Saiba como se proteger das lendas do mercado financeiro

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Adriano Gonella

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Aug 2, 2010, 8:46:19 AM8/2/10
to Tio Soros

Saiba como se proteger das lendas do mercado financeiro

 

Brasil Econômico   (red...@brasileconomico.com.br) - Por Alexandre Póvoa 

Alexandre Póvoa é CEO do Modal Asset Management e autor de Valuation, como Precificar Ações

Alexandre Póvoa é CEO do Modal Asset Management e autor de Valuation, como Precificar Ações

Não é o longo ou o curto prazo que garante ou evita o lucro dos investidores na bolsa de valores, e sim a atenção à macroeconomia e o conhecimento dos fundamentos das empresas de capital aberto.

Alguns jargões, sobretudo referentes ao mercado de ações, são constantemente repetidos por gestores de recursos.

Quantas vezes não escutamos, por exemplo, que "a bolsa é um investimento de longo prazo"? Ou que "a bolsa brasileira é um cassino", com volatilidade relativa muito superior às bolsas mundiais?

Normalmente, essas máximas são aceitas pelos investidores como verdades absolutas que, infelizmente, podem incentivar ou desmotivar o fluxo de aplicações ou resgates por razões completamente erradas.

Imagine que você é um investidor japonês que acredita piamente nessas frases incontestáveis. Hoje é dia 30 de junho de 1990. Esse investidor resolve aplicar todas as suas economias - o equivalente a 15 milhões de ienes (cerca de US$ 100 mil na época) - na bolsa japonesa, ou seja, ações indexadas ao índice Nikkei.

O resultado, duas décadas depois, em junho de 2010, teria sido desolador, com o montante sendo reduzido em 71% em ienes (para 4,350 milhões de ienes) e à metade em dólar (US$ 50 mil).

A história do Japão, nas últimas duas décadas, representa um exemplo altamente negativo em termos macroeconômicos.

O país, com população idosa e praticamente sem disponibilidade de matérias-primas, após um período como vanguarda tecnológica nos anos 80, abusou de erros de política fiscal e monetária, caindo na chamada "armadilha da liquidez" - população com alta propensão a poupar que prefere não gastar hoje, por medo do desemprego e esperando preços mais atrativos no futuro (processo deflacionário).

Hoje, o Japão é um país de relação dívida/PIB de 190% e juro zero há 12 anos (intervalo em que a atividade do país decresceu, em média, 0,2% ao ano).

Horizonte de gerações

Quais as razões que levam as bolsas a se valorizarem ao longo do tempo? Resumindo, além da qualidade de gestão das empresas, as condições de equilíbrio macroeconômico.

Traduzindo, as políticas econômicas (fiscal, monetária e cambial) no médio-longo prazo resultam (ou não) em crescimento sustentável, propiciando um bom ambiente de negócios para as companhias, gerando riqueza e, por consequência, valorizando ativos.

O índice S&P e o Ibovespa (em US$), por exemplo, subiram, em média, respectivamente, 5,5% e 21% ao ano nesse mesmo período.

Enfim, não é o longo, médio ou curto prazo que necessariamente garante ou evita o lucro dos investidores em bolsa.

Atenção ao ambiente macroeconômico, conhecimento dos fundamentos das empresas e as lições dos bons livros de valuation são mais recomendáveis que folhinhas de calendário. Cabe lembrar que, até para japoneses (que normalmente enxergam o mundo com horizonte de gerações), o período de 20 anos deveria ser suficiente para confirmar o jargão "a bolsa é um investimento de longo prazo".

Porém, lembre que, por trás dessa sentença, pode haver um profissional que, desejando se desculpar por má performance ou recomendação errada de curto prazo, passa a buscar o tempo como o seu aliado principal.

Outro jargão comum, repetido por participantes mais antigos do mercado financeiro, se refere à exagerada volatilidade relativa do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) em relação aos demais indicadores bursáteis mundiais: "a bolsa brasileira é um cassino".

No passado, essa sentença seria levada um pouco mais a sério, dado o baixo volume negociado (dividido entre as bolsas do Rio de Janeiro e São Paulo) e a característica local dos investidores.

Convergência

Porém, como mostra a figura, o crescimento recente do mercado brasileiro fez com que seu padrão de volatilidade se aproximasse ao das bolsas mundiais.

A globalização dos investidores e o aumento de importância relativa do Brasil como destino das aplicações estão por trás dessa convergência.

Portanto, atualmente, com as ações das principais empresas brasileiras negociadas nos grandes mercados mundiais e a popularização progressiva do mercado acionário em nossa classe média, caiu muito a probabilidade de qualquer tipo de manipulação.

É incrível como outras recomendações "geniais", como "compre na baixa e venda na alta" - como se alguém soubesse quando os movimentos de baixa e alta terminam - ou "compre no boato e venda no fato" - como se todos os boatos e fatos tivessem o mesmo peso - são escutadas ao longo de nossas vidas no mercado financeiro, sem nenhuma contestação.

Cabe ao investidor questionar cada evento, para que essas "pseudo-verdades" absolutas não terminem em prejuízos.

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