
20 março 2026
O Governo do Brasil, a União Europeia e o UNODC lançaram nesta sexta (20), em Brasília - DF, o "Protegendo Futuros: Prevenindo e Respondendo à Violência contra Crianças e Adolescentes por Grupos Criminosos".
A nova parceria entre o Brasil e a União Europeia será implementada pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), com o objetivo de proteger crianças e adolescentes do aliciamento e da exploração pelo crime organizado.

O Governo do Brasil, em parceria com a União Europeia e o UNODC, lançou oficialmente o Protegendo Futuros em 20 de março de 2026, em Brasília - DF. A iniciativa reforça o compromisso firme do Brasil em prevenir e responder ao aliciamento e à exploração de crianças e adolescentes pelo crime organizado; e fortalece a cooperação entre o Brasil, a União Europeia e o UNODC no avanço da proteção de crianças e adolescentes como elemento essencial para o fortalecimento da segurança pública, em consonância com a crescente liderança do Brasil nos esforços regionais e globais para enfrentar o crime organizado e prevenir a violência contra crianças e adolescentes.
Todos os anos, estima-se que um bilhão de crianças e adolescentes em todo o mundo sejam vítimas de violência ou negligência. Crianças e adolescentes representam cerca de 15% de todas as vítimas de homicídio intencional, com o crime organizado causando níveis de violência letal comparáveis aos observados em conflitos armados.
No Brasil, por exemplo, 2.489 mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos foram registradas somente em 2022, com forte concentração entre adolescentes negros do sexo masculino que vivem em territórios marcados por vulnerabilidades estruturais e pela presença do crime organizado.
Em diversas regiões, grupos armados e criminosos aliciam, utilizam e exploram sistematicamente — e frequentemente de forma transnacional — crianças e adolescentes para proteger autores adultos da detecção e responsabilização, além de expandir suas atividades ilícitas. As consequências para essas crianças e adolescentes são imediatas e graves, incluindo exposição a riscos extremos e danos físicos e psicológicos duradouros. Seja por meio de força explícita, pressão econômica, intimidação ou manipulação, grupos criminosos visam crianças e adolescentes em suas situações de maior vulnerabilidade, inserindo-os em ciclos de violência que destroem vidas jovens, fragilizam a estabilidade das comunidades e contribuem para a insegurança além das fronteiras. Essas dinâmicas envolvem cada vez mais o uso de mensagens criptografadas, ambientes de jogos online e direcionamento algorítmico vinculado a economias ilícitas, incluindo o tráfico de drogas e o contrabando de armas, criando novos desafios para a prevenção e os sistemas de proteção.
Durante o evento de lançamento realizado no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), representantes do Governo do Brasil, da União Europeia e do UNODC destacaram a relevância do projeto para as necessidades e prioridades nacionais.

O evento reuniu representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, do Ministério da Educação, do Ministério da Saúde, do Ministério da Cultura, do Ministério do Esporte, do Ministério dos Povos Indígenas e do sistema de justiça, além de importantes organizações da sociedade civil, refletindo um amplo compromisso com o fortalecimento da proteção de crianças e adolescentes contra o crime organizado.
“Devemos adotar uma abordagem unificada e coordenada, que transcenda fronteiras geográficas e mandatos institucionais e reflita nossa responsabilidade compartilhada de proteger crianças e adolescentes e salvaguardar nossas sociedades das ameaças do crime e da violência. É por isso que a União Europeia busca consistentemente a troca de experiências entre países por meio de seus programas” – Maria Rosa Sabbatelli, chefe da Unidade de Ameaças e Desafios Globais e Transregionais, União Europeia
O projeto, implementado pelo UNODC com financiamento da União Europeia, será executado de 2026 a 2029, com o objetivo de prevenir e responder ao aliciamento e à exploração de crianças e adolescentes, em plena conformidade com os direitos humanos, a igualdade de gênero e o direito internacional.
A iniciativa adota uma abordagem integrada que aborda tanto os fatores que impulsionam o aliciamento quanto as necessidades daqueles que foram afetados; reconhecendo que a proteção dos direitos de crianças e adolescentes e o fortalecimento da segurança são objetivos mutuamente complementares. No contexto brasileiro, isso inclui o apoio a medidas que priorizem a prevenção, o acesso à justiça para crianças e adolescentes, a reabilitação e a reintegração, assegurando que as respostas de segurança não aprofundem vulnerabilidades existentes nem resultem em novas violações de direitos.
O projeto trabalhará para alcançar dois resultados principais:
Esses resultados serão alcançados por meio de quatro pilares interdependentes:
No Brasil, as atividades previstas incluem a produção de evidências sobre padrões de aliciamento — incluindo vetores digitais e online —, apoio técnico a reformas legais e políticas, e capacitações direcionadas para profissionais das áreas de justiça, segurança, assistência social, educação e saúde, além de iniciativas comunitárias com jovens em territórios prioritários, como periferias urbanas e áreas portuárias estratégicas.
Ao combinar o financiamento da União Europeia, a expertise técnica do UNODC e o compromisso institucional do Brasil, a iniciativa foi concebida para gerar resultados sustentáveis e escaláveis. Ela irá reforçar e complementar o Crescer em Paz, estratégia nacional do Brasil para proteger crianças e adolescentes da violência, do crime e das drogas, lançada em abril de 2025.
“O enfrentamento ao aliciamento de crianças requer atuação integrada nos territórios, com educação, assistência social, saúde e segurança pública trabalhando de forma articulada. Essa iniciativa reafirma uma diretriz central da Política sobre Drogas no Brasil: prevenir violências e promover proteção por meio do cuidado, da inclusão e da garantia de direitos, em cooperação com parceiros internacionais e em diálogo com experiências de outros países”, destacou a secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do MJSP, Marta Machado.
“Reconhecemos a visão ousada do Brasil e seu compromisso em enfrentar ameaças urgentes à segurança e ao bem-estar de crianças e adolescentes, ao mesmo tempo em que promove uma transformação mais profunda nos sistemas responsáveis por seu cuidado e proteção.” – Alexandra Martins, coordenadora do Programa Global para Acabar com a Violência contra Crianças, UNODC
O Protegendo Futuros baseia-se na cooperação sólida e de longa data entre o Governo do Brasil, a União Europeia e o UNODC, e foi concebido para fortalecer a reconhecida liderança e expertise do Brasil nessa área. A parceria aproveitará a ampla experiência do país e suas boas práticas nacionais na proteção de crianças e adolescentes e no enfrentamento do crime organizado transnacional, ao mesmo tempo em que criará oportunidades para dar visibilidade internacional aos avanços do Brasil.
Alinhado aos recentes acordos de cooperação operacional Brasil–União Europeia e às resoluções relevantes da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre violência contra crianças e adolescentes por grupos criminosos organizados, o projeto posiciona o Brasil como parceiro-chave na formulação de respostas integradas, baseadas em evidências e orientadas pelos direitos de crianças e adolescentes.
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