Fosfateira
em Anitápolis, SC - Avatar Catarinense
(Fosfateira
em Anitápolis, SC) Avatar Catarinense, artigo de Guilherme Floriani
O
Diretor de Avatar, James Cameron, não deve conhecer a região de
Anitápolis, em Santa Catarina, onde se prevê a implantação de um
complexo de mineração para fabricar fertilizantes. Em Avatar, humanos do
futuro vão ao planeta Pandora explorar um minério e entram em conflito
com a civilização dos Na’vi que vive em harmonia com a natureza no local
da jazida. “Uma ampla metáfora sobre como tratamos a natureza”, Cameron
não precisava ter dito. Os Na’vi viviam na Árvore da Vida, em cima da
jazida. Em Anitápolis, é a ONG Montanha Viva quem enfrenta a mineradora.
A
superprodução recebeu 3 Oscars e alcançou a maior bilheteria da
história, em parte por saciar a tomada de consciência ambiental que
surge em todo o mundo, aflita pelos riscos da apropriação dos recursos
naturais quando corporações multinacionais, tecnologias insustentáveis e
especulação financeira podem culminar em destruição de ambientes e
povos. Mas Avatar é uma versão parcial dos conflitos ambientais e
sociais que colocam a gestão ambiental entre a cruz e a espada.
O
filme Guerra ao Terror foi mais premiado no Oscar. Trata o drama dos
militares americanos no Iraque e Afeganistão, onde não existiria aquilo
que Avatar denuncia, o custo da mineração, no caso, do petróleo. Seguiu
todas a regras tradicionais de produção cinematográfica e com menor
custo, ganhou de Avatar. Se o projeto de Anitápolis fosse avaliado como
este filme, a mineração já teria iniciado. Mas o Licenciamento Ambiental
nunca poderá deslizar num rito burocrático descontextualizado,
cartorial.
Pois a decisão sobre a viabilidade de um
empreendimento com elevados impactos ambientais e econômicos não se
resolve com efeitos especiais de filmes de ficção. Ocorre quando planos
estratégicos de desenvolvimento se materializam em projetos, um instante
que reclama investimentos verdadeiros em gestão pública, primor
tecnológico e avanço científico.
Colaboração de Guilherme
Floriani, Analista Ambiental do IBAMA, para o EcoDebate, 16/03/2010