No texto Experiência e Pobreza podemos refletir sobre como o ser humano de hoje em dia “herda” certos hábitos, costumes, e tende a mantê-los pela simples facilidade de se preservar o que já existe, por ser mais fácil continuar com o rotineiro do que buscar o novo e que talvez seja o mais apropriado para o agora. A nossa experiência está limitada ao que nos foi passado. Temos uma “experiência passiva”. Não buscamos nos passar pela mesma experiência que vem de tempos atrás para garantir a continuidade de seu uso, nem passar pela mesma experiência e comprovar que não nos tem mais serventia. Somos pobres de experiência mas isso já é fato consumado. Um exemplo é quando alguém sai desse marasmo e resolve buscar o novo e acaba criando algo novo, que não existia antes e outras pessoas dizem “Como vivíamos sem isso antes?”. A resposta é clara: se não experimentamos o novo (e porque não, o antigo de novo) não iríamos pensar em algo novo porque isso a cinquenta, cem anos atrás, estaria impossibilitado de acontecer, seja pelas limitações tecnológicas, sociológicas e outras. Já que não podemos “apagar nossos rastros” definitivamente, deveríamos buscar a experiência diária de tudo que já existe e ver se o que já existe poderia ser melhorado ou reinventado para assim deixarmos essa pobreza.
O texto expõe que a sociedade abandonou as ações da experiência, como se por causa de um trauma. O autor relaciona essa “falta de experiência” às vivências desmoralizantes que as pessoas tiveram de passar: guerra, fome, inflação, e por isso não seria de se estranhar que estivéssemos “pobres” de experiências e desmotivados a compartilhá-las.
Penso que o texto traz uma visão bem pessimista do mundo e das pessoas. Chega a comparar a pobreza do ser humano moderno com aquela do mendigo medieval, personificando-a dessa forma, numa analogia interessante, porém desesperançosa. As pessoas aqui retratadas são vazias e desligadas do mundo, não entendem mais o valor das coisas e das experiências. Vangloriam-se de todo patrimônio surgido da História, como se o possuíssem, mas sem o possuir, pois não há nada que o ligue a elas, não há valores e nem importância: a vida aconteceria intacta mesmo se as pirâmides deixassem de existir, apesar de toda uma comoção generalizada que acometeria o mundo, ela seria apenas falsa.
E nessa morbidez as pessoas continuam passando pela vida, como que adormecidas, ou acorrentadas no fundo de uma caverna escura, sem sabê-lo, tomando por vida apenas as sombras projetadas na parede.
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O que mais me chama atenção no texto Experiência e Pobreza é como a experiência antigamente era valorizada. O autor cita a Primeira Guerra Mundial, um dos marcos mais importantes para a experiência humana. E o que foi aprendido com esse período foi passado durante as gerações e adquirido como forma de cultura.
Um dos provérbios mais ditos atualmente é “Ninguém mais inventa a roda”, ou seja, não há mais nada de novo, tudo é uma imitação de algo já existente. Engano nosso. Por mais que o marasmo da vida cotidiana não dispõe de guerras para termos experiências, ou ninguém mais vê necessidade de invenção - pois a humanidade já está servida - existem pessoas motivadas para acrescentar algo. Essas podem ser consideradas gênios, pois além da invenção de algo, ainda foi capaz de passar do obstáculo atual da acomodação. A experiência, por mais difícil que seja alcançada hoje em dia, é capaz, e deve ser levada à diante para constituir mais tarde uma cultura.
Benjamin critica a sociedade do séc XX, fazendo uma relação entre experiência e pobreza. A experiência no sentido de vivenciar todo o desenvolvimento de algo e pobreza no sentido pessoal e intelectual (considerando que a mesma resulta em problemas economicos). Ele inicia o texto exemplificando suas ideias a partir com a parábola onde o velho transmite suas experiencias para seus descendentes e assim deixa seu melhor legado, permitindo o desenvolvimento de sua obra.Na segunda parte do texto, o autor cita os fatos principais do séc. XX, todos relacionadas a experiencias negativas. A partir daí, já é colocada a questão principal da mudança de comportamento da sociedade, para uma construção de um pensamento pobre e “galvanizado”.Depois de contextualizar o texto, Benjamin já inicia suas críticas, citando o desenvolvimento da técnica e colocando ideias que, antes consideradas geniais, para ele servem como “galvanização”, ou seja, fatores absolutamente superficiais que não fomento o melhor desenvolvimento da sociedade. Muito pelo contrário, a partir daí, há um certo comodismo social. A sociedade se contante com o pouco e com as facilidades da vida técnica. Ele desenvolve sua critica com várias exemplos do que hoje consideramos avanços, mas bate na tecla da falta de desenvolvimento pessoal.
O texto é uma crítica sobre a sociedade do século XX, sobre experiência, o aprendizado a partir da vivência, e pobreza, intelectual e cultural. O autor dá o exemplo das gerações anteriores, onde os mais velhos passavam suas experiências verbalmente aos mais jovens. Segundo ele, esse costume de contar as experiências boca a boca perde o efeito depois que a sociedade passa por experiências desmoralizantes, como por exemplo, após a Primeira Guerra. Uma geração que sofreu tanto com a guerra teria muito o que contar para as próximas, mas não consegue, foi uma experiência tão radical que deixou-os desmoralizados, preferindo o silêncio. Benjamin propõe então assumirmos essa pobreza cultural e começarmos a construir do zero.
No início do texto, Benjamin extraiu da parábola do tesouro escondido do moribundo, um conceito de herança de valores, no qual infere que o tesouro não é o bem material, mas sim, a sabedoria. Devido às graves consequências da guerra , o homem viu-se incapaz de narrar suas próprias experiências. Quando autor menciona sobre a busca do artista em recriar, ele conta sobre o aperfeiçoamento de técnicas místicas e espirituais ( ex: yoga) que fugiam do real sentido de experiências pois eram irrelevantes para a criação de novas obras. Partindo da noção de que mudanças causadas por grandes revoluções são observadas numa longa escala temporal, acredito que Benjamin conseguiu observar tais mudanças e quis ressaltar a pobreza da humanidade para dar ênfase à falta de percepção artística num momento histórico repleto de acontecimentos que poderiam servir de inspiração. Segundo Benjamin, apesar do redemoinho que desvinculou a sociedade das tradições culturais, havia um lado positivo, no qual os novos artistas poderiam recriar a cultura do zero.
Benjamin fala sobre uma geração que passou por grandes experiências, como a 1ª Guerra Mundial e a revolução nos meios de transporte e nos sistemas de produção, fome, inflação, porém não consegue transmiti-las. O autor defende que essa passagem foi tão radical e traumática, que extinguiu a base necessária para que as pessoas achassem importante transmitir umas para as outras. A experiência antigamente tinha papel importante de tradição, realização, enraizamento maior das pessoas que geravam uma relação mais autêntica entre elas, entretanto, as experiências ruins causaram uma mudança de pensamento e comportamento da sociedade, e ao invés de uma experiência tão poderosa, teve efeito inverso, as pessoas não falam mais sobre a historia.
Dessa experiência radical, houve uma “angustiante riqueza de ideias”: várias correntes que tentavam de certa forma resolver esse problema, mas não funcionavam. As teorias foram jogadas em cima das pessoas, não vinham a partir de um censo da comunidade. Esse movimento acabou marcando uma época de vazios, em que as experiências passaram a ser algo descartável.
A fim de preencher um vácuo, as pessoas vão à busca de identidades de emergência, mas que não apresentam nenhuma profundidade. Ele explica que essa grande oferta de correntes, ao invés de retratar um enriquecimento, demonstra o nosso desespero, em busca de informações que exerçam um papel que enriqueçam o nosso conhecimento. A todo momento estamos assumindo personalidades diferentes, demonstrando uma pobreza de experiências: o excesso de experiências, portanto, deixa de cumprir o objetivo inicial.
Benjamin defende que vivemos numa sociedade prejudicada, e a primeira atitude deve ser assumir a pobreza em experiências, ao comparar-se com as gerações anteriores, e a segunda é começar do zero, trabalhando a partir da pobreza.
Walter Benjamin, em Experiência e Pobreza, começa seu texto mostrando o significado e o valor da experiência gerada pelo tempo de trabalho na vida de um homem, e de como ela teria sido passada dos mais velhos para os mais jovens antigamente, ato que acaba entrando em desuso. A geração da Primeira Guerra Mundial não pôde receber experiências positivas de quem a viveu, já que essas eram negativas e por isso, desmoralizadas. Com o desenvolvimento das técnicas uma nova miséria surgiu aos olhos do homem do século XX, e essa miséria se apoderou dele. Assim a sociedade se tornou cruel, desmotivada e superficial.
O autor cita diversos exemplos para afirmar que tal sociedade passou a se contentar com pouco. E aí ele entra no conceito de que até as melhores cabeças estavam desiludidas com o tempo em que viviam, mas ainda assim eram leais a ele, provavelmente por não fazerem nada para mudar a realidade que viviam e a história que estavam construindo. O tradicional, solene, dotado de adornos foi deixado de lado e deu espaço às obras cruas e despidas do modernismo, e eu acho que essa é a principal ideia do texto: a de que modernidade produz degradação, pobreza e perda da experiência.
Ao citar a frase de Bretch, “Apaguem os rastros!” e também a frieza e a falta de mistério do vidro, material tão utilizado no modernismo, ele ratifica sua crítica. A nova criação é guiada para que nela não haja rastros e nem hábitos, liberta de experiências, e a sociedade a acompanha com sua pobreza.Benjamim evidencia a clara diferença da era moderna com as anteriores, colocando o séc XX em outro patamar, marcado por suas guerras, seu desenvolvimento tecnológico, e segundo ele a decadência da experiência.
O cenário descrito por Benjamim retrata uma realidade totalmente nova, uma de pobreza de experiência, possibilitando um estado de liberdade, solto das velhas amarras de séculos passados.
As vanguardas, a arquitetura moderna, e tantas outras vertentes modernas são fruto dessa pobreza e inexperiência, abraçaram o estado que a época e sociedade ocidentais se encontravam enquanto a maioria dela continuo presa ao passado.
Benjamim termina com uma alusão para que esses indivíduos passem esse entendimento e que outros embracem a pobreza e os resultados tão distintos que ela pode gerar.