Artigo - O QUE ESPERAR DA INFLAÇÃO NO SEGUNDO SEMESTRE?

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Adriano Gonella

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Jul 8, 2010, 1:02:22 PM7/8/10
to Tio Soros

13:26 O QUE ESPERAR DA INFLAÇÃO NO SEGUNDO SEMESTRE?

 

Por Jankiel Santos - AE

A divulgação do IPCA de junho surpreendeu positivamente os agentes econômicos no tocante ao quadro inflacionário brasileiro, principalmente por conta da

desaceleração observada no grupo serviços, que é considerado um dos principais fatores de influência na condução de política monetária. Tal comportamento,

juntamente com o recuo registrado em demais itens, fez com que as medidas de núcleo inflacionário voltassem a rodar em patamar condizente com a meta de

inflação de 4,5% pela primeira vez desde outubro de 2009. Embora alentador, o resultado relativo ao mês de junho não pode ser tomado como o início de uma

tendência. Ou pode? Julgamos que a avaliação do padrão de comportamento dos grupos que compõem o IPCA entre o primeiro e o segundo semestres é uma

ferramenta que poderá ajudar na solução do questionamento anterior.

Concentremo-nos inicialmente, porém, na evolução do grupo de preços administrados, que representa aproximadamente 30% do IPCA. Dado que grande parte

dos seus itens tem seu reajuste atrelado à variação do IGP-M do ano anterior, seu comportamento acaba sendo reflexo direto desta indexação. Tanto que,

embora a baixa variação do IGP-M em 2006 (3,8%) tenha resultado em inflação de preços administrados mais baixa no segundo semestre de 2007 do que no

primeiro, vimos comportamento oposto acontecendo em 2008 e 2009 na esteira de elevações mais intensas do IGP-M em 2007 (7,8%) e em 2008 (9,8%).

 

Para 2010, dada a deflação apresentada pelo IGP-M em 2009 (-1,7%), julgamos que os preços administrados crescerão ao longo do segundo semestre em

ritmo menos intenso do que o registrado na primeira metade do ano, tal qual o padrão observado em 2007. Isto é, este grupo deverá contribuir positivamente

para a dinâmica inflacionária nos próximos meses.

Já no tocante ao comportamento dos preços livres, que comportam os 70% restantes do IPCA, diante da alta heterogeneidade dos seus componentes, faz-se

necessário a seguinte subdivisão: bens duráveis, bens semiduráveis, bens não duráveis e serviços. De acordo com nossas estimativas, cada um dos dois

primeiros subgrupos representa aproximadamente 9,0% do IPCA, enquanto o terceiro responde por 29% e o último por 24% do índice. Nos últimos três anos,

apenas em 2008 a média mensal de inflação dos duráveis no segundo semestre foi inferior a do primeiro semestre, algo que pode ser atribuído à eclosão da

crise financeira internacional. Portanto, supor-se-ia que este grupo tem tudo para ser um empecilho à materialização de quadro inflacionário benigno, não fosse

pelo seu baixo peso no índice e pela pouca aceleração que se registra de um período para outro. Já no caso dos bens semiduráveis, o padrão inflacionário é

bastante uniforme entre as duas metades do ano, algo que pode até não ajudar, mas que também não atrapalhará a dinâmica inflacionária. Resta-nos, portanto,

avaliar o comportamento dos bens não duráveis e do grupo serviços.

Novamente, tomando por base os últimos três anos, exceto por 2007 - quando havia clara tendência ascendente nos preços das commodities agrícolas - o

comportamento dos preços dos produtos não duráveis tende a ser mais favorável na segunda metade do ano do que o registrado nos primeiros meses, muito

provavelmente por conta do menor impacto de intempéries climáticas. Portanto, parece-nos improvável que a pressão derivada do comportamento dos produtos

alimentícios na primeira metade do ano vá se repetir daqui até o final do ano, algo que ajudará a fazer com que as variações mensais do IPCA sejam mais

baixas em comparação aos primeiros resultados de 2010.

Por fim, avaliemos o padrão de comportamento do grupo serviços. É curioso notar que, a despeito do momento econômico em que estivéssemos nos últimos

três anos, este conjunto de itens apresentou um desempenho uniforme, que foi o de desaceleração na segunda metade do ano frente à variação média

registrada no primeiro semestre. Ou seja, a despeito da aceleração econômica que vivíamos entre o final de 2007 e início de 2008, e da breve retração entre o

final de 2008 e início de 2009, a inflação média de serviços desacelerou na segunda metade de 2007, subiu na primeira metade de 2008, recuou na segunda

metade daquele ano e voltou a crescer no primeiro semestre de 2009 para cair em seguida. Esta ausência de variância nos sinaliza que o grupo serviços deverá

registrar variações menores do que as observadas até então ao longo dos próximos meses, embora o dinamismo corrente da economia brasileira possa fazer

com que este recuo seja menos pronunciado do que em anos anteriores.

Isto é, de maneira geral, os grupos que compõem o IPCA apontam na direção de variações menos intensas daqui por diante e nos deixa mais confiantes de que

poderemos encerrar 2010 com uma alta do IPCA abaixo de 5,5% (nossa estimativa atual é de 5,3%). Logicamente que este patamar ainda demandará que o

Banco Central permaneça retirando estímulo monetário nos próximos meses. Contudo, parece-nos que tal dinâmica reforça a sinalização de que a magnitude

total do ajuste poderá ser menos intensa do que se supõe.

*Jankiel Santos é economista-chefe do BES Investimento do Brasil. O conteúdo deste artigo é de responsabilidade do autor. Esta seção não se responsabiliza

por operações decididas a partir das informações e opiniões divulgadas neste artigo.

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