O texto trata sobre a arte nova e como a sociedade se posiciona diante desta. A parte que mais me chamou atenção foi a que o autor diz que as pessoas se dividem em dois grupos, os poucos que gostam e os muitos que odeiam. Mas pela forma que o autor escreve parece que, para ele, aqueles que não gostam de uma pintura, uma música ou algo novo não a entenderam para apreciá-la porém, ao meu ver, as muitas vezes que a nova arte não tem uma crítica positiva não é por não entenderam mas muitas vezes por não aceitarem. A sociedade sempre teve problemas com o novo. Quebrar o padrão, o comum, é um processo que toma tempo. Tempo para essa transição de valores, de novos olhares sobre aquilo que ali se apresenta. Temos que olhar o novo sobre um novo olhar porém não o temos de imediato logo, muitos preferem odiar algo a buscar entender.
Comentários sobre "A Desumanização da Arte" (anexo), de Ortega y Gasset, devem ser feitos respondendo a essa mensagem.
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O que mais chama a atenção no texto é a afirmação de estarmos presenciando uma arte não humanizada. Ao longo do capítulo, o autor usa de vários exemplos para demonstrar seu ponto de vista. O que mais se destaca é a o ponto em que a arte contemporânea é visada para servir apenas de obra de arte, sem revelar ações cotidianas que possa se aproximar do expectador. Além disso, essas obras contemplativas seriam feitas por artistas que se portassem com indiferença. É claro que as obras dos artistas contemporâneos são diferentes das tradicionais, pois o mundo havia mudado drasticamente do século XIX para o XX. Mas generalizar o modo de pensamento dos artistas contemporâneos afirmando sua indiferença e desumanização é esquecer-se das grandes obras de arte de caráter político e social ao longo do século XX, que contradizem Ortega. Exemplo disso é a luta entre a Revolução Russa e a Criação Abstrata na Rússia (movimento pós Construtivismo). Ambos produziam obras de arte ligadas às emoções. De um lado, a Revolução Russa produzia cartazes para intensificar o nacionalismo e a guerra, por outro lado, a tendência do Abstracionismo sensível, onde predominavam os sentimentos e as emoções. Além disso, temos o futurismo, que exalta a máquina, a velocidade e as mudanças constantes. As pinturas metafísicas desse estilo retratavam a ausência de sentido da sociedade contemporânea, revelando que os artistas se preocupavam e criticavam a sociedade em que estavam imersos. O uso da arte abstrata, revelando sentimento que qualquer pessoa possa entender, não desumaniza a arte.
O autor defende que a arte nova não era popular assim como as outras novas artes. Porém não popular não significa impopular, destaca o autor. Esse fenômeno, segundo o autor acontece em qualquer arte nova, criando uma reação favorável a alguns e não favorável a outros, que não entendem o real propósito da arte, gerando grupos contrários e de classes sociais distintas. O observador que a entende se sente superior a ela e o que não a entende se sente inferior, se autoafirmando perante a obra.
A maioria que não a entende se sente injustiçada, pela obra arte nova ser uma arte de privilegiados. A arte cria efeitos sociológicos os quais as pessoas se identificam como elas realmente são, geram consciência do seu papel limitado. Portanto, a arte nova não é uma arte para todos, mas sim para uma parcela, que não necessariamente valem mais que as outras. Segundo o autor, a arte é aprovada quando permite que o observador crie personagens imaginários que se tornem reais. Contudo, o autor afirma que se preocupar com o que a obra nos faz sentir nos distancia da verdadeira fruição estética, e se não tivermos um olhar treinado, acabaremos por entendê-la mal. Quem busca analisar uma obra e comover-se sempre de uma forma específica acaba por não conseguir apreciá-la.
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Em seu ensaio, Ortega defende a desumanização da arte, a falta de intenção de causar sentimento nos espectadores. Ele a separa em a arte para a elite e a arte para o povo. A arte se aproxima do povo quando as pessoas conseguem se identificar com o assunto, a massa se reconhece. Isso pode ser visto a partir do Romantismo e do Realismo, quando foram retratadas questões sociais nas quais o povo podia enxergar a sua realidade. Com a arte nova, o Modernismo, a temática das obras se distancia do povo, que não a entende. A arte moderna não era popular, mas não quer dizer que era impopular.
O autor também defende que para compreender uma obra, é preciso abdicar-se dos sentimentos e tomar um certo distanciamento em relação à ela e assim conseguir apreciá-la.
No texto de Ortega, a arte é colocada de forma a não causar reação nos espectadores, ou seja é desumanizada, o que é exatamente o oposto do que foi visto em Duchamp em O Ato Criativo. Ele explica que no século XIX, com o romantismo e o realismo e sua aproximação com a literatura e a realidade da população, houve uma aproximação do povo com a arte, uma identificação que não existia antes disso e o que de certa forma é estranha – ou seja, há uma separação entre a arte do povo e a arte da nobreza. Essa identificação não se dá com a arte moderna, que não é compreendida – diferenciação de popular e impopular.
Citando a análise de uma obra, o autor faz referência ao cuidado que o espectador deve ter ao reparar na sua construção, em como foi feita, nas técnicas e nas cores utilizadas e o artista deve também ter um distanciamento – Arte como uma brincadeira.
Muito interessante essa visão de Ortega a respeito da Desumanização da Arte. Primeiramente convém destacar a diferença entre o que não é popular e o que é impopular. A arte Moderna seria então impopular, e aqueles incapazes de entendê-la não são merecedores de apreciá-la. A visão de arte moderna, então de distancia do público comum, diferentemente do séc. XIX, onde segundo o autor o público ainda se vicia, a nova fase se destaca por salvar a própria arte. A popularidade da arte é estranha. Sua visão social, por mais preconceituosa que seja (segundo visões do séc XXI) se qualifica pela lógica. Por ser defensor da divisão de classes sociais , da dominação da nobreza, e considerar como injusta a igualdade entre os homens, Ortega sustenta a ideia de que a Arte Moderna surge para salvar a antiga e bem estruturada sociedade hierárquica, reestabelecendo e salvando a elite intelectual e a tradicional nobreza. É até engraçada a forma como descreve a visão do povo. Cego e surdo á beleza, a arte moderna obriga que não tem densidade intelectual a se reconhecer como povo, voltando a antiga estrutura social. Segundo o autor, o povo gosto do que está diretamente relacionada ao humano, ao se identificar com a obra (ARTE = VIDA REAL), a partir do momento em que a arte não é mais reconhecida, o público comum se sente num situação confortável.
A arte Moderna, como extremamente desumana é importante na construção de uma nova elite, capaz de entendê-la, uma verdadeira nobreza intelectual. Ao destacar as características de tal arte nova e do que a elite como ela é deveria reconhecer, pode-se inferir que a visão de Ortega se assemelha ao de T.S Eliot ao expor a arte como algo puramente formal, digna de um modo de racional. A arte desumana, nova, sem transcendências e metafórica é capaz de reestruturar a sociedade. Mais uma vez digo que a visão é de certa forma inaceitável aos dias de hoje, mas não deixa de ser racional e até bem quista na época em que foi escrita.
José Ortega, em seu texto "La Deshumanización del Arte" traça uma análise da arte desde o romântico até as vanguardas do século XX, de maneira a discutir e justificar as razões para impopularidade das novas artes junto ao público.
Na visão de Ortega, a impopularidade da nova arte se faria em razão da dificuldade das pessoas de se reconhecerem nas obras; uma vez que as obras de arte sempre vieram a representar a vida cotidiana e os costumes, a cultura de um povo. O distanciamento entre o público e a obra se deu quando a arte se propôs puramente estética. É evidenciada a dificuldade de compreender os caminhos da nova arte.
Assim não haveria um futuro promissor para a nova arte já que, no entendimento do autor, a arte não poderia se desvincular da vida social e pessoal do artista. Para Ortega a arte seria como um elo entre vida social e o homem. O insucesso dessa arte viria com a vontade expressa pela nova geração de artistas em fazer uma arte pura.
A desumanização da arte - discutida ao longo da leitura - viria da expressa distância da vida cotidiana. A tendência da arte que traz à sua produção a incompreensão do homem comum. A arte que rompe com as anteriores. Para Ortega, a massa não estaria preparada para esta nova arte e por isso a rejeitou.
Na minha opinião, este texto tem um papel importante quando sensibiliza o leitor para o compreender o papel da arte e sua relação com a realidade cotidiana e seu público. E ainda despertar um olhar crítico sobre a arte moderna, tanto para suas qualidades como para suas falhas também.
Nesse texto Ortega discorre a respeito de uma nova forma de arte que não representa mais imagens familiares ao cotidiano das pessoas e o modo como o público reage a ela, tornando-as quase sempre impopulares, já que ele não se reconhece na obra. Esse seria o fenômeno que ele chama de desumanização da arte, uma vez que a arte contemporânea tende a se afastar do homem comum e se volta para uma minoria.O autor relaciona a impopularidade com o fato das pessoas não compreenderem as obras e, portanto, não aceitarem a novidade, umas vez que saem da sua zona de conforto e demora até que as pessoas comecem a reconhecer e se familiarizar com a novidade. Acho que essa impopularidade não é fruto apenas das pessoas que não entendem, já que a arte nem sempre tem o poder convencer mesmo aqueles que entenderam. Da mesma forma, acho que muitas vezes o público apenas se "acostuma" com o que está em alta e ganha visibilidade e aquilo acaba se tornando familiar, mesmo não tenha sido compreendido.
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