7º DIA – 25/07/2011: BR 354 até Acampamento Massena.
Amanheceu
meio nublado com temperatura amena de 7 ºC. Tomei o café da manhã,
desmanchei o acampamento e parti por volta das 8h estrada acima.
A
BR 354 neste trecho de Itamonte MG para a Garganta do Registro é
bonita, porém não tem acostamento o que exige atenção de quem for
caminhar lá.

Por
volta das 08:30 cheguei a Garganta do Registro, onde há a entrada para a
parte alta do Parque Nacional Itatiaia e a divisa MG/RJ.


Na
Garganta do Registro há um local para comprar lance ou algo do genero.
Facilmente se consegue alguma carona para Itamonte, RJ ou para a
portaria do parque. Porém, eu decidi ir a pé até a portaria.
Exercício puro de sado masoquismo se levar em conta a possibilidade fácil de carona.

A
estrada compensa todo esforço extra! Caminhar com mata nativa de
altitude em ambos os lados, ver a fauna e paisagens é muito
gratificante.
Por volta das 10h parei em uma bica e resolvi que era o dia do banho e de fazer a barba!
Apesar dos 10 ºC de temperatura me meti embaixo da água que devia estar menos do que isso inclusive!
Eu
estava na minha e vi o momento que uma Jaguatirica passeava
tranquilamente pela estrada. Decidi tirar uma foto para registrar o
momento, mas foi só o animal escutar o barulho do zíper que disparou
mata adentro.
Após um belo de um banho (o último até chegar no RS 4 dias depois), segui a estrada com seus pontos mais conhecidos.


O almoço foi no patio do antigo Hotel Alsene, o feijão com arroz que sobrou da janta do dia anterior que ganhei.

Cheguei por volta de 12:25 na portaria do parquet com 1 dia de antecedência para minha reserva.


No
momento que cheguei ao posto da entrada do parque já pedi para carregar
a bateria da câmera fotográfica (leva 90 min), então tive bastante
tempo para conversar com os guardas parque.
Falei sobre de onde
comecei a travessia e que tinha subido a pé desde a BR 354. Um dos
guardas me disse que segundo uma portaria o acesso a travessia Rui Braga
só poderia ser dado até 10h.
O outro guarda com quem eu conversava com um tom de desaprovação disse ao colega que:
-
Olha o cara, tá com GPS e vem fazendo todas as travessias difíceis e
sozinho. Você acha que ele vai ter problema de chegar no Massena ainda
hoje?
Fiquei
com a moral lá em cima já que elogio partiu de montanhista experiente
como o guarda parque é. Efetuei o pagamento da taxa que é seguramente
honesta pela utilização da trilha de 2 dias e acampamento selvagem.
Cerca de R$ 18,00.
Sem dúvida que é muito barato perto do prazer
de estar realizar uma travessia no parque nacional mais antigo com toda
sua história no montanhismo nacional.
Me despedi do amigo que não
lembro o nome, mas é o dono da caminhoneta da foto acima. Parti
caminhando por volta das 14:15 pela BR mais alta do Brasil e diria uma
das piores também. Infelismente a parte alta do parque esta abandonada,
um verdadeiro descaso!



Em
30 minutos de caminhada já estava no Abrigo Rebouças onde já é
permitido pernoitar no seu interior ou acampar para quem quer fazer as
trilhas/escaladas das Agulhas Negras ou Prateleiras.


Não
era meu caso de ficar acampado por ali, já que carregar cadeirinha,
corda, mosquetões por todo caminho estavam fora de cogitação. Estes
equipamentos são necessários e obrigatórios para a escalada segundo
normas do parque. Ficará para uma próxima oportunidade.
Continuei pela precária estrada que tem vistas muito bonitas para cachoeiras, Agulhas Negras e Prateleiras.


Na foto abaixo ao fundo Agulhas Negras 2789 metros.

No
detalhe da foto a erosão provocada ao longo de milhares de anos pela
ação de vento, chuva e geleiras. O nome agulhas negras vem por causa
dessa formação diferenciada.

A região é muito parecida com as Dolomitas na Itália.
Segui a estradinha que faz a ligação entre a parte alta e baixa do parque, chamada de Travessia Rui Braga.


No começo da descida já é possível ter alguma vista para Itatiaia RJ. E começam aparecer algumas antigas construções de abrigos.


Antes
de chegar no Abrigo Massena há o ponto de captação de água. Ao se
deparar com o grande Abrigo Massena fiquei imaginando como teria sido
seu passado já que o local é enorme. Imagine ele cheio na década de 60!




Sem contar que deve ter sido dificil de contruí-lo! Uma verdadeira lastima este abrigo abandonado ao tempo!
Com
a aproximação do final do dia e sozinho no local resolvi acampar numa
casa abandonada próxima do abrigo por este ter uma vista bela para a
planície abaixo e represa de Furnas.



Com
o por do sol a temperatura despencou para 4 ºC, mesmo com o vento deu
para curtir uma bela visão noturna após a janta para as cidades próximas
como Itatiaia e Resende RJ.

Dados do sétimo dia:Distância percorrida: 33,49 Km
Altimetria acumulada aclive/declive: +1689 m/-1113 m

8º DIA – 26/07/2011: Acampamento Massena até rodoviária Itatiaia RJ.
Essa
noite foi a mais fria que enfrentei, certamente a temperatura baixo
para próximo de zero grau. Acordei algumas vezes a noite com frio, não
pelo saco de dormir que usei um Deuter Trek Lite 300 com extremo de -18
ºC. Mas sim devido ao isolante térmico de 6 mm que já não suportava mais
isolar o meu corpo do chão frio.
Houve formação de geada fraca e a barraca teve o orvalho congelado.


8h
depois de um café da manhã rápido e muita prática já para desmontar o
acampamento parti para a última parte da Travessia da Transmantiqueira,
descida até a cidade de Itatiaia RJ.

Ainda fui dar uma olhada no Abrigo Massena.

Seguindo a trilha a partir do abrigo montanha abaixo curtir o último visual antes de entrar na floresta montana.

A trilha na mata é bem nítida e por vezes bem batida, impossível se perder bastando seguí-la.

Não dá muito tempo de caminhada e já se chega no Abrigo Macieiras.

A
trilha depois do abrigo Macieiras fica um pouco mais larga e começa a
fazer zig zag para diminuir o aclive para quem sobe. Eu que estava
descendo acabou ficando um pouco monótono, afinal já estava acostumado a
ganhar e perder muita altitude em pouca distância.
Sozinho, não
havia ninguém com quem conversar e o barulho que eu fazia me deslocando
era mínimo. Acabei por encontar um bando de macacos Monocarvoeiros no
meio da trilha. Fiquei parado os observando até que uns 4 minutos depois
um deles me viu e o grupo todo então fez a maior baderna!

A
paisagem do local é bonita e com a proximidade do parque na parte baixa
já escutava cachoeiras e via mais fauna como o caso de um grupo de
Saguis na foto abaixo.


Enfim 11:37 cheguei as piscinas do Maromba! Muito bonito o local e uma água clara num tom esmeralda. Show de bola!


Essa parte baixa do parque é muito frequentada por casais e familias e eu era o único montanhista perdido por lá.
Chegava
a ser insuportável ter que ficar fazendo a trilha até a Cachoeira Véu
de Noiva atrás das pessoas “mais urbanas”, sem contar que eu estava com
uma mega mochila e ia muito mais rapidamente de um lado pro outro.
Pelo menos valeu a pena enfrentar a fila indiana dos turistas!

Quem
vai nesta parte do parque na sua grande maioria é de carro. Indo a pé
deu para curtir cada detalhe da fauna e flora do local. É um passeio
agradável e belo, recomendo!



Por
volta das 13h cheguei ao centro de visitantes do parque, local bonito,
recheado de informações sobre o parque, fauna e flora. Além da parte do
histórica do montanhismo.


Visitei
o que me interessou e como já passavam das 13h decidi que o melhor
local para fazer meu almoço seria ali no pátio do centro de visitantes.
Escolhi um local a dedo, melhor impossível! Banco, gramado impecável e
sombreado.
Já estava com a panela cheia de comida e pronto pra
acender o fogareiro quando chegou um guarda parque dizendo que não era
permitido fazer fogo de qualquer espécie no parque. Me admirei!
Na
parte de cima do parque não havia nenhum problema quanto a isso e
segundo relato do guarda parque da parte alta a temperatura mais baixa
do ano foi -12 ºC. Fogareiro nesses casos é questão de sobrevivência.
Tentei
argumentar que o fogareiro era muito seguro, etc. Porém, sem chance.
Menos mal que ele me emprestou o fogão dos funcionários. Talvez uma
falha de comunicação ou de conhecimento do guarda, mas ele foi muito
gente fina no tratamento.
Inclusive ele me perguntou se eu era o tal famosos cara que estava fazendo a transmantiqueira toda a pé.
As noticias se espalhavam rápido por lá!
Enquanto
isso reparei num ônibus amarelo que descia a estrada e perguntei para
onde ia. Me disse que era o do parque e deixava em Itatiaia!
Já era o busão! Pensei comigo, vai tudo a pé mesmo!
Depois da despedida ali do centro do visitante continuei estrada abaixo e parei no belo Mirante do Último Adeus.


Novamente
na Estrada encontrei uma bica legal e aproveitei para abastecer o
reservatório com água e mais abaixo ver um Jacú caminhando calmamente na
estrada.


Emfim cheguei a portaria do parque Nacional de Itatiaia e segui adiante já que meu rumo era a rodoviária de Itatiaia.


Da
portaria do parque até a cidade de Itatiaia são alguns poucos
quilômetros sem dificuldade de orientação. Cheguei na rodovia Dutra e
ali do meu lado já era a rodoviária.
Próximo ao local, cerca de
500 metros há dois mercados onde eu comprei mais comida para os outros
dias que seriam na Serra dos Órgãos.
Retornei a rodoviária,
comprei a passagem para 17h para a Rodoviária Novo Rio – Rio de Janeiro e
aguardei cerca de 1 hora até o ônibus chegar.
Por volta das
20:20 cheguei na rodoviária Grande Rio e já comprei passagem para
Petropólis daqui 10 minutos já tinha a partida do próximo ônibus. Há
ônibus a cada 15 ou 30 minutos para Petropólis.
Se não me engano
cheguei a Petropólis por volta das 22h. Na rodoviária mesmo comprei uma
passagem de um ônibus municipal para a rodoviária de Correias e de lá
embarquei em outro ônibus para Bonfim.
Cheguei às 23h lá em
Bonfim sem conhecer nada, o local era muito mal iluminado e ninguém na
rua. Sorte minha que tinha no GPS a direção para onde ir e a lanterna de
cabeça para iluminar o caminho.
Fui direto até a portaria do
Parque para ver se conseguia um local para acampar, mas não havia
ninguém lá. Tentei as pousadas e campings que existem ali por perto, mas
estavam todos com as luzes apagadas e portões fechados com cadeados.
A
topografia do local também não ajudava em nada para acampar, por fim
achei uma plantação de bananas num barranco para cima e lá em cima dele
uma parte mais plana.
Enfim, morto de cansado e já era meia noite decidi bivacar embaixo de uma bananeira! Pelo menos era macio!
Todas as fotos da Travessia Transmantiqueira Completa toda a pé de Piquete SP até Itatiaia RJ:
http://www.flickr.com/search/?s=rec&ss= ... ira&m=textDados do oitavo dia:Distância percorrida: 30,98 Km
Altimetria acumulada aclive/declive: +365 m/-1822 m

9º DIA – 27/07/2011: Portaria do PARNASO Petropólis até o Abrigo 4.
A
madrugada teve temperatura muito amena perto do que enfrentei na
Mantiqueira. Às 05:30 acordei tendo em vista que queria sumir da
propriedade de alguém antes de alguém me ver.
Recolhi os
equipamentos, tomei o café da manhã e às 06:36 já estava defronte a
portaria do parque esperando ele abrir. O que aconteceu somente às
07:30.


Apesar
de ser no meio da semana achei um pouco pouco salgado o preço da
entrada, principalemente para os estrangeiros. Imagina o turista da
Argentina, Uruguai e Paraguai que tem moeda desvalorizada pagarem 2,5
vezes mais que um brasileiro comum?

Fica meio caro para eles...
Na
portaria fui perguntado quantos dias eu ficaria dentro do parque,
estava em dúvida entre 2 ou 3 dias. Mas me lembrando dos relatos que eu
li que a travessia clássica levaria 3 dias e eu estava bem mais rápido
que isso, resolvi pagar por apenas 2 dias. No final das contas foi a
decisão mais certa, pois levei um dia e 1 manhã da portaria do parque em
Petropólis até a rodoviária de Teresopólis (+- 35 Km).
A
caminhada inicia-se na portaria do parte em trilha muito bem marcada e
sinalizada. Não há dificuldades para percorrer ela. Algumas
recomendações são sempre bem vindas.

A
trilha vai subindo a serra e praticamente não há muito o que fazer
pausas até o Mirante do Queijo, senão por uma bela cachoeira no meio da
mata:

Belíssima vista do Mirante do Queijo:

A
partir do Queijo já dá para ter uma noção da subida que ainda há pela
frente via Ajax onde há o último ponto de captação de água antes dos
Castelos do Açu.

Durante a subida é possivel ver o morro Alcobaça, 1800m.

Depois
da subida mais desgastante da travessia já se esta no “topo” da serra, a
navegação fica mais difícil. É necessário seguir os poucos totens de
pedra nas lages de pedras e o capim batido das trilhas entre essas
lages.


Logo
se esta de frente ao Castelo do Açu e ao lado da Cruz do Açu. É
importante frisar que no local desta ocorreu há muito anos atrás a morte
de um grupo de pessoas atingidas por um raio.


Na
travessia normal de 3 dias o primeiro acampamento é no Castelo do Açu
ou no novo Abrigo 2. Porém, como acabei chegando ao Castelos do Açu às
10:43 considerei que era muito cedo e cansativo esperar e acampar ali.
Dei
uma volta para conhecer o local que tem um abrigo construído com pedras
para poucas pessoas (é bem apertado), no labirinto de pedras cabem mais
pessoas e o espaço em volta tem algumas clareiras para barracas. O
local tem um pára raios para proteção das pessoas que ali acampam.



Depois
de encontrar com um grupo de bombeiros que realizavam um Curso de
Resgate em Montanha no Castelos do Açu fui conhecer o novo Abrigo 2.
Contruído
rapidamente com boa parte dos materiais trazidos de helicóptero ele
estava com poucos hospedes, afinal era durante a semana. Só o cara que
cuidava do abrigo me perguntou o que eu fazia ali naquele horário das
11h da manhã. Muito cedo para acampar!


Como
tinha tempo batemos um demorado papo sobre o local e abrigo que agora
conta com banheiros para que todos montanhistas façam suas necessidades
ali e evitem de poluir o solo.
Me despedi e fui na direção do Vale da
Luva, onde fui informado que encontraria mais água e seria um bom local
para fazer o almoço. E não tive dúvidas que foi ali antes de começar a
subida que fiz o meu almoço com uma bela vista.

Fiz
o meu almoço bem demorado (1 hora), com tempo deu para secar o saco de
dormir e a barraca que se encontravam úmidos dos acampamentos dos
últimos dias.
A subida da Luva é cansativa, mas o visual do seu topo é sensacional!


Um pouco mais adiante tem aquele famoso ponto com a melhor vista da travessia!


Recentemente soube que minha foto abaixo foi escolhida entre as mais bonitas no I Concurso de Fotografia do PARNASO:

Se dúvida que este mirante é o mais espetacular da travessia e que a vista para o Pico do Garrafão é a mais bela!

Agora
basicamente eu tinha uma longa descida até antes do famoso Elevador. Um
conjunto de inúmeros degraus de ferro colocados na rochas que não
chegam a dar medo, mas dão uma canseira de subir com mochila cargueira!

Após
o Elevador chega-se no Vale das Antas onde há água potável e algumas
pequenas clareiras de acampamento de emergência. O visual durante o
Elevador até o Vale das Antas continua belo.


Depois
deste belo trecho vem a cansativa subida do Morro da Baleia! Subida
razoavelmente acentuada e muito longa, bem desgastante.


Depois
do topo do Morro Baleia há uma pequena descida que exige atenção na
navegação e cuidados redobrados já que existe uma rampa íngreme. Quanto a
navegação eu tinha o meu GPS que me indicava a proximidade com o famoso
Cavalinho e pelo visual adiante já estava esperando por ele
asiosamente.

Na
foto abaixo já se tem uma noção de onde a trilha passará, que é pelo
local mais difícil e subindo é claro (trecho de mata verde subindo o
morro a direita).

Durante
a descida e começo da subida encontrei com um grupo de 10 pessoas, uma
familia interia fazendo a travessia. Sensacional, visto que no RS nunca
vi nada parecido. Alguns deles tinham grande experiência com os quais
troquei uma idéia rápida.
Já que o grupo andava mais devagar passei a frente deles para esperá-los no topo do Cavalinho (foto abaixo).

Subi
o Cavalinho sem dificuldades e soube o por que do nome: pois na parte
superior há a pedra que você monta e fica igual a uma pessoa em cima de
um cavalo. Pelo relatos que li e comentários achava que fosse alguma
coisa muito difícil, mas sinceramente foi até uma decepção. Para que tem
experiência com trilhas e não tem medo de altura é muito fácil!
Bom, fiquei no topo dele para observar o grupo subir. Alguns com o medo estampado no rosto!
Já a pessoa mais experiente do grupo ao saber que sou de Santa Maria RS me disse:
- Quem escala em arenito sobe qualquer coisa!
Bom,
não sou escalador mas vivo realizando trilhas no basalto molhado e
escorregadio igual a um sabão! O granito seco então era literalmente uma
lixa, poderia subir rampas de 70º de inclinação facilmente.

Após o Cavalinho ainda há uma subida bem inclinada até o topo da Pedra do Sino (2263 metros).
E que se diga que o visual lá do topo vale todo esforço!





No
topo da Pedra do Sino ventava muito, já era 16h a temperatura era de 9
ºC fora a sensação térmica. Só fui notar a temperatura por causa de um
casal (1 carioca e uma francesa), muito agasalhados que estavam com frio
lá. E eu de camiseta dry fit e calção de banho...

Fiquei
mais uns 20 minutos parado apreciando a paisagem e comecei a descer a
trilha até o Abrigo 4. Encontrei o casal perdido na trilha, isso que
estavam com um belo modelo da Garmim (se não sabe usar um GPS não
adianta nada levá-lo). Ajudei-os guiando até o Abrigo 4 sendo que nunca
fiz esta travessia. Mas após 9 dias me guiando tudo era tão intuito!
Cheguei
no abrigo e já repassei meu nome ao Geovani (Nômade Trilhas), que é um
dos que cuida do local. Montei minha barraca e tentava explicar de onde
eu era e o que estava fazendo para espanto geral de todos, menos deste
cara. Pois depois que vi as aventuras que ele fez me tirou o título de
louco, ainda bem!
O
mais legal de ter acampado ali no Abrigo 4 é que você encontra
montanhistas experientes ou não. Por não ter muita gente lá pode trocar
idéias com todos. O que é excelente! Gostei bastante das conversas que
tive, é uma pena que aqui no RS não exista nada parecido.
Durante
o final da tarde a temperatura caiu para 4 ºC, alguns foram olhar o por
do sol. Eu já havia me cansado de ver tanto por do sol e o da Pedra da
Mina já tinha sido inesquecível. Fui conversar dentro do abrigo com sua
fraca luz alimentada por um gerador eólico!
Lá
pelas 20h fiz minha janta e conversei com um grupo que estava chegando
vindo de Teresopólis, bem iniciantes, cheio de vontade, inexperientes e
querendo fazer a travessia completa. Não tive dúvidas e dei meus Xerox
do livro do Guilherme Cavallari sobre a travessia. Tomará que tenha
ajudado!
A noite foi de um belo sono!
Dados do nono dia:Distância percorrida: 19,84 Km
Altimetria acumulada aclive/declive: +1898 m/-728 m

10º DIA – 28/07/2011: Abrigo 4 até a rodoviária de Teresópolis RJ.
Em
mente eu tinha que chegar cedo na rodoviária de Teresópolis neste dia
para embarcar para o Rio de Janeiro o quanto antes. Pois, precisava ir
para o RS ainda.
Pelas 07:40 eu já estava partindo, bem antes do que todos!
O
tempo estava bom e havia algumas nuvens que nada prometiam. Enfim
estava só preocupado com o tempo da descida que são 3 horas na passada
mais rápida.
A trilha para descer é bem batida, bonita e suave (para quem desce).


Volta e meia havia turistas que sobem até a Pedra do Sino por esta trilha, me perguntando: quanto falta, falta muito?
Com
o altímetro no pulso, meu tempo de deslocamento e 9 dias de prática. Já
ia dizendo a todos a distância e quantos metros para subir na vertical
que faltava para o objetivo, claro que os deixando pensativos com
informação diferenciada. Afinal é mais comum alguém dizer +- quanto
tempo falta.
Com tempo bom dá para ver a morraria que há na região e ao fundo o Parque Estadual dos Três Picos.

Descendo um pouco mais há uma cachoeira na qual apeteceria um banho se estivesse mais quente.

Na
parte baixa do parte há diversas opções de trilhas. Encarei a trilha
que vai para o Mirante do Dedo de Deus e valeu muito a pena!

Ao
final da trilha da Pedra do Sino cheguei num ponto onde as pessoas se
preparavam para subir e realizar a travessia. Me vi "9 dias antes" na
cara de receio de alguns antes de subir a montanha...

No
centro de visitantes (muito bonito e cuidado), aproveitei para ir ao
banheiro (limpo), dar uma tapa no visual e fazer a barba antes de pegar a
estrada por 40 horas até em casa.
Perguntei para que direção era
a rodoviária e não perdendo o costume fui a pé. Deu 5,3 Km da portaria
até a Rodoviária, na qual cheguei por volta das 12h.
Tratei
comprar a passagem para o Rio de Janeiro que era vendida de 30 em 30
minutos. Almocei num restaurante pequeno ali por perto.
Finalizei meu
trekking com a certesa de dever cumprido e sensação que foi uma das
melhores aventuras da minha vida, inesquecível!
Posso
dizer que ao final desta grande travessia eu me sentia muito melhor do
que quando comecei, cheio de dúvidas e incertesas se conseguiria.
Fisicamente no final dela eu me sentia muito melhor do que quando
comecei tive a impressão que poderia repetir a travessia por mais 3
vezes sem problema!
Talvez por que perdi 3 Kg durante esses dias e a mochila já pesava alguns quilos a menos!
Para
quem tem vontade de fazer a mesma travessia, meu conselho: VÁ! São
algumas das melhores travessias da América do Sul e não devem nada para
Torres del Paine e El Chaltén!: confiável (não vai deixar na mão), resistente, confortável para carregar bastante peso e possui todos ajustes.
:
confiável, leve (2 Kg), resistente (aguentou de tudo), confortável (1
pessoa e todo equipamento com folga), não tive problema para montar ela
em nenhum lugar.
: leve (de plumas com 900 g), conforto de -2 ºC e extremo de -18 ºC (não passei frio), não pode molhar senão perde a eficácia.
: leve (180 g), suportou bem a temperatura, carreguei ele dentro da mochila para não rasgá-lo.
: confiável, leve (78 g com pilhas), boa potência e ótima duração (até 140 h).
: além do horário, barômetro e altimetro (funcional desde que aferidos com regularidade).
: mesmo não tendo antena de alta sensibilidade funcionou perfeitamente e utilizei apenas 2 pares de pilhas durante os 10 dias.
:
confiável, versátil (reabastei ele 2x em posto de gasolina), tem
aparador de vento e econômico (mas pesado +- 500 g). Levei fosforos e
isqueiro.
:
melhora o desempenho através de um radiador economizando combustível,
anti aderente (fácil de limpar mesmo com capim), e leve (alumínio e
titânio).
: leve, ideal para uma pessoa e não esquenta demais as mãos.
: leves e funcionais.
: boa para cortar algumas das taquarinhas que trancavam a trilha.
: confiável, boas funções como abridor de lata e perfurador.
: confiaveis, usei 1 de 35L para minhas roupas e objetos e outro de 13L para o saco de dormer.
: compacta, cumpriu a função, levei o carregador da bateria e 2 cartões de memória.
: práticos, confiável (Deuter), usei para o transporte de água nas travessias Marins x Itaguaré e Serra Fina.
: protege a mochila durante o transporte e serve como uma capa de chuva interna para proteção dos objetos na mochila.
: bom organizador, levei um kit de primeiros socorros com as tralhas básicas.
:
linha, agulha, cola super bonder, pedaço de alumínio improvisar tala na
vareta da barraca, tecidos de poliéster para remendo da barraca ou
mochila e fita silver taipe.
: leve, confiável, ajudou muito durante a travessia.
: confiável, necessário e leve.
: leve e potente, obrigatório se fores se aventurar só.
: 1 de poliéster para a trilha (resistente), e 1 de telinha mesh para acampamento e viagens.
:
levei 1 blusa que usei na trilha e acampamento, 1 calça que usei só no
acampamento (dispensável), 1 par de luvas que nem usei (dispensável).
: 1 dry fit para o trekking (secagem rápida), e 1 para o acampamento e viagem.
: usei só no acampamento (dispensável).
: usei só no acampamento, leve.
: confiável e necessário.
: de motoqueiro que se compra em câmelo (R$ 20,00), boa para uso em caso de trilha com chuva e frio.
: leve, quente e adequado aos locais.
: 1 sunga para o trekking (secagem rápida), 1 cueca para viagens e acampamento.
:
1 par de meia Light Hiker Lorpen para o trekking (evita bolhas,
resistente, secagem rápida), e 1 par de meia Heavy Trekker Lorpen para
acamapemento e viagens (muito quente).
: confiável, boa para uso pela manhã para não molhar a bota por dentro por causa do orvalho.
: boa para acampamento.
: boa para viagem e acampamento, porém não usei muito (dispensável).
: usei na trilha, pois é leve, de secagem rápida e confortável.
: boa para uso na chuva ou campo com orvalho evitando que a água entre na bota, porém quente demais para uso durante a tarde.
: confiável, confortável, impermeável e com ótimo grip (solado Vibram).
: leve e de secagem rápida.
: protegeu bem o branquelo aqui.
: para tratamento da água, econômico, levei num frasco de colírio (pequeno).
: para evitar que a pele dos lábios rachasse.
: ótimo para transportar o dinheiro e documentos com segurança.
:
usei o Xerox dos roteiros do livro (Marins x Itaguaré, Serra Fina e
Serra dos Órgãos), como backup de segurança se o GPS falhasse.
: prática, leve e boa para variar o cardápio durante trekking longo.
: papel higiêncio, escova de dentes, barbeador, pedaço de sabonete, desodorante, liquido e estojo de lentes, shampoo.