
22 abril 2026
Novo relatório lançado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta terça (22) mostra como o trabalho mal concebido ou mal gerenciado, incluindo altos níveis de exigência, longas jornadas e insegurança no emprego, prejudica a saúde dos trabalhadores, trabalhadoras e a economia.
Preparado no âmbito do Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho 2026 (28 de abril), o relatório “O ambiente psicossocial de trabalho: tendências globais e orientações para a ação” estima que riscos psicossociais resultem em perdas econômicas equivalentes a 1,37% do PIB global a cada ano.

Mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos devido a problemas de saúde relacionados a riscos psicossociais, como longas jornadas de trabalho, insegurança no emprego e assédio no local de trabalho, segundo um novo relatório global da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Esses riscos psicossociais relacionados ao trabalho estão principalmente associados a doenças cardiovasculares e transtornos mentais, incluindo o suicídio.
O relatório também conclui que esses riscos são responsáveis por quase 45 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs) perdidos anualmente, refletindo anos de vida saudável perdidos devido a doença, incapacidade ou morte prematura, e estima-se que resultem em perdas econômicas equivalentes a 1,37% do PIB global a cada ano.
O relatório “O ambiente psicossocial de trabalho: tendências globais e orientações para a ação” destaca o impacto crescente de como o trabalho é concebido, organizado e gerido sobre a segurança e a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras. Ele alerta que fatores de risco psicossociais — incluindo longas jornadas de trabalho, insegurança no emprego, altas exigências com baixo controle e bullying e assédio no local de trabalho — podem criar ambientes de trabalho prejudiciais se não forem devidamente enfrentados.
O relatório apresenta o ambiente de trabalho psicossocial como os elementos do trabalho e das interações no local de trabalho relacionados à forma como os empregos são definidos, como o trabalho é organizado e gerido, e às políticas, práticas e procedimentos mais amplos que regem o trabalho. Esses elementos, tanto individualmente quanto em conjunto, afetam a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, bem como o desempenho organizacional.
Para melhor compreender os riscos psicossociais, o relatório propõe três níveis inter-relacionados do ambiente de trabalho:
O relatório enfatiza que os riscos psicossociais surgem desses elementos e podem ser prevenidos por meio de abordagens organizacionais que tratem suas causas fundamentais. Destaca também a importância de integrar a gestão dos riscos psicossociais aos sistemas de segurança e saúde no trabalho, com o apoio do diálogo social entre governos, empregadores e trabalhadores.

Embora muitos riscos psicossociais não sejam novos, grandes transformações no mundo do trabalho, incluindo a digitalização, a inteligência artificial, o trabalho remoto e novos arranjos de emprego, estão remodelando o ambiente de trabalho psicossocial. Essas mudanças podem intensificar riscos existentes ou criar novos, se não forem devidamente enfrentadas. Ao mesmo tempo, podem oferecer oportunidades para uma melhor organização do trabalho e maior flexibilidade, destacando a necessidade de uma ação proativa.
“Os riscos psicossociais estão tornando-se um dos desafios mais significativos para a segurança e saúde no trabalho no mundo moderno do trabalho”, afirmou o líder da equipe de Políticas e Sistemas de SST na OIT, Manal Azzi.
“Melhorar o ambiente de trabalho psicossocial é essencial não só para proteger a saúde mental e física dos trabalhadores, mas também para fortalecer a produtividade, o desempenho organizacional e o desenvolvimento econômico sustentável.”
O número de mais de 840 mil mortes por ano foi estimado com base em duas principais fontes de evidência. A primeira consiste em dados sobre a prevalência global de cinco principais fatores de risco psicossociais no trabalho: tensão no trabalho (altas exigências combinadas com baixo controle), desequilíbrio entre esforço e recompensa, insegurança no emprego, longas jornadas de trabalho e bullying e assédio no local de trabalho. A segunda é composta por pesquisas científicas que mostram como esses riscos aumentam a probabilidade de condições graves de saúde, como doenças cardíacas, AVC e transtornos mentais, incluindo o suicídio.
Esses níveis de risco foram então aplicados aos dados globais mais recentes de mortalidade e saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do estudo Global Burden of Disease (GBD) para estimar o número de mortes e de DALYs atribuíveis a esses riscos a cada ano. Essa abordagem permitiu à OIT quantificar tanto o impacto humano quanto o econômico, incluindo a estimativa de perdas de produtividade refletidas nos custos para o PIB associados aos anos de vida saudável perdidos.
Além disso, o relatório sintetiza um amplo conjunto de evidências que mostram que os riscos psicossociais estão ligados a uma vasta gama de condições de saúde mental e física entre os trabalhadores, incluindo depressão e ansiedade, bem como doenças metabólicas, distúrbios musculoesqueléticos e distúrbios do sono.
Para saber mais, siga @oit_brasil nas redes e acesse o sumário executivo em português e o relatório completo em inglês.
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