problema com ação judicial e código aberto

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Heitor

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Jun 7, 2012, 3:54:24 PM6/7/12
to Transparência Hacker
Galera, preciso de uma orientação.
Sou programador e vendi um software fechado pra uma empresa de
curitiba.
Eles estão querendo mover uma ação judicial contra mim, porque eles
querem o código fonte aberto mas eu não vou abrir.
Acho que eles estão blefando.
Alguém já passou por isso?
Quando vendi o programa, não fizemos nenhum contrato. Foi um acordo de
boca.
O que eu posso fazer pra me proteger?
Heitor.

Thiago Carrapatoso

unread,
Jun 7, 2012, 4:34:33 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
Mas por que você não quer abrir o código?


2012/6/7 Heitor <heito...@gmail.com>
Heitor.

--
Você recebeu esta mensagem porque está cadastrado no grupo "Transparência Hacker"
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Tiago Cardieri

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Jun 7, 2012, 4:54:51 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
Hudson, vc mesmo esta dizendo q vendeu o software, e nao o uso (direito de uso). Nessa idéia, o código é deles. 

Vc pode até argumentar q ainda q o termo usado tenha sido "venda de software", pela negociação e seu modelo de negocio a pretensão tenha sido uso.

Mas aí é discussão no judiciário. E vc vai ter q gastar com com advogado, D'or de cabeça etc. 

Fica a experiência, faça contrato.

Tiago Duarte Cardieri 
Skype: tcardieri

Diego Rabatone

unread,
Jun 7, 2012, 4:56:31 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
E tem que ver como foi esse "acordo de boca"... você foi contratado para desenvolver algo que eles pediram para ser desenvolvido?... se sim, acho que eles tem todo direito sobre o código....

--------------------------------
Diego Rabatone Oliveira
diraol(arroba)diraol(ponto)eng(ponto)br
Identica: (@diraol) http://identi.ca/diraol
Twitter: @diraol

Heitor Adao Junior

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Jun 7, 2012, 5:06:41 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
Obrigado pela informação Cardieri.
@Diego, eu não fui contratado para corrigir um programa existente deles. Eu criei o programa do zero.
E acho que não existe outro motivo pra contratar um programador. Ou é corrigir ou é criar algo novo.
Se fosse pra corrigir eu até concordaria que o código pertence a eles. E se tivesse ficado claro que eles queriam o codigo fonte desde o inicio, eu nem iria aceitar o job.

Diego Rabatone

unread,
Jun 7, 2012, 5:22:17 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
Heitor,

eu não disse em momento algum que você havia sido contratado para "corrigir" um programa existente deles, para mim ficou claro que você foi contratado para um trabalho "completo".
O que eu questionei foi:
 - O acordo de vocês foi:
    a) [Empresa falando] "Oi Heitor, eu preciso de um software de contabilidade para a minha empresa";
    b) [Empresa falando] "Oi Heitor, eu gostaria de contratar seus serviços de programador para desenvolver um software para a minha empresa.".

No primeiro caso acho até que caberia uma discussão... já no segundo, eu não acho que caiba discussão, do meu ponto de vista a empresa tem todo direito de requerer o código fonte do software, para fazer o que quiser com ele (independente se vai abri-lo ou não).

Agora, independente de qual for a situação, você tem o direito de ter seu nome citado no código enquanto desenvolvedor.

Para além dessas questões, eu pessoalmente sou totalmente favorável ao software livre, acho que todo mundo sai ganhando....

Enfim, boa sorte.

Abraços,

--------------------------------
Diego Rabatone Oliveira

--

Pedro Markun

unread,
Jun 7, 2012, 6:28:06 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com

Abre o codigo antes deles! Pega na curva!

via mobile

Daniela B. Silva

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Jun 7, 2012, 6:37:34 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
E se você não vai abrir o código, e eles querem abrir, eu espero que eles ganhem :P

2012/6/7 Pedro Markun <pe...@markun.com.br>

Heitor Adao Junior

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Jun 7, 2012, 6:46:56 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
Oloko. eu precisava de uma orientação pra me proteger.
Chega pessoal. Agradeço a tentativa.

Daniel Bramatti

unread,
Jun 7, 2012, 6:50:13 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com


Caro Heitor, você está perguntando ao Greenpeace qual a melhor época pra caçar baleias... :)  # ironyalert


Heitor Adao Junior

unread,
Jun 7, 2012, 6:53:49 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
Mas eu sou um cara que já contribui para grandes projetos open-source, como blender, Allegro, code::blocks, palib. será errado usar meu conhecimento para ganhar um pouco de dinheiro? pra comprar comida?

Daniel Bramatti

unread,
Jun 7, 2012, 7:01:46 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com

Eu digo que não é errado. Por favor, não se incomode com o último comentário, foi pura brincadeira... 

Felipe Sanches

unread,
Jun 7, 2012, 7:04:12 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
Heitor,

Não há absolutamente nada de errado em ganhar dinheiro desenvolvendo
software. O problema está em negar aos usuários o controle sobre o que
roda nos computadores deles. O problema está na alienação dos usuários
como prática de mercado. Eu, por exemplo, ganho muito dinheiro
desenvolvendo software livre e não há nada de errado nisso.

Ah! mais uma coisa: o fato de você ter contribuido com projetos de
software livre não lava as suas mãos; não tira a culpa que você tem em
perpetuar a violência sobre os usuários de computadores em função do
desenvolvimento de softwares restritivos.

Juca

2012/6/7 Heitor Adao Junior <heito...@gmail.com>:
> Mas eu sou um cara que já contribui para grandes projetos open-source, como
> blender, Allegro, code::blocks, palib. será errado usar meu conhecimento
> para ganhar um pouco de dinheiro? pra comprar comida?
>
>

Daniela B. Silva

unread,
Jun 7, 2012, 7:15:20 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
Errado não sei se é, mas a real é que dá essas tretas aí - quando você entende que código tem dono, e tem que ficar procurando o dito cujo, é uma baita confusão.

2012/6/7 Daniel Bramatti <danielb...@gmail.com>

Eu digo que não é errado. Por favor, não se incomode com o último comentário, foi pura brincadeira... 

andre luiz

unread,
Jun 7, 2012, 7:28:27 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
gostei do tópico que o Heitor disponibilizou aqui
para um feriado... o relax foi ótimo... rsrsrs
a turma está sempre atenta
abs
andré

Felipe Sanches

unread,
Jun 7, 2012, 7:42:10 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
Software é a sistematização de uma tarefa computacional por meio de um
conjunto de rotinas algorítmicas (código!).

Se alguém te pagou pra desenvolver um software do zero, ele te pagou
pra criar pra ele uma sistematização algorítmica para solucionar os
problemas dele. Ele te pagou pelo desenvolvimento do código, portanto
o código é dele.

Se ele tivesse te pedido "fulano, me vende uma licença de uso de um
programa de computador aí pra mim?" aí a história seria diferente. Mas
eu duvido muito que ele tenha te dito isso. O que ele pediu foi um
software e foi um software que vc desenvolveu pra ele depois que ele
te pagou. Então entregue o software pra ele logo :-)

E da próxima vez lembre-se de propor um contrato dizendo que o código
desenvolvido será secreto e o seu acesso será negado. Assim o cliente
terá a oportunidade de recusar os seus serviços antes de ter de passar
pela frustração que está aparentemente passando agora.

Juca

Leandro Salvador

unread,
Jun 7, 2012, 8:58:11 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
Olá Pessoal!

Heitor, só pra entender melhor. Você é um pequeno empresário, que desenvolveu uma solução de software, vendeu a licença de uso para essa empresa que te remunerou pelo uso do software desenvolvido por você e, agora, eles estão querendo o código-fonte do teu software para fazerem o que bem entenderem, é isso? Se for, que absurdo! Seria como alguém que, só porque comprou o Windows, acha que tem o direito de exigir da Microsoft seu código-fonte. Seria ridículo (dentro dos atuais marcos legais)!

Ou a situação é que a empresa não soube montar uma boa especificação do que exatamente ela queria, não tinha expertise suficiente para diferenciarem explicitamente e te dizer se (1) estavam te pagando para, ao fim e ao cabo, te dar de presente, pelos bons serviços prestados, um software para você chamar de teu, ou se (2) estavam te pagando para você produzir um software para eles. Em outras palavras: para quem eles queriam que fosse o software, para você ou para eles?

Não é incomum esses conflitos acontecerem, sabe? Veja-se o caso da fantástica tecnologia embutida no site da consocial.cgu.gov.br. Pago com dinheiro público, em parceria com a UFSC (salvo engano meu), a CGU, provavelmente sem expertise suficiente para saber o que estava comprando/contratando, financiou uma tecnologia que, ao fim e ao cabo, pertence ao próprio desenvolvedor. Chega a ser tão bizarro isso, que a CGU não pôde, por exemplo, sequer disponibilizar a tecnologia para todas as outras Unidades da Federação que promoveram etapas preparatórias da Consocial. Daí, cada estado e município do Brasil teve que desenvolver a sua própria solução... e lá se vão toneladas de dinheiro público para fazer a mesma coisa. Percebe? Puro desperdício... não tem nada de ilegal ou corrupto aí... mas a empresa que desenvolveu o site da Consocial Nacional ficou bem... recebeu dinheiro para produzir uma solução proprietária... e a CGU acabou ficando só com uma (literalmente, uma!) licença de uso... genial né?

#reusefails

Abraços!

Evandro Oliveira

unread,
Jun 7, 2012, 9:30:44 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
Se alguns contratos mal feitos geram problemas, imagina um trabalho
feito sem contrato.

Dependendo da forma como você recebeu a remuneração e como você entregou
o código, você pode dar uma banana pra eles e não entregar nada.

Dependendo da forma como você foi remunerado e trabalhou para eles, você pode
ser colocado na cadeia.

E você vai encontrar advogado para defender qualquer uma das posições.

Como fui, durante muitos anos em que os porfissionais de TI costumavam
valorizar mais seus trabalhos e assim serem mais valorizados, e vejo que a
profissão e o trabalho estão sendo, a cada semana, serem mais vilipendiados,
a melhor sugestão que posso dar é... entrega o código pra eles e seja feliz
para sempre.

Por isto que defendo, desde quando comecei a programar códigos que
quem NÃO MOSTRA o codigo que faz é porque quer esconder alguma coisa.

Auditabilidade plena e código aberto JÁ!

Evandro Oliveira

Marcelo Jorge Vieira

unread,
Jun 7, 2012, 10:15:02 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
On Thu, 2012-06-07 at 20:42 -0300, Felipe Sanches wrote:
> Software é a sistematização de uma tarefa computacional por meio de um
> conjunto de rotinas algorítmicas (código!).
>
> Se alguém te pagou pra desenvolver um software do zero, ele te pagou
> pra criar pra ele uma sistematização algorítmica para solucionar os
> problemas dele. Ele te pagou pelo desenvolvimento do código, portanto
> o código é dele.

Não sou um conhecedor das leis 9.609 e 9.610, mas chuto que o software
é dos dois =P Tanto pra quem pagou (Direito Patrimonial) como pra quem
fez o código (Direito Autoral).


Abração,

--
Marcelo Jorge Vieira
xmpp:me...@jabber-br.org
http://metaldot.alucinados.com
signature.asc

Felipe Sanches

unread,
Jun 7, 2012, 10:31:36 PM6/7/12
to thac...@googlegroups.com
Para exercer em plenitude a exploração comercial (ou não-comercial,
caso queira, oras!), o acesso ao código fonte é estritamente
necessário. Além disso, o próprio código é parte integral da obra em
questão: quando se fala de propriedade de sw, código fonte e binário
executável são inseparáveis; é impossível ser "dono" de um sw sem ser
dono do código fonte.

2012/6/7 Marcelo Jorge Vieira <me...@alucinados.com>:
> Não sou um conhecedor das leis 9.609 e 9.610, mas chuto que o software
> é dos dois =P Tanto pra quem pagou (Direito Patrimonial) como pra quem
> fez o código (Direito Autoral).

Pra ser mais preciso, a não ser que algum contrato diga explicitamente
algo contrário:

* quem pagou o desenvolvimento sob demanda detém o direito autoral
patrimonial - direito de exploração comercial da obra
* quem criou sob demanda detém o direito autoral moral - direito de
ter sua autoria reconhecida

Isso implica que quem pagou tem que receber o código e quem criou tem
o direito de ter o seu nome citado nos créditos do programa, sendo
reconhecido como autor da versão inicial do software.

Juca

Heitor Adao Junior

unread,
Jun 8, 2012, 7:57:09 AM6/8/12
to thac...@googlegroups.com
Não recebi nada pelo desenvolvimento.
Só depois que o cliente recebeu o sistema e utilizou num evento é que eles me comunicaram que só vão pagar se eu fornecer o código fonte para eles.
A minha intenção sempre foi vender a licensa de uso e não o software. E foi o que eu fiz.
Mas estamos num impasse.
Eu afirmo que vendi a licensa de uso e o cliente afirma que eu vendi o software.
Mas não existe contrato. É a minha palavra contra a deles.

Felipe Sanches

unread,
Jun 8, 2012, 8:51:25 AM6/8/12
to thac...@googlegroups.com
Mas na ausência de um contrato específico, o default é que quem pagou
comprou e portanto é dono. Se era pra ser diferente, precisaria estar
especificado de forma clara e precisa em um contrato. Pelo menos uma
coisa você aprendeu nessa história: fazer um contrato da próxima vez!

A melhor saída nesse momento é você fazer um acordo com eles para
liberarem esse código sob uma licença livre, de modo que você possa
continuar utilizando esse código em trabalhos que você fizer pra
outros clientes. Por que se o código for determinado (por um juiz,
provavelmente) como sendo de fato deles, você corre o risco deles
manterem o código proprietário e aí você não vai mais poder usá-lo.
Nesse momento, a sua melhor saída é optar pelo software livre. Caso
contrário você fica sem software.

até logo,
Felipe

2012/6/8 Heitor Adao Junior <heito...@gmail.com>:

Heitor Adao Junior

unread,
Jun 8, 2012, 9:08:58 AM6/8/12
to thac...@googlegroups.com
Mas para uma compra ser efetivada, é necessário que o cliente pague, correto?
Eles não pagaram, então não compraram, então não são donos.
Meu caso não entra nesse default.
Eu fiz uma proposta mas eles não aceitaram.
Eles fizeram uma contra-proposta que eu não aceitei.
O que acontece nesse caso? Levamos a decisão para um juiz?
E se o juiz determinar que eu devo fornecer o código pra eles e eu me recusar?
Vocês sabem que tipo de sanção penal eu posso receber? Pagar cestas-básicas? Xilindró?

Felipe Sanches

unread,
Jun 8, 2012, 9:24:53 AM6/8/12
to thac...@googlegroups.com
É... se eles não pagaram ainda, então parece que outra solução
possível seria eles ficarem sem o software e você sem o dinheiro :-P

2012/6/8 Heitor Adao Junior <heito...@gmail.com>:

Tiago Cardieri

unread,
Jun 9, 2012, 1:07:43 AM6/9/12
to thac...@googlegroups.com
Heitor, vc pode juntar varias possibilidades aqui na lista, mas no fundo são vários argumentos que vc pode ou não usar pra decidir.

Decidir, junto com a empresa, quem tem mais chances de ganhar um processo judicial, e assim fechar um acordo bacana com um meio termo.

Ou podem nao acordar em nada, ir pro judiciário, colocar todos esses argumentos num processo e os dois gastarem uma grana com advogados, taxas, juros etc.

Como ambos tem bons argumentos, e ambos vão perder uma boa grana no judiciário, senta e faz um acordo. Ele paga metade, 1/4 do valor, vc fica com o código e os dois nunca mais vão trabalhar sem contrato...

Agora, se vc for liberar o código, posso sentar com vc e dar uma força na negociação (só pra manter o espírito da lista...). \o/

Sent from IPad

Tiago Toigo

unread,
Jun 9, 2012, 1:11:52 AM6/9/12
to Transparência Hacker
Essa discussao esta muito boa e pode nos ajudar a entender mais sobre
o assunto.
a questao é: eles te contrataram pra desenvolver do zero?
ou vc ja tinha o sistema pronto?
se ja estava pronto eles nao tem direito algum, voce tem o direito
total sobre os fontes.
se eles te contrataram pra desenvolver do zero, eles foram coautores
porque forneceram os requisitos.
nesse caso, como nao tem contrato, seria ate justo que eles tivessem
acesso aos fontes,
porem acho dificil te obrigarem na justica. e voce nao vai pra cadeia,
que bobagem isso.
simples, nao tem contrato, voce pode alegar que foi contratado para
entregar o executavel e nao os fontes.
A empresa tampouco é boazinha, eles nao vao abrir os fontes sob GPL ou
algo que o valha.
se a empresa fosse inteligente teria feito um contrato. que burrice da
parte deles. eles que chorem agora.
Tiago Toigo

Tiago Toigo

unread,
Jun 9, 2012, 1:14:40 AM6/9/12
to Transparência Hacker
pois é, nesse caso o problema foi do cara que fez a licitação... tsc
tsc
Tiaigo

Evandro Oliveira

unread,
Jun 9, 2012, 1:28:08 AM6/9/12
to thac...@googlegroups.com
Como a Justiça não trabalha com intenções e opiniões,
os fatos são um mistério (ou as partes tem versões diferentes).

A coisa parece que fica assim. Um sem dinheiro e outro sem sw.

Prevalece, neste caso, para ambas as partes, a premissa de que
mais vale um acordo razoável do que uma excelente demanda.

O Heitor pode achar que está com a razão e tem uma ótima
causa que a empresa pode não pagar nada pra ele... 

a título de curiosidade (daquelas de perito que é chamado a
decidir uma causa que envolva TI),

vc trabalhava na empresa ou em casa?
vc visitava a empresa com qual periodicidade?
quem era gerente do projeto? A empresa ou um terceirizado?
quem e como te passaram as especificações?

Atuei, recentemente, num processo cível que virou trabalhista.
O desenvolvedor, vendo que a empresa pagou-o para fazer um 
código, mas que o código era importante para um grande projeto
(orientação a objetos, reuso etc) resolveu pedir muito mais do
que ele tinha acordado... inventou algumas coisas e foi à luta.
o advogado pediu uns R$100mil mais encargos e etc. Só que
a empresa tinha tudo documentado. Ele ainda tentou "salvar"
direitos autorais do código... mas não levou.

Mas estes casos são educativos... Sugiro SEMPRE, quando 
se desenvolve algum código, que se escolha um tipo de LICENÇA
para ele... seja ele aberto, fechado, secreto... 

Ah! se alguém quiser um sw básico para manter o código
secreto, mesmo contra tentativas de reengenharia em executável,
eu posso fornecer... é código fechado.

E se alguém quiser algum trabalho de reengenharia para obter
o código fonte... estamos aí também (menos para a empresa 
com a qual o Heitor está lutando).

Evandro Oliveira

Heitor Adao Junior

unread,
Jun 9, 2012, 11:06:42 AM6/9/12
to thac...@googlegroups.com
Obrigado galera.
Ontem eu procurei um escritório de advocacia e eles me deram umas dicas pra me proteger, para os próximos projetos.
Recomendaram escrever o meu nome em todos os códigos-fonte que me pertencem, imprimir, colocar num envelope e lacrar e enviar pra mim mesmo pelos correios.
Falaram que isso é equivalente a fazer um registro de patente. Mas não pode abrir o envelope nunca.

Valeu Evandro. O programa que escrevi teve bastante visibilidade. E tenho certeza que a empresa ganhou um bom dinheiro e divulgação. Foi utilizado num show de uma dupla sertaneja popular. Fernando e Sorocaba.
O valor que cobrei deles pra fazer essa aplicação foi R$1.300
só pelo valor já dá pra deduzir que os códigos fontes não estão inclusos.
Mas eu não quero nada além do que foi acordado.

Tiago Toigo, infelizmente eles me contrataram pra escrever o programa do zero.
Eles foram coautores. Acho justo eles terem direito de utilizar em quantas maquinas quiserem, vender se quiserem. Eu só não quero que eles alterem nada. Nem vejam como eu fiz. Não porque estou escondendo alguma coisa (@Juca), mas porque quero ser a unica pessoa capaz de dar manutenção nesse código. Não quero que meus concorrentes ganhem dinheiro com o meu trabalho.

Com certeza todas as dicas que vocês estão me dando estão me ajudando bastante.
Muito obrigado galera.
Heitor

Pedro Markun

unread,
Jun 9, 2012, 12:29:27 PM6/9/12
to thac...@googlegroups.com

...

E viva os dados abertos, né minha gente?

via mobile

--

Felipe Sanches

unread,
Jun 9, 2012, 1:06:55 PM6/9/12
to thac...@googlegroups.com
2012/6/9 Heitor Adao Junior <heito...@gmail.com>:
> Obrigado galera.
> Ontem eu procurei um escritório de advocacia e eles me deram umas dicas pra
> me proteger, para os próximos projetos.
> Recomendaram escrever o meu nome em todos os códigos-fonte que me pertencem,
> imprimir, colocar num envelope e lacrar e enviar pra mim mesmo pelos
> correios.
> Falaram que isso é equivalente a fazer um registro de patente. Mas não pode
> abrir o envelope nunca.

Errado. No Brasil patentes de software são inválidas. Talvez ele tenha
dito "registro da obra" e você entendeu errado. Ou talvez ele tenha
falado bobagem mesmo.

eiabel lelex

unread,
Jun 9, 2012, 1:14:04 PM6/9/12
to thac...@googlegroups.com
Heitor o software, a propriedade intelectual, os direitos autorais tem legislação ainda em vigor  http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9609.htm 

em aula de direito da propreidade intelectual debatemos muito essa questão, mas nosso dirito é proprietário e a propriedade intlectual desse software que tu criou é de quem te contratou, mesmo de boca... abre o código e ganha les no tapetão, faça um acordo que a autoria seja respeitada.
besos

--
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--
Se você não concordar, não posso me desculpar...

... aprendi a me virar sozinha e se estou te dando linha é prá depois te abandonar..

"Pode se remoer, se penitenciar eu encontrei alguém que só quer me beijar"(Calcanhotto)

"isso você não pode evitar por aqui - disse o gato - todos somos malucos, eu sou, você é."

Com todo o perdão da palavra, eu sou um mistério pra mim. E eu suponho que me entender não seja uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato. E nem eu me entendo, pois sou infinitamente maior que eu mesma, eu não me alcanço. Mas eu fui obrigada a me respeitar, pelo fato de não me entender. Qual palavra me representa? Uma coisa eu sei: eu não sou o meu nome. Meu nome pertence aos que me chamam.
(Clarice Lispector)

Felipe Sanches

unread,
Jun 9, 2012, 3:30:04 PM6/9/12
to thac...@googlegroups.com
2012/6/9 Heitor Adao Junior <heito...@gmail.com>:
> Eu só não quero que eles alterem
> nada. Nem vejam como eu fiz. Não porque estou escondendo alguma coisa
> (@Juca), mas porque quero ser a unica pessoa capaz de dar manutenção nesse
> código.

Provou o meu ponto.

Tiago Cardieri

unread,
Jun 9, 2012, 3:33:20 PM6/9/12
to thac...@googlegroups.com
Touché

eiabel lelex

unread,
Jun 9, 2012, 4:22:58 PM6/9/12
to thac...@googlegroups.com
mentes proprietárias podem pôr abaixo a rvolução open source que por nqto está dando crto, rá!

Edson Sales Junior

unread,
Jun 9, 2012, 6:31:39 PM6/9/12
to thac...@googlegroups.com
Heitor, minha impressão é que você está discutindo o assunto em um fórum inadequado. Talvez se associar a ABES seja um bom caminho para você (http://www.abes.org.br/templ1.aspx?id=19&sub=19), até mesmo para ter um suporte jurídico especializado. Na verdade querer discutir como fechar o seu código (o que é um direito seu) em um grupo que discute dados abertos e software livre é no mínimo uma insensibilidade. Boa sorte no seu modelo de negócio, apesar de eu achar que não é a melhor opção.

abs,

Edson

Heitor Adao Junior

unread,
Jun 9, 2012, 6:50:19 PM6/9/12
to thac...@googlegroups.com
Obrigado pela dica Edson.
Eu só postei aqui porque conheço pessoalmente muitas pessoas que participam desta lista de discussão (Juca, Pedro Markun, Daniela B. Silva). E sei que a maioria da galera manja de leis.
Foi o primeiro lugar que lembrei.
A discussão foi produtiva.
Consegui tirar várias dicas que vão me ajudar bastante no meu problema atual e futuros.
Obrigado
Heitor

Leandro Salvador

unread,
Jun 9, 2012, 11:22:56 PM6/9/12
to thac...@googlegroups.com
Fala Heitor!

Que bom você ter conseguido tirar bom proveito desse tópico, mas o Edson tem razão. O pessoal da Transparência Hacker, como o próprio nome da comunidade sugere, tem uns valores e crenças mais libertários, que prezam por um mundo onde todos possam ter acesso à produção intelectual (e por quê não a material também) humana de modo livre, sem as barreiras criadas em nome da mercantilização do mundo. Penso entender o teu ponto, você (como todos aqui) precisa de dinheiro pra viver, e quer ganhar dinheiro com o que produziu.

O problema é que esse modo de ganhar dinheiro, baseado em royalties, propriedade intelectual, direito autoral, é um modelo que gera uma escassez artificial, saca? O desenvolvimento está ali, a tecnologia já foi desenvolvida, zilhões de hackers-desenvolvedores poderiam sofisticá-la em benefício da humanidade, mas tá ali um modelo de negócio que trava esse desenvolvimento, em nome de seja lá o que for: do mérito, do direito "natural" (tsc), do direito "positivo" (tsc), blá!

Mas o mundo é meio tosco mesmo, e a posição mais confortável de vivermos nele é nos ajustando bem aos modelos estabelecidos, às regras vigentes. Acho que quando você diz que...


"Eu só não quero que eles alterem nada. Nem vejam como eu fiz. Não porque estou escondendo alguma coisa (@Juca), mas porque quero ser a unica pessoa capaz de dar manutenção nesse código."

...para todxs aquelxs que desejam construir um mundo mais fraterno e sem essas fronteiras hegemônicas que reforçam as desigualdades humanas, uma frase dessas gera uma tristeza tão profunda... você não tem uma ideia! Escrevo isso na esperança de, quem sabe, te provocar a pensar, ao menos por um instante, por um outro olhar. Mas a vida é de cada um... faça o que de melhor você conseguir com a tua... :)

Abração!

Tiago Cardieri

unread,
Jun 10, 2012, 2:08:37 AM6/10/12
to thac...@googlegroups.com
"No fundo, é isso o que está em jogo no tal movimento anti-globalização. Nele se manifesta uma oposição enfática ao desmonte da coletividade, à modernização catastrófica dos países em desenvolvimento, à privatização do saber, da produção de conhecimento e do bem comum. Entre seus vários ativistas destacam-se, por sua natureza bombástica particularmente eficaz, o movimento do software livre e o "hacker". Sua oposição é ativa na esfera mais importante para o capital: a esfera da produção, disseminação, da socialização e da organização do saber. Eles são os dissidentes do capitalismo digital".

A superioridade dos softwares que eles produzem comprova que a maior criatividade possível dos homens é atingida quando, livres da obrigação de tirar proveito e da disputa com a concorrência, eles podem desenvolver seu saber e suas capacidades de modo livre e cooperativo. Na práxis desses "dissidentes" distinguem-se os pressupostos de acordo com os quais as relações sociais do conhecimento poderiam ser o fundamento de uma verdadeira sociedade do saber. Em contraste com as concepções correntes, o saber aí não aparece como um saber objetivado, composto de conhecimentos e informações, mas sim como atividade social que constrói relações comunicativas, não submetidas a um comando."

Heitor, um convite:

Libere o código e, após, entregue ao "cliente". Quem tem a mente privatista (99% do empresariado brasileiro) sempre vai preferir pagar por algo disponível gratuitamente. Isso pq ele precisa de uma "segurança institucional" para poder executar projetos - ter alguem a quem culpar, ou justificar-se: "paguei X, não poderia ter tomado opção melhor".

* as vezes acho que se todos cobrassem 500 reais para instalar ubuntu, eles já seria tão utilizado quanto windows... 

Ng pede que vc se alimente de software livre. Mas há outros caminhos mais interessantes que a simples privatização de código-fonte: venda serviço de execução/instalação/customização de software livre (acredite, há quem prefira pagar 10.000 a mil pelo mesmo produto…), ou ainda rendimentos indiretos no desenvolvimento de conhecimento livre.

Em qualquer dessas alternativas (ainda) não convencionais, vc terá pleno apoio (em todos os sentidos) dos membros dessa lista.

\o/



Tiago Cardieri

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Jun 10, 2012, 2:12:32 AM6/10/12
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Perdão, "André Gorz".

Heitor Adao Junior

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Jun 10, 2012, 9:52:53 AM6/10/12
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Obrigado Salvador e Cardieri.
Li com atenção o que vocês escreveram, concordo com quase tudo.
Prometo pensar com carinho a respeito.
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