----- Original Message -----From: divanei goes de paulaSent: Saturday, February 04, 2012 11:37 PMSubject: [T&T] 200 l /h /m2 , que porcaria é isso ?
Olá pessoal !
Fui na Decatlon de Campinas ver se encontrava uma barraquinha super leve para comprar. Sempre ouvi falar de tantos milimetros por coluna de água( EX: 2.000 mm/ por coluna de água). Então aprendi que quanto maior o total de milímetro , mais resistência a chuva, estou certo ? Mas as especificações das barracas que estavam lá , na sua maioria Quechua dizia :
450 l / h /m2 . Eu não entendi nada e os vendedores cabeçudos não souberam me explicar, cada um dizia uma coisa. Então gostaria de saber qual a relação comparando estas novas especificações com as antigas . Lá tinha uma barraquinha da Trilhas e Rumos, Bivac 1 ( 2.000 mm de coluna de água), alguém saberia me informar se esta barraca é boa e se compensa o custo benefício, já que ela estava custando cerca de 320 reais e pesa 1700 gramas. Encontre também uma Quechua do mesmo modelo, só que para 2 pessoas( 450 l/h/m2 ).Alguem pode me ajudar ? Um abraço a todos.
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Fala Divanei, blz?Essa Decathlon quer inventar a roda viu. Para que ajudar se eles podem complicar não é.
Essas especificações de 450l/h/m2 quer dizer 450 litros por hora em 1 metro quadrado, mas já li 2 explicações sobre esses valores.l
Divanei..
Dei uma fuçada nas especificações de impermeabilização de barracas e espero poder ajudar a esclarecer algumas duvidas. Antes, porém, gostaria de dar minha opinião sobre a Bivac da Trilhas e Rumos: é uma barraquinha decente, melhor do que as populares de super mercado, mas para por ai. Acho pesada (1,7 kg) para o padrao de barraca de 1 pessoa, não é auto portante, não tem avancé decente e já vi gente apanhando para montar (mas isso é traquejo), 2000mm de resistência a chuva acho não muito adequado (veja o pq abaixo), em suma, particularmente não recomendo. Comparando com congêneres importadas deixa muito a desejar. Se vc não quer arriscar e comprar alguma gringa pela internet a Bivac pode servir, mas está longe do ideal.
Quanto às especificações: como a normatização desses e outros equipamentos não é obrigatória no Brasil, não dá para confiar muito nos dados dos fabricantes brasileiros, sem querer desmerecer gente séria, que imagino existir por aqui, primeiro ponto. Já vi saco de dormir da Curtlo vendido como especificado para uso em -5 graus que, de fato, indicava nas entrelinhas que era a temperatura extrema suportável, situação de alto risco, enquanto o correto seria constar a temperatura da zona utilizável normalmente, zona de conforto. Como não existe exigência legal, nem normatizaçao tipo Imetro, o fabricante usa o critério que mais lhe convem ($$$), isso considerando que fizeram os tais testes. Nesse aspecto, se voce pegar um equipamento europeu ou norte americano as especificações são mais confiáveis, ressaltando que não tenho complexo de inferioridade de país colonizado, mas acredito que muitos dos nossos capitalistas ainda tem a mentalidade dos colonizadores... No caso da Quechua, uma das marcas da Decatlon, se o produto for importado, as normas obedecidas serão europeias, bem rigorosas e de normatização obrigatória (diferente daqui). Lá são produtos baratos comparativamente a outros fabricantes, mas são honestos, até por conta da lei. Em geral, feitos por empresas de grande prestigio nas suas áreas e que produzem no sistema OEM com marcas próprias da Decatlon. Por exemplo, alguns modelos de mochilas como a Bionasay, são produzidas pela Simon, uma tradicional marca francesa de produtos de montanha. Tenho uma delas, de ótima qualidade e barata (mesmo aqui no Brasil). Também tenho um saco de dormir S5 Ultralight Quechua (e 2 outros de pluma) que atende a todas as minhas necessidades de Brasil e que são vendidos com especificação para uso até 5 graus de temp (zona de conforto), mas q suportam até -5 graus no extremo).
Voltando ao que interessa: as medidas de impermeabilização das barracas (resistência à coluna d’agua) expressas no Brasil, entre outros problemas, são incompletas, explico. O tecido utilizado em barracas, composto de fios cujas tramas são vedadas com impermeabilizantes, a resistência a entrada de água virá dessa película que deverá suportar uma determinada pressão de “coluna d’agua”, mas somente por algum tempo, ou seja, as especificações ideais deveriam sempre vir acompanhadas da unidade Tempo (minutos, horas..). O exemplo da Quechua é o caso: 450 litros/hora/m2 que pode ser traduzido como 4500mm. Como? Essas especificações seguramente vêm das utilizadas em pluviômetros, equipamento para medida de chuvas. A “coluna d’água” das barracas seria a altura pluviométrica, que normalmente é expressa em milímetros e essa altura pluviométrica (= coluna d’água) é dada pela relação volume precipitado de chuva/área de captação, isto é, “..se 1 litro de água for captado por uma área de 1m2, a lâmina de água coletada terá a altura de 1mm. Em outras palavras, 1mm = 1L / 1m2”. Nas medições pluviométricas normalmente se utiliza o tempo como parte da unidade (mm por dia, mês, ano, hora..). No nosso exemplo, a Quechua de 450L/h/m2, equivaleria a 4500mm da outra, só que é uma especificação mais honesta, pois menciona a unidade de tempo, a hora. Por questões “mercadológica$”, os outros fabricantes omitem a unidade de tempo, então não dá pra saber se as barracas suportam 2000 mm (200 litros por m2) como na Bivac, durante 1 segundo, 1 minuto, 1 hora, 1 ano, 1 século..., lembrando que quem suportará tal pressão é a película impermeabilizante entre as tramas dos fios do tecido.
Acabei me prolongando “um pouco”, mas essas infos talvez possam ajudar um pouco quando formos escolher nossos lares temporários...
abs
Faltou comentar uma coisa: nível de impermeabilização não tem muito, ou quase nada, a ver com o tipo de barraca, conforme sugerido. O motivo é o peso, capacidade e destinação da barraca. As grandes não tem quase preocupação com peso, em geral são feitas para camping e transportadas em carros, mulas.. e por isso podem ter quilos e quilos a mais de impermeabilizantes que praticamente “plastificam” a barraca... Já as pequenas e leves, para trekking e montanha, economizam ao máximo no peso e os impermeabilizantes tem que ser películas finíssimas, leves, eficientes e, em geral, custam bem mais caros. Por fim, não acredito que a Bivac seja uma barraca feita para montanha, mas sim para trekking em geral, pois as de montanha (modelos incomuns por aqui) são muito bem estruturadas (tipo as geodésicas) e projetadas para suportar fortes ventos. A Bivac deve aguentar uns chuvões e olhe lá, já que é pouco estruturada e suporta “somente” 2000 mm de coluna d’agua. Quanto aos ventos em lugares expostos, com certeza eu não me exporia... Desculpem se não fui muito condescendente com a coitada, pois não levei em conta a questão da faixa de preço. Ela é decente, mas é importante ver o que as concorrentes oferecem na sua faixa de preço, se esse for um fator decisivo..
De: trekking_e...@googlegroups.com [mailto:trekking_e...@googlegroups.com] Em nome de divanei goes de paula
Enviada em: quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012 15:30
Para: trekking e travessias novo