Queridos e queridas:
fiz uma participação com uma HQ animada para o filme “Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos”,
que estreia agora em março.
Tô encaminhando a vocês, mais chegados, uma ótima
crítica que o filme recebeu (cf. trechos sublinhados) no blog da Martha
Medeiros, uma escritora/roteirista bem badalada.
Enfim, se
quiserem/puderem dividir com seus amigos — além obviamente de assistirem ao
filme — seria ótimo. Para filmes de baixo orçamento e reduzida distribuição,
como é o caso, a 1ª semana é crucial para que ele possa “fazer público”. Do
contrário, some de cartaz em poucos dias. Espero que vocês possam ir e espero
que gostem.
Segunda-feira, 22 de fevereiro de
2010
Muito cinema
Olá!
Em véspera de entrega do Oscar, fala-se
muito em cinema, então vamos lá. Estou ansiosa pra ver Educação e Um Homem
Sério. Incrivelmente, ainda não assisti a Avatar, não sei que travação é essa
que me deu. Nunca fui fã de filmes fantasiosos, não me deslumbro com 3D e acho
uma chatice filmes muito longos, mas, ainda assim, é sabido que Avatar já nasceu
clássico, então por que não testemunhar esse momento histórico que James Cameron
está proporcionando aos cinéfilos? Vou ter que ir, raios.
Enquanto isso,
andei assistindo 4 filmes que podem ser catalogados de "comédias românticas",
aquele gênero que faz os rapazes grunhirem. Um dos filmes me pareceu bem fraco,
gostei bastante dos outros dois e o último foi uma surpresa adorável. A
eles:
Idas e Vindas do Amor, recém estreado. O grande atrativo do filme é
a constelação de estrelas do elenco, entre elas Shirley McLaine, Julia Roberts.
Jamie Foxx, Anne Hathaway, Bradley Cooper, Jennifer Garner, Ashton Kutcher e
outras feras de igual ou maior calibre. O roteiro mostra 10 pessoas, entre
homens e mulheres, vivendo seus encontros e desencontros no Dia dos Namorados (o
filme chama-se, no original, Valentine´s Day). Well, well. Eu diria que é um
filme para adolescentes de 14 anos - e olhe lá. Tudo muito bonitinho, mas pueril
à beça. Telecine pipoca para ser assistido às quatro da tarde, na tevê. Essa
história de juntar muita gente graúda no mesmo elenco é quase sempre uma
arapuca: cada um aparece, no máximo, durante 15 minutos na tela (divididos em
três ou quatro cenas de míseros minutos cada uma) e isso, lógico, impede a
construção de um personagem que tenha alguma consistência. São duas horas de
participações especiais, com os atores e atrizes apenas dando o ar da sua graça.
Prefiro vê-los um de cada vez, cravando os dentes em seus papéis com mais
paixão.
500 Dias Com Ela: demorou, mas fui. Ainda estava em cartaz no
Rio. Também incluo na categoria "filme para adolescente" (pois é, prefiro temas
mais maduros, nasci velha) porém com um roteiro mais engenhoso do que a maioria
das comédias desse estilo e com bem mais originalidade, já que não se trata de
um roteiro condenado ao happy end tradicional. Bons diálogos, sutilezas bem
conduzidas, um par de atores que foge do estereótipo lindos de morrer, uma
trilha sonora esperta e um clima vintage que dá ao filme um ar retrô e moderno
ao mesmo tempo. Aprovado.
Caramelo. Assisti a essa produção
franco-libanesa no DVD. Já haviam me dito que era um filme delicado, e é mesmo.
Dirigido por Nadine Labaki, mostra a vida de cinco mulheres que trabalham no
mesmo salão de beleza. Uma é amante de um homem casado. Outra é uma mulher que
não suporta a ideia de envelhecer e se expõe em situações humilhantes. Outra tem
uma levada gay, sente-se atraída pelas freguesas. Outra está de casamento
marcado, mas não tem coragem de contar para o noivo que não é mais virgem. E a
quinta mulher é uma senhora que desistiu da própria vida para ficar cuidando da
irmã mais velha, que é mentalmente perturbada. Pode parecer um filme
melancólico, mas ele é apenas sensível, e "apenas" aqui nem se justifica, porque
é de uma sensibilidade enorme, e com pitadas de um humor bem feminino. Todos os
personagens transmitem a dificuldade de convivermos com nossa solidão mais
interna e invisível. Gostei demais.
Por fim, uma obra que ainda
não estreou. Fiquem de olho: em março entrará em cartaz Histórias de Amor
Duram Apenas 90 Minutos, filme brasileiro dirigido por Paulo Halm, que é muito
conhecido por ser roteirista dos bons - é dele o roteiro, entre outros, do
Pequeno Dicionário Amoroso, delícia de filme também. Estreando agora como
diretor, Halm nos oferece uma pequena pérola. Um filme despretensioso, sensual e
divertido. É a história de um escritor de 30 anos em crise de criatividade,
crise no casamento, ou seja, crise existencial completa, um sujeito errante que
não consegue terminar um livro já iniciado e que passa as tardes à toa vagando
pelas ruas do Rio de Janeiro, sobrevivendo com a grana que a mãe, já falecida,
deixou. Caio Blat dá credibilidade absoluta ao papel, e com ele contracena Maria
Ribeiro, sua mulher (no filme e na vida real) cabeça feita, independente,
focada, batalhadora. Pra fechar o triângulo - tinha que ter um triângulo - entra
em cena a linda Luz Cipriota, uma atriz argentina que interpreta a melhor amiga
da mulher do escritor. Ele, com a perigosa cabeça vazia, oficina do diabo, jura
que elas são mais que amigas, que são amantes, ideia que o deixa ao mesmo tempo
enlouquecido, fascinado, mais perdido do que nunca esteve.
A
história pareceu confusa? Pois é de uma simplicidade comovente. O trio tem total
domínio de seus papeis e das emoções contraditórias que estão vivendo, mas os
momentos de que mais gostei foram os desabafos do jovem escritor com seu pai,
uma relação de amor e ódio magnificamente interpretada por Caio e pelo sempre
excelente Daniel Dantas.
Idas e Vindas do Amor custou 56 milhões
de dólares, e Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, mero 1 milhão de reais,
e isso fortalece minha opinião de que o mais importante de um filme, seja ele
americano, libanês ou brasileiro, é um roteiro bem construído e que conquiste a
plateia sem muito malabarismo. Imagino que Caio Blat, Maria Ribeiro, Daniel
Dantas e Luz Cipriota tenham trabalhado por cachês simbólicos, mas acreditaram
no filme, sabiam a razão pela qual estavam ali - não fizeram "participação
afetiva", nota-se que ficaram realmente seduzidos pela história que estavam
contando. Talento, leveza e um bom projeto: difícil não funcionar. Pra mim, que
não esperava nada, que não havia escutado nenhum comentário anterior, que
apertei o play sem expectativa alguma, foi uma agradabilíssima surpresa. Não foi
uma tarde à toa.
*
Beijão!
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