Fwd: P/ animar quem não assistiu no Festival do Rio

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meton joffily

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Feb 24, 2010, 12:34:03 PM2/24/10
to denise milfont, Izabel Maria de Oliveira, ACME, Ana Luisa Camargo, Alexandre Juruena, bernardo Mangaravite, Escritório Modelo, Guilherme Braga, uniao_rj_09, Lea Zagury, Marcos Magalhaes, VINICIUS CUNHA ALVAREZ, cura...@multiplicidade.com

Queridos e queridas:
 
fiz uma participação com uma HQ animada para o filme “Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos”, que estreia agora em março.
Tô encaminhando a vocês, mais chegados, uma ótima crítica que o filme recebeu (cf. trechos sublinhados) no blog da Martha Medeiros, uma escritora/roteirista bem badalada.
 
Enfim, se quiserem/puderem dividir com seus amigos — além obviamente de assistirem ao filme — seria ótimo. Para filmes de baixo orçamento e reduzida distribuição, como é o caso, a 1ª semana é crucial para que ele possa “fazer público”. Do contrário, some de cartaz em poucos dias. Espero que vocês possam ir e espero que gostem.  
 
 

Segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Muito cinema
Olá!

Em véspera de entrega do Oscar, fala-se muito em cinema, então vamos lá. Estou ansiosa pra ver Educação e Um Homem Sério. Incrivelmente, ainda não assisti a Avatar, não sei que travação é essa que me deu. Nunca fui fã de filmes fantasiosos, não me deslumbro com 3D e acho uma chatice filmes muito longos, mas, ainda assim, é sabido que Avatar já nasceu clássico, então por que não testemunhar esse momento histórico que James Cameron está proporcionando aos cinéfilos? Vou ter que ir, raios.

Enquanto isso, andei assistindo 4 filmes que podem ser catalogados de "comédias românticas", aquele gênero que faz os rapazes grunhirem. Um dos filmes me pareceu bem fraco, gostei bastante dos outros dois e o último foi uma surpresa adorável. A eles:

Idas e Vindas do Amor, recém estreado. O grande atrativo do filme é a constelação de estrelas do elenco, entre elas Shirley McLaine, Julia Roberts. Jamie Foxx, Anne Hathaway, Bradley Cooper, Jennifer Garner, Ashton Kutcher e outras feras de igual ou maior calibre. O roteiro mostra 10 pessoas, entre homens e mulheres, vivendo seus encontros e desencontros no Dia dos Namorados (o filme chama-se, no original, Valentine´s Day). Well, well. Eu diria que é um filme para adolescentes de 14 anos - e olhe lá. Tudo muito bonitinho, mas pueril à beça. Telecine pipoca para ser assistido às quatro da tarde, na tevê. Essa história de juntar muita gente graúda no mesmo elenco é quase sempre uma arapuca: cada um aparece, no máximo, durante 15 minutos na tela (divididos em três ou quatro cenas de míseros minutos cada uma) e isso, lógico, impede a construção de um personagem que tenha alguma consistência. São duas horas de participações especiais, com os atores e atrizes apenas dando o ar da sua graça. Prefiro vê-los um de cada vez, cravando os dentes em seus papéis com mais paixão.

500 Dias Com Ela: demorou, mas fui. Ainda estava em cartaz no Rio. Também incluo na categoria "filme para adolescente" (pois é, prefiro temas mais maduros, nasci velha) porém com um roteiro mais engenhoso do que a maioria das comédias desse estilo e com bem mais originalidade, já que não se trata de um roteiro condenado ao happy end tradicional. Bons diálogos, sutilezas bem conduzidas, um par de atores que foge do estereótipo lindos de morrer, uma trilha sonora esperta e um clima vintage que dá ao filme um ar retrô e moderno ao mesmo tempo. Aprovado.

Caramelo. Assisti a essa produção franco-libanesa no DVD. Já haviam me dito que era um filme delicado, e é mesmo. Dirigido por Nadine Labaki, mostra a vida de cinco mulheres que trabalham no mesmo salão de beleza. Uma é amante de um homem casado. Outra é uma mulher que não suporta a ideia de envelhecer e se expõe em situações humilhantes. Outra tem uma levada gay, sente-se atraída pelas freguesas. Outra está de casamento marcado, mas não tem coragem de contar para o noivo que não é mais virgem. E a quinta mulher é uma senhora que desistiu da própria vida para ficar cuidando da irmã mais velha, que é mentalmente perturbada. Pode parecer um filme melancólico, mas ele é apenas sensível, e "apenas" aqui nem se justifica, porque é de uma sensibilidade enorme, e com pitadas de um humor bem feminino. Todos os personagens transmitem a dificuldade de convivermos com nossa solidão mais interna e invisível. Gostei demais.


Por fim, uma obra que ainda não estreou. Fiquem de olho: em março entrará em cartaz Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, filme brasileiro dirigido por Paulo Halm, que é muito conhecido por ser roteirista dos bons - é dele o roteiro, entre outros, do Pequeno Dicionário Amoroso, delícia de filme também. Estreando agora como diretor, Halm nos oferece uma pequena pérola. Um filme despretensioso, sensual e divertido. É a história de um escritor de 30 anos em crise de criatividade, crise no casamento, ou seja, crise existencial completa, um sujeito errante que não consegue terminar um livro já iniciado e que passa as tardes à toa vagando pelas ruas do Rio de Janeiro, sobrevivendo com a grana que a mãe, já falecida, deixou. Caio Blat dá credibilidade absoluta ao papel, e com ele contracena Maria Ribeiro, sua mulher (no filme e na vida real) cabeça feita, independente, focada, batalhadora. Pra fechar o triângulo - tinha que ter um triângulo - entra em cena a linda Luz Cipriota, uma atriz argentina que interpreta a melhor amiga da mulher do escritor. Ele, com a perigosa cabeça vazia, oficina do diabo, jura que elas são mais que amigas, que são amantes, ideia que o deixa ao mesmo tempo enlouquecido, fascinado, mais perdido do que nunca esteve.  

A história pareceu confusa? Pois é de uma simplicidade comovente. O trio tem total domínio de seus papeis e das emoções contraditórias que estão vivendo, mas os momentos de que mais gostei foram os desabafos do jovem escritor com seu pai, uma relação de amor e ódio magnificamente interpretada por Caio e pelo sempre excelente Daniel  Dantas.

Idas e Vindas do Amor custou 56 milhões de dólares, e Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, mero 1 milhão de reais, e isso fortalece minha opinião de que o mais importante de um filme, seja ele americano, libanês ou brasileiro, é um roteiro bem construído e que conquiste a plateia sem muito malabarismo. Imagino que Caio Blat, Maria Ribeiro, Daniel Dantas e Luz Cipriota tenham trabalhado por cachês simbólicos, mas acreditaram no filme, sabiam a razão pela qual estavam ali - não fizeram "participação afetiva", nota-se que ficaram realmente seduzidos pela história que estavam contando. Talento, leveza e um bom projeto: difícil não funcionar. Pra mim, que não esperava nada, que não havia escutado nenhum comentário anterior, que apertei o play sem expectativa alguma, foi uma agradabilíssima surpresa. Não foi uma tarde à toa.

*

Beijão!    


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