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Há cinco meses, cinco jovens
interessados em política resolveram criar um site para registrar e
verificar as promessas dos então pré-candidatos às eleições
presidenciais francesas -- o primeiro turno acontece neste domingo
(22/04). Inspirado na iniciativa norte-americana politifact.com,
que ganhou o prêmio Pulitzer pela análise das declarações feitas
durante a eleição dos Estados Unidos em 2008, o promessometre.fr ganhou
popularidade na França.
“Nós não buscamos influenciar os leitores, apenas
trazer pistas para a reflexão”, afirma Nastassia Mari, integrante
da pequena equipe do Promessoètre. Segundo ela, o factchecking -- cruzamento
de informações para verificar a autenticidade de informações dos
programas de governo e declarações dos candidatos -- é
uma necessidade para evitar comportamentos contraditórios e
garantir a aplicabilidade das propostas governamentais. “Cada vez
mais a mídia faz isso também, todos os grandes jornais recuperaram
essa idéia”, aponta fazendo referência ao site Désintox do jornalLibération que promete "desafiar a
palavra dos políticos".
Além de garantir a veracidade dos argumentos eleitorais, o site
quer servir de memória coletiva, permitindo que os internautas
continuem acompanhando as promessas feitas depois do candidato
eleito. "Queremos uma certa neutralidade e tentamos nos policiar”,
garante Mari.
Insatisfeitos
Oriundos de faculdades de engenharia ou administração, os
responsáveis pelo site têm entre 25 e 30 anos e e a maioria
atualmente trabalha no setor de telecomunicações. Não se encontram
sempre, mas se comunicam por email, mas de 30 por dia.
Os internautas participam comentando e propondo discretamente
novos temas. O Promessomètre é subdividido em quatro categorias :
uma sobre os pontos em que os candidatos concordam, outra para as
divergências, uma editoria chamada "Lupa" para dar esclarecimentos
sobre um tema e por último "Opinião Livre", espaço para
argumentações pessoais.
Jovens e pobres
Em plena campanha eleitoral, o coletivo "Geração Precária"
(Génération Précaire), famoso por ações midiáticas que denunciam
más condições de trabalho de jovens funcionários e estagiários
criou a "Young and Poor", uma agência de classificação das
propostas dos candidatos sobre a juventude. Em uma referência
direta à agência norte-americana de classificação de risco
Standard & Poor’s, o grupo de jovens e pesquisadores quer
denunciar um governo refém da crise financeira e o poder político
dessas agências que classificam os países de acordo com sua saúde
financeira.
Desde o início da crise dos suprimes em 2007, a porta de entrada
para o pesadelo econômico que ainda abala a Europa, o papel das
agências de cotação ganhou espaço na mídia e gerou polêmicas
quanto à credibilidade e envolvimento direto com integrantes de
governos europeus e norte-americanos.
Em janeiro, a França perdeu seu triplo “A”, nota máxima que
permite empréstimos com as melhores taxas. A Young and Poor
utiliza o mesmo sistema para avaliar o espaço e as medidas
dedicadas à parcela da população com menos de 35 anos, a mais
atingida pelo desemprego.
Nesse quesito, nenhum candidato alcançou a média até agora.
François Hollande, do Partido Socialista divide a nota "C" com a
ecologista Eva Joly, o candidato de extrema-direita Jean-Luc
Mélenchon, a de extrema-direita Marine Le Pen. Enquanto Sarkozy e
o centrista François Bayrou levam um "D", escapando por pouco da
letra "E", a menor classificação possível.
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