Uma das audiências que eu assisti foi bastante curiosa.
Tratava-se de um caso em que se discutia a regulamentação da visitação dos filhos pelo pai, sendo que a mãe vinha descumprindo o que tinha sido acordado previamente e impedia o pai de vê-las.
Logo no começo da audiência algo me chamou a atenção: um PM adentrou a sala de audiências e ficou plantado perto da porta.
Como o patrono do autor (pai - requerente) encontrava-se ausente, os debates não se alongaram e o juiz decidiu adiar a AIJ para outro dia. Dispensou então o autor, mas não sem antes perguntar se este tinha ciência de que havia um mandado de prisão expedido em seu nome. Ao responder positivamente, o autor se levantou e foi preso ali mesmo, na porta da sala de audiências. Ao que parece, estava desempregado e não conseguia pagar a pensão.
Em seguida, permaneceu a ré na sala e interviu o MP. A promotora, de maneira bem firme, destacou que o estudo social havia detectado uma situação extremamente preocupante: indícios de alienação parental por parte da mãe. Como a mãe pareceu não se importar muito, a promotora explicou que a figura paterna era essencial durante a formação das crianças, e que não toleraria mais que a mãe adotasse a postura de afastar os pais da criança. Afirmou ainda, em um tom quase de ameaça, que opinaria pela retirada da guarda das crianças caso a referida postura fosse mantida (acho que nessa hora a mãe percebeu a seriedade do problema, pois fez uma leve cara de espanto).
O juiz, por sua vez, reiterou o que foi dito pelo MP, e também "ameaçou" a mãe com a perda da guarda, mas de forma muito mais branda, pois disse que seria a última medida a ser tomada (achei a postura do juiz muito correta, mas a ré precisava levar um susto mesmo...).
Enfim, acredito ter sido esta a audiência mais interessante dentre as que pude assistir esse período. Não é em toda audiência de família que vemos uma prisão e uma bronca do promotor em uma das partes...