Comentários sobre "Grandes Cidades e a Vida do Espírito"

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Prof. Thomaz

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Jan 11, 2013, 9:07:57 AM1/11/13
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Comentários sobre "Grandes Cidades e a Vida do Espírito" (em anexo), de Georg Simmel, devem ser feitos respondendo a essa mensagem.
Metropoles-Vida-Espirito_SIMMEL.PDF

Caroline Albergaria

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Jan 15, 2013, 11:00:59 AM1/15/13
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Um dos fatos mais impressionantes é como um texto redigido há 110 anos continua tratando de um assunto tão presente atualmente. Georg Simmel relata como o espírito e a alma das pessoas da cidade grande se comportam frente às intensas mudanças e estímulos nesse meio. O que mais me chama atenção é ao se tratar do convívio entre as pessoas da cidade, como a relação entre vizinhos, conhecidos ou até mesmo os grandes amigos. Simmel explica que “do ponto de vista formal, [são] como reserva”. A primeira vista, é difícil compreender o que ele quis dizer como reserva, mas buscando os diversos significados, pode-se entender como parte de pessoas que só são chamadas em específicas circunstâncias. Atualmente, essa reserva é muito comum. Temos muitos conhecidos, ainda mais na era digital, que é possível ter amigos apenas de redes sociais. E quando precisamos deles, é fácil contatá-los. Mas essa proximidade vai se esvaziando assim que o motivo for sanado. Simmel ainda diz que essa reserva garante uma “liberdade pessoal”, ou seja, as pessoas nunca estão vinculadas permanentemente a outras pessoas, deixando-as livres sempre que quiserem estabelecer ou cortar contato.

Bruna Trivelli

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Jan 15, 2013, 1:08:47 PM1/15/13
to turma-arte...@googlegroups.com
A relação entre o indivíduo e a grande cidade e a sua influência na personalidade e na vida dos moradores é um assunto bastante discutido. E no texto é apresentado um ponto de vista interessante, mesmo que algumas vezes seja um pouco confuso.
O autor mostra a necessidade do indivíduo se conservar diante da cidade e da sociedade, o que acaba afastando as pessoas e as tornando cada vez mais desconfiadas e apáticas. A partir disso ele trata de algumas questões como a falta de relação entre vizinhos, uma questão que hoje já está saturada de debates, mas o que chama a atenção é quando ele usa termo "autoconservação", que parece explicar a sensação que tantas pessoas tem de se defender o tempo todo, atrapalhando suas relações com as demais. Então ele contrapõe essa situação ao estilo de vida no campo, onde predominam os costumes, o afeto e um ritmo mais lento.
Simmel defende ainda, que o dinheiro faz com que os objetos percam o seu significado, pois é um instrumento de troca, meio de avaliação que nivela com indiferença os objetos e as pessoas.  Ele é uma das causas do empobrecimento das relações, que acabam sendo pautadas em interesses e estratégias e tornando a sociedade egoísta.


Leonardo Campos Barreto

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Jan 15, 2013, 3:55:46 PM1/15/13
to Bruna Trivelli, turma-arte...@googlegroups.com
Embora senti o texto um pouco confuso (passei um tempo sem preceber sobre o quê exatamente o Simmel escrevia), achei interessante como ele vincula o estado de espírito do individuo à cidade grande. A pesar de não concordar muito com ele em certos aspectos, é percebe-se na cidade grande a tendência de se potencializar certos aspectos da personalidade humana que fatalmente levariam o indíviduo ao auto-isolamento, à apatia do espírito; quando, em meio a um turbilhão de informações que o meio o bombardeia, a alma adquire um estado blase, apático, como que por proteção, para se preservar de um meio agressivo.

Pessoalmente, acredito que o autor toma essa tendência e generaliza. Não acredito que essa apatia, por exemplo com relação aos vizinhos, aconteça de forma tão categórica, ou que o indivíduo da cidade grande tenha o esírito fechad, ou seja assim tão sem identidade. Talvez seja até meio injusto fazer uma comparação entre cidade grande e cidade pequena desse tipo, porque numa cidade pequena existem menos pessoas, então é mais fácil para que um indivíduo conheça todos os seus vizinhos e a maior parte dos habitantes. O mesmo não ocorre numa cidade grande, onde estabelecer boa relação com seus vizinhos acaba sendo enfraquecido frente à quantidade de habitantes da cidade. O fato é que é impossivel de se conhecer todo mundo e a aparência que sobra é essa falta de amistosidade entre as pessoas. Aqui, onde há um maior números de habitantes, é também mais provável que exista um maior número de pessoas apáticas e que terão sua apatia estimulada pelo meio. Mas também existem pessoas simpáticas, também há vizinhança e também é possível perceber a comunicação entre elas. Não acho válido dizer que as cidades grandes carecem de identidade, do contrário não saberíamos distinguir umas das outras. O fato da cidade ser ou não ser grande não tem o poder de mudar o espírito do homem.



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Bárbara Souto

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Jan 15, 2013, 4:05:46 PM1/15/13
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Simmel explica o quanto a metrópole interfere na vida do ser humano. Menciona que a maioria dos indivíduos inseridos numa grande cidade, devido ao ritmo acelerado, geralmente possuem  pensamentos e comportamentos massificados. Para Simmel, à partir do crescimento do sentimento calculista, a metrópole produz uma característica nas pessoas, conhecida como atitude blasé (que quer dizer que o indivíduo é indiferente, apático, que não demonstra emoção). Simmel também classificou a cultura em objetiva( ligada aos objetos) e  subjetiva  (ligada ao espiritual). Para o autor, há o crescimento elevado da cultura objetiva, pois o desejo da sociedade consumista é alimentado pela motivação  “time is money”. Compreendi que o texto por ser bastante atual, conseguiu expor os motivos que explicam o quanto a individualização humana  tende a crescer cada vez mais.

duarteruas.arq

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Jan 15, 2013, 5:06:12 PM1/15/13
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Simmel no meu ponto de vista trata a sociedade das cidades grandes de maneira positiva. O autor coloca a cidade como criadora de uma dualidade que de fato movimenta e dinamiza as multidões. Se por um lado a vida em uma cidade grande pode oprimir as individualidades criando uma sociedade massificada e em primeira análise blasé, por outro existe um movimento de contrário a esta massificação de intensificação das liberdades e das individualidades pessoais. O caráter inicialmente blasé das sociedades cosmopolitas (tido com ruim) é desconstruído pelo autor quando ele justifica que a cidade pode produzir emoções tão intensas nas pessoas que seus nervos acabam se anestesiando, ficando aparentemente indiferentes aos estímulos da cidade. Parece que a vida em uma cidade faz com que o espetáculo se torne cotidiano e a pessoa passe a não reparar nele sempre. Fazendo um paralelo com o texto de Walter Benjamim, a cidade fornece para nós a experiência a ser vivida, muito diferente da experiência passada de geração em geração, a experiência contada, o costume das sociedades de pequenas cidades.
As relações humanas em metrópoles é alargada pela experiência. O convívio com um número muito grande de pessoas diferentes faz com que o ser humano aceite diferenças com maior facilidade e acabe criando vínculos com outras individualidades. Nas sociedades de pequenas cidades, as diferenças são mais difíceis de serem aceitas, de serem digeridas, pois todos vivem sob o mesmo costume, a mesma rotina... a individualidade não é incentivada. A cidade grande expande os horizontes pessoais e cria um cenário para a troca de experiências e valores.
De fato grandes movimentos artísticos, grandes mentes criativas nasceram em grandes cidades. Nova York, Londres, Berlin, São Paulo, Paris, Tokyo são berços dos movimentos artísticos. No Brasil vemos São Paulo abraçar diversos tipos de manifestações artísticas diferentes, posso citar como exemplo o trabalho dos grafiteiros paulista "Os gêmeos", artistas de rua reconhecidos mundialmente pelo seu trabalho, pelo seu esforço de ser reconhecido individualmente em uma cidade grande. Existe no homem a necessidade de se destacar das multidões e daí nasce o impulso artístico e criativo.


Em sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 12h07min57s UTC-2, Prof. Thomaz escreveu:

Bianca

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Jan 16, 2013, 9:54:21 AM1/16/13
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O autor fala da influencia das cidades grandes no crescimento intelectual dos seus habitantes. Segundo ele, a cidade oferece lugar para o conflito entre as condições do sujeito em seu interior e na totalidade.

Simmel diz que o dinheiro nivela as peculiaridades das coisas e que as pessoas veem tudo em equivalência com o dinheiro.  As grandes cidades, centros de circulação de monetária, são verdadeiros locais do caráter blasé, uma acomodação aos conteúdos e à forma de vida na cidade.

Os habitantes possuem o caráter de reserva, indiferença com os outros. Muitas vezes como uma forma de proteção, pois na cidade grande não é como no interior que se conhecem todos que se encontram e tem uma relação positiva com isso, os habitantes da cidade grande constroem afastamentos e utilizam-se da antipatia como forma de proteção.

Assim, a população constrói formações sociais em pequenos círculos excludentes de acordo com interesses e afinidades. Quanto menores esses círculos, maior é o sentimento de vigia sobre a condução da vida e da mentalidade do indivíduo. As condições peculiares se revelam então como oportunidades e estimulo destaque entre o todo, daí vemos o terreno propício da cidade como lugar de criação na busca pelo destaque entre as multidões. Podemos entender então porque nesses grandes centros que se veem mais manifestações artísticas e criativas.


Em sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 12h07min57s UTC-2, Prof. Thomaz escreveu:

Camila Correia

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Jan 16, 2013, 3:22:18 PM1/16/13
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          George Simmel aborda a complexidade da vida moderna na qual o indivíduo se depara com uma grandiosa cultura exterior e técnica, marcada por uma quantidade imensa de produtos como informação, conhecimento, normas, multiplicidade de estudos da sociedade moderna que o indivíduo tem que lidar.

Essa oposição apresenta complexidades dos caminhos que o indivíduo deve escolher e a capacidade do indivíduo de tomar decisões gerando um forte sentimento de opressão. Essa situação lembra o texto de Benjamin, analisado anteriormente, no qual defende-se que a cultura não estava mais em nós mas sobre nós, estávamos sendo soterrados pela cultura.

          O autor retrata vários acontecimentos históricos, mas em todos os pontos citados, há sempre a resistência do ser humano em ser inserido e equiparado nesse aspecto imposto pela cultura externa, gerando um grande desconforto.

          Simmel mostra também as consequências para a alma do indivíduo diante desse conflito, caracterizando a chamada “vida hiper estimulada" : de caráter intelectualista e superficial, e mais racional que sentimental, a faculdade analítica dos indivíduos encontra-se constantemente ativa, gerando uma camada superficial, racionalizada e despersonalizada. A correria do ambiente urbano diminui a possibilidade de discutir-se sobre uma individualidade mais profunda.

          Essa vida, de indivíduos que moram no grande centro urbano, é comparada à vida no interior, onde, segundo o autor, o ritmo mais lento deste cotidiano proporciona que o ser humano se volte para a reflexão do subjetivo, sem viver em constante repressão devido a sequencia diária de desafios presentes na cidade grande. 

Thomaz Simões

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Jan 16, 2013, 8:23:21 PM1/16/13
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Leitura altamente recomendada ("O Homem na Multidão", de Edgar Allan Poe) em anexo.

2013/1/11 Prof. Thomaz <tzsi...@gmail.com>
Comentários sobre "Grandes Cidades e a Vida do Espírito" (em anexo), de Georg Simmel, devem ser feitos respondendo a essa mensagem.

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homem multidao_poe.PDF

Millena Montefusco

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Feb 14, 2013, 2:54:38 PM2/14/13
to Thomaz Simões, turma-arte...@googlegroups.com

 

AS GRANDES CIDADES E A VIDA DO ESPÍRITO


O texto de Simmel acaba sendo bastante atual por tratar da relação da sociedade para com a própria metrópole. Se hoje discutimos sobre o quão individualista o homem contemporâneo é por estar envolto por grande bagagem e responsabilidades, ou então os problemas que as grandes cidades podem trazer ao individuo, tais como poluição e estresse, Simmel apresenta sua visão positiva sobre o homem e a metrópole. Levando em consideração o espírito humano, as emoções e as relações entre indivíduos, o autor argumenta sobre os benefícios, até contraditórios em relação a visão de hoje, que a grande cidade pode fornecer o homem. 
A vida na cidade pode se tornar um espaço de expressão, permitindo a exploração de emoções com a variedade de culturas e rotinas. Não que isso seja percebido, o homem acaba por não reparar no próprio palco do espetáculo cotidiano. Outro ponto destacado é a cara de experiência de convívio com pessoas diferentes. Quando se há grande variedade, há maior aceitação de culturas e a sociedade permite tal variedade. Mas, contudo, é preciso que o homem perceba tal dinamismo urbano, para que não se perca e se torne um individuo apático. 

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Camila Castro

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Feb 16, 2013, 12:57:49 PM2/16/13
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O texto de Simmel nos mostra como as cidades grandes influenciam as pessoas que nela moram. As pessoas, devido a grande quantidade de estímulos que recebem das cidades, tendem a se conservar, não se exporem muito. Há um quase "medo" nos moradores dessas cidades e por isso essa preservação dos seus sentimentos e até mesmo uma preservação física quanto se pensa nessa interação do morador e da cidade. Outro fator que contribui com essas reações dos homens é devido ao fato que nas grandes cidades, tudo (desde produtos de comercialização, serviços, sentimentos e até mesmo as pessoas) tem um valor atribuído a si. As pessoas seus próprios amigos, familiares e conhecidos como algo de valor de troca, seja por uma informação, por uma troca de favores...Por isso Simmel diz que temos uma reserva, ao meu ver uma espécie de "poupança" viva que fazemos, para sempre que precisarmos, aquelas pessoas que foram "ligadas" a nos, possam ser utilizadas.


Em sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 12h07min57s UTC-2, Prof. Thomaz escreveu:

abel escovedo

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Mar 1, 2013, 2:21:31 AM3/1/13
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Ao tratar da cidade moderna e seus aspectos sócias, Simmel, traz comparações que vem a partir de seu dinamismo e imensa energia dispersada em cada indivíduo e os sistemas usados para lidar com esse fluxo esmagador. Tratando o entendimento como ferramenta de objetivar  a percepção proteger o indivíduo acaba-se por adquirir característica do dinheiro, homogeneizar as coisas de forma que todas se encontrem no mesmo patamar perdidas de suas peculiaridades. Chegando assim ao caráter blasé que é um estado de entendimento anestesiado em que nem mais por intensidade as coisas se diferenciam.

Esses mecanismos de auto conservação são colocados como uma reserva de cada um para o mundo exterior, protegendo suas peculiaridades dos outros, preterindo encontros mais profundos onde sua essência e a do outro estariam em evidência. Tudo garantindo uma liberdade inexistente no campo, o desprendimento dos outros liberta, assim como o desprendimento à experiência em Benjamim, aonde não se trata de bem estar.

Outro ponto é colocado na luta entre os homens na cidade, indivíduos descritos anteriormente, que sua especialização não é simplesmente atendimento a necessidades mas a criação das mesmas, quanto mais especializada a cidade fica para que se tenham campos aonde se pode dominar mais se criam novas especialidades. Uma busca de demonstração do ânimo que acaba por necessitar em afirmação de sua individualidade na cidade grande, proporcionando extremos absurdas, que em si tem como objetivo maior não sua função mas se destacar, diferente da cidade pequena que por sua recorrência de encontros se procura apresentar de maneira mais própria

Esse fenômeno leva a um resultado negativo que é ao especialização excessiva em vista da afirmação individual em detrimento do desenvolvimento mais amplo, tendo como resultado oficinas de lado esquerdo de carros ou doutores em mecânica de elevadores em prédios  rosas.

Em fim Simmel determina a cidade grande local do desenvolvimento desta disputa entre a independência e o modo pessoal e específico, equilibrando-os, e nela, somente nela, poderia se conseguir tal equilíbrio, equilíbrio buscado também entre trabalho e ócio por Freyre quase 70 anos depois.


Em sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 12h07min57s UTC-2, Prof. Thomaz escreveu:
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