O mundo selvagem dos dados do SUS

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Patrícia Cornils

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Dec 11, 2011, 4:57:07 PM12/11/11
to thac...@googlegroups.com
Sobre o SUS

Estive na semana passada com o Alexandre Marinho, pesquisador do Ipea. Pedi para falar com ele por causa desse artigo no Valor Econômico, que fala sobre como os recursos do setor público de saúde, no Brasil, são transferidos para o setor privado. Pouco antes tinha acontecido aquela discussão sobre se o Lula deveria ou não se tratar no SUS, o que levou a relatos sobre mal atendimento no sistema público e a relatos sobre boas coisas que o sistema faz.

A Saúde o maior orçamento público do país, contando os recursos do governo federal, dos estados e dos municípios. Depois da aprovação da emenda 29, semana passada, a União tem que destinar à saúde o valor aplicado no ano anterior mais a variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores. Em 2012, portanto, se®ae o mesmo valor destinado em 2011, acrescido da variação do PIB de 2010 para 2011: serão R$ 86 bilhões. Os estados serão obrigados a repassar 12% das suas receitas na saúde e os municípios, 15%. O Distrito Federal deverá aplicar 12% ou 15%, conforme a receita seja originária de um imposto de base estadual ou municipal.

O que fiquei pensando é: afinal, como funciona o SUS? Como toda essa grana entra e circula pelo sistema? Quais são os bons programas? E onde ele não funciona? Quando fui conversar com o Alexandre, minha ideia era fazer uma visualização desse fluxo, que permitisse às pessoas exatamente – rá! – visualizar o funcionamento do SUS. O texto publicado no Valor é um vislumbre disso. Ele fala sobre mecanismos de transferência de recursos.

Saí com ideias bem mais modestas da conversa. Baixei a bola porque acho que não consigo fazer isso sem entender, antes, além de como o sistema funciona, onde estão e como interpretar os dados que podem mostrar isso.

Os dados que o Alexandre usou estão em várias bases do Datasus. E no Censo do IBGE. Não estão publicados em formatos abertos, estão em sistemas de informação diferentes uns dos outros. É muito dado. E, ao mesmo tempo, para gente como eu, dado nenhum: como se navega por isso? Como se baixa séries históricas? Difícil. Além disso, este megasistema de informação está estruturado para a gestão. Não tem nenhum, nenhunzinho, serviço pro usuário do SUS. Se estou distraída e alguém encontrar um , por favor avise!

Mais fácil fazer algum recorte e tentar mostrar alguma coisa. Possibilidades:

  1. Análises comparativas. Reais gastos em determinado programa X retorno social. Uma ideia foi comparar os gastos do SUS nas cidades sede da Copa com o custo dos estádios. O problema é saber quanto do valor dos estádios é recurso público...

  2. Onde posso ser atendido? Essa é uma informação que não existe de maneira fácil. Ninguém sabe onde tem unidades básicas de saúde, hospitais para atendimento de média ou alta complexidade, centros de atenção psicosocial. Muito menos quantos médicos, em que horários e em qual especialidade atendem ali. O Pedro Markun deu uma ideia boa. Fazer isso de baixo prá cima. Conversar, por exemplo, com uma UBS que tope ceder esses dados, cartografá-los, publicá-los. Deixar o sistema disponível para outros estabelecimentos públicos de saúde colocarem informações. Será? Bom, aqui tem um exemplo de como encontrar serviços de saúde perto de você... do outro lado do mar.

  3. Quanto meu tratamento custou para o SUS? O cara do Ipea disse que essa informação não existe...

  4. Qual é o tempo de espera para determinados procedimentos? Outra informação que não existe...

  5. Quanto custam os medicamentos distribuídos pelo SUS? Onde eles são distribuídos? O Brasil distribui gratuitamente remédios para asma, diabetes, hipertensão, coquetel anti HIV. Também não há informações online sobre quantidades, preços, fornecedores, locais de distribuição. Há comunicados esparsos publicados pelo ministério. O legal de mexer com isso é que alguns medicamentos podem ser descontados do imposto de renda. É uma das formas de subsídio do governo ao setor privado, ao mesmo tempo em que se oferece medicamentos gratuitos.


Enfim. Não sei direito o que fazer. Meus próximos passos:

  1. Procurar alguém do Conselho de Saúde de São Paulo. E conversar sobre isso. Sobre como juntar dados e criar visualizações que ajudem as pessoas a entender como funciona o SUS. E falar sobre a ideia do “Onde posso ser atendido".

  2. Na reunião sobre Drogas, Direitos Humanos e Tecnologias que rolou na CCD combinamos marcar um sprint de pedidos de informação sobre os Centros de Atenção Psicosocial – que tratam pessoas com problemas psiquiátricos, inclusive dependentes de drogas. Quantos foram criados, quantos são geridos por ONGs e quais são, como são os contratos com o SUS. Vamos fazer, e acho que o tipo de demanda deles pode gerar coisas interessantes.

  3. Ver que tipo de informação sobre saúde as pessoas pedem no WhatDoTheyKnow e em outros sites de acesso à informação. Pode sair algo daí.

Como vocês podem ver, estou meio sem rumo. Mas não vou parar. Alguém tem um bit para colocar nessa conversa?







--
Patrícia Cornils
11 3124-7444 ou 8372-7473

Diólia de Carvalho Graziano

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Dec 11, 2011, 5:46:59 PM12/11/11
to thac...@googlegroups.com
Oi Patricia,
Uma das minhas melhores amigas acabou de voltar de Brasília onde auditava os programas do SUS pelo País, ela me contou uma longa história, acho que é essa que vc quer saber, sobre critérios. Ela agora está alocada na Secretaria da saúde estadual, aqui no Centrão de sampa. Se vc achar interessante poderia conversar com ela. O email dela é maritsa...@gmail.com e, por lógica, o nnome dela é Maritsa.

abs,

Diølia
Kind Regards,               

M.Sc. Diólia de Carvalho Graziano     
                                                        
    
 
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2011/12/11 Patrícia Cornils <patrici...@gmail.com>
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andre luiz

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Dec 11, 2011, 5:51:54 PM12/11/11
to thac...@googlegroups.com
Patrícia,
parabéns pela iniciativa
andré


Luiz Carlos V Silva

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Dec 11, 2011, 6:28:47 PM12/11/11
to thac...@googlegroups.com
Oi Patrícia,

Veja aí uma solicitação que fiz para o Portal da Transparência:

***********************************
Prezado(a) Senhor(a),

       Agradecemos o encaminhamento da sua mensagem.

       Em resposta à sua pergunta, informamos que o Portal da Transparência apenas divulga os dados relativos a repasses de recursos do Governo Federal referentes a convênios como ferramenta para fomentar a transparência e o controle social dos gastos governamentais. As informações constantes da descrição são alimentadas em um banco de dados específico (SICONV) pelo Órgão que celebrou o convênio, e a Controladoria-Geral da União extrai os dados desse sistema sem possuir, no momento, ingerência para efetuar modificações/acréscimos.

Sua sugestão, porém, de adicionar links para o órgão concedente na descrição dos convênios, será incluída em nossos projetos de melhoria do Portal da Transparência. Muito agradecidos pelas considerações feitas. Estamos nos empenhando para dia após dia aprimorarmos os dados e consultas feitas a esse importantíssimo instrumento de transparência pública e sua participação nesse canal é muito importante para esse aprimoramento.

Atenciosamente,

Equipe Técnica Responsável pelo Portal da Transparência do Governo Federal
Controladoria-Geral da União

-----Mensagem original-----
De: spa...@gmail.com [mailto:spa...@gmail.com]
Enviada em: domingo, 6 de novembro de 2011 13:33
Para: PORTAL TRANSPARENCIA
Assunto: Falta de acesso diretamento ao Link

De: Luiz Carlos V. Silva

Porque no detalhamento dos convênios a serem pesquisados não se disponibiliza os links diretos com o departamento da Concedente responsável pelas informações, e no site da mesma não tem um mecanismo de busca para essas informações?
E porque no Portal da Transparência já não consta essas informações, evitando esse retrabalho?

Exemplo: Convênio SIAFI: 700331
Concedente CNPQ - Administração Central

Dificuldade de se acessar a Administração Central pela página inicial do site.

Grato,

Luiz Carlos

"Mensagem protegida por sigilo profissional. Sua utilização indevida sujeita o infrator às penas da lei. Não sendo seu destinatário, por favor, elimine-a e informe o equívoco ao emitente."
*******************************************
Agora alguns exemplos de repasses de verbas:

Número Convênio: 619171
Objeto: APOIO A PESQUISA BIOMéDICA E EM SAúDE COLETIVA ATRAVéS DO DESENVOLVIMENTO DE PROGRAMAS, PROJETOS, AçõES DE APERFEIçOAMENTO DE RECURSOS HUMANOS.
Órgão Superior: MINISTERIO DA SAUDE
Convenente: CNPQ - ADMINISTRACAO CENTRAL
Valor Total: R$21.755.012,00
Data da Última Liberação: 02/12/2011
Valor da Última Liberação: R$3.169,38

Número Convênio: 553709
Objeto: OFERECER Á SOCIEDADE SERVIÇO ESPECIALIZADO DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITA LAR MÓVEL E DE RESGATE AS VITIMAS DE ACIDENTES E DEMAIS URGENCIAS/EMERGENCIAS, COM POSTERIOR ENCAMINHAMENTO, SOB REGULACAO MEDICA DO SAMU- 192, Á REDE ASSISTENCIAL DO SUS, MINIMIZANDO AS CONSEQUENCIAS ADVINDASINCLUSIVE OBITOS E SEQUELAS GRAVES NOS TERMOS DAS OBRIGACOES ASSUMIDASPELAS CONSTANTES, DESTE INSTRUMENTO, OBSERVADAS AS PRIORIDADES DO DRRF
Órgão Superior: MINISTERIO DA SAUDE
Convenente: DEPTO.DE POLICIA RODOVIARIA FEDERAL
Valor Total: R$9.789.000,00
Data da Última Liberação: 17/11/2011
Valor da Última Liberação: R$489.000,00

Um bom começo seria acompanhar desde a destinação das verbas até o pagamento final. É difícil, mas grande parte desses dados estão publicados..

Luiz Carlos


Diólia de Carvalho Graziano

unread,
Dec 11, 2011, 6:38:47 PM12/11/11
to thac...@googlegroups.com
Achei esta publicação que inclusive contempla artigo da especialista em gestão do SUS que comentei, Dra. Maritsa Carla Bortoli, talvez ajude, em especial o ultimo capitulo.

Kind Regards,               

M.Sc. Diólia de Carvalho Graziano     
                                                        
    
 
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2011/12/11 Luiz Carlos V Silva <spa...@gmail.com>

Evandro Oliveira

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Dec 11, 2011, 7:09:14 PM12/11/11
to thac...@googlegroups.com
Patrícia,

um bit...

O trabalho de fazer o que você se propõe (parabéns!) é árduo e ingrato.
Os próprios setores envolvidos (saúde, desenvolvimento social, fazenda, planejamento) adorariam
ter estes resultados que você imagina (e realmente são) necessários para avançar.
Existem consultorias pagas a peso de outro para fazer isto e não conseguem.

Uma ideia que tenho é pegar a rubrica de programa/ação do governo, que tem orçamento
anual, e servir de base para o "rastreamento" de TUDO que venha a ser publicado com
aquela rubrica nos diários oficiais (esta análise é o que chamamos de financeira). A junção 
das execuções físicas e seus resultados, nunca são alinhadas.
Assim, se queremos um acompanhamento físico-financeiro, em tempo real, o governo terá
que contratar gente de qualidade para modelar dados e colocar isto em sistemas que
sejam, efetivamente, integrados. O governo não conseguirá este "estado da arte" com o
pessoal desqualificado e com outros interesses que atualmente atuam nestas bases.

Evandro Oliveira

Em 11 de dezembro de 2011 19:57, Patrícia Cornils <patrici...@gmail.com> escreveu:

Gabriela Bauermann

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Dec 12, 2011, 6:11:14 AM12/12/11
to thac...@googlegroups.com
Olá pessoal,

mais um bit...

Sobre a questão "Onde posso ser atendido", na realidade acho que o problema não é tãao complicado assim. Andei raspando aquele datasus para encontrar clínicas de radiologia no meu estado, e o que descobri é que o registro do datasus "até que" está atualizado e preciso, em se tratando de endereços e serviços prestados pelos estabelecimentos. O problema é que o formato não é aberto.


"O Pedro Markun deu uma ideia boa. Fazer isso de baixo prá cima. Conversar, por exemplo, com uma UBS que tope ceder esses dados, cartografá-los, publicá-los. Deixar o sistema disponível para outros estabelecimentos públicos de saúde colocarem informações. Será?"

Bom, pessoalmente eu acho que isso não tem muita chance de acontecer. Ao menos aqui no RS, quando se chega em uma unidade de saúde mantida pelos município, "não sei de nada" e "não sei quem é o responsável por isso" é a resposta que mais ouço quando pergunto qualquer coisa, então acho difícil fazer com que todos os estabelecimentos mantivessem de fato o próprio registro. (mas é só a minha opinião)

Acho que a alternativa mais viável seria partir de um scrap do datasus, Criando um banco de dados paralelo (atualizado por scrap a cada 1 ou 2 meses), com um website preparado para apresentar os resultados e aceitar informações, tavez na forma de comentários, para atualizar isso.

O que eu descrevi aqui, tem gente que já fez em parte (doctoralia.com.br e helpsaude.com, por exemplo) a diferença é que eles fizeram isso como forma de ganhar grana com anúncios e não dão muita atenção às informações que são exibidas - falta muita coisa.

Mas quanto aos horários de atendimento... nenhuma informação mesmo. Teria que ser coletada de alguma forma.

bom, já deu mais que um bit... até mais!

Gabriela Bauermann
Santa Maria /RS /Brasil
Processamento e Análise de Imagens
www.imagesurvey.com.br


2011/12/11 Evandro Oliveira <pyx...@gmail.com>

Evandro Oliveira

unread,
Dec 12, 2011, 6:44:28 AM12/12/11
to thac...@googlegroups.com
Gabriela,

Concordo com você sobre a hipótese de fazer a análise de maneira botton-up
não ser factível.
A maior reclamação dos usuários de informação das "pontas" é que o pessoal
do chamado nível central, exigem e cobram preenchimento de dados e etc e  
"... NUNCA retornam com as informações sejam elas consolidadas ou específicas..."
Sem contar que a escolha das amostras de unidades descentralizadas deveriam ser bem
avaliadas para não induzirem a distorções relevantes.
A raspagem deve acontecer nos níveis centrais (secretarias municipais, estaduais e 
Ministérios/Datasus), no caso do tema SAÚDE. 

Agabê

unread,
Dec 12, 2011, 7:26:31 AM12/12/11
to Transparência Hacker
DATASUS é o caminho....é por lá que tudo começa e não termina...

On 11 dez, 19:57, Patrícia Cornils <patriciacorn...@gmail.com> wrote:
> Sobre o SUS
>
> Estive na semana passada com o Alexandre Marinho, pesquisador do Ipea. Pedi
> para falar com ele por causa desse artigo no Valor

> Econômico<http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/10/28/p...>,


> que fala sobre como os recursos do setor público de saúde, no Brasil, são
> transferidos para o setor privado. Pouco antes tinha acontecido aquela
> discussão sobre se o Lula deveria ou não se tratar no SUS, o que levou a
> relatos sobre mal atendimento no sistema público e a relatos sobre boas
> coisas que o sistema faz.
>
> A Saúde o maior orçamento público do país, contando os recursos do governo
> federal, dos estados e dos municípios. Depois da aprovação da emenda 29,
> semana passada, a União tem que destinar à saúde o valor aplicado no ano
> anterior mais a variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois
> anos anteriores. Em 2012, portanto, se®ae o mesmo valor destinado em 2011,
> acrescido da variação do PIB de 2010 para 2011: serão R$ 86 bilhões. Os
> estados serão obrigados a repassar 12% das suas receitas na saúde e os
> municípios, 15%. O Distrito Federal deverá aplicar 12% ou 15%, conforme a
> receita seja originária de um imposto de base estadual ou municipal.
>
> O que fiquei pensando é: afinal, como funciona o SUS? Como toda essa grana
> entra e circula pelo sistema? Quais são os bons programas? E onde ele não
> funciona? Quando fui conversar com o Alexandre, minha ideia era fazer uma
> visualização desse fluxo, que permitisse às pessoas exatamente – rá! –
> visualizar o funcionamento do SUS. O texto publicado no Valor é um
> vislumbre disso. Ele fala sobre mecanismos de transferência de recursos.
>
> Saí com ideias bem mais modestas da conversa. Baixei a bola porque acho que
> não consigo fazer isso sem entender, antes, além de como o sistema
> funciona, onde estão e como interpretar os dados que podem mostrar isso.
>
> Os dados que o Alexandre usou estão em várias bases do

> Datasus<http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=02>.


> E no Censo do IBGE. Não estão publicados em formatos abertos, estão em
> sistemas de informação diferentes uns dos outros. É muito dado. E, ao mesmo
> tempo, para gente como eu, dado nenhum: como se navega por isso? Como se
> baixa séries históricas? Difícil. Além disso, este megasistema de
> informação está estruturado para a gestão. Não tem nenhum, nenhunzinho,
> serviço pro usuário do SUS. Se estou distraída e alguém encontrar um , por
> favor avise!
>
> Mais fácil fazer algum recorte e tentar mostrar alguma coisa.
> Possibilidades:
>

>    1.


>
>    Análises comparativas. Reais gastos em determinado programa X retorno
>    social. Uma ideia foi comparar os gastos do SUS nas cidades sede da Copa
>    com o custo dos estádios. O problema é saber quanto do valor dos estádios é
>    recurso público...
>

>     2.


>
>    Onde posso ser atendido? Essa é uma informação que não existe de maneira
>    fácil. Ninguém sabe onde tem unidades básicas de saúde, hospitais para
>    atendimento de média ou alta complexidade, centros de atenção psicosocial.
>    Muito menos quantos médicos, em que horários e em qual especialidade
>    atendem ali. O Pedro Markun deu uma ideia boa. Fazer isso de baixo prá
>    cima. Conversar, por exemplo, com uma UBS que tope ceder esses dados,
>    cartografá-los, publicá-los. Deixar o sistema disponível para outros
>    estabelecimentos públicos de saúde colocarem informações. Será? Bom, aqui

>    tem um exemplo<http://www.nhs.uk/servicedirectories/Pages/ServiceSearch.aspx>de


> como encontrar serviços de saúde perto de você... do outro lado do
> mar.
>

>     3.


>
>    Quanto meu tratamento custou para o SUS? O cara do Ipea disse que essa
>    informação não existe...
>

>     4.


>
>    Qual é o tempo de espera para determinados procedimentos? Outra
>    informação que não existe...
>

>     5.


>
>    Quanto custam os medicamentos distribuídos pelo SUS? Onde eles são
>    distribuídos? O Brasil distribui gratuitamente remédios para asma,
>    diabetes, hipertensão, coquetel anti HIV. Também não há informações online
>    sobre quantidades, preços, fornecedores, locais de distribuição. Há
>    comunicados esparsos publicados pelo ministério. O legal de mexer com isso
>    é que alguns medicamentos podem ser descontados do imposto de renda. É uma
>    das formas de subsídio do governo ao setor privado, ao mesmo tempo em que
>    se oferece medicamentos gratuitos.
>
> Enfim. Não sei direito o que fazer. Meus próximos passos:
>

>    1.


>
>    Procurar alguém do Conselho de Saúde de São Paulo. E conversar sobre
>    isso. Sobre como juntar dados e criar visualizações que ajudem as pessoas a
>    entender como funciona o SUS. E falar sobre a ideia do “Onde posso ser
>    atendido".

>     2.


>
>    Na reunião sobre Drogas, Direitos Humanos e Tecnologias que rolou na CCD
>    combinamos marcar um sprint de pedidos de informação sobre os Centros de
>    Atenção Psicosocial – que tratam pessoas com problemas psiquiátricos,
>    inclusive dependentes de drogas. Quantos foram criados, quantos são geridos
>    por ONGs e quais são, como são os contratos com o SUS. Vamos fazer, e acho
>    que o tipo de demanda deles pode gerar coisas interessantes.

>     3.


>
>    Ver que tipo de informação sobre saúde as pessoas pedem no

> WhatDoTheyKnow<http://www.whatdotheyknow.com/body/dh>e em outros sites

Evandro Oliveira

unread,
Dec 12, 2011, 8:01:14 AM12/12/11
to thac...@googlegroups.com
HB,

Esta é uma definição que resume com bastante propriedade o
problema que temos no país. Geralmente onde começa tudo, é
onde não termina e tudo se esconde... tipo "buraco negro"...

Pedro Markun

unread,
Dec 12, 2011, 11:13:09 AM12/12/11
to thac...@googlegroups.com
Oi Gabriela,

a idéia, acho, era encontrar uma unidade de UBS que tenha um diretor/coordenador/o que for que seja mais aberto. Deve ter. Tem que ter. A gente faz com esse cara um case de excelência... e usa isso para pressionar uma política pública/decisão superior.

abs,
Pedro Markun

2011/12/12 Gabriela Bauermann <gab...@gmail.com>

Gabriela Bauermann

unread,
Dec 13, 2011, 6:08:53 AM12/13/11
to thac...@googlegroups.com
Olá Pedro,

Acho que tinha entendido que você queria partir do zero, como se não existisse dado nenhum... claro que entendi errado! Relendo os emails, lembrei que tem algumas informações que nem sequer são coletadas hoje! Usar um case para mostrar como fazer é um bom caminho mesmo - mesmo que seja difícil replicar depois.

Bom, gostei da ideia como um todo - e principalmente da parte de entender como a saúde realmente funciona. Se a ideia for colocar estas ideias em prática, me coloco à disposição para ajudar (programo em java e php).


até mais!

Gabriela Bauermann
Santa Maria /RS /Brasil
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2011/12/12 Pedro Markun <pe...@esfera.mobi>

Patrícia Cornils

unread,
Dec 13, 2011, 8:09:20 AM12/13/11
to thac...@googlegroups.com
http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/2011/12/12/injustica-vence-na-saude/


Pessoas,

estou em uma semana meio off. Mas vou ler tudo com calma e continuar a pensar, aqui, como e o que fazer. Acho que podemos fazer algo bem legal, é só ter paciência de pensar direito, antes de começar...  Por enquanto, somente mais um artigo sobre a transferência de recursos do sistema público para o privado, na forma de subsídios.

pati

Águida Aparecida Gava

unread,
Dec 13, 2011, 10:59:56 AM12/13/11
to thac...@googlegroups.com
Boa tarde,

Estive fora uns dias e talvez vc j� tenham resolvido. Ent�o, n�o sei se ajudaria, mas tenho algum acesso �s UBSs aqui em SJRP.
Conversei aki e precisamos saber do que vcs necessitam e com quem querer falar.

Abs.





Pedro Markun escreveu:
Oi Gabriela,

a id�ia, acho, era encontrar uma unidade de UBS que tenha um diretor/coordenador/o que for que seja mais aberto. Deve ter. Tem que ter. A gente faz com esse cara um case de excel�ncia... e usa isso para pressionar uma pol�tica p�blica/decis�o superior.

abs,
Pedro Markun

2011/12/12 Gabriela Bauermann <gab...@gmail.com>
Ol� pessoal,

mais um bit...

Sobre a quest�o "Onde posso ser atendido", na realidade acho que o problema n�o � t�ao complicado assim. Andei raspando aquele datasus para encontrar cl�nicas de radiologia no meu estado, e o que descobri � que o registro do datasus "at� que" est� atualizado e preciso, em se tratando de endere�os e servi�os prestados pelos estabelecimentos. O problema � que o formato n�o � aberto.


"O Pedro Markun deu uma ideia boa. Fazer isso de baixo pr� cima. Conversar, por exemplo, com uma UBS que tope ceder esses dados, cartograf�-los, public�-los. Deixar o sistema dispon�vel para outros estabelecimentos p�blicos de sa�de colocarem informa��es. Ser�?"

Bom, pessoalmente eu acho que isso n�o tem muita chance de acontecer. Ao menos aqui no RS, quando se chega em uma unidade de sa�de mantida pelos munic�pio, "n�o sei de nada" e "n�o sei quem � o respons�vel por isso" � a resposta que mais ou�o quando pergunto qualquer coisa, ent�o acho dif�cil fazer com que todos os estabelecimentos mantivessem de fato o pr�prio registro. (mas � s� a minha opini�o)

Acho que a alternativa mais vi�vel seria partir de um scrap do datasus, Criando um banco de dados paralelo (atualizado por scrap a cada 1 ou 2 meses), com um website preparado para apresentar os resultados e aceitar informa��es, tavez na forma de coment�rios, para atualizar isso.

O que eu descrevi aqui, tem gente que j� fez em parte (doctoralia.com.br e helpsaude.com, por exemplo) a diferen�a � que eles fizeram isso como forma de ganhar grana com an�ncios e n�o d�o muita aten��o �s informa��es que s�o exibidas - falta muita coisa.

Mas quanto aos hor�rios de atendimento... nenhuma informa��o mesmo. Teria que ser coletada de alguma forma.

bom, j� deu mais que um bit... at� mais!

Gabriela Bauermann
Santa Maria /RS /Brasil
Processamento e An�lise de Imagens
www.imagesurvey.com.br



2011/12/11 Evandro Oliveira <pyx...@gmail.com>
Patr�cia,

um bit...

O trabalho de fazer o que voc� se prop�e (parab�ns!) � �rduo e ingrato.
Os pr�prios setores envolvidos (sa�de, desenvolvimento social, fazenda, planejamento) adorariam
ter estes resultados que voc� imagina (e realmente s�o) necess�rios para avan�ar.
Existem consultorias pagas a peso de outro para fazer isto e n�o conseguem.

Uma ideia que tenho � pegar a rubrica de programa/a��o do governo, que tem or�amento
anual, e servir de base para o "rastreamento" de TUDO que venha a ser publicado com
aquela rubrica nos di�rios oficiais (esta an�lise � o que chamamos de financeira). A jun��o�
das execu��es f�sicas e seus resultados, nunca s�o alinhadas.
Assim, se queremos um acompanhamento f�sico-financeiro, em tempo real, o governo ter�
que contratar gente de qualidade para modelar dados e colocar isto em sistemas que
sejam, efetivamente, integrados. O governo n�o conseguir� este "estado da arte" com o
pessoal desqualificado e com outros interesses que atualmente atuam nestas bases.

Evandro Oliveira
Em 11 de dezembro de 2011 19:57, Patr�cia Cornils <patrici...@gmail.com> escreveu:
Sobre o SUS

Estive na semana passada com o Alexandre Marinho, pesquisador do Ipea. Pedi para falar com ele por causa desse artigo no Valor Econ�mico, que fala sobre como os recursos do setor p�blico de sa�de, no Brasil, s�o transferidos para o setor privado. Pouco antes tinha acontecido aquela discuss�o sobre se o Lula deveria ou n�o se tratar no SUS, o que levou a relatos sobre mal atendimento no sistema p�blico e a relatos sobre boas coisas que o sistema faz.

A Sa�de o maior or�amento p�blico do pa�s, contando os recursos do governo federal, dos estados e dos munic�pios. Depois da aprova��o da emenda 29, semana passada, a Uni�o tem que destinar � sa�de o valor aplicado no ano anterior mais a varia��o nominal do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores. Em 2012, portanto, se�ae o mesmo valor destinado em 2011, acrescido da varia��o do PIB de 2010 para 2011: ser�o R$ 86 bilh�es. Os estados ser�o obrigados a repassar 12% das suas receitas na sa�de e os munic�pios, 15%. O Distrito Federal dever� aplicar 12% ou 15%, conforme a receita seja origin�ria de um imposto de base estadual ou municipal.

O que fiquei pensando �: afinal, como funciona o SUS? Como toda essa grana entra e circula pelo sistema? Quais s�o os bons programas? E onde ele n�o funciona? Quando fui conversar com o Alexandre, minha ideia era fazer uma visualiza��o desse fluxo, que permitisse �s pessoas exatamente � r�! � visualizar o funcionamento do SUS. O texto publicado no Valor � um vislumbre disso. Ele fala sobre mecanismos de transfer�ncia de recursos.

Sa� com ideias bem mais modestas da conversa. Baixei a bola porque acho que n�o consigo fazer isso sem entender, antes, al�m de como o sistema funciona, onde est�o e como interpretar os dados que podem mostrar isso.

Os dados que o Alexandre usou est�o em v�rias bases do Datasus. E no Censo do IBGE. N�o est�o publicados em formatos abertos, est�o em sistemas de informa��o diferentes uns dos outros. � muito dado. E, ao mesmo tempo, para gente como eu, dado nenhum: como se navega por isso? Como se baixa s�ries hist�ricas? Dif�cil. Al�m disso, este megasistema de informa��o est� estruturado para a gest�o. N�o tem nenhum, nenhunzinho, servi�o pro usu�rio do SUS. Se estou distra�da e algu�m encontrar um , por favor avise!

Mais f�cil fazer algum recorte e tentar mostrar alguma coisa. Possibilidades:

  1. An�lises comparativas. Reais gastos em determinado programa X retorno social. Uma ideia foi comparar os gastos do SUS nas cidades sede da Copa com o custo dos est�dios. O problema � saber quanto do valor dos est�dios � recurso p�blico...

  2. Onde posso ser atendido? Essa � uma informa��o que n�o existe de maneira f�cil. Ningu�m sabe onde tem unidades b�sicas de sa�de, hospitais para atendimento de m�dia ou alta complexidade, centros de aten��o psicosocial. Muito menos quantos m�dicos, em que hor�rios e em qual especialidade atendem ali. O Pedro Markun deu uma ideia boa. Fazer isso de baixo pr� cima. Conversar, por exemplo, com uma UBS que tope ceder esses dados, cartograf�-los, public�-los. Deixar o sistema dispon�vel para outros estabelecimentos p�blicos de sa�de colocarem informa��es. Ser�? Bom, aqui tem um exemplo de como encontrar servi�os de sa�de perto de voc�... do outro lado do mar.

  3. Quanto meu tratamento custou para o SUS? O cara do Ipea disse que essa informa��o n�o existe...

  4. Qual � o tempo de espera para determinados procedimentos? Outra informa��o que n�o existe...

  5. Quanto custam os medicamentos distribu�dos pelo SUS? Onde eles s�o distribu�dos? O Brasil distribui gratuitamente rem�dios para asma, diabetes, hipertens�o, coquetel anti HIV. Tamb�m n�o h� informa��es online sobre quantidades, pre�os, fornecedores, locais de distribui��o. H� comunicados esparsos publicados pelo minist�rio. O legal de mexer com isso � que alguns medicamentos podem ser descontados do imposto de renda. � uma das formas de subs�dio do governo ao setor privado, ao mesmo tempo em que se oferece medicamentos gratuitos.


Enfim. N�o sei direito o que fazer. Meus pr�ximos passos:

  1. Procurar algu�m do Conselho de Sa�de de S�o Paulo. E conversar sobre isso. Sobre como juntar dados e criar visualiza��es que ajudem as pessoas a entender como funciona o SUS. E falar sobre a ideia do �Onde posso ser atendido".

  2. Na reuni�o sobre Drogas, Direitos Humanos e Tecnologias que rolou na CCD combinamos marcar um sprint de pedidos de informa��o sobre os Centros de Aten��o Psicosocial � que tratam pessoas com problemas psiqui�tricos, inclusive dependentes de drogas. Quantos foram criados, quantos s�o geridos por ONGs e quais s�o, como s�o os contratos com o SUS. Vamos fazer, e acho que o tipo de demanda deles pode gerar coisas interessantes.

  3. Ver que tipo de informa��o sobre sa�de as pessoas pedem no WhatDoTheyKnow e em outros sites de acesso � informa��o. Pode sair algo da�.

Como voc�s podem ver, estou meio sem rumo. Mas n�o vou parar. Algu�m tem um bit para colocar nessa conversa?







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Patr�cia Cornils

11 3124-7444 ou 8372-7473

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�guida Aparecida Gava

Analista Sistemas � C�lula Desenv. Sistemas

empro � tecnologia e informa��o

(17) 3201.1201� www.empro.com.br

Dani Matielo

unread,
Dec 14, 2011, 6:26:50 AM12/14/11
to thac...@googlegroups.com
Pessoal,

passando rapidinho para contribuir com a conversa: talvez alguns de vocês já tenham ouvido falar da RedeHumanizaSUS. Resumindo bastante, esse é um site que, apesar de ter sido desenvolvido a partir de uma iniciativa da Política Nacional de Humanização, funciona como uma rede independente de apoio, colaboração e troca de experiências entre trabalhadores do SUS, focando no tema da humanização da saúde. A rede é composta, em sua maior parte, por médicos, psicólogos, enfermeiros e trabalhadores em geral, além de pacientes, mas, como denominador comum, pessoas que acreditam em um sistema único de saúde e lutam para que ele seja o melhor possível.


Estou compartilhando por aqui porque esse site pode ser um espaço interessante para ajudar a entender alguns caminhos mais internos sobre o funcionamento do SUS. Talvez fazer um post por lá e convidar os participantes a ajudarem a desenhar esse caminho pudesse ser uma ideia. 

:)

Bjs

Dani
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