O autor começa falando da resistência ou dificuldade que as pessoas colocam ao iniciar o estudo de uma arte, ainda mais quando é uma pessoa que vive em uma realidade muito distante da arte, quando na verdade temos que parar de acreditar que a arte tem esses poderes infinitos, que a arte é algo sagrado, e prosseguir no estudo e compreensão da arte. Na verdade esse estudo tem um efeito positivo, pois mesmo que as pessoas não tenham conhecimento ou domínio da técnica, não deixam de gostar de arte. Ao mesmo tempo em que pessoas estreitam canais entre a arte através da análise da técnica, outras pessoas não possuem conhecimento nenhum também podem desfrutá-la.
O autor também faz a crítica que pessoas acham pejorativo quando tratar a arte como um negócio, pois ela perde seu valor, mas na verdade os artistas também precisam receber pelo trabalho e sobreviver. Existe também uma relação difícil entre os artistas e os clientes, na qual o artista quer o dinheiro, Quer trabalhar com o que você sabe fazer, mas não quer que o cliente interfira nas suas decisões desvalorizando o seu trabalho. Quando você pega a arte e coloca nesse pedestal, não existe dinheiro que pague essa qualidade tão especial, e acaba desaparecendo o mercado de quem quer fazer essa grande valorização. Se não existe nenhum dinheiro capaz de comprar, os artistas não têm para quem vender, o que adianta levar para vender um produto tão caro se não existe quem pague? Quando os artistas criaram que a arte deveria ser algo sem preço, não existe mais um parâmetro da qualificação da obra, pois ele é o único que pode realmente julgar e analisar a sua obra. Passa a haver uma inversão de valores, em que o artista que não vende nenhum quadro é muito melhor do que um que vende muitos quadros, e cai no gosto de pessoas não qualificadas o suficiente, segundo o artista, para julgar. Quanto mais o artista é autêntico e original, menos lucro ele tira no trabalho. Nota-se então uma obra é feita para um público que não existe, ele não pode reclamar, ou seja, e ele não possui uma base financeira independente do trabalho, ele provavelmente morrerá de fome. Economicamente ele é dominado, nunca esteve tão frágil, mas simbolicamente ele é dominante. O artista só pode triunfar na ideologia se perder no mundo material. Já aqueles que fazem sucesso e vendem muitas obras, passam a dizer que defendem uma opinião contrária, apesar de seu sucesso, adotando uma conduta bem contraditória.
Quando o artista trabalhava para a nobreza ele tinha uma renda oferecida por eles, era valorizado, e tinha liberdade nas suas criações, posteriormente o artista teve que se submeter à opinião da burguesia, e às condições de mercado, para continuar utilizando a arte como sua fonte de renda. O que passa a ser valorizado nesse contexto pelo artista é a herança, pois aquele que tem não depende da arte para ganhar dinheiro, ele pode sempre explorar a questão simbólica.
Essa dependência ou sonho do artista que tenha uma base econômica suficiente para não precisar da arte como fonte de renda, não assume uma atitude ideológica muito clara.Vejo que esse dilema ainda continua até hoje em muitas áreas relacionadas à arte, mas também à arquitetura. Concordo com que o colega falou... que muitas vezes na universidade temos oportunidade de aprender o que é menos impactante ao meio ambiente, à sociedade, etc. e o que é aliar várias diretrizes que compõem a arquitetura, porém quando é colocada em prática, na maioria das vezes, não obedece a essas diretrizes por pressão imobiliária, o projeto deve obedecer o que “é chique” e mais aceito pela população, ao mesmo tempo que tenha sempre o menor custo, deixando de ser uma arquitetura de tanta qualidade.
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Pierre Bourdieu em seu texto revela uma imagem estereotipa do artista. Uma figura de empreendedor intelectual que tem como única finalidade vender sua obra de arte com um preço alto, como se o valor de mercado transmitisse o valor estético e artístico. Vale lembrar que há outro estereótipo para o artista contemporâneo. Aquele que faz suas obras sem fins lucrativos, apenas para engrandecimento pessoal, sua imagem abatida demostra que passa por dificuldades, principalmente financeiras, mas mesmo assim, não admite a arte como profissão.
Dessas duas imagens antagônicas sobre o mesmo tema é possível perceber diversas opiniões. O que é mais frequente? O que é o certo? O que se deve fazer? A meu ver, o artista é sim um profissional, e deve ser pago por aquilo que faz. Imaginemos a vida do segundo artista descrito, ele será cada vez mais dependente de algum outro meio para conseguir sobreviver, deixando de lado a arte. Em contrapartida, o problema do primeiro artista estereotipado é a ambição financeira e não a cultural. O artista deve ser pago pela grandeza de sua arte, sua intenção artística, pela emoção transmitida, e não pelo nome assinado na obra. A obra faz o artista e não o artista faz a obra.
AS REGRAS DA ARTE – Gênese e estrutura do campo literário - BOURDIEU
Bourdieu, em sua introdução, acaba por lembrar o argumento de Gell, abordando as questões da tecnologia e “encanto” por trás das artes. Porém, como visão de sociólogo, considera a resistência que colocam ao estudo da arte, qualquer análise é sempre insuficiente, por que não ser mais simples? Ele expõe a visão de abrir mais o canais para o estudo da arte, ou pelo menos, se ter mais mecanismos, sem muita afetação. Mas o ponto principal de Bourdieu é a questão do papel do dinheiro em relação a arte. Ele apresenta uma evolução simbólica, primeiramente, depois compara a Arquitetura em relação ao cliente e bota em xeque a liberdade do artista. Para o autor, ao colocar a arte num pedestal, a arte é tão valorizada que não tem preço, não há dinheiro que pague. Ou seja, desaparece o mercado. Mas se não há mercado, se tudo é muito caro, não há quem consuma a art. Existe então a necessidade da arte sem preço. Mas há uma indagação: não se tem mais parâmetro? Não há critério? Quando um artista não vende ele é um gênio, ou se considera um gênio?
Se o artista então é tão extraordinário, o valor de sua arte é proporcional a sua pobreza. O artista, logo, deve morrer de fome. Quem pode ser artista sossegadamente? Ele destaca então o valor da herança. Cria-se uma zona de conforto para aqueles que simplesmente querem ser artistas. É muito interessante como se coloca essa questão. Pois, muito do que se vê hoje são dúvidas relacionadas a verdadeira arte, o que o artística por princípio ou simplesmente por comodidade. Exemplo daqueles que se vivem às margens e usam arte como fonte de renda, ou vice versa (aí está a dúvida). Um ponto que o autor destaca é a dependência velada do artista em relação a falta de lucros e o distanciamento das questões políticas, atribuindo seus desprezo por tudo e por todos. Legal, quando coloca as falsas vanguardas de esquerda, considerando os artistas como simples interessados em patrocinadores (os herdeiros levam considerável vantagem).
Em “As regras da arte”, Bourdieu traz para o centro da discussão a relação da arte para com a economia. Como introdução cita então Flaubert, quando diz que arte “não tem valor comercial e por isso não pode ser paga”. Pois o mesmo entendia que a arte no momento em que não se dirige a multidão é justo que a multidão não pague por ela.
Bourdieu entende que a “antinomia da arte moderna como arte pura” se faria em razão da defasagem temporal entre a oferta das obras de arte e sua procura, já que se estabelece um intervalo entre a obra e sua percepção pelo público.
A economia paradoxal como é colocada no texto, explica que o artista não conseguiria alcançar o triunfo tanto no campo simbólico como econômico (principalmente a curto prazo). Já que quanto mais o artista se doa e melhor é seu trabalho menos lucro é obtido. Assim se mostraria o valor da “herança” como uma condição de sobrevivência frente à ausência do mercado da arte.
Dessa maneira, a renda herdada teria um papel fundamental na vida bem como na criação do artista, já que esta na medida em que assegura a liberdade do dinheiro – mais como uma liberdade objetiva – favorece também uma liberdade subjetiva, ou seja confere “audácia” ao artista. No entanto, essa não seria uma condição suficiente para a “indiferença para com as seduções mundanas”.
A leitura coloca uma questão pertinente à arte: como reconhecer o seu valor, e principalmente se à mesma pode ser atribuído um valor comercial. A discussão a cerca dessa questão é longa, mas pode se destacar que o artista precisa sobreviver de seu trabalho, como qualquer outra pessoa na sociedade; e que uma razão forte para o seu insucesso, na minha opinião, seria uma falha na comunicação entre o artista e seu trabalho, e o seu público. E que a herança não seria a única causa a prestigiar um artista como bom.
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Em seu texto ‘Regras da Arte’, Bourdieu faz uma argumentação sobre a arte como produto, economicamente falando.
Ele começa a falar do estudo da arte, que é uma coisa complicada. Existe bastante resistência quanto a isso pelas pessoas, alguns acreditam que estudar a arte pode tirar a sua ‘mágica’, vulgariza-la. O autor, pelo contrário, incentiva isso. Segundo ele, estudar arte pode ter um efeito positivo, se abrisse esse canal de forma mais objetiva, as pessoas conseguiriam ter mais contato e entender melhor movimentos artísticos e quebrar o exagero da sacralização da arte.
Ele chega então ao ponto principal do texto, a discussão sobre o valor econômico da arte. Segundo ele, tratar a arte com dinheiro pode sujá-la, a arte é mais que o dinheiro, é o encontro com o ‘eu’ ou até mais, não tem dinheiro que pague. Ele cita alguns autores que criticam e consideram inferiores os artistas que tem esse prestígio e sucesso econômico. Para o autor, é fundamental para o artista já ter uma renda e não depender de vender seus trabalhos. Logo, o artista se dedica e vive apenas para a arte.
O que o autor ressalta claramente é uma sociologia da arte, pois ele examina não só a essência do significado da obra de arte, mas também a criação progressiva artística e política. O fato de ter havido o acréscimo da autonomia no campo artístico, no fim do século XIX fez como que o o mito do criador “puro” desse lugar à historias do campo da arte. Logo, para compreender a produção e recepção da arte, precisamos compreender não apenas a singularidade da obra e do artista, mas a singularidade histórica . Bourdieu também deixa claro que existe o tom debochado “posando” de artista e público, que enfocam no sucesso da obra e no padrão culto.O autor infere que não há muito apoio quanto a inovação radical , pois afirma que o campo tem lacunas que se assemelham a um conjunto de possibilidades pré-existentes. Ele também afirma que “revolução” artística é a rotina atual do campo, e parece encerrar com a noção de que a nova geração está isolada do verdadeiramente novo. Ele conseguiu explicar seu método de fazer trabalho teórico por meio da investigação empírica precisa e admitiu que prefere autores que sabem misturar questões teóricas num estudo atento na antiguidade. Achei que a repetição constante no final da obra, foi para enfatizar se o “novo espírito científico” é adequado para a produção de trabalhos. Para mim o ponto levantado pelo autor de que economicamente o artista é dominado, mas simbolicamente ele é dominante é fundamental para quebrar alguns mitos até hoje existente sobre a remuneração do artista, pois é como Bourdieu designou, os resultados de valorização cultural e econômico são semelhantes com a mesma forma: ambos são tipos de "capital", respectivamente cultural ou financeira.
Em seu texto As regras da arte, Boudieu questiona a postura das pessoas - críticos, filósofos, escritores etc – ao rotular a experiência da obra de arte como algo que não se pode explicar, ou seja, que não se define. Assim a definição da arte como algo que “transcende” acaba sendo utilizada de forma banal, na verdade não para expressar seu valor e sua capacidade de emocionar, mas sim para justificar uma tentativa ineficiente de se fazer um estudo eficaz. E assim há uma resistência àqueles que tentam fazer evoluir o conhecimento no campo da arte, desconectando-o do mundo da racionalidade e impossibilitando oportunidades de aprofundamento em sua análise.
A arte e a sua relação com dinheiro são discutidas no texto. O autor dá ênfase na literatura mas pode-se ver de modo geral que se fala sobre a visão romântica de que a arte e o dinheiro são inimigos, o senso comum do artista boêmio que vive de suas heranças ou é pobre, como se fazer a arte requeresse todo o tempo e disposição do artista.
O artista romântico em seu estereotipo parece tratar a arte como um sacrifício vital, e a riqueza ou pobreza viria do berço, não seria algo mutável, pois mesmo que alcance o sucesso, ele tende a ter uma postura rebelde quanto a este sucesso, parecendo blasé ou se mostrando partidário a causas anti burguesas.
Essa relação tem tido exceções a algum tempo, mesmo que ainda permaneçam no senso comum, me lembrei de Warhol e da sua fama, suas festas e de como era um tipo de mecenas da banda Velvet Underground, além de fazer e obter sucesso com sua própria arte, também pode-se comparar essa relação de arte e dinheiro em Duchamp como vimos em outros textos.
Em sua introdução, Bourdieu, quebra com um dos paradigmas mais fortes na arte, o seu caráter místico e elevado, propondo a análise científica da arte, como o filistinismo metodológico de Alfred Gell. Esse olhar crítico sobre a relação quase que religiosa sobre a arte proporciona uma experiência menos interessada com a arte, aonde pode se lembrar do desinteresse no objeto e em sua função pregado por Kant. Mas para Bourdie diferentemente do filósofo alemão esse desinteresse é o caminho para a compreensão da arte, não para a ocorrência de uma experiência estética, e interessante também a aproximação com Ortega nessa trecho final em que se abre mão de um prazer contemplativo da obra para poder realmente entende-la.
Como Simmel, Bourdie usa em texto a realidade econômica para destrinchar seus conceitos, nesta ocasião tratando da relação do artista com sua remuneração, com a venda de seu trabalho. Cita Flaubert, que por sua vez esclarece uma questão contrastante da arte moderna e romântica, seu direcionamento ao público e por sua vez sua remuneração ou não. E com a modernidade veio a liberdade aos artistas, de não fazerem uma arte para ninguém e de não serem pagos por ninguém, e assim pode se chegar a ver na venda de uma obra imediatamente ou com facilidade um sacrifício à arte, defende Leconte de Lisle segundo o autor.
A pobreza material a que artista que não são afortunados por heranças, não os serve como argumento para uma obra de arte de baixa qualidade ou dar a ela um valor comercial. Enquanto os abastados poderiam manter sua liberdade e produzir sem preocupações artistas como Gautier teriam que escrever resenhas para um jornal. E às críticas de colegas por seu berço social levam Fleubert a combater outros artistas nesse argumento, dizendo que se cada artista que tem pressa para ver seu trabalho terminado tinham interesses que não eram puros à sua arte, e sugere que façam sacrifícios por sua arte e ao mesmo tempo não se vendam, façam sua arte e deixem que alguém a compre como ela é. Argumentos válidos em ambos os artistas, procurando não se perder o motivo de fazer sua arte, e mesmo assim não se vender aos interesses, muitas vezes menores de um cliente, em um mundo moderno pode representar um grande desafio, mas como atestou Fleubert, seria só mais um desafio junto aos tantos outros de produzir seu trabalho.