Gente, uma pergunta idiota: haveria a substituição apenas do motor, do motor e do câmbio, do motor, cÂmbio e diferencial, do motor, câmbio, diferencial e homocinéticas, do motor, câmbio, diferencial, homocinéticas e sistema de freios (neste último, por regenerativos)????
Isso é apenas a ponta do iceberg do que deve ser pensado de forma prática, no quesito mecânica, que é o que faz os carros andarem.
Após esta resposta, vem as demais indagações: o quê seria colocado no lugar de cada uma dessas peças que seriam substituídas? Teria que se fabricar suportes adequados para fixar estas peças, os suportes teriam que ser padronizados por modelo de carro, a marca teria que ter disponibilidade de reposição para todo o BR, etc.
Por fim, a soma destas peças + M.O. custaria quanto?
Esqueçam o público de carro 1000, que malemal tem grana pra sequer pagar o carro e as obrigações consequentes de ter um carro, como IPVA, seguro, rastreamento, manutenção preventiva, corretiva, etc.
O público disso é quem vive do veículo e suporta o alto custo operacional dele, como taxistas, vans, usuários de veículos de carga leves, e que por faturar com o veículo, tem total interesse em ver seus custos baixarem e provavelmente têm nome limpo e linhas de crédito á rodo para adquirirem um kit de conversão.
Não que o usuário Pessoa Física, que tenha seu carro para deslocamento diário, não tenha essa possibilidade. Mas pq. justamente pelas perguntas que elenquei acima, certamente terá receio de fazer uma conversão de uma maneira não-padronizada ou ao menos testada e aprovada, ainda mais quando essa conversão envolve um alto custo, por mais líquido e certo que seja o retorno do investimento (ROI).
Acompanhei de perto a experiência de uma pessoa que se meteu a desenvolver um projeto de kit de carroceria para veículo 4x4 com finalidade de uso civil, executivo e/ou militar, mas que pelos poucos recursos, só teve $ suficiente para fazer a carroceria. Anunciou em tudo quanto foi canto, mas só o que ele ouvia era: "Tem algum pronto e rodando para eu ver como ficou?"
O projeto não andou pq. ninguém quis pôr a grana na frente. Por isso que quando eu falei há alguns meses (acho que foi no começo do ano) sobre eu bancar o projeto do caminhão elétrico, foi justamente para fomentar este esforço conjunto da lista em prol de algo viável para justamente a utopia se transformar em uma realidade palpável, para que pudesse ser testado por eventuais futuros interessados compradores ou mesmo autoridades governamentais para que passassem a trabalhar com mais objetivo no sentido de criar um decreto juntamente com um estímulo governamental que não só obrigasse á conversão destes veículos como também desse algum incentivo fiscal e instrumentos oficiais de financiamento por parte de bancos governamentais para de fato começar a fomentar e fazer existir com bases sólidas um mercado de veículos elétricos.
Vejam bem: um caminhão ou comercial leve possui chassi projetado para levar peso. Ora, as baterias pesam, e isso é uma realidade inegável. O motor elétrico também pesa, ás vezes até mais do que um motor á combustão ou ciclo diesel. Porém, se a estrutura do veículo permite levar peso, ainda que sacrifique em 10 ou 15% a capacidade total de carga, isso deixa de ser um empecílio e se torna um fator agregador de vantagens ao se pensar em trabalhar focado nesse segmento.
Eu tenho transportadora, sei bem o quanto pesa o fator combustível na minha planilha, nos custos operacionais de cada veículo meu. De um total de gastos de R$ 8.000,00/mês de um comercial leve, 30% disso é só de diesel. Imagine que alguém que gaste R$ 2.400,00/mês para rodar 4.500km (150~200km/dia, dependendo da contagem de dias úteis ou dias totais do mês) passe a gastar R$ 500,00/mês com veículo usando motor á combustão ou mesmo o diesel em rotação fixa ideal para a geração da carga elétrica necessária ao abastecimento das baterias, ou mesmo gastasse R$ 200,00/mês com um veículo totalmente elétrico, recarregável na rede elétrica. Se o sistema custasse R$ 25.000,00~R$ 30.000,00, ele compraria numa boa, pois se paga em menos de um ano.
Entenderam onde eu quero chegar? Nunca uma Pessoa Física pagaria um valor desses - que certamente é até maior do que o valor do veículo que ele anda atualmente - numa conversão de seu atual veículo de uso.
Pensem nisso, antes de pensar em abrir empresa. Continuo disposto a formarmos um grupo sólido para ceder o veículo e comprar os insumos necessários á montagem de um sistema que atenda a esta demanda, lembrando que tenho aqui aquela caixa de transferência de força que vem do motor+câmbio que pode ser desconectada mecanicamente e que tem PTO (poawer-take-off = tomada de força) para a colocação de um motor elétrico que possa movimentar simultaneamente os eixos dianteiros e traseiros - no caso de veículos 4x4 - ou apenas o eixo traseiro, no caso de qualquer veículo com tração 4x2 dianteira ou traseira, o que por si só já ajuda bastante no caso de usar motor á combustão ou ciclo diesel para locomoção do veículo em caso de o deslocamento dele for maior do que a autonomia proporcionada pelas baterias e para alimentar as baterias sem deixar de transmitir força de deslocamento/locomoção ao eixo+rodas do veículo.
No aguardo de vossas opiniões.
( )´s.
Ramiro - Sampa - SP