Fwd: Transparência Brasil: financiamento público colabora para caixa 2

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Leandro Salvador

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Sep 3, 2011, 8:15:56 PM9/3/11
to thac...@googlegroups.com
Legal o argumento: financiamento público não resolve (e de fato não resolve!) os problemas de (1) Caixa 2, (2) corrupção, (3) fraudes em licitações para beneficiar patrocinadores de campanha, (4) desvios de recursos públicos para saudar dívidas de financiadores de campanha, (5) mobilização de recursos públicos (dentro da lei!!!) para otimizar lucros de investidores de campanha. E fica nisso o foco: porque não resolve (e não resolve!), então não se discute o princípio de financiar-se com dinheiro privado campanhas eleitorais para cargos públicos.

E fica mais uma vez a discussão da política restrita ao mundo da corrupção stricto sensu, limitadíssima a desvio de dinheiro, e nada mais...

Se for verdade que a Transparência Brasil, na pessoa de seu diretor, é à favor de que se perpetue a atual lógica de entrada na política, segundo a qual os políticos têm que passar com o pires na mão e, uma vez eleitos, têm que retribuir com gratidão ao financiamento privado, então a casa caiu... :/ Ou não?

Abraços!

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Transparência Brasil: financiamento público colabora para caixa 2

Segundo o diretor da ONG, Claudio Abramo, a proibição do financiamento privado vai provocar um aumento do dinheiro recebido em campanha e não declarado

Brasília - O diretor executivo da organização não governamental (ONG) Transparência Brasil, Claudio Abramo, disse hoje (23) que o financiamento público de campanha não é uma solução para o combate à corrupção. Ele acredita que a proibição do financiamento privado vai provocar um aumento do chamado caixa dois, que é o dinheiro recebido em campanha e não declarado.

O financiamento público exclusivo de campanhas é um dos pontos da reforma política em tramitação na Câmara. “Essa ideia é um tiro no pé. Isso vai fazer com que o caixa um se torne o caixa dois. O que hoje é conhecido [no financiamento] de campanha vai ficar no caixa dois. Se proibirem vai ficar no caixa dois”, ressaltou durante audiência pública no Senado sobre ações contra corrupção.

Ele também criticou a nomeação excessiva de cargos em comissão pelo Executivo. “Deveria ser feito um limite para a nomeação de cargos públicos. Essas pessoas não são funcionários públicos, elas são funcionárias dos partidos.”

O presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Maurício Azedo, discordou da posição de Abramo e afirmou que os partidos têm o direito de levar seus postos para cargos em comissão.

“Partido que ganha, independente de quantitativo, tem o direito de trazer para a administração os quadros que estão afinados com seu projeto político. Entendemos que os partidos tem de ser valorizados para construirmos uma democracia e uma forma de fazer isso é levá-los à gestão.”

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diego ramalho

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Sep 3, 2011, 8:33:43 PM9/3/11
to thac...@googlegroups.com

Vários movimentos sociais defendem o financiamento público, inclusive é tema da reforma política de toda plataforma do MCCE que conta com várias entidades entre elas o INESC, OAB, ANP e outras .... Acho um ótimo tema p/ um debate.

 

 
 

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Fabiano Angélico

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Sep 4, 2011, 10:11:42 AM9/4/11
to Transparência Hacker
Leandro e Diego:

Eu também sou contra o financiamento público exclusivo. Há gente bem
intencionada que o defende, mas acho isso um equívoco.
Tenho sugestões para se combater o excessivo peso do dinheiro na
escolha de nossos representantes.
Escrevi este texto em 2009, mas ainda penso da mesma forma:
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3796981-EI6578,00-O+dinheiro+e+a+politica.html


On Sep 3, 9:33 pm, diego ramalho <diegoramalho2...@gmail.com> wrote:
> Vários movimentos sociais defendem o financiamento público, inclusive é tema
> da reforma política de toda plataforma do MCCE que conta com várias
> entidades entre elas o INESC, OAB, ANP e outras .... Acho um ótimo tema p/
> um debate.
>
> Em 3 de setembro de 2011 21:15, Leandro Salvador
> <leandrosalva...@gmail.com>escreveu:
>
>
>
>
>
>
>
> > Legal o argumento: financiamento público não resolve (e de fato não
> > resolve!) os problemas de (1) Caixa 2, (2) corrupção, (3) fraudes em
> > licitações para beneficiar patrocinadores de campanha, (4) desvios de
> > recursos públicos para saudar dívidas de financiadores de campanha, (5)
> > mobilização de recursos públicos (dentro da lei!!!) para otimizar lucros de
> > investidores de campanha. E fica nisso o foco: porque não resolve (e não
> > resolve!), então não se discute o princípio de financiar-se com dinheiro *
> > privado* campanhas eleitorais para cargos *públicos*.
>
> > E fica mais uma vez a discussão da política restrita ao mundo da corrupção
> > *stricto sensu*, limitadíssima a desvio de dinheiro, e nada mais...
>
> > Se for verdade que a Transparência Brasil, na pessoa de seu diretor, é à
> > favor de que se perpetue a atual lógica de entrada na política, segundo a
> > qual os políticos têm que passar com o pires na mão e, uma vez eleitos, têm
> > que retribuir com gratidão ao financiamento *privado*, então a casa
> > caiu... :/ Ou não?
>
> > Abraços!
>
> > ===
> > Transparência Brasil: financiamento público colabora para caixa 2<http://exame.abril.com.br/economia/politica/noticias/transparencia-br...>
> > *Segundo o diretor da ONG, Claudio Abramo, a proibição do financiamento
> > privado vai provocar um aumento do dinheiro recebido em campanha e não
> > declarado*Brasília - O diretor executivo da organização não governamental

Evandro Oliveira

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Sep 4, 2011, 10:26:29 AM9/4/11
to thac...@googlegroups.com
O Financiamento Público de Campanha só deveria ser
discutido como solução, após auditoria e conehcimento
oficial dos mecanismos de financiamento atual de campanhas.
COmo os mecanismos de Caixa 2 são um mistério (dinheiro
em malas e cuecas, dólares viajando de norte a sul, contas
no exterior inexplicadas etc) e como ninguém nunca foi
enquadrando nestes crimes (o TSE mal mal condena quem
faz do dinheiro abuso de poder), seria necessário avaliar,
diagnosticar, expor, debater os males das modalidades de 
Caixa 2 para, DEPOIS, avaliar os mecanismos de financiamento
público. 
Quem fala que o financiamento público vai resolver o problema,
não conhece do problema ou está interessado em sangrar 
mais um pouquinho do erário.

Financiamento Público sem o pente fino (devassa mesmo) das
finanças dos candidatos e seus familiares de dez anos antes
deles entrarem na política até dez anos depois deles saírem
é mera figura de retórica ou simplesmente uma forma de enganar
o contribuintes-eleitor mais uma vez.
--
abs,

Evandro Oliveira
Beagá(MG) / Brasília(DF)

"Ninguém pode conceber tão bem uma coisa e fazê-la sua,quando a aprende de um outro, em vez de a inventar ele próprio."
Rene Descartes


diego ramalho

unread,
Sep 4, 2011, 10:32:26 AM9/4/11
to thac...@googlegroups.com

Evandro,

 

Por isso citei que precisamos de um longo debate, porém quase todos os juristas e juízes do TRE que tenho debatido defendem o financiamento público. Esse é um dos temas que não podemos deixar ficar de fora do debate e é consenso na frente parlamentar mista de combate a corrupção na Câmara.

 
 
 
Em 4 de setembro de 2011 11:11, Fabiano Angélico <fabiano...@gmail.com> escreveu:

Fabiano Angélico

unread,
Sep 4, 2011, 10:36:30 AM9/4/11
to Transparência Hacker
Sobre voto em lista, sugiro este artigo do cientista político André
Marenco, que no último parágrafo também fala, rapidamente, de
financiamento público:
http://migre.me/5CB9S


On Sep 4, 11:32 am, diego ramalho <diegoramalho2...@gmail.com> wrote:
> Evandro,
>
> Por isso citei que precisamos de um longo debate, porém quase todos os
> juristas e juízes do TRE que tenho debatido defendem o financiamento
> público. Esse é um dos temas que não podemos deixar ficar de fora do debate
> e é consenso na frente parlamentar mista de combate a corrupção na Câmara.
>
> Em 4 de setembro de 2011 11:11, Fabiano Angélico
> <fabianoangel...@gmail.com>escreveu:
>
>
>
>
>
>
>
> > Leandro e Diego:
>
> > Eu também sou contra o financiamento público exclusivo. Há gente bem
> > intencionada que o defende, mas acho isso um equívoco.
> > Tenho sugestões para se combater o excessivo peso do dinheiro na
> > escolha de nossos representantes.
> > Escrevi este texto em 2009, mas ainda penso da mesma forma:
>
> >http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3796981-EI6578,00-O+di...

Evandro Oliveira

unread,
Sep 4, 2011, 11:37:11 AM9/4/11
to thac...@googlegroups.com
Estes juízes do TSE/TREs são os mesmos que fizeram pedido ao
STF para que o TSE deixe de cumprir legislação publicada anos
atrás que criava a impressão do voto como forma de auditar o processo
de votação.

Estes mesmos juízes do TSE/TREs não conhecem nada de tecnologia
e conduzem eleições eletrônicas desde 1996 a partir do que aconselham
terceirizados contratados a peso de ouro para cada comarca eleitoral.

Estes mesmos juízes do TSE/TREs são capazes de dar uma sentença
escrevendo que como nunca viram determinado fato na Folha de São Paulo
ou Jornal nacional, é inconcebivel que tal mecanismo de tecnologia possa
ser burlado.

Só posso dizer que será tudo feito de acordo com o desejo de "poderosos"
do TSE ou com influência lá.

Quando estes juízes passam a defender financiamento público de campanha
sem debate com quem coloca dinheiro lá, e quando vejo estes juízes enfrentando
o Executivo Federal por aumentos particulares para o Judiciário, dá mêdo!

diego ramalho

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Sep 4, 2011, 11:46:12 AM9/4/11
to thac...@googlegroups.com
Evandro,
 
Seria leviano da nossa parte generalizar.

Evandro Oliveira

unread,
Sep 4, 2011, 11:50:48 AM9/4/11
to thac...@googlegroups.com
Diego,

Como fui eu a vitima na sentença de um Juiz Eleitoral,
como fui autor de diversos relatórios de auditoria que
demonstram o que descrevo, como fui que que fui
ameaçado de demissão por falar que um desembargador
não garantia a segurança do processo eleitoral porque
ele não conhecia o processo, nào estou generalizando
(pegando um caso e expandindo), estou exemplificando
o modus operandi da Justiça Eleitoral e relatando casos
concretos.

E, AI daquele político que depende de VOTO se ele 
enfrentar estes juízes eleitorais. Já vi políticos proporem
leis no COngresso, a lei ser aprovada e o mesmo político
depois "afinar" e mudar textos e compreensão da legislação.

Mas concordo integralmente, não devemos generalizar.

diego ramalho

unread,
Sep 4, 2011, 12:00:18 PM9/4/11
to thac...@googlegroups.com

Entendo,

 

Ao citar juízes que defendem o Financiamento público, estou falando de juízes que conheço e tenho contato como militante aqui no DF do controle social e combate a corrupção. No momento nosso objetivo é levantar o debate dentro da sociedade sobre a reforma política e chegar a um ponto que realmente faça a diferença no nosso sistema eleitoral atual. Foi assim que criamos a lei 9840 e a lei da Ficha Limpa.

 

Abraço

Fabricio Muriana

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Sep 5, 2011, 10:13:43 AM9/5/11
to thac...@googlegroups.com

Daniel Marcelino

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Sep 5, 2011, 10:37:55 AM9/5/11
to thac...@googlegroups.com
Eu achei légal o texto, mas diria que o interessante mesmo é olhar
quais foram os efeitos sobre o sistema político e opinião pública
causados pelas leis limpas. Se não vamos ficar no blá, blá, blá. Vamos
pegar o casos em que um país/estado/cidade não usava leis limpas e
passou a usa-las. Essa história de usar os EUA como comparação é
problemática. O sistema político americano é muito diferente do
brasileiro e também da maior parte do mundo. As leis de financiamento
de campanhas nos EUA são extremamente falhas. Por fim, transparência é
realmente importante? EU acho que sim, mas a Suíça é vista por muitos
como um exemplo de democracia, mas não há leis sobre o financiamento
das campanhas naquele país. Qualquer candidato pode receber o que
quiser de quem quiser e não é necessário informar a ninguém. Nem por
isso a democracia cai.
Abraço,
Daniel

2011/9/5 Fabricio Muriana <fmur...@gmail.com>:

--
About me: http://danielmarcelino.zip.net/

Demian

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Sep 5, 2011, 11:19:19 AM9/5/11
to thac...@googlegroups.com
Bom, mas aí é preciso ver por quais razões isso dá certo na Suíça. A mesma lógica aplicada aqui, não dá certo, é preciso a transparência.

2011/9/5 Daniel Marcelino <dms...@gmail.com>



--
"Quem não compreende um olhar, tampouco
compreenderá uma longa explicação."
Mário Quintana



Leandro Salvador

unread,
Sep 7, 2011, 2:39:11 AM9/7/11
to thac...@googlegroups.com
Olá Pessoal!

A meu modo de ver, o debate crítico sobre política no Brasil (talvez também no mundo) gira mais do que deveria sobre um único foco: corrupção. É como se todos os grandes males da Política (com P maiúsculo) fossem sanados quando, utopicamente, a corrupção deixasse de existir. Isto nos leva (enquanto sociedade) a investir praticamente toda a energia crítica num único foco: o combate à corrupção!

Evidentemente, corrupção é um problema gravíssimo, mas a crença generalizada e profunda tanto de que ela (a corrupção) é o principal problema do mundo, como a de que ela (a corrupção) poderá finalmente, algum dia, desaparecer da face da Terra, parecem-me um tiro certo no alvo errado. Uma coisa é combater a corrupção, outra é praticamente só fazer-se isto!

Todas as críticas a governos, ao Estado (enquanto conjunto de instituições) e à Política, parecem em grande medida reduzirem-se a este tópico: a existência/manifestação/descoberta da corrupção. Não percebo, praticamente em parte alguma, críticas aos rumos, ao Norte, ao futuro em que governos, Estado e Política estão a nos colocar (nós, sociedade, povo, humanidade...).

Neste sentido, o tópico "financiamento público de campanha" parece-me ter muito mais a ver com o tópico "para onde vamos" do que com o tópico "corrupção". Em síntese: meu desejo, ao discutir "financiamento público de campanha", tem muito mais a ver com aquilo que me parecem ser problemas essenciais e profundos inerentes ao financiamento privado, do que com corrupção.

É que não se trata (ou não deveria tratar-se, IMHO) de tentar-se combater a corrupção por meio do financiamento público, longe disso! Para combater-se a corrupção há outras ações muito mais potentes e eficazes. Trata-se, acredito, de termos (nós, sociedade) a possibilidade de criar algumas das condições necessárias para construirmos governos, Estado e Política em que pessoas dispostas a mudar o mundo para melhor, possam tornar-se governantes, estadistas e políticos, sem terem que, necessariamente, venderem suas "almas" a compromissos privados.

Acho que é a partir disto que podemos construir um debate diferente dos termos/recorte amplamente difundidos como senso comum... :)

Abraços!
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