Uma mudança na lei que determina a
distância mínima exigida entre plantações de milho transgênico e
unidades de conservação promete reacender a polêmica dos produtos
geneticamente modificados. O projeto em parceria entre os ministérios da
Agricultura e do Meio Ambiente está em discussão no governo e deve
reduzir em até 90% a faixa de segurança.
Pela legislação atual,
nenhuma lavoura de milho transgênico pode ser plantada a menos de 10
quilômetros da divisa de parques nacionais e reservas biológicas. Com a
nova norma — que depende de aprovação da presidente Dilma Rousseff —, o
plantio será permitido a 1,2 quilômetro.
O principal risco da
diminuição da faixa de segurança é a contaminação do milho convencional
pelo transgênico, alertam especialistas, já que a polinização do grão é
feita por insetos e pelo vento. A bióloga Arlinda Cézar, diretora
administrativa do Instituto Venturi para Estudos Ambientais, diz que um
dos problemas é a inexistência de pesquisas que apontem com segurança o
impacto da alteração proposta.
— A área de segurança é calculada
para mais, porque se tende a exagerar na margem. Mas uma redução de 90%
parece subestimar demais a necessidade da reserva — avalia.
Para o professor de genética, Francisco Mauro Salzano, é preciso cautela:
— Mas não creio que qualquer passagem de pólen para as unidades de conservação possa ser catastrófica.
O debate
- O milho transgênico foi liberado para o plantio comercial em fevereiro de 2008.
-
A legislação prevê que é preciso respeitar 10 quilômetros de distância
entre plantações de milho transgênico e unidades de conservação, como
zona de amortecimento. Mas o governo federal prevê deve reduzir a área
de segurança para 1,2 quilômetro.
- A redução divide produtores e
ambientalistas. Ruralistas defendem a tranquilidade e segurança
jurídica dos produtores que vivem da atividade agrícola na proximidade
de parques, mas ambientalistas alertam para o risco da polinização do
milho nativo pelo grão geneticamente modificado.