Olá Pessoal!
Esta é uma mensagem que talvez seja meio "OFF TOPIC" mas, ainda assim, acredito que haja conteúdo crítico, relevante o suficiente para valer o compartilhamento, e sobre o qual poderão interessar-se em conhecer pessoas e organizações engajadas na ampliação da transparência, na viabilização de governos realmente abertos (inclusive ao diálogo!) e no fortalecimento da capacidade de realização do Estado.
O processo que culminou no PLC 50/2012 sobre o qual versa o manifesto abaixo foi mais um, entre tantos, que seguiu trâmites nem transparentes, nem democráticos, no Estado de São Paulo. E assim segue a luta interna, não declarada, sobre a qual há pouquíssima ou nenhuma visibilidade ao público, entre grupos em disputa política e ideológica dentro do Estado: alguns focados em fortalecer institucionalmente sua capacidade de realização, outros em comodamente postergar
ad infinitum soluções para problemas crônicos de planejamento governamental, gestão (e continuidade!) de políticas públicas, e execução de investimentos fundamentais.
Com a esperança de que esse manifesto público possa sensibilizar governantes, legisladores e, oxalá, a própria sociedade, sobre a importância de que práticas ainda fechadas e obscuras tornem-se coerentes ao discurso de um Governo Aberto, é que tomo a liberdade de compartilhar essa mensagem com vocês.
São Paulo teria muito a ganhar em tornar-se um Governo Aberto a passos mais largos!
Abraços!
Leandro Salvador
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São Paulo, 20 de dezembro de 2012
O Governo do Estado de São Paulo apresentou à Assembleia Legislativa o
Projeto de Lei Complementar (PLC) 50/2012,
publicado no Diário Oficial em 19.dez.2012 que, por meio da alteração
de Leis Complementares referentes a diversas Carreiras do Estado de São
Paulo, prevê a supressão de direitos já conquistados pelos
trabalhadores. Entre estes, está o fim do prazo para publicação do ato
de confirmação ou exoneração do cargo ao fim do estágio probatório.
Atualmente,
a administração pública tem a obrigação de publicar os atos de
confirmação (ou de exoneração) até o penúltimo dia do estágio
probatório. A mudança proposta pelo PLC 50/2012 suprime esse
prazo-limite e abre a possibilidade de que surja uma condição
profissional nebulosa: o profissional nem está mais no período de
estágio probatório, nem tampouco confirmado no cargo.
Outra das
mudanças problemáticas propostas pelo PLC 50/2012 é a supressão do
direito do servidor integrante das carreiras de Especialista em
Políticas Públicas e de Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças
Públicas que vier a ser nomeado para exercer cargo de provimento em
comissão de assessoramento, coordenação ou direção técnica fazer jus a
gratificação "pro labore" para cargos de natureza "assessoramento". Não
há qualquer justificativa apresentada no PLC 50/2012 que dê sentido a
tal limitação de direitos, ainda mais se forem considerados os
benefícios para a administração pública quando cargos em comissão dessa
natureza são ocupados por servidores públicos concursados.
Lutamos
ao longo dos últimos anos pela justa valorização das carreiras do ciclo
de gestão no Estado de São Paulo, que dispõem do perfil de competências
necessário para tirar do papel ações governamentais prioritárias e
estruturantes. No entanto, vemos quase todas as alterações propostas
pelo PLC 50/2012 como uma deterioração do desenho institucional dessas
carreiras,
como se o Estado de São Paulo pudesse se dar ao luxo de
continuar abrindo mão da solução de seus problemas na gestão de
políticas públicas e na execução de investimentos fundamentais.
As
críticas aqui tornadas públicas ao PLC 50/2012 poderiam ter sido
evitadas se o processo de sua elaboração tivesse superado uma prática da
administração pública que insiste em não incorporar princípios
democráticos e transparentes em seus procedimentos internos. Nesse
sentido, fortaleceria a transparência se os argumentos que embasam cada
proposta fossem devidamente fundamentados e explicitados no texto do PLC
publicado no Diário Oficial, de modo que toda a sociedade pudesse tomar
conhecimento dos motivos de cada mudança. Para democratizar o processo,
seria importante a abertura de consulta pública que possibilitasse a
qualquer cidadão ou organização interessada no assunto contribuir com
propostas e comentários ao projeto proposto pelo Governo.Aos
Srs. Deputados e membros do Governo do Estado de São Paulo que possam
interessar-se em dialogar com as Associações abaixo subscritas,
elaboramos um estudo abrangente com propostas e comentários ao
anteprojeto de lei complementar que fundamentou o PLC 50/2012.
Empenhados
com o aprofundamento da democracia, a ampliação da transparência, e o
fortalecimento da capacidade de realização do Estado de São Paulo,
reforçamos nossa disposição para o diálogo.Atenciosamente,
Associação dos Especialistas em Políticas Públicas do Estado de São Paulo (AEPPSP)
Associação dos Gestores Públicos do Estado de São Paulo (AGESP)
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