Bom dia,
As opiniões em relação a cooperativas estão divididas, pelo que esta poderá ser uma via em paralelo ao que se fizer em termos de associação e de defesa dos interesses dos tradutores e afins, e não uma tentativa de subsituição.
Aproveito portanto este grupo de discussão, confesso, já que reune muitos tradutores e afins preocupados em melhorar as nossas condições de trabalho, para colocar a questão e tentar saber se haveria interesse em formarmos algum tipo de cooperativa.
Com "cooperativa" imagino uma cooperativa como a dos agricultores etc..., na qual a dita ajuda a vender a produção mas também proporciona por compras agrupadas produtos e serviços úteis para todos em condições mais vantajosas de que se cada um comprasse esses produtos e serviços individualmente.
Mas podería-se ir para além desse modo de funcionamento tradicional de cooperativa, opcionalmente, integrando a figura de "portage salarial" (sendo uma coisa rara em Portugal, que saiba, não encontrei nenhuma tradução que transmita bem a ideia original, mas já vi em inglês "umbrella company" / empresa escudo, talvez...) que existe e está em vias de expansão nomeadamente em França e noutros países, no fundo um interface contabilístico entre os clientes e o prestador de serviços, uma maneira de combinar as vantagens de ser trabahador independente com contabilidade simples com os de ser empregado de uma empresa e com os ainda de ser empresa mesmo, com contabilidade organizada e tudo, sem as desvantagens de cada uma dessas configurações.
Esta figura tem particular interesse para os trabalhadores independentes que começam numa actividade, eventualmente em paralelo com um outro emprego que tencionam largar logo que essa actividade levantar vôo mesmo, mas também para os que se querem focar na sua especialidade mesmo, deixando as dôres de cabeça administrativas, contabilísticas, etc... etc... da actividade de empresário para outros tratarem, um pouco como nalgumas das incubadoras de empresas mais avançadas.
Uma cooperativa de tradutores e afins dessas poderia ter as funções e os modos de funcionamento e as vantagens seguintes (entre muitas outras, sugestões bem-vindas) :
- cada membro continuará independente e poderá entrar e sair quando lhe apetecer
- cada membro poderá beneficiar de condições especiais de compra em grupo, para programas, computadores e afins, serviços básicos como luz, água, telefone, telemóvel, acesso à Internet, espaço para alojamento de sites Web e/ou armazenamento de dados on-line, transportes (aluguer de carros, comboio, etc...), seguro de saúde, formação, etc... etc...
- a cooperativa poderá adquirir serviços e/ou software profissional normalmente reservado a grande empresas, e partilhar a sua utilização entre todos por uma fracção de preço de licenças individuais
- poderemos mais fácilmente colaborar em grupo e nos candidatar para projectos de grande envergadura
- etc...
Na vertente adicional e opcional da entidade enquanto "casulo empresarial" :
- todo o interface comercial com os clientes (contabilidade, facturação, serviço jurídico para andar atrás de clientes maus pagadores, etc...) poderá ser gerido por essa entidade
- os membros podem ser assalariados da dita entidade, sendo que o produto do seu trabalho é convertido de factura de prestação de serviço em salário + bónuses OU prestação de serviços à mesma (com recibos verdes isentos de IVA, até certo montante anual) OU recibos de acto isolado, já com dedução de todas as despesas (ou seja, só seremos tributados em sede de IRS sobre o resultado do balanço final, e não sobre o volume de vendas sendo que as despesas são para esquecer ou englobadas num bolo proporcional fixo)
- etc...
Bem, haveria muito mais a dizer sobre o assunto. Sugestões e críticas bem-vindas.
Obviamente que gerir uma entidade dessas teria custos, mas se formos muitos a partilhar esses custos, esses seriam muitas vezes inferiores ao custo que cada um deveria suportar individualmente enquanto empresário em nome individual e/ou trabalhador independente.
Gostava de saber o que acham da ideia, e ter uma noção mais ou menos de quantas pessoas poderiam estar interessadas numa organização dessas, sabendo nomeadamente que o poder negocial face a fornecedores de produtos e serviços de interesse comum será directamente proporcional ao número de potenciais compradores do grupo.
Ah, e só mais uma coisa para eliminar duvidas : esta entidade NÃO pretende substituir associação nemhuma, serviria apenas para dar condições e facilidades práticas para o exercício da nossa profissão, com benefícios em tempo e dinheiro para todos.
Atenciosamente,
Martin