Amigos, grato pela receptividade.
Conto mais algumas coisas sobre a ideia: um dia descobri que Heliópolis se assume o papel de ser um "bairro educador", e que, entre os muitos saberes coletivos que tem para educar outros bairros, tem o conhecimento na integração da escola pública com a comunidade local.
Havia descoberto também que a Rocinha, no Rio, tem um saber coletivo diferenciado em Educação na Saúde, que institucionalizou numa ONG, a Viramundo, que levou o conhecimento até se tornar programa de pós na PUC/RJ, e ganhar reputação internacional.
Ou seja, Heliópolis tem o que ensinar à Rocinha, assim como a Rocinha tem o que ensinar a Heliópolis.
Além dessas, o Campo Limpo tem há 30 anos o Centro de Direitos Humanos e Educação Popular - CDHEP - com grandes conquistas na questão da defesa contra a violência, tanto intracomunitária quanto da polícia, tendo transformado o modus operandi de promotorias, polícia etc. Ou seja, algo a ensinar para todos os outros bairros de alta vulnerabilidade.
Foi daí que nasceu a ideia da universidade aberta da cidadania: como lugar - virtual mas não só virtual - para compartilhamento desses saberes, e desenvolvimento de competências entre as comunidades e entre comunidades e academia, formal e não-formal (como a Escola de Governo e Cidadania).
Aí, as ideias que vocês já estão dando (o Tom com a wikiversity etc) agregam mais alguns ingredientes.
Quem for à aula pública de hoje sobre desmilitarização da polícia com o Túlio Vianna já pode levar a ideia de uma linha do tempo em que vamos avançando mais nesse tema, com conteúdos REA, a serem disseminados de forma que poderemos estruturar em currículos e curadorias.
Colocarei num pad, sim, para evoluirmos depois para uma wiki, pois a ideia precisa se ramificar em muitas páginas, ou então ela encalha.
Um abraço a todos
PS.: em paralelo à aula pública no MASP, haverá hoje este evento, no mesmo horário:
Por Qual Reforma Política as Ruas Clamam?
Livraria Martins Fontes, 509
Estarei neste, perdendo a aula do Túlio, mas gostaria de deixar aqui a seguinte informação que pode ser relevante para alguém colocar na aula do Túlio.
- dados sobre gastos públicos com gás lacrimogêneo e outras armas químicas podem ser interessantes. Vejam este artigo da Carta Maior sobre esses dados na Espanha - "Pesquisadora adverte para crescente uso de gás lacrimogêneo. Em entrevista à Carta Maior, a pesquisadora Anna Feigenbaum, que investiga a história política do gás lacrimogêneo na Universidade de Bournemouth, no Reino Unido, fala sobre o crescente uso dessa arma pelas polícias contra manifestantes civis. Na Espanha, enquanto ocorreram cortes nas áreas da saúde, educação e seguridade social, o gasto com esses materiais disparou de 173 mil euros para mais de 3 milhões de euros em 2013. Por Marcelo Justo, de Londres. - http://bit.ly/16HlzY4
- e isso acontece aqui também: Estoque acaba e PM compra bombas emergencialmente -Secretaria de Segurança do Rio precisou empenhar R$ 1,6 milhão para repor o produto, após onda de protestos
Ou seja, prato cheio para o Queremos Saber.