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O autor fala da influencia das cidades grandes no crescimento intelectual dos seus habitantes. Segundo ele, a cidade oferece lugar para o conflito entre as condições do sujeito em seu interior e na totalidade.
Simmel diz que o dinheiro nivela as peculiaridades das coisas e que as pessoas veem tudo em equivalência com o dinheiro. As grandes cidades, centros de circulação de monetária, são verdadeiros locais do caráter blasé, uma acomodação aos conteúdos e à forma de vida na cidade.
Os habitantes possuem o caráter de reserva, indiferença com os outros. Muitas vezes como uma forma de proteção, pois na cidade grande não é como no interior que se conhecem todos que se encontram e tem uma relação positiva com isso, os habitantes da cidade grande constroem afastamentos e utilizam-se da antipatia como forma de proteção.
Assim, a população constrói formações sociais em pequenos círculos excludentes de acordo com interesses e afinidades. Quanto menores esses círculos, maior é o sentimento de vigia sobre a condução da vida e da mentalidade do indivíduo. As condições peculiares se revelam então como oportunidades e estimulo destaque entre o todo, daí vemos o terreno propício da cidade como lugar de criação na busca pelo destaque entre as multidões. Podemos entender então porque nesses grandes centros que se veem mais manifestações artísticas e criativas.
George Simmel aborda a complexidade da vida moderna na qual o indivíduo se depara com uma grandiosa cultura exterior e técnica, marcada por uma quantidade imensa de produtos como informação, conhecimento, normas, multiplicidade de estudos da sociedade moderna que o indivíduo tem que lidar.
Essa oposição apresenta complexidades dos caminhos que o indivíduo deve escolher e a capacidade do indivíduo de tomar decisões gerando um forte sentimento de opressão. Essa situação lembra o texto de Benjamin, analisado anteriormente, no qual defende-se que a cultura não estava mais em nós mas sobre nós, estávamos sendo soterrados pela cultura.
O autor retrata vários acontecimentos históricos, mas em todos os pontos citados, há sempre a resistência do ser humano em ser inserido e equiparado nesse aspecto imposto pela cultura externa, gerando um grande desconforto.
Simmel mostra também as consequências para a alma do indivíduo diante desse conflito, caracterizando a chamada “vida hiper estimulada" : de caráter intelectualista e superficial, e mais racional que sentimental, a faculdade analítica dos indivíduos encontra-se constantemente ativa, gerando uma camada superficial, racionalizada e despersonalizada. A correria do ambiente urbano diminui a possibilidade de discutir-se sobre uma individualidade mais profunda.
Essa vida, de indivíduos que moram no grande centro urbano, é comparada à vida no interior, onde, segundo o autor, o ritmo mais lento deste cotidiano proporciona que o ser humano se volte para a reflexão do subjetivo, sem viver em constante repressão devido a sequencia diária de desafios presentes na cidade grande.
Comentários sobre "Grandes Cidades e a Vida do Espírito" (em anexo), de Georg Simmel, devem ser feitos respondendo a essa mensagem.
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AS GRANDES CIDADES E A VIDA DO ESPÍRITO
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Ao tratar da cidade moderna e seus aspectos sócias, Simmel, traz comparações que vem a partir de seu dinamismo e imensa energia dispersada em cada indivíduo e os sistemas usados para lidar com esse fluxo esmagador. Tratando o entendimento como ferramenta de objetivar a percepção proteger o indivíduo acaba-se por adquirir característica do dinheiro, homogeneizar as coisas de forma que todas se encontrem no mesmo patamar perdidas de suas peculiaridades. Chegando assim ao caráter blasé que é um estado de entendimento anestesiado em que nem mais por intensidade as coisas se diferenciam.
Esses mecanismos de auto conservação são colocados como uma reserva de cada um para o mundo exterior, protegendo suas peculiaridades dos outros, preterindo encontros mais profundos onde sua essência e a do outro estariam em evidência. Tudo garantindo uma liberdade inexistente no campo, o desprendimento dos outros liberta, assim como o desprendimento à experiência em Benjamim, aonde não se trata de bem estar.
Outro ponto é colocado na luta entre os homens na cidade, indivíduos descritos anteriormente, que sua especialização não é simplesmente atendimento a necessidades mas a criação das mesmas, quanto mais especializada a cidade fica para que se tenham campos aonde se pode dominar mais se criam novas especialidades. Uma busca de demonstração do ânimo que acaba por necessitar em afirmação de sua individualidade na cidade grande, proporcionando extremos absurdas, que em si tem como objetivo maior não sua função mas se destacar, diferente da cidade pequena que por sua recorrência de encontros se procura apresentar de maneira mais própria
Esse fenômeno leva a um resultado negativo que é ao especialização excessiva em vista da afirmação individual em detrimento do desenvolvimento mais amplo, tendo como resultado oficinas de lado esquerdo de carros ou doutores em mecânica de elevadores em prédios rosas.
Em fim Simmel determina a cidade grande local do desenvolvimento desta disputa entre a independência e o modo pessoal e específico, equilibrando-os, e nela, somente nela, poderia se conseguir tal equilíbrio, equilíbrio buscado também entre trabalho e ócio por Freyre quase 70 anos depois.