No texto “Vanguarda e Kitsch”, Greenberg trata da disparidade existente na sociedade cultural, citando criações diversas, mas que não conversam entre si. O desenvolvimento da sociedade e sua evolução em relação à cultura histórica da humanidade fizeram com que o artista não pudesse mais prever a reação do público diante sua obra. Questões que antigamente não eram abordadas por motivos de controvérsia agora são levadas em consideração. Essa evolução também gerou o movimento de vanguarda: a arte pela arte. Este movimento se destacou em meio à sociedade e conseguiu seguir seu próprio caminho e se distanciar do público com criações de alto nível. Com o tempo foi se aperfeiçoando e querendo alcançar Deus e se desviar do que é comum – é daí que vem o abstracionismo.
O autor diz que “a vanguarda é imitação do ato de imitar”, e que hoje em dia não há outro modo de se criar de outra forma, por isso esse meio é justificável. Ele diz também que as massas se mantiveram indiferentes à cultura no seu período de desenvolvimento, e por isso a vanguarda não é socialmente vantajosa. Considerando Ortega, isso é natural, já que a população precisou se identificar com a arte para gostar dela, e sendo assim não compreendida, como no caso do modernismo ou de sua evolução, não é um atraente.
Onde há vanguarda há retaguarda. A arte e a literatura popular e comercial, denominadas pelos alemães como Kitsch, surgiram com a revolução industrial e a alfabetização universal da população, que agora também era capaz de produzir arte. Nasce assim a cultura de mercado, que veio para curar o tédio das pessoas. É uma arte falsa, que muda de acordo com os modismos mas sempre permanece o mesmo, exigindo nada mais do seu espectador do que tempo e dinheiro.
O texto propõe que determinada sociedade vivenciando uma cultura única e em um certo momento pode produzir e se manifestar com uma diversidade de produtos, tais quais na verdade se resultam em características semelhantes. Podemos dizer que um produto que surgiu hoje é imitação de outro existente.
Retrata também que o movimento da vanguarda coincidiu cronologicamente com o primeiro pensamento pensamento científico arrojado na Europa, que é descrita como a boêmia. Nesse conflito a vanguarda se destaca, pois consegue ignorar a política revolucionária bem como a burguesa. Nessa busca de se destacar, de ser um movimento absolutista, a vanguarda chegou a arte abstrata e a poesia. O artista se objetivava em algo único, que não simbolizasse algo, e fosse impossível de ser comparado e se comparasse a Deus.
Em consequência da vanguarda, surge um novo fenômeno cultural chamado Kitsch, o qual é um produto industrial que urbanizou as massas da Europa Ocidental e das Américas e estabeleceu a alfabetização universal. Sua aplicação foi ampla, e se estendeu descontroladamente. Afetou outras culturas e as descaracterizou, tendo influência dominante. É dito como um fenômeno lucrativo e novo, e indubitavelmente a melhor opção de artistas no desenvolvimento de seus feitos.
Em Vanguarda e Kitsch, o autor retrata o paradoxo dessas artes. A vanguarda é elitista, sem nada de original e sustentada pela burguesia. Por outro lado, existe o kitsch, uma arte do povo, acessível, barata e por isso sustentada de forma mais fácil, pois atinge a todos. É importante perceber certa dificuldade do autor ao considerar o kitsch como arte. Em certa parte do texto, ele diz que uma produção de Repin, mesmo sendo uma arte mais inferior comparada a uma obra de Picasso, é uma arte. Sua conclusão a respeito da forma da arte é baseada no processo reflexivo no qual o espectador extrai o valor da obra: o autor diz: “Onde Picasso pinta a causa, Repin pinta o efeito”. Ou seja, o kitsch é instantâneo, mais intuitivo, enquanto que, para admirar uma obra de Picasso, da vanguarda, é preciso uma reflexão mais profunda.
A vanguarda pode ser para os cultos e a minoria poderosa, contudo, o que permaneceu foi o kitsch, não se sabe se por mérito próprio (por ser mais acessível, menos reflexiva, não imitar uma arte já vivida) ou pelo declínio da vanguarda.
Comentários sobre o texto "Vanguarda e Kitsch" (anexo), de Clement Greenberg, devem ser feitos respondendo a essa mensagem.
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O texto sobre a Vanguarda e Kitsch nos mostra a diferença entre a arte feita para a massa e a arte feita para um público preparado para receber uma arte. Perceba que ambas as artes feitas para esses dois grupos tão destoantes são feitas pela mesma classe de artistas. Porém a vanguarda foi feita para um seleto grupo (em menor quantidade) que recebe a arte e a analisa, a digere, para formar uma opinião sobre esta. Geralmente a vanguarda é algo menos imediato, que precisa de mais tempo e conhecimento prévio para “recebe-la” melhor. O kitsch é algo imediatista que foi feito para a massa. É rápido e de fácil compreensão, não precisa de muito tempo para olhar e entender o que está ali representado, isso porque muitas das vezes o que esta representado é algo do cotidiano da massa, logo há uma identificação imediata com esta. A vanguarda se afasta da realidade, pelo menos imediata, para manter o movimento da arte. A massa de hoje muitas vezes não tem nenhum relação de reconhecimento com o kitsch mas muitas vezes, por pertencer a massa, determinados indivíduos acreditem que tem que se identificar com tal coisa.
Quando coloca que a vanguarda é imitação da arte de imitar, o texto acaba por fazer uma rima com o pensamento platônico sobre o assunto, segundo o qual o artista era um carregador de espelhos. O que não deixa de ser intrigante, posto que o objetivo da vanguarda era justamente romper com a arte. Isso talvez exponha uma natureza velada da vanguarda e da própria arte, a segunda como imitação e a primeira como mera imitação da imitação, pois não deixa de ser a vanguarda uma forma de imitar a arte sem a preocupação com um objeto modelo.
A vanguarda, por conter em si elementos abstratos e conceituais, faz-se necessário que o observador tenha “certo nível intelectual” para entender uma obra desse naipe, de outra forma, ele não seria capaz se identificar com o objeto ou de estabelecer qualquer vínculo afetivo com ele, como seria um caso entre um observador humilde e um quadro de uma paisagem com campinas e árvores frutíferas. A essa arte que atinge uma parcela mais humilde da humanidade, ou “massa”, e que é a retaguarda que surge como reação à vanguarda, dá-se o nome de Kitsch, e ela nos é apresentada como uma forma lucrativa de arte que visa entreter e distrair, um verdadeiro “pão e circo”. A arte Kitsch não é separatista, mas é uma arte que todos podem fazer e consumir.
Cria-se então essa disparidade entre as duas vertentes: uma arte para intelectuais e uma para a massa. A vanguarda como sendo mais refinada e o Kitsch como sendo vulgar. Dá a entender, também, que essa necessidade do Kitsch surgiu com a vanguarda, como se antes o povo não se importasse com a arte. Mas sempre houve uma parcela de arte que permeou a porção mais humilde das populações de todos os países. Sempre o povo se manifestou através de expressões artísticas, seja na música, na dança, e sempre esse estilo de arte popular baseava-se no cotidiano das pessoas. Essa necessidade de arte é desejo inato do homem. O Kitsch talvez seja a transformação disso em comércio. Mas da mesma forma, a vanguarda também é comércio
Penso que, no fim, a vanguarda e o Kitsch possuem a mesma natureza, ambos são compreendidos por seu público consoante suas necessidades e referências. Se o Kitsch agrada ao humilde por identificar-se com ele e assim tocar-lhe a alma, a arte de vanguarda faz o mesmo com o intelectual; mas não creio que um seja mais preparado que outro para receber a arte.
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Comentários sobre o texto "Vanguarda e Kitsch" (anexo), de Clement Greenberg, devem ser feitos respondendo a essa mensagem.
Clement Greenberg em seu debate crítico "Vanguarda e Kitsch" deixa em evidência sua reação à nova cultura através da contraposição entre dois fenômenos culturais distintos. Levando em conta que tal análise foi feita em meio às transformações sociais ocorridas no fim do séc. XIX, Greenberg localiza a vanguarda e a define como sendo uma importante manifestação de protesto consciente capaz de manter a cultura viva. Clemente, após descrever uma série de pensamentos sobre o que seria vanguarda, explica que havia uma parcela da massa dominante que apoiava o movimento no início. Ele também avaliou a origem de Kitsch, que surgiu do processo histórico da migração de povos rurais para a zona urbana, que buscavam referencias culturais ( não carregavam raízes culturais tão profundas e nem tinham capacidade de entendimento da complexidade cultural da sociedade urbana), sendo assim, criou-se uma nova demanda voltada para pessoas sem conhecimento da "boa" arte. Para Greenberg, Kitsch coloca em risco a existência da arte, pois a cultura "leiga" com o tempo conquistou o apoio da massa dominante, que abandonou o movimento de vanguarda e diminuiu seu público ainda mais. Acredito que a descrição analítica do autor apesar de ter sido em outra época é bastante eficaz para observação da situação artística atual. É interessante pensar e aprofundar nas reflexões sobre este debate crítico, pois nos fazem repensar ainda mais sobre "o que representa qualidade?" "O que é a arte complexa hoje em dia e o que ela nos transmite?" Enfim, são muitas incógnitas importantes que surgem e nos ajudam cada vez mais no entendimento de arte.
Vanguarda e Kitsch
Disparidade é algo natural ou é algo da época? Com essa indagação, Greenberg acaba for iniciar o pronto principal do texto confrontando o paradoxo da arte de Vanguarda e Kitsch. Como a experiência estética é percebida pelo individuo e como a arte é apresentada se contrapõem quando nos deparamos com os dois movimentos artísticos, mas ao mesmo tempo nos intriga por estarem diretamente relacionadas às mudanças sócio-econômicas de uma época. Assim como Ortega relaciona a obra de arte com a forma como determinado público a interpreta ou a considera, demonstrando a boa arte exclusiva de determinada parcela da população, o autor acaba restringir a arte da Vanguarda ao público intelectual e o Kitsch ao público de massa. O Surgimento da cultura de vanguarda, onde um novo tipo de crítica histórica é caracterizado por um estudo das formas e culturas anteriores e são avaliadas no contexto de mudança de pensamento, em plena Revolução, representa a mudança de uma sociedade. A imitação do ato de imitar e do objeto em si se resume na arte de vanguarda e resume a arte à apreciação de uma classe intelectual superior. Com o surgimento do Kitsch, num processo de imigração de povos rurais, há a grande discussão e desprendimento da arte de vanguarda a uma arte mais acessível, de mais fácil entendimento e muito criticada. Mas o que para nós é a verdadeira e boa arte? Seria aquela imitação da própria imitação, arte sem qualquer vínculo com meios sociais e políticos. Ou seria a verdadeira arte aquela engajava ou própria de determinada cultura, seja ela compreensível ou não?
Uma sociedade vivendo em uma mesma cultura pode produzir e se manifestar de formas diversas. Uma nova criação pode ser fruto de uma imitação de algo anterior. A disparidade artística na sociedade industrial é retratada por Greenberg em ‘Vanguarda e Kitsch’, em análise das transformações sociais do fim do século XIX. O surgimento da vanguarda se dá em meio a estudo de formas e culturas anteriores, em meio à mudança de pensamento e cultura da Revolução. A arte intelectual, feita para aqueles que têm um entendimento prévio de arte que não alcançou a grande massa popular. Como consequência da arte de vanguarda, surgiu o Kitsch. Uma arte popular produto da tentativa de alfabetização que teve um alcance amplo nas camadas mais inferiores da população por ser mais acessível e de fácil entendimento. Essa arte voltada para a grande massa urbana, o proletariado e pequenos burgueses, foi bastante criticada pelos intelectuais.
O texto trata a
produção da “massa” como algo sem valor artístico, e não só sem valor mas
também algo desprezível. Essa visão me pareceu muito rígida pois há exceções
como o jazz por exemplo, que passou de sua origem nas massas para (hoje em dia)
um estilo associado as elites ou a arte de rua que hoje está nas galerias. Por mais que estes exemplos pareçam exceções mínimas
na arte, não concordo com a separação de vanguarda para os intelectuais e
kitsch para as massas pois o autor acaba inferiorizando o que é popular e hipervalorizando
a vanguarda, o que já foi um senso comum na arte em algumas épocas mas não atualmente.
Hoje, por mais que as vezes ainda seja necessária uma ajuda superior para ser reconhecido nas artes, há uma valorização do artista improvável, que não teve educação formal, e ambos os grupos que o autor separa acabam dando em muitos casos tanto prestigio para estes artistas quanto para os que receberam uma educação,as vezes esses artistas do grupo das massas acabam recebendo até maior atenção, muitas vezes devido a esta improbabilidade, mas ainda assim, o kitsch e a vanguarda hoje parecem não ser mais opostos.