Psicólogos americanos debatem a questão da pedofilia após a morte do Michael Jackson

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Claudio Drews

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Jul 1, 2009, 11:07:54 PM7/1/09
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Artigo publicado na Scientific American [ resumi bastante pois o texto era bastante longo ]:

Scientific American/1o de Julho de 2009
Pedófilos, Hebéfilos e Efebófilos: Orientação da Idade Erótica
Pq a maioria dos "pedófilos" não são realmente pedófilos, falando tecnicamente
http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=pedophiles-erotic-age-orientation
Por Jesse Bering

Michael Jackson provavelmente não era um pedófilo - pelo menos não no sentido estrito e biológico da palavra. É um termo carregado moralmente, a palavra pedófilo, que se tornou sinônimo das maldades mais básicas. (De fato, é até difícil falar esta palavra sem ter vontade de chorar, não é?) Mas, de acordo com os pesquisadores do sexo, este é também um termo grosseiramente mal empregado.

Se Jackson estava fora da normalidade na sua "orientação da idade erótica" - e nós talvez jamais venhamos a saber - ele era certamente o que se chama de hebéfilo, uma nova classificação diagnóstica na qual pessoas apresentam uma preferência sexual por crianças no início da puberdade, entre as idades de 11 à 14 anos. Pedófilos, em contraste, apresentam preferência sexual por prépubercentes. Existem também os efebófilos (da palavra grega ephebos, que significa "aquele que chegou à puberdade"), que preferem aqueles com 17 anos ou mais; e até mesmo os raros gerontófilos (da palavra grega "gerontos", que significa velho), que são as pessoas que preferem sexualmente os idosos.
Então, embora os molestadores de menores de idade sejam jogados todos sob a mesma classificação da pedofilia, biologicamente falando, se trata de um assunto mais complexo. Alguns pesquisadores até sugeriram categorias adicionais à pedofilia, tais como "infantophilia", para distinguir aqueles indivíduos que são atraídos por crianças com menos de seis anos de idade.

Com base nessa classificação de orientações eróticas, até o mais conhecido pedófilo ficcional, Humbert Humbert, do romance Lolita, de Nabokov, seria considerado um hebéfilo. (Da mesma forma o protagonista de Morte em Veneza, de Thomas Mann, um trabalho considerado como um "Lolita gay"). [...]

Embora o Michael Jackson possa ter sofrido maiores desgraças por suas orientações hebefílicas do que a maioria, e embora seu nome provavelmente esteja pra sempre associado à ideia sinistra de "garotinhos", ele não foi a primeira celebridade a cair na categoria de hebefílico. De fato, ironicamente, a primeira esposa de Michael Jackson, Lisa Marie Presley, é produto de uma atração hebefílica. Afinal, não vamos esquecer que Priscilla [a mãe de Lisa] atraiu a atenção de Elvis quando ainda tinha apenas 14 anos, apenas um ou dois anos mais velha do que os garotos que Michael era acusado de molestar sexualmente. E também há o incidente escandaloso de Jerry Lee Lewis que, com 23 anos de idade e "Grandes Bolas de Fogo", casou com sua prima de 13 anos de idade.

Na comunidade psiquiátrica, tem havido algum comoção a cerca de considerar ou não a hebefilia como uma doença ou, ao invés disso, simplesmente como uma variação normal da orientação sexual sem indicações de patologia cerebral. Existem importante implicações políticas na adição de hebefilia à lista de doenças mentais, uma vez que tal classificação poderia permitir que abusadores invocassem doença mental em suas defesas.

Um pesquisador que vem defendendo com firmeza a inclusão da hebefilia na revisão do DSM (DSM-V) da American Psychological Association (APA) é o psicólogo Ray Blanchard, da Universidade de Toronto. No número do mês passado da revista Archives of Sexual Behavior, Blanchard e seus colegas trouxeram novas evidências de que muitas pessoas diagnosticadas sob o rótulo da pedofilia na verdade não estavam interessadas em crianças prépubercentes, uma vez que eram adolescentes.

Para deixar claras as diferenças nas orientações eróticas da idade, Blanchard e seus colegas estudaram 881 homens (heteros e gays) em seu laboratório usando testes falométricos (também conhecidos como pletismografia peniana) enquanto exibiam imagems de modelos nús de diversas idades. Uma vez que esta técnica mede as mudanças no volume de sangue no pênis, é considerada uma forma bastante objetiva de indexar a excitação sexual em relação ao que está sendo exibido na tela [...] em outras palavras, o pênis é um mal mentiroso. [...]

O estudo demonstrou que os homens de sua amostra caiam sob categorias diferenciadas de orientação erótica - alguns eram pedófilos, outros eram hebéfilos, e os demais eram teleiófilos (sentiam atração por adultos). Outro aspecto que o estudo demonstrou foi que as categorias não eram sempre exclusivas. Alguns teleiófilos sentiam alguma atração por adolescentes, alguns hebéfilos sentiam alguma atração por prépubercentes, e assim por diante. Os autores também se viram incapazes de distinguir empiricamente um "pedófilo verdadeiro" de um hebéfilo [...] Eles também concluiram, com base nos dados encontrados no estudo, que a hebefilia "é relativamente comum, comparada com as outras formas de interesse sexual em menores".

Na segunda metade do artigo, Blanchard e seus colegas argumentaram que a hebefilia deveria ser adicionada como uma parafilia genuína no novo DSM-V - diferenciando-se da pedofilia. Mas muitos de seus colegas que trabalham nesta área se opõe fortemente a isso.

[... bla bla bla, argumentos evolutivos e históricos]

[... bla bla bla, inferências sobre homossexualidade, grécia e renascença]

De qualquer forma, dadas as verdades biológicas (e adaptativas) de ser atraído por adolescentes, a maioria dos especialistas na área dizem ser completamente ilógica a recomendação de Blanchard de adicionar hebefilia à revisão do DSM-V. (Especialmente desde que outras, mais claramente maladaptativas, parafilias - como a gerontofilia, na qual homens são atraídos por mulheres idosas pós-menopausa - não estão presentes no manual de diagnóstico). Forçar a patologização da hebefilia, argumenta a psicóloga forense Karen Franklin, parece ser motivado mais por "impulsionar a indústria" da psicologia forense, não coincidentemente ligada à "era punitiva do pânico moral". Pois, a "incapacitação civil" (basicamente, a habilidade do governo de tirar uma pessoa de seus direitos civis no interesse da segurança da sociedade) requer que a pessoa esteja sofrendo de uma desordem mental diagnosticável ou anormalidade. Franklin afirma que a proposta de Blanchard é "um exemplo de livro-texto de valores subjetivos mascarados de ciência". Outra crítica veio do psicólogo Gregory DeClue, sugerindo que tais classificações médicas são baseadas em distinções arbitrárias ditadas por valores culturais:
"Pedofilia é uma doença mental. Homossexualidade não é. Não deveriam ser a hebefilia ou a efebofilia ou a gerontofilia consideradas doenças mentais? Que tal então considerar doença mental a preferência sexual por pessoas de etnias diferentes?"

E o psicólogo Thomas Zander aponta que a idade cronológica não regula perfeitamente com a idade física, indicado que tais mudanças sutís se incluídas nos estudos de idade eróticas seriam problemáticas em perspectivas diagnósticas:
"Imagine como seria impraticável exigir que examinadores forenses determinasse a existência de pedofilia baseados no estágio da adolescência no qual se encontra a vítima. Tais exigências poderiam descambar para a contagem dos pêlos pubianos."

Outra questão inexplorada e inseparável do caso do Michael Jackson é se a sociendade tende a ser mais complacente com os pecados de uma pessoa que possui talentos individuais de valor inestimável. Por exemplo, considerem esta história verdadeira:
"Certa vez havia um homem que gostava de garotinhos. Sendo que as leis eram mais frouxas em outras nações, este homem resolveu viajar para paises estrangeiros, deixando sua mulher e filha para trás, e indo encontrar-se com outro ocidental com quem compartilhava mas mesmas predileções pederásticas. Os dois passavam as férias no submundo de tais países explorando menores."

Agora, se você é como a maioria das pessoas, provavelmente está enojado e revoltado com a história. Você deve estar pensando que estes homens deveriam ter seus testículos arrancados e que deveriam ser jogados na cadeia junto com estupradores, etc, etc [várias idéias sadísticas...].
Mas haverá alguma mudança na percepção se for revelado que estes eventos foram parte da autobiografia de André Gide, ganhador do prêmio Nobel de literatura em 1947?

[...]

Não é que pensamos que está perfeitamente ok para Gide ou para [Oscar] Wilde fazerem sexo com menores de idade, ou mesmo que eles não deveriam ser punidos por tal comportamento. [...] Mas de alguma forma, do mesmo modo que os sentimentos públicos por Michael Jackson são ambivalentes, "o maior astro pop de todos os tempos", o fato é que estes homens eram tesouros nacionais e de certa forma parecem ter diluído a raiva moralística do povo. [...]

Deveriamos desejar que Oscar Wilde fosse morto como uma besta-fera? Deveria André Gide, que ganhou uma homenagem no New York Times quando morreu sendo considerado o "maior escritor francês do século pelos conhecedores literários", ter sido privado de sua caneta e feito em pedaços por bandidos analfabetos? É uma questão complicada [primeira observação que faço nesta tradução: para a justiça, todos DEVERIAM ser iguais, embora não isso que acontece, basta ver a forma ridícula que é tratada a corrupção no país].

Embora, em princípio, nós saibamos que todos os homens devam ser iguais perante a lei [ah, pensei q o autor nunca iria falar isso], da mesma forma que Michael Jackson foi durante seus julgamentos [hã??], temos uma desconfiança de que as pessoas tendem a sentir uma (desconfortável) simpatia por estes demônios sob certas circunstâncias [parafraseando o título da música Sympathy for the Devil dos Rolling Stones].
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