Olá Pessoal!
Pelo meu atual modo de ver, a crítica à arrecadação de impostos no Brasil que, segundo afirma-se, é uma das mais altas do mundo, não apenas carece de um pouco mais de consistência, como é muito útil para ofuscar a outra dimensão do problema: aonde se aplicam (seja com investimentos, seja com custeios) estes impostos!
Os impostômetros que existem por aí ficam, de fato, na camada mais superficial... aquela camada que, por vezes, subsidia visões de mundo que tendem a apostar num Estado menor em detrimento de um Mercado mais "esperto". Impostômetros não medem, por exemplo, a dívida social que o Brasil tem... dívida essa que, diga-se de passagem, precisa tanto de impostos, quanto de capacidade de realização (e um "pouquinho" de boa vontade!), para ser paga. Impostômetros limitam-se a dizer que arrecadamos demais, sem problematizar qualitativamente a questão. E o problema certamente não se resume a corrupção, desvios, falcatruas... resumir o problema a isso talvez seja equivocado.
O economista Marcio Pochmann organizou uma coleção (Atlas da exclusão social) muito interessante para quem tiver interesse em idéias sobre planejamento de longo prazo para o Brasil, por uma dimensão social. Vale a pena conferir o livro "
Agenda não liberal da inclusão social no Brasil", cuja resenha segue abaixo:
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"O que o Brasil precisa fazer para reverter o processo de exclusão e estar entre os países com os melhores índices de bem-estar social? A resposta a essa pergunta é quase sempre uma generalização do tipo 'investir em educação, saúde, saneamento...' E esta é a diferença que torna este atlas singular; a corajosa proposta de uma equipe de pesquisadores, coordenada pelo economista Marcio Pochmann, de apresentar não apenas um discurso, mas apontar, de forma direta, os investimentos necessários para que o país alcance um nível intermediário e/ou avançado de inclusão.
Disso resultou a agenda não-liberal de inclusão social para o período de 2005 a 2020 para que o Brasil possa alcançar uma posição superior à atual em termos de padrão intermediário ou avançado de inclusão social. Para alcançar o padrão intermediário, o país precisaria investir anualmente 14,5% do Produto Interno Bruto em oito complexos sociais selecionados, durante esse período. Se o objetivo for o padrão avançado de inclusão, seriam necessários investimentos anuais da ordem de 27,6% do PIB. Trata-se, pois, de um trabalho que servirá de referência para os governos, em suas várias esferas, interessados em promover o bem-estar da população."
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Em síntese: se o Brasil decidir avançar socialmente, teremos que tanto recolher ainda mais impostos, como estabelecer (e cumprir!!!) metas sociais! Impostômetro algum trata disso... :-) Legal seria os impostômetros mostrarem o quanto, no Brasil, os impostos são regressivos... isso mostraria a injustiça social que é a "formação do bolo", e não apenas uma crítica vazia (IMHO) à Política e ao Estado como espaços de (potencial!) colaboração...
Anexo segue uma planilha com algumas metas e indicadores extraídos deste Atlas, a quem possa interessar.
Abraços!