Chamada de atividades / Busão Hacker na Rio+20

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Lívia Ascava

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Jun 8, 2012, 1:15:00 AM6/8/12
to thackday
Caros,

O Ônibus hacker estará na Rio+20, com duas invasões hacker. Uma no Aterro do Flamengo (Cúpula dos Povos) - nos dias 19 e 20. Outra no Nova Brasília, um dos 12 morros que formam o Complexo do Alemão - nos dias 16, 17, 18. Abrimos uma Chamada Pública de atividades. Inscrições aqui (até o dia 11).

/// No Aterro do Flamengo, vamos estacionar dentro da Cúpula dos Povos e até aqui nossas ações são basicamente oficinas de Rádio e TV Pirata. E manter as duas no ar. Vocês podem participar propondo oficinas, internvenções. Mas quem não puder estar por lá pode colaborar com conteúdo pra esses dois meios, a rádio e a TV. Playlits, programas, vinhetas, entrevistas, etc. Se conseguirmos um material bacana, podemos exibir sessões de filmes no Busão durante os dois dias lá. Esse material também poderá ser usado na Invasão do Complexo....

/// No Complexo do Alemão, vamos estacionar na Praça do Conhecimento, que hoje é um dos poucos espaços onde acontece qualquer movimentação cultural - após a pacificação. E esta Invasão tem todos os desafios. Pelo fluxo e por ser o único espaço de vivência, devemos ter um público bem grande. Além disso, tem todas as questões políticas e sociais do local. Estivemos lá no final de semana retrasado e colhemos algumas informações. Compartilho com vocês, pois elas servem como base para pensarmos na programação. Seria muito legal se embarcassem com a gente, levassem oficinas, intervenções, atividades para esses dias. E mais uma vez, quem não puder ir, mas puder colaborar com ideias de atividades ou metodologia, já vai contribuir muito.

  1. A Praça do Conhecimento fica em um dos 12 morros que formam o Complexo, o Nova Brasília. Para ser construída, a Prefeitura removeu uma série de famiílias e vai remover outras. Hoje, a Praça é composta por um prédio - com arquitetura e estética totalmente descoladas da estética da periferia -, uma praça de concreto e uma quadra esportiva. Tudo isso, estava no sábado rodeado pela polícia. Segundo a Maracy, gestora do espaço, tem dias que é assim, tem dias que eles nem aparecem. Antes disso, essa quadra era um espaço no qual aconteciam bailes funk e como fica na entrada do morro, era controlada pelo tráfico. 
  2. O objetivo da Praça do Conhecimento é a formação da comunidade para o mercado de trabalho. Lá acontecem oficinas de audiovisual, foto, design gráfico. Toda a tecnologia ali é proprietária. Do hardware (IPAD's, MAC's) ao software (InDesign, Final Cut..) 
  3. A Maracy e todos que trabalham com a Praça sabem que o que está por trás daquele espaço é a total ausência de política pública para a zona norte. E trabalham diariamente por pequenas mudanças, como conseguir colocar um graffiti em uma das paredes. Uma negociação com  Prefeitura que leva meses e um punhado de papéis e burocracia.
  4. Como estratégia para ocupação e apropriação do espaço pela comunidade, colocaram a memória e cultura no foco da atuação da Praça. Cumprem a agenda de 'formação para o mercado de trabalho' com cursos. Em paralelo, buscam construir outras formas de apropriação do espaço e das tecnologias.
  5. A prefeitura também consultou a população sobre quais aparelhos culturais queriam ter. Como resultado, hoje ao lado da Praça do Conhecimento, encontramos um Cinemark, subsidiado pelo governo, com ingressos a 4 reais. Parece que o gestor do cinema está disposto a disponibilizar o horário livre do cinema para exibir filmes produzidos pela comunidade. Mas isso foi uma sinalização informal. 
  6. Sobre as UPP's, eles não tem uma definição. Sabem que não é uma política de segurança, que é bancada pelo Eike Batista. Que usa populações negras e faveladas como disputa. Mas não conseguem definir o que, de fato, aquilo significa para o morro.
  7. Sobre o Alemão, ressaltaram que não é subanormal, nem carente. É um branding ao contrário. É o mais na moda entre os pobres, a grife principal da pobreza. Primeiro criaram um medo, para depois justificar a violência contra a população dali. O medo, assim como o teleférico, são formas da cidade entrar na favela. A especulação vai tirar o favelado de lá. Por isso, hoje eles disputam pelo espaço, pelos direitos. 
  8. A expectativa deles é que o Ônibus provoque uma resultante da junção do offline com a tecnologia.
  9. Eles querem saber: Quanto custou a reforma do Maracanã? Quanto foi e é gasto com a UPP? Sobre os teleféricos: Quem decidiu? Quanto custa? Quais articulações estão envolvidas?
  10. Hoje, três novelas na Globo são ambientadas no morro. O Carioca deixou de ser uma pessoa que vive numa cidade pacata e hoje é midiatizado. É estereotipado. A gamorização da pobreza.
  11. Os movimentos e coletivos cariocas da Zona Sul não dialogam com a Zona Norte. Meu Rio é o primeiro que se converteu ao morro.
  12. 1/3 da população está na zona norte. O rio de janeiro tem 1024 favelas. O IBGE fala que tem 60 mil pessoas, eles dizem que certamente tem 300 mil. Segundo o Observatório de favelas: quase 50% da população mora nas favelas ou arredores. Em termos de mercado, classe C, D e E é uma mina de ouro. 
  13. A Rio+20 não conseguiu chegar ao ouvido do jovem da favela. O catálogo, por exemplo, tem linguagem distante como "reuniões articuladas e autogestionadas"
  14. Para eles, a Cultura hoje é a melhor estratégia para disputar políticas públicas, porque tem uma pulsação que a saúde e educação não tem. 
  15. Desde a pacificação, realizar qualquer evento ali, seja um batizado, seja um baile funk ficou inviável por conta da burocratização. Existe uma resolução, a 013, criada na Ditadura, que permite que polícia acabe com qualquer evento sem justficativa. 
  16. Eles já iniciaram um mapeamento cartográfico, pelo Wikimapas. E acham importante dar continuidade e apropriar dessa tecnologia para o trabalho com foco na memória.
Se tiverem duvidas, tamoaê :)
Beijos,

--
lívia ascava


Alex Barth

unread,
Jun 8, 2012, 3:28:53 PM6/8/12
to thac...@googlegroups.com
Exciting. Just signed up. Would love to join for some OpenStreetMap action in the afternoon of 16 or 17. Who else is planning on OSM work?

I don't speak Portuguese, and it's too short now to learn it still, but I can be of use with anything that doesn't require me to speak the language.

Looking forward.
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