Ondas de calor recordes, secas persistentes, chuvas extremas e ciclones tropicais devastadores afetaram comunidades e economias de toda a América Latina e do Caribe em 2025, aponta novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) lançado na segunda (18).
O relatório sobre o Estado do Clima na América Latina e no Caribe em 2025 alerta que as condições meteorológicas e climáticas cada vez mais extremas tem afetado os sistemas agroalimentares do continente.

Ao longo das costas do Atlântico, o nível do mar está subindo mais rapidamente do que a média global em algumas regiões do Atlântico tropical e do Caribe. A acidificação e o aquecimento contínuos dos oceanos estão agravando os riscos para os ecossistemas marinhos e a pesca, de acordo com o relatório da OMM sobre o Estado do Clima na América Latina e no Caribe em 2025.
“Os sinais de uma mudança climática são inconfundíveis em toda a América Latina e no Caribe, desde a aceleração do derretimento das geleiras e o aumento do nível do mar até a rápida intensificação de ciclones tropicais, calor extremo, inundações e secas”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.
“Este relatório mostra que, embora os riscos estejam aumentando, também cresce nossa capacidade de antecipar e agir para salvar vidas e proteger meios de subsistência”, disse a líder da OMM.
Isso ficou evidente com o furacão Melissa, em outubro de 2025 — o primeiro furacão de categoria 5 registrado a atingir a Jamaica. O evento causou 45 mortes e prejuízos econômicos de aproximadamente 8,8 bilhões de dólares americanos, mais de 41% do PIB. Embora o Melissa não tivesse precedentes históricos, as autoridades jamaicanas utilizaram modelos de risco de alta qualidade para orientar medidas financeiras preventivas e a preparação para desastres, o que limitou o número de vítimas e ajudou a ilha a lidar com a situação.
Outro grande risco é o calor extremo, que representa um fardo cada vez maior para a saúde pública. Em 2025, ondas de calor recorrentes e intensas — com temperaturas bem acima de 40 °C — afetaram grandes partes da América do Norte, Central e do Sul. Há, portanto, uma necessidade urgente de incorporar inteligência climática ao planejamento de saúde e à preparação para emergências, bem como de integrar alertas meteorológicos antecipados aos gatilhos de saúde pública.
Muitos países não publicam rotineiramente dados de mortalidade por calor com causa específica. Estima-se que haja aproximadamente 13.000 mortes atribuíveis ao calor anualmente (média em 17 países entre 2012 e 2021). Isso sugere uma subestimação significativa da mortalidade relacionada ao calor e há a necessidade de relatórios mais precisos, de acordo com o relatório.
O relatório também examina como os sistemas agroalimentares estão expostos a climas extremos e choques climáticos, com impactos simultâneos na produção agrícola, nos meios de subsistência rurais, no acesso aos alimentos e no funcionamento do mercado.
O relatório Estado do Clima na América Latina e no Caribe 2025 foi lançado no Auditório Olacyr de Moraes, no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em Brasília, Brasil. Ele fornece informações confiáveis sobre os principais indicadores climáticos, impactos e riscos, bem como sobre os principais eventos extremos regionais, incluindo ciclones tropicais, ondas de calor, chuvas intensas e secas, e ondas de frio.
“Essas conclusões são profundamente preocupantes. Mas também mostram por que nosso trabalho é importante. Informações climáticas não se resumem apenas a dados. Trata-se de pessoas”, disse Celeste Saulo.
“Trata-se de proteger as comunidades contra inundações, secas, furacões, ondas de calor e outros desastres. Trata-se de agricultores planejando suas safras, autoridades de saúde se preparando para riscos relacionados ao calor e comunidades costeiras se preparando para o aumento do nível do mar”, disse.
“O Estado do Clima na América Latina e no Caribe 2025 não é apenas uma publicação científica. É um chamado à ação. Ele nos exorta a fortalecer as observações, investir em serviços, preencher lacunas de alerta antecipado e garantir que as informações climáticas cheguem àqueles que mais precisam delas”, disse Celeste Saulo.

Dos quatro períodos de 30 anos analisados no relatório, o período de 1991 a 2025 apresenta a tendência de aquecimento mais acentuada desde o início dos registros, em 1900: cerca de 0,26 °C por década na América do Sul e 0,25 °C por década na América Central e no Caribe. O México registrou a taxa de aquecimento mais rápida, cerca de 0,34 °C por década entre 1991 e 2025.
A temperatura média anual da superfície em 2025 ficou entre a quinta e a oitava mais quente já registrada.
Houve calor recorde em toda a região, incluindo 52,7 °C em Mexicali (México) – novo recorde nacional – e várias ondas de calor que ultrapassaram 40 °C–45 °C em toda a América Central. Muitos locais na América do Sul também registraram temperaturas acima de 40 °C, com 44 °C no Rio de Janeiro (Brasil) e 44,8 °C em Mariscal Estigarribia (Paraguai).
Nos últimos 50 anos, aproximadamente, as chuvas na América Latina e no Caribe tornaram-se mais extremas – oscilando entre secas e inundações, com períodos de seca mais longos e eventos de chuva mais intensos.
Chuvas intensas aumentaram na América Central e no norte da América do Sul (por exemplo, na Colômbia, na República Bolivariana da Venezuela e na região amazônica). O sudeste da América do Sul (sul do Brasil, Uruguai e norte da Argentina) também registrou um aumento na precipitação anual e inundações mais frequentes.
O Chile central, o nordeste do Brasil e algumas áreas da América Central e do Caribe estão se tornando mais secos. A região amazônica apresenta um quadro misto, com estações secas mais longas, estações chuvosas mais intensas e maior frequência de secas no sul e no leste da Amazônia.
Em 2025, chuvas extremas e inundações provocaram graves impactos humanitários, incluindo mais de 110.000 pessoas afetadas no Peru e no Equador (inundações de março), 83 mortes no México (inundações de outubro) e deslizamentos de terra generalizados e danos à infraestrutura.
Junho de 2025 foi o mês mais chuvoso já registrado no México. Apesar disso, a seca assolou as regiões norte e central do México – cobrindo até 85% do país em seu pico e criando uma crise hídrica para as plantações e reservatórios. Houve grave escassez de água no Caribe e déficits de precipitação superiores a 40% em partes do sul da América do Sul, contribuindo para perdas agrícolas e risco de incêndios florestais.

As geleiras andinas constituem uma importante reserva hídrica para cerca de 90 milhões de pessoas, fornecendo água doce para consumo doméstico, energia hidrelétrica, agricultura e indústria.
Conjuntos de dados recentes sobre o balanço de massa das geleiras globais mostram perdas aceleradas nas altas montanhas do sul dos Andes, bem como nas geleiras tropicais em regiões de baixa latitude, como Colômbia e Equador.
A convergência entre a perda acelerada de gelo, o aumento da demanda por água e a capacidade limitada de adaptação – particularmente entre as comunidades rurais andinas – torna o futuro da reserva hídrica andina um dos desafios mais urgentes para a segurança hídrica na América Latina.

A América Latina é responsável por 8,8% do litoral mundial. O oceano está absorvendo o excesso de calor e o dióxido de carbono proveniente das atividades humanas. A acidificação e o aquecimento oceânicos resultantes, combinados com a desoxigenação, estão afetando os ecossistemas marinhos e os recifes de corais, prejudicando a pesca e as economias locais.
Em 2025, o pH da superfície do oceano continuou a diminuir (acidificação), atingindo um nível recorde de baixa em grandes partes do Atlântico e do Pacífico adjacentes à região.
Ocorreram ondas de calor marinhas extremas no Golfo do México e no Mar do Caribe, bem como na área oceânica adjacente ao Chile.
Ao longo das costas voltadas para o Atlântico, as taxas de elevação do nível do mar estão excedendo a média global em partes do Atlântico tropical e do Caribe.
Para saber mais, siga @wmo_omm nas redes e acesse o relatório na íntegra na página da OMM: https://wmo.int/resources/publication-series/state-of-climate-latin-america-and-caribbean/state-of-climate-latin-america-and-caribbean-2025
O relatório Estado do Clima na América Latina e no Caribe foi elaborado pela OMM em colaboração com os Serviços Nacionais de Meteorologia e Hidrologia, centros internacionais de dados, instituições de pesquisa climática de renome e parceiros das Nações Unidas, incluindo a Organização Pan-Americana da Saúde, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres.
Dezenas de especialistas e instituições contribuíram para este relatório. A OMM agradece especialmente ao autor principal, José A. Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta Precoce de Desastres Naturais (CEMADEN) do Brasil.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) é a voz oficial do Sistema das Nações Unidas em matéria de tempo, clima e água.
Contato para a imprensa:
A mudança climática não é uma ameaça distante. É uma realidade que impacta nosso presente e o futuro da humanidade na Terra, nosso lar compartilhado. Todas as pessoas podem apoiar a #AçãoClimática e ajudar a minimizar os impactos da mudança climática em nossas comunidades, cidades e na natureza.

Confira dicas da campanha da ONU Brasil pela ação climática:
📢 Pressione as autoridades a adotarem políticas e práticas para a redução das emissões de gases de efeito estufa e investirem nas capacidades de adaptação de nossas cidades aos efeitos da mudança do clima.
♻️ Faça escolhas sustentáveis no seu dia a dia e coloque em prática os cinco pilares do conceito do #ResíduoZero: repense, recuse, reduza, reutilize, recicle.
🌳 Procure obter mais informações sobre as cadeias de produção, e dê preferência a produtos e empresas que adotam práticas sustentáveis, incluindo a proteção dos ecossistemas e da biodiversidade.
🗣️ Informe-se e compartilhe conhecimento com pessoas próximas e familiares. Conscientização é o primeiro passo para a mudança!
💚 Apoie e participe de iniciativas e organizações que atuam para a restauração de ecossistemas degradados pela ação humana.
Para mais informações, acesse a página da ONU Brasil para #EducaçãoAmbiental e siga @unep_pt, @nacoesunidas e @onubrasil nas redes sociais.