Open Government Partnership-- is Brazil fit to co-chair?

8 views
Skip to first unread message

Greg Michener

unread,
Jul 13, 2011, 8:36:34 AM7/13/11
to thac...@googlegroups.com, brasil...@lists.riseup.net
Tal vez seja de interesse: http://is.gd/H7P0Cs

--
Greg Michener

Brasil +(55) (21) 3281-7717 | 8004-7775
http://gregmichener.com | http://observingbrazil.com
Skype: greg_michener


Pedro Markun

unread,
Jul 13, 2011, 9:45:08 AM7/13/11
to brasil...@lists.riseup.net, thac...@googlegroups.com
Bom texto, Greg =)

abs,
Pedro Markun

✿◠‿◠)♥ Diólia de Carvalho Graziano

unread,
Jul 13, 2011, 12:13:16 PM7/13/11
to thac...@googlegroups.com, brasil...@lists.riseup.net
Obrigada, Greg, excelente artigo sobre um grande quebra cabeças e um habilidoso teatro. Realmente a diplomacia contemporânea está muito interessante. Esperemos que o fato de ter um posto importante nesta nova organização não legitime a forma como vem sendo conduzida a lei de acesso à informação no Brasil.
Mais uma vez, parabéns!
 
Diólia  
         
              
about.me/diolia              ✿◠‿◠)♥    "Se funciona, é obsoleto." Mcluhan

 +55 11 9989-8455  Vivo 




2011/7/13 Pedro Markun <pe...@esfera.mobi>
--
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "Transparência Hacker" dos Grupos do Google.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para thac...@googlegroups.com.
Para cancelar a inscrição nesse grupo, envie um e-mail para thackday+u...@googlegroups.com.
Para obter mais opções, visite esse grupo em http://groups.google.com/group/thackday?hl=pt-BR.

Diego Casaes

unread,
Jul 13, 2011, 7:01:17 PM7/13/11
to brasil...@lists.riseup.net, thac...@googlegroups.com
Boníssimo texto, Greg.

Acho que complementa o do David, dando uma perspectiva do que a OGP significará para o Brasil.
Alguém topa traduzir o texto do Greg pra português ou criar uma outra perspectiva? Eu tô meio (bastante) atolado de coisas, mas acho que é importante ter isso pra um público mais amplo que não fala inglês ;-)


Um abraço,

On Wed, Jul 13, 2011 at 9:36 AM, Greg Michener <greg.m...@gmail.com> wrote:



--
Diego Casaes
+55 11 8101-5145

Esfera (Casa da Cultura Digital)
+55 11 3151-5075 | +55 11 9343-6978

Follow me on Twitter: @casaesdiego
For updates in Portuguese, follow @diegocasaes
Ping me on Skype: diegocasaes

Greg Michener

unread,
Jul 14, 2011, 2:36:12 PM7/14/11
to Transparência Hacker
Obrigado pelas palavras tão gentis, Pedro, Diólia e Diego. Acho que
seria bom traduzi material deste tipo mesmo. A gente precisa de alguém
para fazer esse trabalho voluntariamente para o Brasil Aberto--- uma
proposição difícil...

Alguém topa?

GM


On Jul 13, 8:01 pm, Diego Casaes <diegocas...@gmail.com> wrote:
> Boníssimo texto, Greg.
>
> Acho que complementa o do David, dando uma perspectiva do que a OGP
> significará para o Brasil.
> Alguém topa traduzir o texto do Greg pra português ou criar uma outra
> perspectiva? Eu tô meio (bastante) atolado de coisas, mas acho que é
> importante ter isso pra um público mais amplo que não fala inglês ;-)
>
> Um abraço,
>
> On Wed, Jul 13, 2011 at 9:36 AM, Greg Michener <greg.miche...@gmail.com>wrote:
>
> > Tal vez seja de interesse:http://is.gd/H7P0Cs
>
> > --
> > Greg Michener
>
> > Brasil +(55) (21) 3281-7717 | 8004-7775
> >http://gregmichener.com|http://observingbrazil.com
> > Skype: greg_michener
>
> --
> Diego Casaes
> +55 11 8101-5145
>
> Esfera <http://blog.esfera.mobi/> (Casa da Cultura Digital)
> +55 11 3151-5075 | +55 11 9343-6978
>
> Follow me on Twitter: @casaesdiego <http://www.twitter.com/casaesdiego>
> For updates in Portuguese, follow
> @diegocasaes<http://www.twitter.com/diegocasaes>

✿◠‿◠)♥ Diólia de Carvalho Graziano

unread,
Jul 14, 2011, 2:58:37 PM7/14/11
to thac...@googlegroups.com
Eu posso fazer isso hoje a noite.

Diólia  
         
              
about.me/diolia              ✿◠‿◠)♥    "Se funciona, é obsoleto." Mcluhan

 +55 11 9989-8455  Vivo 




2011/7/14 Greg Michener <greg.m...@gmail.com>

Patrícia Cornils

unread,
Jul 14, 2011, 4:26:06 PM7/14/11
to thac...@googlegroups.com
Diólia,

comecei, não sei se ajuda, mas aí vai.

bjo,

pati


Open Government Partnership (Parceria para Governo Aberto) – Um novo rumo para a política exterior dos EUA?

Os Estados Unidos e mais de 50 outros países se encontraram no dia 12 de julho para debater uma nova iniciativa internacional para a promoção de governos abertos em todo o mundo, a Open Government Partnership (OGP). O objetivo é criar um acordo multinacional e com as diversas partes interessadas para avançar na abertura, prestação de contas, transparência e boa governança. A OGP será anunciada na abertura das Nações Unidas, em setembro. Ao mesmo tempo que parece ser um meio promissor para melhorar a condição humana, a OGP levanta alguns pontos de discórdia em relação a questões conceituais e metodológicas, assim como algumas questões críticas a respeito do rumo da política externa dos Estados Unidos.

O que
A parceria começou a ser desenhada em novembro de 2010 e foi concebida inicialmente para ser co-dirigida pela Índia e pelos EUA, mas hoje a Índia está fora e o Brasil, dentro. Como muitas coisas a respeito da iniciativa, o motivo para esta mudança ainda é obscuro, mas o que se sabe é que a parceria vai envolver mais de 50 países, liderada por um "Comitê Executivo Internacional Multistakeholder" composto pelos governos do Brasil, da Indonésia, do México, da Noruega, das Filipinas, da África do Sul, do Reino Unido e dos Estados Unidos e mais de 60 organizações da sociedade civil ao redor do mundo. É importante notar que um dos organizadores originais do OGP, a Índia, não faz parte do grupo. A reunião inaugural do grupo, que aconteceu n o dia 12 de julho, não foi aberta à imprensa, que teve acesso apenas às declarações de abertura e encerramento dos trabalhos.

Critérios para fazer parte da Open Government Partnership (OGP)
Os documentos fornecidos pela iniciativa estabelecem quatro critérios para entrar do grupo, baseados em uma lista de 16 requisitos da qual os países devem preencher pelo menos 12 para poder participar. Os critérios, avaliados por "um grupo independente de especialistas", são compostos pelas seguintes categorias:

a) Transparência Fiscal (2 pontos)
b) Acesso à Informação (4 pontos)
c) Publicaçaão de informações sobre representantes eleitos ou funcionários públicos de primeiro seniores (4 pontos)
d) Engajamento cidadão (4 pontos)

O Brasil tem condições de co-dirigir a OGP?
A pontuação parece meio arranjada. O Brasil, co-dirigente da OGP, ainda não aprovou sua Lei de Acesso à Informação (Liberdade de Informação) e, como eu escrevi longamente em outros posts, a resistência à abertura é um aspecto marcante da política brasileira, tanto no Congresso quanto no Poder Executivo. Apesar desse histórico, o país recebeu 15 de 16 pontos possíveis. Em "Acesso à Informação", o Brasil recebeu dois pontos porque sua constituição prevê o direito de acesso. Ganhou um ponto adicional porque tem um projeto de lei de acesso à informação tramitando no Congresso. Ainda que tenha recebido quase a nota máxima neste critério, a disposição constitucional que garante o acesso á informação não tem efeito prático nenhum porque não foi regulamentada por uma Lei de Acesso à Informação -- que está no Congresso desde 2009. Uma lei recente que permite a não divulgação dos valores dos contratos relacionados à Copa de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016 aparentemente não foi considerada, assim como a dificuldade de uso do Portal da Transparência do governo -- o Brasil recebeu nota máxima no quesito da transparência fiscal.

O que todo mundo deveria se perguntar é se o Brasil tem condições de ser o co-dirigente da OGP, ou mais, se poderia sequer se qualificar para fazer parte da OGP. Se a OGD adota esse tipo de referência antes mesmo de ser lançada formalmente, se escolhe como co-líder um país que não é liderança em termos de transparência, o que pode-se esperar que a iniciativa seja algo mais do que uma maneira de sair bem na foto?

Um novo rumo para a política externa dos EUA: promoção da democracia pela porta dos fundos?
A ideia de abertura é claramente boa para a política externa estadunidense. Já está provado que as Nações Unidas não são uma arena satisfatória para a ação coletiva, exatamente por conta do abismo entre regimes autoritários e democracias. É difícil que surjam arranjos internacionais alternativos. A ideia de uma nova "Liga de Democracias" ou formulações semelhantes circulam há anos, mas referências para diferenciar democracias reais de democracias de fachada são complicadas. Além disso, os Estados Unidos não querem organizar um fórum do tipo "nós contra eles" porque isso poderia ofender seus aliados autoritários, como a Arábia Saudita e as monarquias do Oriente Médio, entre outros.

Um coletivo de países dedicados à causa da "abertura" é interessante exatament por ser inofensivo. Os países podem querer aderir a esta iniciativa, e podem receber incentivos econômicos como transferência de tecnologia e conhecimento ao fazê-lo, tratamento diplomático preferencial e direito de se vangloriar, para efeito de relações públicas.

Como eu e meu colega blogueiro David Sazaki recentemente discutimos (e ele escreveu), ao mesmo tempo em que a abertura pode gerar avanços na condição humana, ao prover maio liberdade, assim como acesso à informação, educação e tecnologia, também pode ser uma maneira de promover a democracia indiretamente. Isso é ruim? Não a princípio, mas como acontece com a defesa da democracia, o perigo sempre próximo é o de usar dois pesos e duas medidas: dar aos amigos o status de "abertos", mesmo quando eles não apresentam, com credibilidade, os requisitos mínimos para isso.

Breaking Open the BRIC (Brazil, Russia, India, China)?
Yet ‘openness’ is a strategic concept that may help achieve several instrumental goals. First, it may “break open the BRIC” by creating a dividing line between the great emerging economic powers—the democratic governments of Brazil and India on the one hand, and the two authoritarian giants on the other, Russia and China. By consolidating strategic alliances with Brazil and India, the U.S. pulls two major regional players into its sphere of influence, and isolates authoritarian regimes reluctant to engage in real openness.

It may also bring about democracy. Some may remember the term ‘Glasnost,’ a rough equivalent of ‘openness’ in Russian. It was one of Mikhail Gorbachev’s key liberalizing policies, designed to assuage pent up disshttp://en.mercopress.com/data/cache/noticias/26935/0x0/bric.jpgent. It also opened the floodgates for the greatest democratic transition of the Twentieth Century. The concept has the potential to do the same in countless other places, such as China, Russia, and Iran. It would be difficult to imagine real openness not leading to democratic change, and for this goal it may prove a valuable instrument in the evolving toolbox of U.S. diplomacy.

It may prove equally valuable in achieving a long-coveted goal of the U.S.—opening markets. The U.S. has more free trade agreements than any other country in the world—about a dozen in the Americas alone, if the CAFTA and NAFTA are taken into account. Brazil was not chosen to co-chair the OGP by hazard. Opening-up this continental country would be bonanza for U.S. companies. It is not only a young, growing market of more than 190 million consumers, but in most areas outside of commodities, Brazilian companies are uncompetitive compared to their U.S. equivalents. It’s not surprising why: most Brazilian industry hides behind efficiency-eroding tariff walls, public officials engage in sweetheart deals with local firms, and doing business in Brazil is little less than a Kafkaesque adventure in bureaucratic entanglement. By encouraging an ‘opening’, market-minded Brazilians and lobbyists could make a greater case for reforms to alleviate these obstacles. The U.S. might gain access to Brazil’s coveted consumer markets, procurement contracts, and the country’s abundant natural resources, including oil.

The extractive industries are a particularly salient focus for the OGP, as with other large international campaigns for transparency and accountability, such as the Transparency & Accountability Initiative. The rationale behind this focus is rather evident. As I discussed last post, there is a strong association between mineral-wealth, inequality, corruption, and authoritarianism—exactly the types of pathologies the world’s progressive countries are trying to prevent.

The Metaphor of Openness
Openness is vulnerability. By contrast, the first rule of international relations and politics more generally is self-preservation: defense, blame-avoidance, and distrust. To engage in real opening will imply overcoming these basic political instincts, a monumental challenge that will require a cultural change spanning decades, if not centuries. Transparency and freedom of information initiatives across the world are still young, and the OGP is a promising exploration of whether nations are strong enough to be vulnerable.

But the will to opennessmay not be completely self-determined. Certainly, the Arab Spring of 2011 demonstrates that ‘opening’ may be forced. The revolutions that occurred across North Africa and the Middle-East used the purported tools of openness–social media and technology–as a means to an end. Technology is instrumental in this sense; it effectively helped citizens overcome collective action dilemmas, and gave voice to demands for freedom against terrible odds. As fellow bloggers have pointed out, technology is an excellent instrument for shaming governments and expressing anti-system sentiment, but will it prove equally vital in constructing valuable structures of openness?

Regardless of what the skeptics say, if there was ever a time in history to launch an international open government partnership, this is it. Historically, it’s a highly atypical diplomatic initiative: unideological, nonexclusive, engaged with all levels of government and society, and diffuse—it’s a heck of a promising initiative, if it turns out to be for real.
--
Patrícia Cornils
11 3124-7444 ou 8372-7473

✿◠‿◠)♥ Diólia de Carvalho Graziano

unread,
Jul 14, 2011, 6:29:16 PM7/14/11
to thac...@googlegroups.com, Greg Michener
Open Government Partnership (Parceria para Governo Aberto) – Um novo rumo para a política exterior dos EUA?

Os Estados Unidos e mais de 50 outros países se encontraram no dia 12 de julho para debater uma nova iniciativa internacional para a promoção de governos abertos em todo o mundo, a Open Government Partnership (OGP). O objetivo é criar um acordo multinacional e com as diversas partes interessadas para avançar na abertura, prestação de contas, transparência e boa governança. A OGP será anunciada na abertura das Nações Unidas, em setembro. Ao mesmo tempo em que parece ser um meio promissor para melhorar a condição humana, a OGP levanta alguns pontos de discórdia em relação a questões conceituais e metodológicas, assim como algumas questões críticas a respeito do rumo da política externa dos Estados Unidos.

O que
A parceria começou a ser desenhada em novembro de 2010 e foi concebida inicialmente para ser co-dirigida pela Índia e pelos EUA, mas hoje a Índia está fora e o Brasil dentro. Como muitas coisas a respeito da iniciativa, o motivo para esta mudança ainda é obscuro, mas o que se sabe é que a parceria vai envolver mais de 50 países, liderada por um "Comitê Executivo Internacional Multistakeholder" composto pelos governos do Brasil, da Indonésia, do México, da Noruega, das Filipinas, da África do Sul, do Reino Unido e dos Estados Unidos e mais de 60 organizações da sociedade civil ao redor do mundo. É importante notar que um dos organizadores originais do OGP, a Índia, não faz parte do grupo. A reunião inaugural do grupo, que aconteceu n o dia 12 de julho, não foi aberta à imprensa, que teve acesso apenas às declarações de abertura e encerramento dos trabalhos.


Critérios para fazer parte da Open Government Partnership (OGP)
Os documentos fornecidos pela iniciativa estabelecem quatro critérios para entrar do grupo, baseados em uma lista de 16 requisitos da qual os países devem preencher pelo menos 12 para poder participar. Os critérios, avaliados por "um grupo independente de especialistas", são compostos pelas seguintes categorias:

a) Transparência Fiscal (2 pontos)
b) Acesso à Informação (4 pontos)
c) Publicaçaão de informações sobre representantes eleitos ou funcionários públicos de primeiro seniores (4 pontos)
d) Engajamento cidadão (4 pontos)

O Brasil tem condições de co-dirigir a OGP?
A pontuação parece meio arranjada. O Brasil, co-dirigente da OGP, ainda não aprovou sua Lei de Acesso à Informação (Liberdade de Informação) e, como eu escrevi longamente em outros posts, a resistência à abertura é um aspecto marcante da política brasileira, tanto no Congresso quanto no Poder Executivo. Apesar desse histórico, o país recebeu 15 de 16 pontos possíveis. Em "Acesso à Informação", o Brasil recebeu dois pontos porque sua constituição prevê o direito de acesso. Ganhou um ponto adicional porque tem um projeto de lei de acesso à informação tramitando no Congresso. Ainda que tenha recebido quase a nota máxima neste critério, a disposição constitucional que garante o acesso á informação não tem efeito prático nenhum porque não foi regulamentada por uma Lei de Acesso à Informação -- que está no Congresso desde 2009. Uma lei recente que permite a não divulgação dos valores dos contratos relacionados à Copa de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016 aparentemente não foi considerada, assim como a dificuldade de uso do Portal da Transparência do governo -- o Brasil recebeu nota máxima no quesito da transparência fiscal.

O que todo mundo deveria se perguntar é se o Brasil tem condições de ser o co-dirigente da OGP, ou mais, se poderia sequer se qualificar para fazer parte da OGP. Se a OGD adota esse tipo de referência antes mesmo de ser lançada formalmente, se escolhe como co-líder um país que não é liderança em termos de transparência, o que pode-se esperar que a iniciativa seja algo mais do que uma bela fachada?


Um novo rumo para a política externa dos EUA: promoção da democracia pela porta dos fundos?
A ideia de abertura é claramente boa para a política externa estadunidense. Já está provado que as Nações Unidas não são uma arena satisfatória para a ação coletiva, exatamente por conta do abismo entre regimes autoritários e democracias. É difícil que surjam arranjos internacionais alternativos. A ideia de uma nova "Liga de Democracias" ou formulações semelhantes circulam há anos, mas referências para diferenciar democracias reais de democracias de fachada são complicadas. Além disso, os Estados Unidos não querem organizar um fórum do tipo "nós contra eles" porque isso poderia ofender seus aliados autoritários, como a Arábia Saudita e as monarquias do Oriente Médio, entre outros.

Um coletivo de países dedicados à causa da "abertura" é interessante exatamente por ser inofensivo. Os países podem querer aderir a esta iniciativa, e podem receber incentivos econômicos como transferência de tecnologia e conhecimento ao fazê-lo, tratamento diplomático preferencial e direito de se vangloriar, para efeito de relações públicas.

Como eu e meu colega blogueiro, David Sazaki, recentemente discutimos (e ele escreveu), ao mesmo tempo em que a abertura pode gerar avanços na condição humana, ao prover maior liberdade, assim como acesso à informação, educação e tecnologia, também pode ser uma maneira de promover a democracia indiretamente. Isso é ruim? Não a princípio, mas como acontece com a defesa da democracia, o perigo sempre próximo é o de usar dois pesos e duas medidas: dar aos amigos o status de "abertos", mesmo quando eles não apresentam, com credibilidade, os requisitos mínimos para isso.

Quebrando o BRIC (Brazil, Russia, India, China)?
Ainda 'transparência' é um conceito estratégico que pode ajudar a alcançar vários objetivos instrumentais. Primeiro, ele pode "quebrar o BRIC", criando uma linha divisória entre as grandes potências economicas emergentes - os governos democráticos do Brasil e da Índia por um lado, e os dois gigantes autoritários de outro, Rússia e China. Ao consolidar alianças estratégicas com Brasil e Índia, os EUA puxam dois grandes atores regionais para a sua esfera de influência, e isolam os regimes autoritários relutantes em envolver-se em uma abertura real.

Isto também pode trazer a democracia. Alguns podem se lembrar do termo "Glasnost", um equivalente aproximado de 'transparência' em russo. Foi uma das principais políticas liberalizantes de Mikhail Gorbachev, projetada para amenizar a repressão.http://en.mercopress.com/data/cache/noticias/26935/0x0/bric.jpgent. Ela também abriu as comportas para o maior transição democrática do século XX. O conceito tem o potencial de fazer o mesmo em inúmeros outros lugares, como a China, Rússia e Iran. Seria difícil imaginar a abertura real não levando a uma mudança democrática, e com esse objetivo pode revelar-se um instrumento valioso na evolução caixa de ferramentas da diplomacia dos EUA.

A iniciativa pode igualmente revelar-se valiosa para alcançar uma cobiçada meta de longo prazo dos EUA - a abertura de mercados. Os EUA têm mais acordos de livre comércio do que qualquer outro país no mundo - cerca de uma dúzia nas Américas sozinho, se levarmos o CAFTA e NAFTA em conta. O Brasil não foi escolhido para co-presidente da OGP pelo perigo. Abertura deste país continental seria a bonança para as empresas dos EUA. Não se trata apenas um mercado jovem e em crescimento de mais de 190 milhões de consumidores, mas na maioria das áreas fora das commodities, as empresas brasileiras não são competitivas em comparação com seus equivalentes dos EUA. Não é surpreendente o por que: a maioria da indústria brasileira esconde por tras da eficiência corrozivas barreiras tarifárias, com funcionários públicos se envolvendo em negócios com empresas locais prediletas, e fazer negócios no Brasil é pouco menos do que uma aventura kafkiana no emaranhado burocrático. Ao incentivar uma "abertura", o espírito de mercado e os lobistas brasileiros poderiam fazer uma maior conjectura por reformas para atenuar estes obstáculos. Os EUA podem ter acesso aos cobiçados mercados consumidores do Brasil, aos contratos, e à abundancia de recursos naturais do país, incluindo petróleo.

As indústrias extrativistas são um foco particularmente relevante para a OGP, como acontece com outras grandes campanhas internacionais de transparência e responsabilidade, como a Iniciativa de Transparência e Responsabilidade - Transparency & Accountability Initiative. A lógica subjacente a este enfoque é bastante evidente. Como discutido no último post, há uma forte associação entre a riqueza mineral, a desigualdade, a corrupção e o autoritarismo, exatamente os tipos de patologias que os países progressistas do mundo estão tentando impedir.

A Metáfora da Abertura

Abertura significa vulnerabilidade. Em contraste, a primeira regra mais geral das relações internacionais e da política é a auto-preservação: a defesa, culpar a evasão fiscal, e a desconfiança. Engajar-se em abertura real implicará superar esses instintos políticos básicos, um desafio monumental que vai exigir uma mudança cultural que abrange décadas, senão séculos. A transparência e as iniciativas de liberdade de informação em todo o mundo ainda são jovens, e a OGP é uma promissora exploração de se as nações são fortes o suficiente para serem vulneráveis.

Mas a vontade da abertura pode não ser completamente auto-determinante. Certamente a Primavera Árabe de 2011 demonstra que a "abertura" pode ser forçada. As revoluções que ocorreram em todo o Norte de África e Oriente Médio usaram as supostas ferramentas de abertura - mídia social e tecnologia - como um meio para um fim. A tecnologia é fundamental neste sentido, ela efetivamente ajudou cidadãos a superar dilemas da ação coletiva, e deu voz à exigência de liberdade contra todas as terríveis probabilidades. Como colegas blogueiros têm apontado, a tecnologia é um excelente instrumento para envergonhar os governos e expressar o sentimento anti-sistema, mas será que ela vai  igualmente se provar vital na construção das valiosas estruturas de abertura?

Independentemente do que dizem os céticos, se alguma vez houve um momento na história para lançar uma parceria de governo aberto internacional, este momento é agora. Historicamente é uma iniciativa diplomática altamente atípica : uni-ideológica, não exclusiva, envolvida com todos os níveis do governo e da sociedade, e difusa -  é uma iniciativa promissora, se ela se tornar real.

Diólia  
         
              
about.me/diolia              ✿◠‿◠)♥    "Se funciona, é obsoleto." Mcluhan

 +55 11 9989-8455  Vivo 




2011/7/14 Patrícia Cornils <patrici...@gmail.com>

Greg Michener

unread,
Jul 14, 2011, 8:51:13 PM7/14/11
to ✿◠‿◠)♥ Diólia de Carvalho Graziano, thac...@googlegroups.com, brasil...@lists.riseup.net
Wow, Diólia,
Fantástico!
Alguém que colocá-lo no Brasil Aberto?

Vou te ligar amanha!
Abraço,
Greg

2011/7/14 ✿◠‿◠)♥ Diólia de Carvalho Graziano <dio...@gmail.com>

Everton Zanella Alvarenga

unread,
Jul 14, 2011, 8:55:25 PM7/14/11
to brasil...@lists.riseup.net, thac...@googlegroups.com
Encontrei hoje a Amelia Andersdotter do Partido Pirata e ela perguntou
sobre a situação dos dados abertos no Brasil - também conversamos um
pouco sobre o (des)serviço da nossa ministra da cultura. Recomendei o
blog do Greg e ainda tenho que ler esse texto.

Na Open Knowledge Conference também falei por cinco minutos na
apresentação do Lucas do IPEA e mencionei o blog do Greg e a
comunidade Thacker. :)

Continue o bom trabalho, Greg!

Everton Zanella Alvarenga

unread,
Jul 14, 2011, 8:56:34 PM7/14/11
to brasil...@lists.riseup.net, ✿◠‿◠)♥ Diólia de Carvalho Graziano, thac...@googlegroups.com
Em 15 de julho de 2011 02:51, Greg Michener <greg.m...@gmail.com> escreveu:
> Wow, Diólia,
> Fantástico!
> Alguém que colocá-lo no Brasil Aberto?

Se ninguém tiver colocado quando eu entrar na Internet, coloco!

Preciso dormir agora. Abraços!

Greg Michener

unread,
Jul 15, 2011, 7:05:26 AM7/15/11
to brasil...@lists.riseup.net, "✿◠‿◠)♥ Diólia de Carvalho Graziano <diolia2@gmail.com>", thac...@googlegroups.com, Ana Clara Martins Pompeu
Ótimo Fernando,
O site de Fórum e Brasil Aberto-- o maior difusão possível.

2011/7/14 FR - UOL - Folha <frodri...@uol.com.br>
vamos colocar o artigo no site do fórum de acesso (informacaopublica.org.br).

Fernando Rodrigues
Folha - Sucursal de Brasília
+ 61 3426-6600

FR - UOL - Folha

unread,
Jul 14, 2011, 9:27:16 PM7/14/11
to brasil...@lists.riseup.net, "✿◠‿◠)♥ Diólia de Carvalho Graziano <diolia2@gmail.com>", thac...@googlegroups.com, Ana Clara Martins Pompeu
vamos colocar o artigo no site do fórum de acesso (informacaopublica.org.br).

Fernando Rodrigues
Folha - Sucursal de Brasília
+ 61 3426-6600

Em 14/07/2011, às 21:51, Greg Michener escreveu:

FR - UOL - Folha

unread,
Jul 16, 2011, 8:22:52 AM7/16/11
to brasil...@lists.riseup.net, thac...@googlegroups.com

Fernando Rodrigues
Folha - Sucursal de Brasília
+ 61 3426-6600

Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages