Matéria Hacktivismo

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Daniela B. Silva

unread,
Jun 29, 2011, 10:16:49 AM6/29/11
to Renata Honorato, thackday
Oi, Renata!

Topo sim. Você pode mandar as perguntas por e-mail?

Estou copiando a lista de toda forma (contanto que todo mundo responda com cópia pra você, você continua recebendo as mensagens, e assim o pessoal ajuda a completar o papo). Mas vamos nos falando.

Abraço,

Daniela

2011/6/29 Renata Honorato <renata....@abril.com.br>

Oi Daniela, tudo bem?

 

Peguei o seu contato com o Rafael Sbarai, tá? Gostaria de pedir a sua ajuda...

 

Nesta semana estou tocando uma matéria sobre hacktivismo, no intuito de mostrar que existe uma grande diferença entre hackers e crackers. Gostaria de conhecer melhor o grupo de vocês e entender alguns dos projetos desenvolvidos.

 

Podemos falar pela lista, se preferir, mas como não faço parte dela, acabo não recebendo os updates. Você topa me ajudar?    

 

Muito obrigada!

 

Abraços,

 

Renata Honorato

+55 11 3037-4398

+55 11 8050-0650

Av. das Nações Unidas, 7221, 19º andar

05425-902 - São Paulo - SP

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Renata Honorato

unread,
Jun 29, 2011, 12:02:21 PM6/29/11
to Daniela B. Silva, thackday

Oi gente,

 

Voltei! Estou preparando algumas questões e volto a falar com vocês ainda hoje.

 

Daniela, muito obrigada pelo rápido feedback.

 

Abraços,

 

Renata Honorato

+55 11 3037-4398

+55 11 8050-0650

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Renata Honorato

unread,
Jun 29, 2011, 3:21:41 PM6/29/11
to Daniela B. Silva, thackday

Oi Daniela. Oi pessoal. Tudo bem?

 

Seguem algumas perguntas. Você me ajudam com isso?

 

- Quantas pessoas fazem parte do grupo e qual a formação acadêmica dos integrantes?

 

- Como explicar para um leigo a diferença entre um hacker e um cracker?

 

- Como vocês caracterizam os dados como abertos? Como os integrantes do grupo têm acesso às informações? A coleta desses dados pode ser caracterizada como uma "invasão"?

 

- Li há pouco um artigo assinado pelo advogado especializado em direito digital José Milagre. Ele afirmou que a Lei Azeredo, se aprovada, transformará em crime qualquer atividade hacker. Qual a opinião de vocês sobre isso? 

 

- Encontrei no site Transparência Hacker cerca de 20 projetos. Todos eles estão concluídos? 

 

- Qual a avaliação do grupo acerca dos recentes ataques crackers aos sites governamentais?

 

- Qual foi o projeto de maior repercussão? Qual o objetivo comum do grupo?

 

- Como o grupo interage? Como são desenvolvidos os projetos?

 

- A comunidade brasileira de hackers é grande? Existe uma conversa comum entre brasileiros e outros grupos similares de outros países?

 

- No exterior, o que existe de similar? Vocês se recordam de algum projeto desenvolvido por hackers que tenha tido uma boa aceitação da sociedade no Brasil e/ou mundo?

 

- Vocês conhecem algum membro que foi cracker e que optou por usar "sua bagagem técnica" para o bem? Vocês acham que ele/ela toparia conversar comigo?

 

- Como vocês caracterizam o termo hacktivismo?

 

Muito obrigada!

 

Renata Honorato

+55 11 3037-4398

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De: Daniela B. Silva [mailto:daniel...@gmail.com]

Enviada em: quarta-feira, 29 de junho de 2011 11:17
Para: Renata Honorato
Cc: thackday
Assunto: Matéria Hacktivismo

 

Oi, Renata!

Pedro Markun

unread,
Jun 29, 2011, 4:55:52 PM6/29/11
to thac...@googlegroups.com, Daniela B. Silva
Oi Renata,

começo aqui e a galera vai rebatendo e completando.

2011/6/29 Renata Honorato <renata....@abril.com.br>

Oi Daniela. Oi pessoal. Tudo bem?

 

Seguem algumas perguntas. Você me ajudam com isso?

 

- Quantas pessoas fazem parte do grupo e qual a formação acadêmica dos integrantes?

 


~626 (o numero exato pode ser visto na pagina do grupo)
A formação vária de não-graduado (e acho que tem gente ainda terminando médio? Dunno)  até doutor e outras coisas mais.

Acho que se tirar um média aritmética... boa parte aqui é escolado na vida =P

- Como explicar para um leigo a diferença entre um hacker e um cracker?

 

Eu mandaria um link da wikipedia e/ou um link do 'google it for me' que volta e meia circula por aqui. (E não é zoação, acho que parte da compreensão da idéia de hacker é entender que você pode fazer as coisas por si mesmo e tirar suas próprias conclusões.)

Mas pra responder menos sériamente e de maneira 'leiga', Cracker é um termo criado para diferenciar 'hackers do bem' de 'hackers do mal'. O Cracker seria aquele cara que invade sistemas protegidos em busca de ganho pessoal, rouba senhas, lança virus de forma ilegal ou sem ética.
 
Eu particularmente acho que é uma divisão meio artificial. Acho que é mais interessante a gente conseguir fazer entender que 'hacker' pode ser tudo isso - bem, mal, bom, ruim - e as vezes até ao mesmo tempo. É a complexidade moderna. E as velhas dicotomias não funcionam mais.

- Como vocês caracterizam os dados como abertos? Como os integrantes do grupo têm acesso às informações? A coleta desses dados pode ser caracterizada como uma "invasão"?

 


Dados Abertos são dados que respeitam alguns principios. 

Essa referencia tem sido usada internacionalmente e eu acho bastante satisfatória. Mas eu resumiria dizendo que são dados disponibilizados de uma forma que eles sejam plenamente usaveis e recombinaveis pela sociedade.

Aqui no grupo a gente trabalha bastante com a idéia/técnica da raspagem... muitas vezes as informações estão disponíveis só que não em um formato aberto (e portanto reprocessavel). Ai a gente monta robozinhos que entram no site e lêem essa informação e transformam em uma coisa estruturada.

Sobre invasão... é uma zona cinzenta. A informação esta lá, disponível, mas não foi pensada/disponibilizada pra ser consumida daquela forma. Muitas vezes existem bloqueios explicitos para que não se usem robos... e a gente usa ou quer usar mesmo assim - porque é o único jeito e porque temos esse direito.

Enfim, eu não acho que é invasão. Ou se é, é uma invasão por direito de uso :)

- Li há pouco um artigo assinado pelo advogado especializado em direito digital José Milagre. Ele afirmou que a Lei Azeredo, se aprovada, transformará em crime qualquer atividade hacker. Qual a opinião de vocês sobre isso? 


Concordo. A Lei Azeredo é extremamente perigosa justamente por querer criminalizar (tipo, joga na cadeia!) ações e práticas comuns na rede. 

 

- Encontrei no site Transparência Hacker cerca de 20 projetos. Todos eles estão concluídos? 

 

Não. Quase nenhum esta concluido. A Transparência Hacker - e a transparência, e a democracia - é um processo e não um fim. A gente esta experimentando constantemente.
 

- Qual a avaliação do grupo acerca dos recentes ataques crackers aos sites governamentais?

 


Tem uma enorme thread sobre isso. E acho que não temos avaliação unica. Eu acho meio bobo, definitivamente não é a forma que eu escolheria e escolho para protestar ou propor coisas... mas acho legitimo e defensável no seu direito de ser. E acho que os sites/governamentais precisam e podem aproveitar essa oportunidade para melhorar e aprender, ao invés de reagir e querer criminalizar.

Mas a comunidade é diversa. Vale ler outras opiniões.
 

- Qual foi o projeto de maior repercussão? Qual o objetivo comum do grupo?

 

Não sei. Também não sei.

Alias, eu sei qual é o objetivo comum do grupo - mas não sei como expressar ele e nem quero. É uma coisa que fica meio meta, meio latente e vai se reconfigurando com o tempo no próprio grupo.

Minha sugestão? Sente o clima e não se acanhe em escrever a sua própria leitura de qual é esse objetivo comum. Tem gente que vai concordar, gente que vai discordar... mas via de regra vamos aceitar a leitura como uma opinião =)

Pra não te deixar no vazio, segue a definição que esta no footer do site e ninguém nunca reclamou (vai ver é agora)

A comunidade Transparência Hacker é um espaço para que desenvolvedores web, jornalistas, designers, gestores públicos e outros indivíduos dos mais diferentes perfis proponham e articulem ideias e projetos que utilizem a tecnologia para fins de interesse da sociedade. Trabalhamos primariamente com dados governamentais abertos, promovendo ações que evidenciam a importância desses dados e fazendo pressão para que os organismos do governo brasileiro adotem a mesma medida de liberação de dados públicos em formatos abertos. Acima de tudo, provocamos e buscamos evidenciar questões sociais e políticas através da ressignificação de informações existentes, mas que ainda são de difícil acesso para a sociedade em geral.
 

- Como o grupo interage? Como são desenvolvidos os projetos?

 

Basicamente por essa lista de discussão, com ocasionais e eventuais fortuitos encontros presenciais. Os projetos acabam acontecendo meio que nessa organicidade. Cada projeto tem seu ritmo, seus envolvidos e sua espectativa e ninguém enche (muito) o saco de ninguém.
 

- A comunidade brasileira de hackers é grande? Existe uma conversa comum entre brasileiros e outros grupos similares de outros países?

 

Acho que sim. É sempre dificil de medir.
A THacker tem um grupo-irmão em Portugal - Transparência Hackday Porto - e a gente se comunica com vários grupos gringos... tipo a OKFN que é   uma organização inglesa que trabalha com transparência. 
 

- No exterior, o que existe de similar? Vocês se recordam de algum projeto desenvolvido por hackers que tenha tido uma boa aceitação da sociedade no Brasil e/ou mundo?

 

Bom, tem o Transparência Hackday Porto. E tem hackerspaces e vários outros experimentos. Mas pouca coisa - acho - parecida com o que temos aqui.

Pintou na lista faz pouco tempo um artigo sobre a Telecomix, eu achei que tinha a ver.

 

- Vocês conhecem algum membro que foi cracker e que optou por usar "sua bagagem técnica" para o bem? Vocês acham que ele/ela toparia conversar comigo?

 

Eu não. Mas certamente tem gente na lista que sabe.
 

- Como vocês caracterizam o termo hacktivismo?

 


hacker + ativismo.

E eu acho meio sem sentido. Mas de novo, se estão usando para qualificar o que a gente faz, ok também.

 

--
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "Transparência Hacker" dos Grupos do Google.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para thac...@googlegroups.com.
Para cancelar a inscrição nesse grupo, envie um e-mail para thackday+u...@googlegroups.com.
Para obter mais opções, visite esse grupo em http://groups.google.com/group/thackday?hl=pt-BR.

Liane Lira

unread,
Jul 5, 2011, 11:58:53 AM7/5/11
to thac...@googlegroups.com, renata....@abril.com.br
Renata, não sei se a matéria já está pronta, mas seguem alguns acréscimos (em negrito):

Em 29 de junho de 2011 17:55, Pedro Markun <pe...@esfera.mobi> escreveu:
Oi Renata,

começo aqui e a galera vai rebatendo e completando.

2011/6/29 Renata Honorato <renata....@abril.com.br>

Oi Daniela. Oi pessoal. Tudo bem?

 

Seguem algumas perguntas. Você me ajudam com isso?

 

- Quantas pessoas fazem parte do grupo e qual a formação acadêmica dos integrantes?

 


~626 (o numero exato pode ser visto na pagina do grupo)
A formação vária de não-graduado (e acho que tem gente ainda terminando médio? Dunno)  até doutor e outras coisas mais.

Acho que se tirar um média aritmética... boa parte aqui é escolado na vida =P

Tantos os níveis de formação quanto as áreas de atuação são muito variados. Temos desenvolvedores, jornalistas, advogados, sociólogos, engenheiros, psicólogos (tem alguém de biológicas por aí?). Diploma tem pouca relevância por aqui.
 

- Como explicar para um leigo a diferença entre um hacker e um cracker?

 

Eu mandaria um link da wikipedia e/ou um link do 'google it for me' que volta e meia circula por aqui. (E não é zoação, acho que parte da compreensão da idéia de hacker é entender que você pode fazer as coisas por si mesmo e tirar suas próprias conclusões.)

Mas pra responder menos sériamente e de maneira 'leiga', Cracker é um termo criado para diferenciar 'hackers do bem' de 'hackers do mal'. O Cracker seria aquele cara que invade sistemas protegidos em busca de ganho pessoal, rouba senhas, lança virus de forma ilegal ou sem ética.
 
Eu particularmente acho que é uma divisão meio artificial. Acho que é mais interessante a gente conseguir fazer entender que 'hacker' pode ser tudo isso - bem, mal, bom, ruim - e as vezes até ao mesmo tempo. É a complexidade moderna. E as velhas dicotomias não funcionam mais.


Fazendo um paralelo: advogado é advogado, tem os que fazem um uso positivo do seu conhecimento, tem os que fazem uso negativo, mas continuam sendo advogados.
Acho que a necessidade de diferenciar na terminologia surgiu da vinculação dada à palavra "hacker" a uma ideia negativa.


- Como vocês caracterizam os dados como abertos? Como os integrantes do grupo têm acesso às informações? A coleta desses dados pode ser caracterizada como uma "invasão"?

 


Dados Abertos são dados que respeitam alguns principios. 

Essa referencia tem sido usada internacionalmente e eu acho bastante satisfatória. Mas eu resumiria dizendo que são dados disponibilizados de uma forma que eles sejam plenamente usaveis e recombinaveis pela sociedade.

Aqui no grupo a gente trabalha bastante com a idéia/técnica da raspagem... muitas vezes as informações estão disponíveis só que não em um formato aberto (e portanto reprocessavel). Ai a gente monta robozinhos que entram no site e lêem essa informação e transformam em uma coisa estruturada.

Sobre invasão... é uma zona cinzenta. A informação esta lá, disponível, mas não foi pensada/disponibilizada pra ser consumida daquela forma. Muitas vezes existem bloqueios explicitos para que não se usem robos... e a gente usa ou quer usar mesmo assim - porque é o único jeito e porque temos esse direito.

Enfim, eu não acho que é invasão. Ou se é, é uma invasão por direito de uso :)

- Li há pouco um artigo assinado pelo advogado especializado em direito digital José Milagre. Ele afirmou que a Lei Azeredo, se aprovada, transformará em crime qualquer atividade hacker. Qual a opinião de vocês sobre isso? 


Concordo. A Lei Azeredo é extremamente perigosa justamente por querer criminalizar (tipo, joga na cadeia!) ações e práticas comuns na rede. 

Algumas formas de utilização da rede tem que ser melhor compreendidas antes de cair na ilegalidade. Um protesto como a greve já foi considerado crime, hoje é direito constitucional! Antes de proibir, é preciso entender essas novas tendências.

 

- Encontrei no site Transparência Hacker cerca de 20 projetos. Todos eles estão concluídos? 

 

Não. Quase nenhum esta concluido. A Transparência Hacker - e a transparência, e a democracia - é um processo e não um fim. A gente esta experimentando constantemente.
 

Tem projetos antigos (concluídos) e outros novos que não estão no site ainda.

Capi Etheriel

unread,
Jul 6, 2011, 12:42:10 AM7/6/11
to thac...@googlegroups.com, renata....@abril.com.br
Como os integrantes do grupo têm acesso às informações?
Como qualquer outro cidadão. Nós digitamos o endereço da página do Governo onde os dados foram colocados. Percebemos padrões nesses dados, formas de aproveitá-los para visualizações melhores ou para cruzamentos com informações de outras origens. Então organizmos essa informação na nossa cabeça ou na extensão eletrônica dela. E aí produzimos coisas muito legais.



> A coleta desses dados pode ser caracterizada como uma "invasão"?
De maneira alguma. O nosso trabalho é ler, anotar, comparar, exibir. Mas somos avessos ao trabalho repetitivo, então criamos programas que leem, anotam, comparam e exibem. No entato eles só lidam com aquilo que temos acesso. É como se pegássemos todos os eventos de um jornal que compramos e colocássemos numa linha do tempo em um caderno, depois xerocássemos e distribuíssemos. Só que é feito por um robô que inventamos e é muito mais barato.



> Li há pouco um artigo assinado pelo advogado especializado em direito digital José Milagre. Ele afirmou que a Lei Azeredo, se aprovada, transformará em crime qualquer atividade hacker. Qual a opinião de vocês sobre isso?
Não se pode perder de vista que a Lei Azeredo tem conseqüências que não afetam só os Hackers. O registro de toda atividade na rede não apenas aumenta os custos do serviço de internet, como agrega informação pessoal que pode (e com certeza vai) ser explorada pra fins comerciais e ilícitos.
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