Encontro Governo do RS com "movimentos populares" HOJE

3 views
Skip to first unread message

Iuri Guilherme

unread,
Jul 10, 2013, 10:43:09 AM7/10/13
to metareciclagem, thac...@googlegroups.com, radio...@freelists.org, matehackers
Reverbere no universo.

Todos os esforços necessários para registrar e documentar.

Hack anti panelismo e jogo de cartas marcadas, divulgar aos quatro ventos primeiro, verificar idoneidade depois.

-------- Mensagem original --------
Assunto: Convite
Data: Wed, 10 Jul 2013 10:53:09 -0300 (GMT-03:00)
De: Ouvidoria da SSP <ouvi...@ssp.rs.gov.br>
Para: Iuri Guilherme <iuri.guil...@gmail.com>


Bom dia.

Venho informar-lhe que, hoje, dia 10/07/2013, às 14h, haverá uma reunião na sede da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul, na Rua Sete de Setembro, 666, nesta capital, para tratar sobre as manifestações populares e a atuação da Brigada Militar em tais eventos e o convidamos a comparercer na mesma.

Saliento que a reunião contará com a presença de representantes do Ministério Público Federal, do Ministério Público Estadual, da Defensoria Pública-RS, da Brigada Militar-RS, da Secretaria da Segurança Pública-RS, da Ouvidoria da Segurança Pública-RS, da Prefeitura de Porto Alegre-RS, da Ordem dos Advogados do Brasil-RS, das Centrais Sindicais e de movimentos populares.


Ouvidoria da Segurança Pública
Rua Sete de Setembro, 666 - 2º Andar
Porto Alegre/RS - CEP 90.010-190
Fone/fax: (51) 3286-6837
DDG: 0800-6465432
  



------------- Mensagem Original -------------
Data: Segunda-feira, 24 de Junho de 2013 03:25
De: Iuri Guilherme < iuri.guil...@gmail.com >
Para: ouvi...@ssp.rs.gov.br
Assunto: Ação da Brigada Militar do dia 20 de junho de 2013
   
Venho por meio desta mensagem registrar textualmente relatos acerca da
ação da Brigada Militar do dia 20 de junho de 2013.

É de conhecimento da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio
Grande do Sul, assim como de grande maioria da população local e
mundial, que neste dia citado houve um ato de manifesto e protesto nas
ruas de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.

A Polícia Militar, órgão vinculado a esta secretaria, que se propõe a
garantir a segurança pública, demonstrou de forma irrefutável que deixa
a desejar em alguns aspectos, e segundo a minha interpretação, em
determinados momentos promove mais insegurança do que segurança, ou pelo
menos é isto que eu, do meu ponto de vista que é limitado sou capaz de
observar.

Assim como milhares de pessoas eu estava nas ruas de Porto Alegre no
horário aproximado das 20 às 21 horas. Assim como muitas pessoas eu
também fui até a Avenida Ipiranga próximo à sede da instituição
"Mensageiro da Caridade", aonde, como era esperado, encontrei a tropa de
choque da Brigada Militar fazendo uma barreira para impedir o acesso de
manifestantes à altura da Rua Zero Hora.

Neste momento comecei a registrar os acontecimentos com duas câmeras
amadoras de baixa qualidade de vídeo e áudio. Cópias binárias de todo o
material digital obtido com estas duas câmeras neste dia encontram-se em
posse da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul e da
Ouvidoria da Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul. Este
material é de uso livre e irrestrito, inclusive alguns deles estão
publicados em serviços de hospedagem de vídeo e conteúdo de empresas
sediadas nos Estados Unidos que disponibilizam amplo acesso a este
material. Parte deste material também está hospedado no domínio
hi.ato.br e pode ser acessado através de um servidor http no endereço
entre aspas: "http://lixeira.hi.ato.br/vid/portoalegre/2013-06-20/".

Juntamente com este material também está hospedado um arquivo de texto
que é cópia do Termo de Declaração que eu, Iuri Guilherme dos Santos
Martins, relatei e foi redigido pela Defensoria Pública do Estado do Rio
Grande do Sul no dia seguinte (21 de junho de 2013).

Todo este material, juntamente com fotografias de outras pessoas estão
publicados em serviço de hospedagem e automatização de blog de uma
empresa sediada nos Estados Unidos e só tem como ser acessado através do
endereço http entre aspas: "paradoxoinjusto.blogspot.com.br".

Como é possível ver em um dos vídeos, mesmo com a qualidade baixa de
filmagem, a interferência da chuva e a dificuldade do cinegrafista de
manter a câmera parada enquanto tossia fumaça de gás lacrimogêneo, em um
momento do confronto entre a polícia e os manifestantes, a quantidade de
gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral era tamanha que eu acabei
caindo para fora da ciclovia da Avenida Ipiranga, onde eu me encontrava,
e não caí dentro do Arroio Dilúvio graças às barreiras de concreto.

Tentando voltar à Avenida para registrar a prisão indevida de
manifestantes, fui abordado por um soldado da Brigada Militar que me
orientou a sair daquele local.

Neste momento ficou claro para mim que a Polícia não estava preparada
para sair às ruas neste dia.

Conforme relato prestado à Defensoria Pública que também está em anexo
neste e-mail, após ser ajudado pelo soldado a voltar para a Avenida
Ipiranga, fui conduzido até o ônibus da Brigada Militar juntamente com
dois manifestantes que haviam sido algemados.

Ao chegar neste ônibus também fui algemado. Até este momento, não recebi
nenhum tipo de voz de prisão, satisfação ou justificativa racional para
legitimar este procedimento. Eu confesso que nunca fui preso, então não
estou acostumado com o procedimento, contudo, no momento em que fui
abordado desta forma tive a impressão nítida de que esta operação era
ilegítima e, com a consciência tranquila e na certeza de que não
transgredi nenhum tipo de disposição legal, utilizei meu direito de
permanecer calado e me ocupei em observar a ação da Brigada Militar.

Após entrar algemado com as mãos para trás no micro ônibus da Brigada
Militar, um soldado que não era o mesmo que me conduziu até o ônibus
revistou minhas roupas. Este mesmo soldado manipulou as minhas câmeras,
nitidamente buscando ter conhecimento sobre o conteúdo das filmagens que
eu estava fazendo de forma clara, transparente e explícita.

Me limitei a responder somente o necessário e somente quando
questionado. Após ser orientado a permanecer sentado e algemado dentro
do ônibus, me senti entediado e peguei minhas câmeras que estavam
jogadas em cima de outro banco do ônibus e me ocupei em fotografar e
filmar o que pude de forma discreta, mesmo algemado. Não consegui
determinar se os soldados aceitariam que eu permanecesse em posse de uma
câmera ligada dentro daquele ônibus, mas como ninguém me declarou
explicitamente o que estava acontecendo, decidi que isto não cabia à
decisão de qualquer autoridade além de mim mesmo.

Após filmar um defensor público sendo empurrado por um oficial da
Brigada Militar que estava sem uniforme, apoiado por um soldado da
Brigada Militar e um soldado do Corpo de Bombeiros que estavam
uniformizados, fui informado de que soldados estariam planejando coibir
minhas filmagens e prontamente escondi os cartões de memória das câmeras
e cessei a ação de filmagem.

Prestando atenção nas outras pessoas que estavam sendo detidas e
acomodadas dentro do ônibus, pude constatar que era unânime que ninguém
ali havia sido recolhido de forma legítima, e todas as pessoas afirmavam
não ter tomado nenhum tipo de ação criminosa ou qualquer coisa que
justificasse aquele tratamento por parte da Brigada Militar.

A minha presunção neste momento é que a ação da Brigada Miltar consistia
em recolher pessoas que não apresentavam resistência e que estavam
facilmente acessíveis para serem detidas.

Também parecia ser unânime que todas as pessoas que se encontravam
dentro do ônibus estavam extremamente irritadas e se sentindo
injustiçadas. Segundo a minha interpretação, o pessoal reagiu bem. Se
tivessem todos desrespeitado a autoridade da polícia e saído do ônibus,
eu não ia considerar isto um crime. Estou ciente de que os órgãos de
segurança pública têm recursos suficientes para delegar o julgamento de
legitimidade, ilegitimidade, justiça, injustiça para pessoas e
instituições específicas. Contudo, pude presenciar um caso onde os
cidadãos poderiam simplesmente decidir tirarem as algemas e serem
liberados sem nenhum tipo de prejuízo para a segurança pública. A
interpretação e o julgamento das pessoas que estavam detidas naquela
condução era justa e legítima. O que, segundo a minha interpretação,
necessariamente torna injusta e ilegítima a ação da Brigada Militar
porque este órgão não teve a autonomia para voltar atrás em tempo hábil.

Eu tenho consciência plena de que o fatos ocorridos neste dia não são
habituais e a polícia não está acostumada a lidar com este tipo de
situação. Não tem como esperar que a polícia estivesse pronta para lidar
com as circunstâncias. E é exatamente por isto que eu acredito que a
postura da Brigada Militar deveria ser de recuar para evitar excessos ao
invés de avançar de forma insegura e irresponsável. Com algumas
exceções, não declaro ser ilegitimo o trabalho dos soldados, que
aparentemente são induzidos, orientados e educados a cumprir ordens sem
questionamento. Contudo, peço atenção deste órgão de ouvidoria para
alguns oficiais da Brigada Militar, que, porque sujeitam seus soldados a
situações indignas para eles mesmos e para a população, são incompetentes.

Um soldado questionou se eu era da imprensa. Ele deixou claro que ele
tinha um critério que determinava que alguém que estava naquele local
era da imprensa ou era manifestante. Como ele concluiu que eu era
manifestante porque eu não era da imprensa, eu fui recolhido, algemado e
conduzido até o Palácio da Polícia Civil.

Chegando lá após quatro horas passeando de ônibus da Brigada Militar, me
fizeram brincar de sala de espera por mais quatro horas. Se não fosse a
orientação do pessoal da Defensoria Pública e da Ouvidoria da Segurança
Pública, eu ia continuar sem saber o motivo de eu estar lá, e ia
continuar achando que tudo não passava de uma brincadeira, que estava
começando a perder a graça. Este era o meu sentimento naquele momento.
De que a Brigada Militar estava entediada e me convidando para passar a
madrugada brincando de polícia e ladrão.

Alguns soldados da Brigada Militar que foram deslocados para garantir
que nenhum "preso" fugisse da sala no Palácio da Polícia Civil onde
fomos alojados afirmavam para quem estava lá que estávamos todos presos.
Nestes momentos alguns se exaltavam e questionavam isto, e com razão,
pois até então ninguém havia recebido voz de prisão. Inclusive eu mesmo
afirmei isto em voz alta quando fui dissuadido a pendurar uma bandeira
do Estado do Rio Grande do Sul na parede daquela sala por um soldado,
com a afirmação de que eu "não estava no lazer, estava preso". Reitero
que não me recordo de ter sido preso em algum momento de minha vida, mas
o que estava acontecendo parecia para mim qualquer coisa menos o
procedimento padrão que eu li em alguns materiais de legislação penal e
criminal.

Retomo a ideia de que não critico este órgão (Brigada Militar) por não
adotarem os "procedimentos padrões", até porque as circunstâncias não
eram habituais. Contudo, insisto que o trabalho da Brigada Militar
estava prejudicado em decorrência de decisões irresponsáveis de pessoas
incompetentes.

Os soldados do Batalhão de Operações Especiais não podem pagar pelos
erros de seus superiores. Isto é inadmissível, porque são os soldados
que estão nas ruas com as pessoas como eu. E as pessoas como eu estão
aproveitando as poucas oportunidades disponíveis para se manifestar e
para exercer os direitos legais que já estão garantidos na constituição.

Retornando ao soldado que aparentemente me prendeu porque eu era
manifestante e não era da imprensa, faz sentido isto? Imprensa é um
direito garantido pelo artigo 220 da Constituição, que, de acordo com a
minha interpretação, garante que eu não precise de nenhum vínculo ou
avaliação de autoridade para determinar que estou fazendo imprensa. Não
encontrei nenhuma lei que me obrigue a ter uma credencial ou um vínculo
com alguma instituição para determinar que eu faço imprensa. De qualquer
forma, ser um manifestante não é configurado como crime em nenhuma
legislação que eu tive acesso até agora.

Isto evidencia para mim a ilegitimidade do trabalho que a Brigada
Militar estava fazendo neste dia. Para mim parece o contrário de
trabalhar para garantir a segurança pública. Para mim parece um trabalho
promovido e orientado por pessoas que tem medo.

Isto transfere a irresponsabilidade dos fatos para autoridades do nível
institucional. Que atitudes pontuais os representantes do Estado do Rio
Grande do Sul estão tomando para garantir que pessoas medrosas não sejam
aquelas com o poder de decidir sobre a liberdade daquelas que estão
aprendendo a demonstrar coragem? Este Governo é omisso. Mas vou deixar
esta questão para debater por outros meios.

Vou retornar para a questão pontual da Brigada Militar. Espero
sinceramente que o pessoal da Ouvidoria da Segurança Pública fiquem
atentos à repercussão deste texto que estou escrevendo, e não permita
que os mesmos incompetentes que sujeitam a população de Porto Alegre e
os soldados da Brigada Militar a confrontos estultos e sem sentido,
distorçam minhas palavras e utilizem isto como argumento para retirar a
polícia da rua e colocar o exército, ou sabe-se lá que outra decisão
burra essa gente é capaz de tomar. Exército tem ainda menos competência
para lidar com multidão em manifestações, porque não é esta a função
deste órgão.

Quero registrar que, porque eu estava presente no local de forma ativa,
posso determinar que a manifestação que eu pude observar é pacífica e
quando ocorrem alguns excessos por parte dos manifestantes é em resposta
à violência desnecessária aplicada pela Brigada Militar, e é uma reação
natural que, apesar de eu não concordar, não posso dizer que é ilegítima.

Em verdade, é de amplo conhecimento que o simples fato da Brigada
Militar se posicionar em linha de defesa exatamente em um prédio da
empresa de comunicação RBS, é motivo suficiente para irritar uma massa
inteira e fazer todos se sentirem explorados, enganados, traídos,
justamente em um momento em que todos estão com sangue circulando da
caminhada e com energia para manifestar fúria, indignação, irritação e
até ódio em alguns casos, porque estas coisas não conseguem ser
reprimidas para sempre. Então não tem como culpar alguns individuais por
assumirem que a Polícia Militar já está atacando indevidamente. Os
manifestantes pacíficos merecem elogios por manterem a calma e
conseguirem evitar muitas agressões iminentes. Mas estamos com cada vez
menos paciência.

A nossa capacidade de diálogo está cada vez mais comprometida. É tempo
da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul
concentrar esforços em resolver as questões de forma autêntica. Não
adianta reprimir e tentar calar o povo. Varrer para debaixo do tapete é
criar monstros embaixo da cama, e tem mais coisa entalada na garganta
que o povo vai vomitar no Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Perceba que em nenhum momento deste texto eu citei nomes ou apontei
explicitamente as causas destas consequências que estou relatando. Este
é outro ponto que eu quero encaminhar à esta ouvidoria. Nós que estamos
na rua levando tiro de borracha, respirando gás lacrimogêneo e tendo as
pernas retalhadas por estilhaços de bomba, não sabemos quem são as
pessoas que ordenam estas falácias.

Manifestantes e soldados são vítimas de pessoas medrosas, irresponsáveis
e incompetentes que se escondem e tomam decisões burras que comprometem
a segurança pública direta e indiretamente. E eu, que estou interessado
não tenho acesso para saber com quem exatamente eu tenho qeu conversar.
Esta brincadeira de passear de ônibus verde com passe livre e brincar de
salinha de espera está começando a perder a graça. Isto é dinheiro
público mal aplicado. Combustível de ônibus custa dinheiro. Manter o
Palácio da Polícia Civil com um monte de gente mobilizada custa
dinheiro. Este meu texto, e as reações da população custam muito mais
para a imagem dos agentes políticos e oficiais de segurança do Estado. É
insustentável esta situação.

Há quem diga que estas coisas costumam ser resolvidas calando quem
denuncia e quem propõe mudanças, inclusive com tortura e morte, se for
necessário. Eu diria que "calar, tortura e a morte" parece mais
agradável do que andar nas ruas olhando no olho das pessoas e vendo que
as pessoas nunca se sentiram de outra forma a não ser caladas,
torturadas e mortas, e não sabem o que é não estar neste estado para
poderem saber o que estão sentindo em primeiro lugar.

Tenho a impressão de que há mais a ser elucidado do que simples
incompetência de oficiais que eu não sei nem quem são. A questão é que
eu vou continuar insistindo neste caminho de entrar em contato com a
ouvidoria, que por enquanto, parece o mais eficiente possível.


Rafael Beznos

unread,
Jul 10, 2013, 11:19:49 AM7/10/13
to mateh...@googlegroups.com, metareciclagem, thac...@googlegroups.com, radio...@freelists.org
Alguém acompanhe o Iuri nessa pra não amarrarem ele lá mesmo..

Esse endereço 7 de setembro 666 tá fedendo a cilada! rsrs


--
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "matehackers" dos Grupos do Google.
Para cancelar a inscrição neste grupo e parar de receber seus e-mails, envie um e-mail para matehackers...@googlegroups.com.
Para obter mais opções, acesse https://groups.google.com/groups/opt_out.
 
 



--
^-'-^
Rafael Beznos

http://www.radiobalaio.cc
http://solar8.com.br/metamusica
http://openhardwarebrasil.org
http://www.rafaelbeznos.com
http://soundcloud.com/rafael-beznos/sets/s-u-n-m-sica-reciclada/
*
"Quis custodiet ipsos custodes?"
*
"Veritas vos liberabit"
*
Tecnologia é Arte
*
καιρό είναι τέχνη
*

Vagner

unread,
Jul 10, 2013, 11:26:27 AM7/10/13
to mateh...@googlegroups.com, metareciclagem, thac...@googlegroups.com, radio...@freelists.org
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
Antoine de Saint-Exupéry


Em 10 de julho de 2013 11:43, Iuri Guilherme <iuri.guil...@gmail.com> escreveu:
Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages