---------- Mensagem encaminhada ----------
De:
Bruno Nogueira Fukasawa <bruno.f...@gmail.com>
Data: 12 de outubro de 2010 23:58
Assunto: [Escritório Piloto] Ocupações da FLM
Para: Escritório Piloto <
escritor...@gremio.poli.usp.br>
Famílias ocuparam quatro prédios abandonados no centro da Capital Paulista nesta madrugada
Leia na íntegra o manifesto da Frente de Luta por Moradia sobre ocupação de prédios abandonados, em São Paulo, na batalha por uma habitação digna
Desde as primeiras horas desta segunda-feira, 04 de outubro, famílias
sem teto, estão ocupando quatro prédios abandonados no centro da capital
Paulista. Muitas delas já foram despejadas ou estão em favelas da
periferia sob ameaça de iminente despejo.
Na Avenida
Ipiranga,799, estão 1100 pessoas despejadas, em novembro de 2009, do
terreno localizado na Av. Bento Guelfi,1.800, Jdm Limoeiro – São
Matheus, e a área que tem dívidas de dois milhões com o BNDES, continua
abandonada. Na Av. Prestes Maia, 911, estão mais 300 pessoas,
representando suas famílias que estão em cortiços e áreas de risco, no
centro. O Edifício Prestes Maia continua abandonado há mais de 20 anos,
com dívidas de IPTU em torno dos de 4 milhões. Na avenida São João,
88,está ocupado por. cerca de 600 pessoas da Zona Leste, parte dos
despejados da Bento Guelfi e outras da ocupação do Linhão da
Eletropaulo.
Na Av. Nove de Julho,584, o Prédio também do INSS,
abandonado há mais de vinte anos, já foi ocupado quatro vezes por
famílias sem teto e na última negociação foi homologado Termo de
Compromisso entre os governos Federal, Estadual e municipal para
habitação de interesse social. O TC até o momento não saiu do papel. A
Frente de Luta Por Moradia pede a desapropriação dos imóveis e o
cumprimento dos acordo por parte do poder público.
Excelências
Do Executivo, Legislativo e Judiciário;
Poderes Públicos, Federal, Estadual e Municipal;
Homens e Mulheres de bem!
Estamos
aqui para dar início a um grande projeto. Seja, estabelecer parceria
com os poderes públicos para construir moradia para nossas famílias.
Somos trabalhadores desta grande cidade. Mantemos nossa São Paulo em pé
24 horas por dia. Entretanto, não usufruímos dos benefícios por nós
construídos e mantidos. Por insuficiência de meios de sobrevivência
somos empurrados e forçados, contra nossa vontade, a morar nos morros,
nos lixões, nas encostas, nas áreas alagadiças, nas moradias insalubres e
também nas ruas. Situação que não somos causadores. Somos vitimas da
desigualdade econômica.
As enchentes ocorridas em São Paulo, Rio e
Salvador revelaram a situação dramática em que vivemos. Aquilo que
deveria ser apenas uma forte chuva, como é para aqueles que vivem bem
nas melhores terras da cidade, se transformou em uma tragédia para
nossas vidas. As chuvas adicionaram sofrimentos às difíceis condições de
sobrevivência em nosso cotidiano. Mas, não é momento de se lamentar. É
momento de agir. A moradia digna é um DIREITO. Os poderes públicos têm a
obrigação de fazer habitações para quem não tem, assim como devem
garantir saúde, educação, transportes, segurança,…
Deste modo,
todos aqueles que possuem algum poder, tem o dever de trabalhar para que
nenhuma criança e sua família sofram a violência dessas catástrofes. Ou
tenham suas vidas humilhadas nas péssimas condições habitacionais. Por
isso estamos aqui, sugerindo aos poderes públicos a construção de
moradias e o atendimento de nossas famílias.
Para nós aqui em São
Paulo, não fluem os projetos habitacionais. Não há atendimento para
quem ganha até 3 salários mínimos, justamente quem mais precisa. Para
essa faixa de renda, não foi assentado nenhum tijolo do Minha Casa,
Minha Vida na cidade de São Paulo. Os programas habitacionais existentes
como carta de crédito, parceria social e até o Minha Casa, Minha Vida
contribuem para elevar a renda da terra, triplicam o preço dos imóveis.
Em contrapartida dificulta ainda mais o acesso das nossas famílias a uma
moradia decente. Os subsídios a esses programas triplicaram o preço das
moradias. Queremos projetos de moradia popular. Desenvolvidos pelo
poder público. Aquisição das terras por preços justos. Desapropriação
dos imóveis abandonados e dos devedores de impostos. Medidas fiscais,
como o Imposto Progressivo para os imóveis vazios e abandonados, e de
acordo com o tamanho e a quantidade de propriedades de um mesmo dono.
Sem estas medidas não se resolverá a penúria habitacional existente no
Brasil.
Pleiteamos ainda que os projetos habitacionais sejam
desenvolvidos, construídos e geridos em parceria com a demanda
organizada. Costumamos ouvir que não devemos agir, pedem para esperar
quietos na fila. Ora, DIREITO NÃO TEM FILA, estamos somente exercendo
nosso Direito de Ação. Direito é Direito e obtêm quem pleiteia.
Não
podemos esperar. É agora ou nunca. Vamos juntos: União, Estado,
Município e famílias organizadas combater o desperdício, transformar os
imóveis abandonados em moradia popular.
Vamos concretizar as seguintes propostas habitacionais:
1. Abertura do edital de contratação do projeto do imóvel do INSS na
Avenida Nove de Julho, número 1084, com 540 unidades habitacionais. O
projeto está parado há mais de dez anos.
2. Desapropriação dos
seguintes imóveis e terrenos apresentados pela FLM: Edifício Prestes
Maia, nº 911, com 229 unidades; Prédio da Rua Mauá, 340 com 130
unidades; e terreno localizado à Av. Bento Guelfi,1.800 com 840
unidades. Essas são lutas que os movimentos da FLM travam há pelo menos 8
anos.
3. Apresentação de cronograma de atendimento em
unidades habitacionais de COHAB, CDHU e Minha Casa, Minha Vida para as
famílias assistidas no programa de atendimento emergencial e Parceria
Social totalizando 1.200 famílias;
4. Assegurar atendimento
das famílias assistidas no Programa emergencial e Parceria Social nos
empreendimentos Teotônio Vilela na Zona Leste de São Paulo, são 480
unidades;
5. Atendimento imediato das 60 famílias habilitadas
no Programa PAR II (compromisso feito pela Diretoria Comercial de COHAB e
Superintendência de HABI), há 5 anos na espera;
6. Definir a
demanda dos 53 imóveis desapropriados no centro, garantindo a destinação
de 1000 unidades para famílias organizadas nos movimentos do centro
ligados à FLM;
7. Construção de projeto habitacional destinado
as 700 famílias da Favela da Eletropaulo, localizada no Jardim Ipanema,
Zona Lestes, prestes a sofrer reintegração de posse;
8. As
famílias devem ser indicadas a projetos habitacionais definitivos pelas
suas organizações de sem-teto. Participar da demanda quem pleiteia seu
Direito. Devem acompanhar a implementação do empreendimento desde seu
inicio. NINGUÉM DEVE TEMER A DEMOCRACIA. Queremos participar da gestão
do projeto.
São Paulo, 04 de outubro de 2010.
FLM – Frente de Luta por Moradia
E-mail: flmb...@gmail.com
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