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83 – OS EXILADOS DE CAPELA
XXII
A PASSAGEM DO MILÊNIO
Assim atingimos o último ciclo.
Dois mil anos são transcorridos, após o sublime avatar; entretanto, eis que a
humanidade vive agora um novo período de ansiosa e dolorosa expectativa; mais
que nunca, e justamente porque seu entendimento se alargou, crescendo sua
responsabilidade, necessita ela de um Redentor.
Porque os ensinamentos maravilhosos do Messias de Deus foram, em
grande parte, desprezados ou deturpados.
O rumo tomado pelas sociedades humanas não é aquele que o Divino
Pastor apontou ao rebanho bruto dos primeiros dias, aos Filhos da Promessa que
desceram dos céus, e continua a apontar às gerações já mais esclarecidas e
conscientes dos nossos tempos.
Os homens se desviaram por maus caminhos e se perderam nas sombras da
maldade e do crime.
Como da primeira vez, os degredados e seus descendentes deixaramse
corromper pelas paixões e foram dominados pelas tentações do mundo material.
Sua inteligência, grandemente desenvolvida no transcorrer dos séculos, foi
aplicada na conquista de bens perecíveis; os templos dos deuses da guerra,
transferidos agora para as oficinas e as chancelarias, nunca mais, desde muito, se
fecharam, e a violência e a corrupção dominam por toda a terra. O amálgama das
raças e sua espiritualização na unidade — que era a tarefa planetária dos Exilados —
não produziram os desejados efeitos, pois que parte da humanidade vive e se debate
na voragem nefanda da morte, destruindose
mutuamente, enquanto muitos dos
Filhos da Terra ainda permanecem na mais lamentável barbárie e na ignorância de
suas altas finalidades evolutivas.
Pode hoje o narrador repetir como antigamente:
— “e viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a
terra...” (Gênesis, 6:5)
Por isso, agora, ao nos avizinharmos do encerramento deste ciclo, nossos
corações se confrangem e atemorizam: tememos o dia do novo juízo, quando o
Cristo, sentado no seu trono de luzes, pedirnos
contas de nossos atos.
Porque está escrito, para se cumprir como tudo o mais se tem cumprido:
— “O Filho do Homem será o juiz. Pois, como o Pai tem em si mesmo a
vida, concede também ao Filho possuir a vida em si; igualmente deulhe
o poder de
julgar, porque é o Filho do Homem.” (João, 5:22,2627)
Não virá Ele, é certo, conviver conosco novamente na Terra, como nos
tempos apostólicos, mas, conforme estiver presente ou ausente em nossos corações,
84 – Edgar d Ar mond
naquilo que ensinou e naquilo que, essencialmente, Ele mesmo é, a saber: sabedoria,
amor e pureza, assim seremos nós apartados uns dos outros.
*
Já dissemos e mostramos que, de tempos em tempos, periodicamente, a
humanidade atinge um momento de depuração, que é sempre precedido de um
expurgo planetário, para que dê um passo avante em sua rota evolutiva.
Estamos, agora, vivendo novamente um período desses e, nos planos
espirituais superiores, já se instala o divino tribunal; seu trabalho consiste na
separação dos bons e dos maus, dos compatíveis e incompatíveis com as novas
condições de vida que devem reinar na Terra futuramente.
No Evangelho, como já dissemos, está claramente demonstrada pelo
próprio mestre a natureza do veredicto: passarão para a direita os espíritos julgados
merecedores de acesso, aqueles que, pelo seu próprio esforço, conseguiram a
necessária transformação moral; os já então incapazes de ações criminosas
conscientes; os que tiverem dominado os instintos da violência, pela paz; do
egoísmo, pelo desprendimento; da ambição, pela renúncia; da sensualidade, pela
pureza.
Todos aqueles, enfim, que possuírem em seus perispíritos a luminosidade
reveladora da renovação, esses passarão para a direita; poderão fazer parte da nova
humanidade redimida; habitarão o mundo purificado do Terceiro Milênio, onde
imperarão novas leis, novos costumes, nova mentalidade social, e no qual os povos,
pela sua elevada conduta moral, tornarão uma realidade viva os ensinamentos do
Messias.
Quanto aos demais, aqueles para os quais as luzes da vida espiritual ainda
não se acenderam, esses passarão para a esquerda, serão relegados a mundos
inferiores, afins, onde viverão imersos em provas mais duras e acerbas,
prosseguindo na expiação de seus erros, com os agravos da obstinação.
Todavia, a misericórdia, como sempre, os cobrirá, pois terão como tarefa
redentora o auxílio e a orientação das humanidades retardadas desses mundos, com
vistas ao apressamento de sua evolução coletiva.
Então, como sucedeu com os capelinos, em relação à Terra, assim sucederá
com os terrícolas em relação aos orbes menos felizes, para onde forem degredados e,
perante os quais como antigamente sucedeu, transformarseão
em Filhos de Deus,
em anjos decaídos.
*
E o Senhor disse:
— “Em verdade, vos digo que não passará esta geração sem que todas estas
coisas aconteçam”. (Mateus, 24:34)
Em sua linguagem sugestiva e alegórica referiase
o Mestre a esta geração
terrena, formada por todas as raças, cuja evolução vem da noite dos tempos, nos
períodos geológicos, alcança os nossos dias e prosseguirá pelo tempo adiante.
85 – OS EXILADOS DE CAPELA
Não passará, quer dizer: não ascenderá na perfectibilidade, não habitará
mundos melhores, não terá vida mais feliz, antes que redima os erros do pretérito e
seja submetida ao selecionamento que se dará neste fim de ciclo que se aproxima.
Assim, o expurgo destes nossos tempos — que já está sendo iniciado nos planos
etéreos — promoverá o alijamento de espíritos imperfeitos para outros mundos e, ao
mesmo tempo, a imigração de espíritos de outros orbes para este.
Os que já estão vindo agora, formando uma geração de crianças tão
diferentes de tudo quanto tínhamos visto até o presente, são espíritos que vão tomar
parte nos últimos acontecimentos deste período de transição planetária, que
antecederá a renovação em perspectiva; porém, os que vierem em seguida, serão já
os da humanidade renovada, os futuros homens da intuição, formadores de nova raça
— a sexta — que habitará o mundo do Terceiro Milênio.
Já estão descendo à Terra os Espíritos Missionários, auxiliares do Divino
Mestre, encarregados de orientar as massas e amparálas
nos tumultos e nos
sofrimentos coletivos que vão entenebrecer a vida planetária nestes últimos dias do
século.
Lemos no Evangelho e também ouvíamos, de há muito, a palavra dos
Mensageiros do Senhor advertindo que os tempos se aproximavam e, caridosamente,
aconselhando aos homens que se guardassem do mal, orando e vigiando, como
recomendara o Mestre.
Mas, agora, essas mesmas vozes nos dizem que os tempos já estão
chegados, que o machado já está posto novamente à raiz das árvores e os fatos que
se desenrolam perante nossos olhos estão de forma evidente, comprovando as
advertências.
Estas, como também sucedeu nos tempos da Codificação, são uniformes
nos seus termos em todos os lugares e ocasiões, demonstrando, assim, que há uma
ordenação de caráter geral, vinda dos Planos Superiores, para a coordenação
harmoniosa concordante dos acontecimentos planetários.
Que ninguém, pois, permaneça indiferente a estes misericordiosos avisos,
para que possa, enquanto ainda é tempo, engrossar as fileiras daqueles que, no
próximo julgamento, serão dignos da graça e da felicidade da redenção.
O Sol entrará, agora, no signo de Aquário.
Este é um signo de luz e de espiritualidade e governará um mundo novo
onde, como já dissemos, mais altos atributos morais caracterizarão o homem
planetário; onde não haverá mais lugar para as imperfeições que ainda hoje nos
dominam; onde somente viverão aqueles que forem dignos do título de Discípulos
do Cristo em Espírito e Verdade.
O novo ciclo — que se chamará o Reino do Evangelho — será iniciado
pelos homens da Sexta Raça e terminado pelos da Sétima, e em seu transcurso a
Terra se transformará de mundo de expiação em mundo regenerado.
Em grande maioria, julgamos, os atuais moradores da Terra não serão
dignos de habitar esse mundo melhor, porque o nível médio da espiritualização
planetária é ainda muito precário; todavia, nem por isso seremos privados, qualquer
que seja a nossa sorte, dos benefícios da compaixão do Senhor e de Sua ajuda
divina; e essa esperança nos levanta, ainda em tempo, para novas lutas, novas
tentativas, novos esforços redentores.
86 – Edgar d Ar mond
Cristo, essa luz que não pudemos ainda conquistar, representa para nossos
espíritos retardados, um ideal humano a atingir, um arquétipo de sublimada
expressão espiritual e seu Evangelho, de beleza ímpar e de sabedoria incomparável,
uma meta a alcançar algum dia.
*
O homem desviouse
de seus rumos, fugiu do aprisco acolhedor,
entronizando a inteligência e desprezando os sentimentos do coração.
A ciência produziu frutos em largas messes que, entretanto, têm sido
amargos, não servindo para alimentar a alma, enobrecendoa.
Agora chegará o momento em que o coração dirá ao cérebro: “basta”, e o
homem, com base nas palavras do Messias, provará que somente o amor redime
para a eternidade.
Por isso, no novo ciclo que se vai abrir, repetimos: um novo paraíso será
perdido para muitos; novos Filhos de Deus mais uma vez acharão formosas as Filhas
da Terra, tomálasão
para si e ouvirão novamente a palavra do Senhor, dizendo:
— “Frutificai e multiplicai e enchei a Terra”. (Gênesis,1:22)
E um pouco mais os sinais desse dia surgirão no mundo, não mais somente
provocados pela Natureza, como no passado, mas pelo próprio homem, com a
aplicação do próprio engenho, desvairado, para que, assim, a responsabilidade do
espírito seja completa.
O Evangelho foi ensinado para aplicação em todo um período de tempo e
não para uma só época.
Por isso, o que o Mestre disse ontem é como se o dissesse hoje, porque,
com ligeiras modificações, tão bem se aplica aos dias em que Ele viveu como aos
que nós estamos vivendo.
Os cataclismos antigos eram necessários para o sofrimento coletivo tanto
quanto os modernos, visto que o homem pouca coisa evoluiu em todo esse tempo, e
o sofrimento continua sendo o elemento mais útil ao seu progresso espiritual.
*
Em tempos idos, de uma erupção espontânea de Júpiter ou da ruptura de um
de seus setores, nasceu um cometa que, pela sua aproximação da Terra, causou
profundos e impressionantes cataclismos. Terras novas surgiram, mares e oceanos
modificaram sua posição, dilúvios, terremotos, maremotos, descargas elétricas de
tremendo poder destruidor, envenenamento da atmosfera, meteoritos, tudo desabou
sobre o nosso torturado planeta, aterrorizando seus bárbaros e ignorantes habitantes.
Mas, por força desta aproximação cometária, a Terra passou a girar do
Ocidente para o Oriente, ao contrário de como era antes, por terem seus pólos se
invertido.
Este mesmo acontecimento provocou um deslocamento da órbita de Marte
que, a partir daí, começou a girar muito perto da órbita da Terra, de 15 em 15 anos.
Segundo outras hipóteses, muito tempo atrás, antes da vinda do Mestre, Marte
passou tão perto que provocou, também, inúmeros e temerosos cataclismos, e a
87 – OS EXILADOS DE CAPELA
sombra do Sol, recuou 10 graus, como conseqüência da alteração do eixo da Terra
em relação à eclíptica; a órbita por sua vez aumentou de 5 dias em torno do Sol e o
eixo de rotação deslocouse
20 graus, trazendo como conseqüência, inundações e
regelamento de extensas regiões vizinhas dos pólos.
Por fim, a Terra estabilizouse.
Mas todos estes cataclismos, segundo o que consta dos livros sagrados das
religiões e anúncio de profetas de reputada sabedoria, deverão repetirse,
e novos
corpos celestes entrarão em cena provocando novas desgraças.
No sermão profético o Mestre avisou: — “E ouvireis de guerras e rumores
de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas
ainda não é o fim. Porque se levantará nação contra nação e reino contra reino e
haverá fome, peste, e terremotos em vários lugares. Mas todas essas coisas são o
princípio das dores”. (Mateus, 24:68)
“E o Sol escurecerá e a Lua não dará o seu resplendor e as estrelas cairão
do céu e as potências dos céus serão abaladas”. (Mateus, 24:29)
E João, no seu Apocalipse, referindose
aos mesmos cataclismos diz: — “E
havendo aberto o 6º selo olhei e eis que houve um grande tremor de terra e o sol
tornouse
negro como um saco de cilício e a lua tornouse
como sangue. E as
estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos
verdes, abalada por um vento forte. E o céu retirouse
como um livro que se enrola,
e todos os montes e ilhas se moveram de seus lugares.” (Apocalipse, 6:1214)
E no cap. XX:
— “Eu vi um novo céu e uma nova Terra, porque o primeiro céu e a
primeira Terra desapareceram, e o mar já não existia.”
*
Desde os tempos remotos de Israel, muito antes que o Verbo Divino viesse
mostrar aos homens o caminho reto da salvação, as vozes veneráveis e
impressionantes dos profetas já alertavam os homens sobre os cataclismos do futuro.
Diz J oel no cap. III, 1516:
— “Deus fará, então, tremer os céus e a Terra;
o Sol e a Lua enegrecerão e as estrelas retirarão seu esplendor.”
Malaquias: — “Então aqueles que temem ao Senhor falam cada um com o
seu companheiro e o Senhor atenta e ouve; e há um memorial escrito diante d'Ele
para os que temem o Senhor e para os que se lembram do seu nome. E eles serão
meus, diz o Senhor, naquele dia que os farei minha propriedade; poupálosei
como
um homem poupa seu filho que o serve. Então tornareis a ver a diferença entre o
justo e o ímpio, entre o que serve a Deus e o que não O serve. Porque eis que aquele
dia vem ardendo como um forno.”
E Isaías, no cap. XXIV, reafirma solenemente: — “Já as janelas do alto se
abrem e os fundamentos da Terra tremerão. De todo será quebrantada a Terra, de
todo se romperá a Terra e de todo se moverá a Terra. De todo se balanceará a Terra
como o bêbado e será movida e removida como a choça da noite. E a Lua se
envergonhará e o Sol se confundirá.”
88 – Edgar d Ar mond
E o Apóstolo Pedr o, na sua segunda epístola, cap. 3:12, diz, rematando
estas profecias: — “Os céus incendiados se desfarão e os elementos ardendo se
fundirão. A Terra e todas as obras que nela há serão queimadas.” 28
Pois todas estas profecias se aplicam aos nossos tempos e são corroboradas
pela própria ciência astronômica. As tábuas astrológicas mostram que até o último
dia deste período final do ciclo somente haverá dois eclipses do sol, sendo um em
1961 e outro em 1999.
Por outro lado, as profecias, a começar do sermão profético de Jesus, todas
se referem a alterações no funcionamento do Sol e da Lua, e consultando, agora,
Nostradamus, o célebre médico e astrólogo francês falecido em 1566, temos que ele
continua séculos depois. As profecias israelitas acrescentandolhes
detalhes
impressionantes.
Quanto ao aparecimento de um cometa perigoso, diz ele: — “Quando o Sol
ficar completamente eclipsado, passará em nosso céu um novo corpo celeste, que
será visto em pleno dia. Aparecerá no Setentrião, não longe de Câncer, um cometa.
A um eclipse do Sol sucederá o mais tenebroso verão que jamais existiu desde a
criação até a paixão e morte de Jesus Cristo e de lá até esse dia.”
E prossegue: — “Uma grande estrela, por sete dias, abrasará. Nublada, fará
dois sóis aparecerem. E quando o corpo celeste for visto a olho nu, haverá grande
dilúvio, tão grande e tão súbito que a onda passará sobre os Apeninos.”
E em seguida: — “O Sol escondido e eclipsado por Mercúrio passará para
um segundo céu. Ao aproximarse
da Terra, o seu disco aparecerá duas vezes maior
que o Sol, e os planetas também aparecerão maiores e baixarão de grau. Uma grande
translação se produzirá, de tal modo que julgarão a Terra fora de sua órbita e
abismada em trevas eternas. A Lua escurecida em profundas trevas, ultrapassa seu
irmão na cor da ferrugem. Por causa da Lua dirigida por seu anjo o céu desfará as
inclinações com grande perturbação, tremerá a Terra com a modificação, levantando
a cabeça para o cair.”
Quer dizer: a aproximação da Lua influirá para que a Terra perca a
inclinação atualmente existente de 23° e 28° sobre a eclíptica, voltando à posição
vertical, e isto como bem se percebe trará tremendas alterações sobre a disposição
das terras e das águas sobre a crosta.
*
Ouçamos, agora, uma voz profética do Espaço, em mensagens mediúnicas:
— “Como auxiliares dos Senhores de Mundos existem legiões de espíritos
eminentemente sábios e altamente poderosos, que planejam o funcionamento dos
sistemas siderais, com milhões de anos de antecedência; outros que planejam as
formas de coisas e seres, e outros, ainda, que fiscalizam esse funcionamento,
fazendo com que as leis se cumpram inexoravelmente.
Há um esmerado detalhamento, tanto no trabalho da criação como no do
funcionamento dos sistemas e dos orbes. Enquanto a ciência terrestre se ocupa
28 Há divergências sobre este ponto: grupos de cientistas crêem na volta dos glaciários, mas preferimos o
abrasamento da profecia, como já sucedeu na Atlântida, onde aconteceu depois o resfriamento.
89 – OS EXILADOS DE CAPELA
unicamente de fatos referentes aos limitados horizontes que lhe são marcados, a
ciência dos Espaços opera na base de galáxias, de sistemas e de orbes, em conjunto,
abrangendo vastos e incomensuráveis horizontes no tempo e no espaço.
No que se respeita aos astros individualmente e aos sistemas, a supervisão
destes trabalhos compete a espíritos da esfera crística que, na hierarquia celestial, se
conhecem como Senhores de Mundos.
Estes espíritos, quando descem aos mundos materiais, fazemno
após
demorada e dolorosa preparação, por estradas vibratórias rasgadas através de esferas
cada vez mais pesadas, descendo de plano a plano até surgirem crucificados como
deuses nos ergástulos da matéria que forma o plano onde se detêm, na execução das
tarefas salvadoras.
A vida humana nos mundos inferiores, por muito curta que seja, não
permite que os espíritos encarnados percebam a extensão, a amplitude e a
profundidade das sublimes atividades desses altíssimos espíritos; seria preciso unir
muitas vidas sucessivas, numa seqüência de milênios, para ter um vislumbre,
conquanto ainda ínfimo, desse trabalho criativo e funcional que se opera no campo
da vida infinita.
*
Os períodos de expurgo estão também previstos nesse planejamento
imenso.
Quando os orbes se aproximam desses períodos, entram em uma fase de
transição durante a qual aumenta enormemente a intensidade física e emocional da
vida dos espíritos encarnados ali, quase sempre de baixo teor vibratório, vibração
essa que se projeta maleficamente na aura própria do orbe e nos planos espirituais
que lhe são adjacentes; produzse
uma onda de magnetismo deletério, que erige um
processo, quase sempre violento e drástico, de purificação geral.
Estamos, agora, em pleno regime dum período destes. O expurgo que se
aproxima será feito em grande parte com auxílio de um astro 3.200 vezes maior que
a Terra, que para aqui se movimenta, rapidamente, há alguns séculos, e sua
influência já começou a se exercer sobre a Terra deforma decisiva, quando o
calendário marcou o início do segundo período deste século.
Essa influência irá aumentando progressivamente até esta época, que será
para todos os efeitos o momento crucial desta dolorosa transição.
Como sua órbita é oblíqua em relação ao eixo da Terra, quando se
aproximar mais, pela força magnética de sua capacidade de atração de massas,
promoverá a verticalização do eixo com todas as terríveis conseqüências que este
fenômeno produzirá.
Por outro lado, quando se aproximar, também sugará da aura terrestre todas
as almas que afinem com ele no mesmo teor vibratório de baixa tensão; ninguém
resistirá à força tremenda de sua vitalidade magnética; da Crosta, do Umbral e das
Trevas nenhum espírito se salvará dessa tremenda atração e será arrastado para o
bojo incomensurável do passageiro descomunal.
Com a verticalização do eixo da Terra, profundas mudanças ocorrerão:
maremotos, terremotos, afundamento de terras, elevação de outras, erupções
90 – Edgar d Ar mond
vulcânicas, degelos e inundações de vastos territórios planetários, profundas
alterações atmosféricas e climáticas, fogo e cinzas, terror e morte por toda a parte.
Mas, passados os tormentosos dias, os pólos se tornarão novamente
habitáveis e a Terra se renovará em todos os sentidos, reflorescendo a vida humana
em condições mais perfeitas e mais felizes. A humanidade que virá habitála
será
formada de espíritos mais evoluídos, já filiados às hostes do Cristo, amanhadores de
sua seara de amor e de luz, evangelizados, que já desenvolveram em apreciável grau
as formosas virtudes da alma que são atributos de DISCÍPULOS.
Milhares de condenados já estão sentindo, na Crosta e nos Espaços, a
atração terrível, o fascínio desse abismo que se aproxima, e suas almas já se tornam
inquietas e aflitas. Por toda parte do mundo a paz, a serenidade, a confiança, a
segurança desapareceram, substituídas pela angústia, pelo temor, pelo ódio, e haverá
dias, muito próximos, em que verdadeiro pânico tomará conta das multidões, como
epidemias contagiantes e velozes.
A partir de agora, diz a mensagem, a população do orbe tenderá a diminuir
com os cataclismos da Natureza e com as destruições inconcebíveis provocadas
pelos próprios homens. No momento final do expurgo somente uma terça parte da
humanidade se encontrará ainda encarnada; bilhões de almas aflitas e trementes
sofrerão nos Espaços a atração mortífera do terrível agente cósmico.
Voltemonos,
pois, para o Cristo, enquanto é tempo; filiemonos
entre os
que o servem, com humildade e amor, servindo ao próximo, e abramos os nossos
corações, amplamente, amorosamente, para o sofrimento do mundo, do nosso
mundo... 29
*
Ouçamos, agora, a ciência do mundo atual.
Segundo revelações conhecidas, vindas do Plano Espiritual em várias datas,
os acontecimentos previstos para este fim de ciclo evolutivo, diariamente, vãose
aproximando, e seus primeiros sinais podemos verificar à simples observação do que
se passa no mundo que nos rodeia, tanto no setor humano, como no da Natureza.
Segundo revelações novas, provindas do mesmo Plano, o começo crítico
desses acontecimentos se dará em 1984; mas como são revelações que vêm através
da mediunidade, muita gente, inclusive espíritas, não lhes dão muita atenção.
Mas sucede que agora a própria ciência materialista está trazendo seu
contributo e confirmações, sobretudo na parte referente às atividades astronômicas e
geofísicas.
As últimas publicações prenunciam para 1983 terríveis acontecimentos
revelados por cientistas da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, e de
Sidney, na Austrália, e dizem que se está encaminhando um alinhamento de planetas
do nosso sistema em um dos lados do Sol, que isso provocará um aumento
considerável de manchas solares e de labaredas, de dimensões inusitadas, que
impulsionarão o vento solar; correntes volumosas de radiações e de partículas
29 Estas revelações diferem muito pouco do que foi previsto por Nostradamus e outros; um dos pontos
diferentes é no afirmar que a verticalização do eixo terrestre será promovida pela aproximação de um
planeta, quando Nostradamus afirma que o será pela Lua.
91 – OS EXILADOS DE CAPELA
atômicas que se projetarão sobre a Terra colidindo com sua atmosfera, criando
auroras, formando tempestades violentas que perturbarão o ritmo de rotação do
planeta, modificando o ângulo de sua inclinação sobre a órbita, com as terríveis
conseqüências que estes fenômenos provocarão.
É evidente que a esta parte astronômica e geofísica se acrescentarão as
ocorrências já previstas, de caráter espiritual que não se torna necessário aqui
repetir.
No fim deste século, o clima em todo o mundo estará mais quente, o nível
dos oceanos estará mais elevado e os ventos mudarão de direção.
É esta a conclusão a que chegaram os cientistas do Observatório Geofísico
de Leningrado, na Rússia, depois de estudarem matematicamente as tendências das
mudanças climáticas ocorridas até agora na Terra.
Dizem eles que com o aumento da temperatura da atmosfera terrestre, no
fim do século, as calotas polares terão retrocedido (diminuído) consideravelmente e
haverá modificações na distribuição das chuvas.
Estes prenúncios científicos destacam justamente os pontos mais marcantes
das previsões espirituais que têm sido reveladas aos homens encarnados pelo Plano
Espiritual, através de médiuns de confiança, que asseguram a necessária
autenticidade das comunicações.
*
Assim, pois, estamos no princípio das dores e um pouco mais os sinais dos
grandes tormentos estarão visíveis no céu e na Terra, não havendo mais tempo para
tardios arrependimentos.
Nesse dia:
— “Quem estiver no telhado não desça à casa e quem estiver no campo não
volte atrás.” (Lucas,17:31)
Porque haverá grandes atribulações e cada homem e cada mulher estará
entregue a si mesmo.
Ninguém poderá interceder pelo próximo; haverá um tão grande desalento
que somente a morte será o desejo dos corações; até o Sol se esconderá, porque a
atmosfera se cobrirá de sombras; e nenhuma prece mais será ouvida e nenhum
lamento mais comoverá as Potestades ou desviará o curso dos acontecimentos.
Como está escrito:
— “E nesse dia haverá uma grande aflição como nunca houve nem nunca
há de haver.” (Mateus, 24:21)
Porque o Mestre é o Senhor, e se passam a Terra e os Céus Suas palavras
não passarão.
E Ele disse: — “Jerusalém! Jerusalém! Quantas vezes quis eu ajuntar os
teus filhos como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas e não o quiseste...
Por isso, não me vereis mais até que digais: Bendito seja o que vem em nome do
Senhor.” (Lucas,13:3435)
*
92 – Edgar d Ar mond
E enquanto nossos olhos conturbados perscrutam os céus, seguindo, aflitos,
a réstia branca de luz que deixa, na sua esteira, a linda Capela, o orbe longínquo dos
nossos sonhos, reboa ainda aos nossos ouvidos, vindas das profundezas do tempo, as
palavras comovedoras de João, nos repetindo:
— “Ele era a luz dos homens, a luz resplandeceu nas trevas e as trevas não
a receberam.” (João,1:45)
E só então, penitentes e contritos, nós medimos, na trágica e tremenda
lição, a enormidade dos nossos erros e a extensão imensa de nossa obstinada
cegueira: — porque fomos daqueles para os quais, naquele tempo, a luz
resplandeceu e foi desprezada; — somos daqueles que repudiamos a salvação; —
somos os proscritos que ainda não se redimiram e que vão ser novamente julgados,
pesados e medidos, no tribunal do divino poder.
Por isso, é que permanecemos ainda neste vale expiatório de sombras e de
morte a entoar, lamentosamente, a nênia melancólica do arrependimento.
Jerusalém! Jerusalém!
93 – OS EXILADOS DE CAPELA
Edgard
Armond
O comandante Armond, assim conhecido por sua carreira na Força Pública
do Estado de São Paulo, foi um dos grandes militantes espíritas no Brasil do séc.
XX. Nasceu em Guaratinguetá (SP), a 14 de junho de 1894, tendo se formado na
Escola de Farmácia e Odontologia do Estado em 1926.
Por seu prematuro afastamento da ativa, em virtude de sério acidente que
sofreu, pôde dedicarse
em tempo integral à Doutrina Espírita.
Consolidou a organização da Federação Espírita do Estado de São Paulo,
atuando como SecretárioGeral
nas décadas de 40, 50 e 60, onde contribuiu com a
criação de vários programas de inestimável valor para a Doutrina, como a Escola de
Aprendizes do Evangelho, o Curso de Médiuns e a Assistência Espiritual
padronizada.
Seu nome também se encontra entre os fundadores da USE — União das
Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Foi o inspirador da criação do
movimento da Aliança Espírita Evangélica e do Setor 111 da Fraternidade dos
Discípulos de Jesus.
Até seu desencarne, ocorrido em 1982, escreveu e publicou inúmeras obras
doutrinárias de inestimável valor para o aspecto religioso do espiritismo.