Com a leitura dos texto “Imagens da região dos índios Pueblo da América do Norte” percebesse nos relatos do autor o tanto que a proximidade entre cidade e aldeia influencia os índios que nelas vivem. Podemos perceber influências gregas e da própria sociedade atual nos costumes e cerimônias narradas dos índios Pueblos. A vassoura em um canto da casa, o fato de que uma missa católica é celebrada por um padre na igreja local, mesmo que seja traduzida frase por frase e, segundo o autor do texto, não importando aos que ali estão, o que está sendo dito, os homens representarem nos rituais os papéis femininos, assim como nos teatros gregos. A facilidade de contato do homem com o índio e seus costumes e vice-versa é uma troca social positiva. O homem se considera “mais evoluído” que o índio e muitas vezes parece buscar neles seu passado. Já alguns índios olham o homem e a cidade como espelho, muitas vezes copiando algumas ações, mesmo que essa não faça muito sentido como é o caso da missa. Um outro fato curioso e já faz parte de uma outra análise, a de preservação dos costumes e rituais da aldeia, é a forma como os índios veem os animais. Os animais são divindades, que merecem o cuidado e respeito dos índios, uma vez que os animais são mais completos que os homens. Esse sentimento que os índios tem para com os animais se estende a toda a natureza e acredito que por isso se faça a associação tão mencionada no texto da serpente com os relâmpagos.
Ao ler o texto “Imagens da região dos índios Pueblo da América do Norte” pude perceber como essa sociedade mescla elementos típicos indígenas com a cultura europeia. Ao longo do texto, Aby Warburg, descreve com precisão tudo o que via e que sentia na aldeia Pueblo. A aldeia sedentária ainda possui muitos elementos tradicionais, como a ligação e a devoção pela natureza feita por rituais de danças e cantos. Contudo, as casas são tomadas por objetos de características europeias como vasos cerâmicos, vassouras e bonecos pendurados representando santos. É importante perceber como depois de tanto tempo após a colonização europeia sobre a América, algumas culturas ainda conseguem permanecer, mesmo com a força da influência do velho mundo.
O autor aborda a realidade indígena, seus costumes, sua forma de pensar e agir, e faz uma contraposição com a realidade europeia e outras culturas que ajudam exemplificar suas reflexões.
Primeiramente, ele destaca que os indígenas não diferenciam as superstições da realidade, é uma mistura entre o sagrado e o utilitário, diferentemente dos europeus que possuem uma divisão nítida entre todas as temáticas. O autor exemplifica a ideia analisando que as ornamentações indígenas e seus desenhos corporais possuem um potencial simbólico, uma visão do mundo esquemático, através de padrões geométricos. Ele cita também as danças mascaradas que para eles estabelece uma conexão com a chuva e com a colheita. Dança com serpentes vivas é outra superstição que através dos movimentos, e até do canibalismo, o ser humano passaria a ter as habilidades da serpente. Essa crença pode ser comparada também aos rituais de canibalismo que ocorriam na Grécia, e o ritual da igreja católica, em que se come um símbolo do corpo de Cristo.
Esse simbolismo e conexão entre a crença e o real também é levado para o interior das casas, onde se encontram as mesmas máscaras que ocorrem no ritual, em formas de bonecas decorativas. A união entre o profano e o sagrado ocorre também com objetos utilitários (objetos que possuem simultaneamente utilidade prática e religiosa) o que enfatiza que para esse povo não existe essa separação. Animais (pássaros e serpentes, por exemplo) também são analisados de forma simbólica e geométrica, é feita uma relação entre as coisas palpáveis e um significado, uma crença, uma representação simbólica; é feita uma relação entre a casa, a escada, e os animais (elementos concretos) a simbolismos e elementos sagrados e místicos.
Dentre os vários desenhos feitos pelos indígenas, o autor analisa a interpretação da escada. O ser humano aprecia tanto os animais e suas habilidades (e chega até a imitá-los) que se sentia minimizado em relação à natureza, e encontrou a escada como um objeto de auxílio, para que se tornasse mais forte a habilidoso que os animais. Ao subir a escada , ele poderia chegar ao céu. O autor analisa também o desenho da serpenta, que é vista como uma figura muito importante no universo. Em contraposição com a sociedade europeia, que estabelece normas e ciclos científicos para todos os elementos do planeta, o indígena vê as danças e os cultos como integrantes e determinantes dos fenômenos naturais. Nas danças, o indígena imita os animais para que ele deixe de ser um ser humano e passe ser o animal imitado e ter as habilidades deste. Essa forma de pensar dos indígenas gera um contraste interessante entre o pensamento dos europeus e dos indígenas: os europeus se sentem superiores aos animais, e os índios se acham inferiores, querendo sempre obter as características e habilidades dos animais.
O autor defende que apesar de parecer algo estranho para os europeus, eles possuem em compensação uma visão mais sintética do mundo, e os europeus têm cada coisa em sua esfera: a arte, a tecnologia, e ciência, mas não resulta em um mundo real, como para os indígenas; europeus partem de coisas muito abstratas para chegar à visão de mundo. Segundo o autor, aparentemente o índio encontra-se mais atrasado, contudo, ao se separar as esferas da vida ele parece estar num mundo mais adiantado, e mais próximo à realidade. A partir dessa contraposição o autor questiona se realmente é possível ver uma cultura superior a outra, e como que elas são classificadas hierarquicamente. Apesar de basearmos nossos estudos no contato direto com o mundo, nós estamos perdendo o contato e vendo as coisas muito abstratas, abstraindo a partir do abstrato, o que acabará gerando o fim dos tempos.
--Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "Arte Comparada (turma 2012.2)" dos Grupos do Google.Para cancelar a inscrição neste grupo e parar de receber seus e-mails, envie um e-mail para turma-arte-compa...@googlegroups.com.
RITUAL
Dança da serpente, história cultural, culto e memória. Assim Warburg inicia seu texto a respeito das imagens dos índios Pueblo da América do Norte. O autor expõe, primeiramente, o surgimento desse povo e alguns pontos interessantes de sua cultura. A própria simbologia do movimento de ficar em pé, da mesma forma que o homem tem a ideia de escada, no simples fato de vencer a força da gravidade. Tal simbologia já representa a importância dos animais mais para esse povo, mostrando o homem como ser inferior (muito diferente de outras culturas). Talvez a parte mais representativa do Pueblo esteja relacionada à dança. Considerando a questão dos animais, Warburg destaca a dança como forma de “imitar” animais. “Pode-se dizer que é um darwinismo de afinidades míticas eletivas que determina as vidas desses assim chamados povos primitivos”, essa pequena parte do texto demonstra como nos índios atribuem a questão dos animais de forma diferenciada. Quando coloca a dança com máscaras, o que se vê é um vínculo entre o povo e os outros seres com os quais convivem. Com a máscara o índio perde sua identidade, uma despersonalização, ou seja, não é uma mera imitação, é o homem se colocando como inferior aos animais. Ao considerar e comparar formas de dança, o autor acaba por criar uma escala evolutiva da forma de dançar, de mimese, de pegar e comer o que é valorizado, e o de pegar e soltar o elemento simbólico. No caso do povo em destaque, seu principal elemento seria a Serpente. No Ritual, a serpente é o raio, servindo para trazer chuva ao povo. Como o processo de dança e representação, o povo cria uma fusão entre ele e a serpente. O ponto principal chega: A representação da serpente não só para o povo escolhido, como também, para outras culturas. Serpente na Grécia antiga, em Tróia, como símbolo do antigo testamento, da medicina, dentre outros.
Neste texto, e após um pouco de conhecimento sobre as condições do autor ao escrevê-lo, pode-se perceber que se trata da relação da arte de acordo com a experiência de cada um mas sem que se limite a cultura especifica de um povo, sem o filtro de um homem de uma visão mais europeia e mecânica, por exemplo, uma das coisas que mais ganhou a atenção do autor é a simbologia por trás da cobra, ele não a vê como um simples ornamento, mas sim como algo de maior profundidade, assim, mesmo que o texto tenha descrições mais técnicas ou físicas deste povo, o autor dá um grande espaço para observações pessoais das relações do povo e sua cultura e vai além, falando sobre o homem de modo geral e o seu trato do mundo.
Com o estudo da cultura ocidental , Warburg sintetizou a experiência básica da humanidade através dos símbolos indígenas. O pesquisador conseguiu fazer uma inversão de perspectiva para descrever a cultura de imagem . O autor descobriu no modo de vida dos índios, a existência de um polo racional e um polo mágico. Aby Warburg declarou que os índios usavam os símbolos para dominar e orientar o caos. Tal observação somada ao darwinismo, fez com que o Warburg concluísse que a nossa cultura também sempre viveu entre o mágico-religioso e o lógico-racional. Para o autor a civilização das máquinas estava destruindo o que a ciência natural havia conquistado, e a tecnologia estava causando um triunfo da racionalidade sobre o pensamento mítico. Achei interessante a associação de símbolos, por exemplo, de acordo com a Warburg, as serpentes são, ao mesmo tempo, o símbolo da força de destruição do submundo e que da imortalidade e do renascimento.
O autor também mostra como ornamentos que aos nossos olhos seriam meramente decorativos, para eles são carregados de simbologia e significados. O pote cerâmico que carregam a água, por exemplo, tem um valor religioso enorme, já que é feita a analogia com a seca, momento de grande dificuldade para a comunidade. Assim eles criam uma relação muito rica entre imagem e signo.
Ele cita vários exemplos de rituais que poderiam ser vistos pela nossa sociedade como pura supertição ou coisas do gênero, mas que para eles são momentos muito importantes e sérios. A dança da máscara, por exemplo, não é um ato festivo. Nela o caçador se transforma em presa com objetivo de estar melhor preparado para capturá-la, já que poderá conhecer melhor o seu oponente. Este é um bom exemplo de que nesta sociedade, a magia e a tecnologia desenvolvida por eles andam juntos, o que é um grande diferencial. Eles se encontram num meio termo: não podem ser considerados “ocidentais tecnologicamente seguros”, mas claramente não se encaixam como uma sociedade primitiva.
Após descrever rituais e danças dos índios, ele descreve rituais da mesma natureza que aconteciam na Grécia, mas que no fim das contas eram tão simbólicos quanto os dos Pueblo mas com traços mais agressivos. E assim ele relaciona o paganismo e homem moderno, mostrando o que há em comum entre elas.