas no campus, declarando-se abertamente contrário. Também disse não entender porque estudantes se posicionariam contrariamente ao democrático estado de direito brasileiro e sua polícia para defender o direito de “fazer barulho”.
A gestão do atual reitor, Prof. Fernando Costa, é muito mais truculenta que a de seus antecessores. Na noite de quinta feira, ao mesmo tempo em que a polícia invadia o campus para dissolver uma festa, PM’s invadiam residências da Moradia Estudantil sem mandato, na calada da noite.
Entendemos que a situação é absurda, truculenta, autoritária e não deve ser aceita passivamente, devemos nos ocupar de proteger os dois ex-membros da Atlética que possivelmente serão entregues pela direção à procuradoria da UNICAMP. PROPOMOS UMA ASSEMBLÉIA GERAL DOS ESTUDANTES (segunda-feira, no chão preto às 12:00h) PARA TIRAR UMA POSIÇÃO DO CORPO DISCENTE REIVINDICANDO FORMALMENTE QUE O DIRETOR NÃO ENVIE QUALQUER NOME PARA A REITORIA.