http://blogs.estadao.com.br/link/liberte-seu-roteador/--
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "Transparência Hacker" dos Grupos do Google.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para thac...@googlegroups.com.
Para cancelar a inscrição nesse grupo, envie um e-mail para thackday+u...@googlegroups.com.
Para obter mais opções, visite esse grupo em http://groups.google.com/group/thackday?hl=pt-BR.
2. No Brasil, é ilegal compartilhar sinal não porque é "perigoso". É ilegal para manter um mercado à disposição das operadoras e ponto. E manter artificialmente.
Além da Desobediência Civil, também são exemplos de resistência o Direto de Greve (para proteger os direitos homogêneos dos trabalhadores) e o Direito de Revolução (para resguardar o direito do povo exercer a sua soberania quando esta é ofendida)."
"As ciladas da engrenagem"
Para Arundhati Roy[1], o mundo do FSM está diante de três perigosas tentações: trocar as ruas por atos que "cativam" a mídia; aceitar a domesticação das resistências; e derivar, sob provocação do Império, para ações violentas e estéreis.
Em janeiro de 2001, em Porto Alegre, Brasil, 20 mil ativistas, estudantes, cineastas - entre as melhores "cabeças" do mundo - se uniram para compartilhar suas experiências e trocar idéias sobre como confrontar o império. Era o nascimento do agora histórico Fórum Social Mundial. Foi a primeira reunião oficial de um tipo distinto de "poder público", entusiasmante, anarquista, não doutrinado, cheio de energia. O lema do FSM é "Um Outro Mundo É Possível" . Tornou-se uma plataforma onde centenas de debates, conversas e seminários ajudaram a refinar a visão de que tipo de mundo esse deveria ser.
Em janeiro de 2004, o 4º FSM ocorreu em Mumbai, Índia, atraindo 200 mil participantes. Nunca participei de um encontro mais energizante. Foi um sinal do sucesso do fórum social, ignorado pelos principais meios de comunicação do país. Mas agora, o FSM está ameaçado devido ao seu próprio sucesso. A atmosfera segura, aberta e festiva do fórum possibilitou que os políticos e as agências não governamentais envolvidas nos sistemas político e econômico combatidos pelo fórum, de poderem participarem e se façam ouvir.
Outro perigo é que o FSM, que tem desempenhado um papel tão vital no movimento pela justiça global, torne-se um fim em si mesmo. O trabalho necessário para a organização do fórum a cada ano consome as energias de alguns dos melhores ativistas. Se as conversações sobre a resistência substituírem a desobediência civil real, então o FSM pode se tornar um alívio para aqueles contra os quais ele foi criado. O Fórum deve acontecer e deve crescer, mas precisamos encontrar modos de canalizar nossas conversações no sentido da ação concreta.
À medida em que os movimentos de resistência começaram a se estender além das fronteiras nacionais e representar uma ameaça real, os governos desenvolveram suas próprias estratégias para lidar com eles. Elas variam da cooptação à repressão.
Vou falar a respeito de três dos perigos contemporâneos que enfrentam os movimentos de resistência: o difícil ponto de encontro entre os movimentos de massas e a mídia de massas, os riscos da ONG-ização da resistência, e o confronto entre os movimentos de resistência e Estados cada vez mais repressivos.
A mídia quer ser mundo
O lugar em que a mídia de massas encontra os movimentos de massas é bastante complicado.
Os governos se deram conta de que uma mídia que funciona e é movida através da sucessão de crises não pode se dar ao luxo de ficar parada por muito tempo no mesmo assunto. Como os estabelecimentos comerciais, que precisam de um fluxo e de um volume de caixa, a mídia precisa de um fluxo e de um volume de crises. Países inteiros se convertem em notícia obsoleta.
Deixam de existir, e a obscuridão se torna que antes. Vimos isso acontecer no Afeganistão, quando os soviéticos se retiraram. E agora, depois da operação Enduring Freedom (Liberdade Duradoura) que colocou no poder Hamid Karzai, representante da CIA, e atira o país nas mãos dos caciques da guerra.
Outro agente da CIA, Iyad Allawi, foi instalado no Iraque. Talvez, tenha chegado a hora de a mídia ir embora dali também.
Enquanto os governos refinam a arte de esperar que a crise passe, os movimentos de resistência estão se emaranhando crescentemente em um vórtice de produção de crises, procurando modos de manufaturá-las em formatos de fácil consumo e de uso amigável aos espectadores.
Cada movimento popular que se respeite a si próprio, cada "questão" deve ter seu próprio balão publicitário flutuando no ar, propagandeando sua marca e seu propósito.
Mortes por inanição são propagandas mais eficazes que o empobrecimento de milhões de pessoas mal nutridas, as quais não dão ibope. As represas não merecem notícia, até que a devastação que causam caia bem na televisão. (E então, é tarde demais.)
Ficar dias em pé na água, enquanto a represa vai se enchendo, olhando a própria casa e pertences flutuarem, como protesto contra a construção de uma grande represa costumava ser uma estratégia eficaz, mas já não o é mais.
A mídia se cansou dessa cena. Assim, para milhares de pessoas deslocadas pelas represas a alternativa é procurar novos truques ou desistir da luta.
Manifestações cheias de cores e as marchas de fim de semana são vitais, mas sozinhas, não têm o poder suficiente para impedir as guerras.
As guerras pararão somente quando os soldados se recusarem de lutar, quando os trabalhadores se recusarem de carregar as armas nos navios e nas aeronaves, quando as pessoas boicotarem os postos econômicos do império, que estão disseminados pelo globo.
Se quisermos reclamar o espaço da desobediência civil, teremos que nos livrar da tirania do jornalismo de crise, com seu medo do trivial. Precisamos usar nossa experiência, nossa imaginação e nossa arte para interpelar os instrumentos do estado que garantem que a "normalidade" permaneça como: cruel, injusta, inaceitável. Devemos expor as políticas e os processos que fazem com que as coisas de cada dia - a comida, a água, a moradia e a dignidade - sejam um sonho tão distante para as pessoas comuns.
O verdadeiro ataque preventivo significa compreender que as guerras são o
resultado final de uma paz imperfeita e injusta.
As telas ou as ruas?
No que toca aos movimentos de resistência de massas, o fato é que nenhum tipo de cobertura de mídia pode ser comparado à força da massa em campo. Não há opção comparável, na verdade, à velha e boa mobilização política.
A globalização corporativa aumentou a distância entre aqueles que tomam decisões e aqueles que sofrerem os efeitos das decisões tomadas.
Fóruns como o FSM permitem que os movimentos de resistência local se conectem com as suas contrapartidas nos países ricos. Essa aliança é importante e formidável. Por exemplo, quando a primeira represa privada da Índia, Maheshwar Dam, foi construída, a Narmada Bachao Andolan (a NBA), a organização alemã Urgewald, a Declaração de Berna, na Suíça, e a International Rivers Network em Berkeley trabalharam em conjunto para forçar a saída de uma série de bancos e corporações internacionais do projeto.
Isso não teria sido possível se não houvesse um movimento de resistência extremamente sólido na base. A voz daquele movimento local foi amplificada por defensores do movimento em âmbito global, desconcertando os investidores e obrigando-os a se retirarem.
Um número infinito de alianças similares, tendo como alvo projetos específicos e corporações específicas ajudaria a fazer um outro mundo possível. Deveríamos começar com as corporações que fizeram negócios com Saddam Hussein e que agora estão lucrando com a devastação e a ocupação do Iraque.
Um segundo risco para os movimentos de massas é a ONG-ização da resistência. Será fácil distorcer o que vou dizer, fazendo com que isso pareça uma acusação contra todas as ONGs, o que seria falso. Apesar das águas turvas, das facilidades abertas para que falsas ONGs obtenham as subvenções ou conseguem impostos, é claro que existem ONGs de grande valor. Mas é importante considerar o fenômeno das ONGs em um contexto político mais amplo.
Duas qualidades de ONGs
Na Índia, por exemplo, o boom das ONGs subvencionadas começou entre o fim os anos 80 e os anos 90. Coincidiu com a abertura dos mercados do país ao neoliberalismo. Na época, o Estado indiano, mantendo os requisitos de ajuste estrutural, estava retirando seu apoio financeiro ao desenvolvimento rural, agricultura, energia, transporte e saúde. Enquanto o Estado abdicava do seu papel tradicional, as ONGs se voltaram para trabalhar justamente nessas áreas. A diferença, naturalmente, é que os fundos disponíveis a elas correspondiam a uma minúscula fração do corte efetivo feito nas despesas públicas. A maioria das grandes ONGs são financiadas e patrocinadas pelas agências de desenvolvimento, as quais, por sua vez, são financiadas pelos governos ocidentais, o Banco Mundial, a ONU, e algumas corporações multinacionais. Embora seja possível que não se trate exatamente das mesmas agências, elas certamente são parte da mesma formação política que supervisiona o projeto neoliberal e que demanda cortes drásticos dos governos em seus gastos.
Por que motivo essas agências financiam as ONGs? Será que só pelo antigo afã missionário? Culpa? É um pouco mais que isso. As ONGs dão a impressão de estarem preenchendo o vácuo criado pelo estado em retirada. E elas o estão preenchendo, só que de uma maneira materialmente inconseqüente.
Sua contribuição real é aplacar a ira política, e repartir como ajuda ou caridade aquilo que, na realidade, caberia ao povo como direito.
Elas alteram a psique pública. Tornam as pessoas vítimas dependentes e aparam as pontas da resistência política. As ONGs formam uma espécie de amortecedor entre o império e seus vassalos. Elas se tornaram os árbitros, os intérpretes, os facilitadores.
A longo prazo, as ONGs são responsáveis perante seus financiadores, não perante as pessoas para as quais trabalham. Elas são aquilo que os botânicos chamam de "espécie indicadora". É quase assim: quanto maior a devastação causada pelo neoliberalismo, maior o número de ONGs que aparecem.
Nada consegue ilustrar isso de modo mais contundente do que o fenômeno dos EUA se preparando para invadir um país e, ao mesmo tempo, preparando as ONGs para irem fazer a limpeza dos despojos.
Para se certificarem de que o financiamento não será posto em risco e de que os governos dos países em que trabalham lhes permitirão o funcionamento, as ONGs devem apresentar seu trabalho dentro de uma estrutura superficial, mais ou menos isenta de qualquer contexto político ou histórico.
O mito do capitalista piedoso
Os pedidos de socorro dos países pobres e das zonas de guerra, veiculados como apolíticos (e, portanto, extremamente políticos), criam a imagem de que o povo (de péle escura) daqueles países é equivalente a uma vítima patológica. Mais um indiano mal nutrido, mais um etíope que morre de fome, mais um sudanês mutilado precisando da ajuda do homem branco. Sem querer, essas imagens reforçam os estereótipos racistas e reafirmam as conquistas, os confortos e a compaixão (o amor do tipo: "é tudo para o seu bem& ") da civilização ocidental. As ONGs são os missionários seculares do mundo moderno.
Por fim - em menor escala, porém mais insidiosa- o capital destinado às ONGs desempenha o mesmo papel, na política alternativa, que o capital especulativo que entra e sai das economias dos países pobres. Começa ditando a ordem do dia, transforma confronto em negociação, despolitiza a resistência, interfere junto aos movimentos populares locais que têm sido tradicionalmente auto-suficientes. As ONGs têm fundos com os quais podem dar empregos a pessoas que, de outra forma, se tornariam ativistas nos movimentos de resistência, mas agora podem se sentir engajadas em algo mais imediato e criativo (à medida em que ganham a vida com seus ideais). A resistência política real não oferece esses tipos de benefício.
A Ong-ização da política ameaça transformar a resistência em uma fonte de empregos razoáveis, bem comportados, assalariados e em tempo integral. Com alguns benefícios extras. A resistência real tem conseqüências reais. E não paga salários.
Isso nos leva ao terceiro perigo de que gostaria de falar: a natureza letal do atual confronto entre os movimentos de resistência e a realidade de Estados cada vez mais repressivos. Entre o poder público e os agentes do império.
Como se criminaliza a resistência
Onde quer que a resistência civil tenha mostrado os mais brandos sinais de estar evoluindo de ações simbólicas para qualquer coisa remotamente mais ameaçadora, a repressão se mostra implacável. Constatamos isso nas manifestações de Seattle, em Miami, Göthenberg, em Gênova.
Nos Estados Unidos, há o USA Patriot Act, que se tornou um esquema para a promulgação de leis antiterroristas, aprovadas em vários países do mundo. As liberdades estão sendo cerceadas em nome da proteção da liberdade. E, uma vez que renunciamos às nossas liberdades, só uma revolução poderá trazê-las de volta.
Certos governos têm vastíssima experiência em cerceamento das liberdades, e ainda continuarem a dar a impressão de que está tudo bem. O governo da Índia, veterano nesse jogo, pode lançar uma luz no assunto.
Ao longo dos anos, o governo da Índia passou um número imenso de leis que permitiram tratar qualquer pessoa de terrorista, insurgente, militante. Assim, temos a Lei de Poderes Especiais das Forças Armadas (Armed Forces Special Powers Act), a Lei de Segurança Pública (Public Security Act), a Lei de Segurança para Áreas Especiais (Special Areas Security Act), a Lei para Gangsters (Gangster Act), a Lei de Áreas Terroristas e de Perturbação (Terrorist and Disruptive Areas Act) (a qual, oficialmente, não está mais em vigência, embora ainda haja pessoas esperando julgamento devido à mesma) e, mais recentemente, a Lei de Prevenção contra o Terrorismo (POTA, ou Prevention of Terrorism Act), o antibiótico de amplo espectro para curar a doença da dissidência.
Outras medidas estão sendo tomadas, tais como sentenças judiciais que cerceiam a liberdade de expressão, o direito dos funcionários públicos de declararem greve, o direito à vida e ao sustento. Na Índia, os tribunais começaram a micro-gerenciar nossas vidas. Sem contar o fato de que criticar os tribunais constitui um delito.
Mas voltando às iniciativas antiterroristas: na última década, o número de pessoas que morreram vítimas da polícia e das forças de segurança alcançou dezenas de milhares. No Estado de Andhra Pradesh (a garota propaganda da globalização corporativa da Índia), uma média de 200 "extremistas" morrem, naquilo a que chamam de "confrontos", a cada ano. A polícia de Mumbai se gaba do número de "gangsters" que morreram em tiroteios. Na Caxemira, cuja situação é praticamente de guerra, estima-se que 80 mil pessoas tenham sido assassinadas desde 1989. Milhares simplesmente "desapareceram". Nas províncias do nordeste do país, a situação é similar.
Polícia, assassinatos e tortura
Nos últimos anos, a polícia da Índia tem aberto fogo contra pessoas desarmadas, sobretudo das castas dalit e adivasi. O seu método preferido é matá-las e, em seguida, chamá-las de terroristas. E a Índia não é o único país onde isso ocorre. Coisas similares ocorrem na Bolívia, no Chile e na África do Sul. Na era do neoliberalismo, a pobreza é um crime, e protestar contra a pobreza vem sendo definido cada vez mais freqüentemente como terrorismo.
Na Índia, a Lei de Prevenção contra o Terrorismo (Prevention of Terrorism Act, ou POTA) é chamada com freqüência de Lei de Produção do Terrorismo. Ela é versátil, inclui tudo, e pode ser aplicada a qualquer um, seja um agente da Al-Qaeda seja um motorista de ônibus descontente. Como todas as leis antiterrorismo, sua genialidade está no fato do que o governo quiser. Depois dos progroms de 2002 em Gujarat, apoiados pelo Estado, em que morreram cerca de 2 mil muçulmanos, assassinados por multidões hindus e cerca de 150 mil foram despejados de sus casas, 287 pessoas foram acusadas, sob a POTA. Dessas, 286 eram muçulmanas e uma era sikh.
A POTA permite utilizar como evidência em julgamentos as confissões extraídas do réu enquanto o mesmo está sob custódia da polícia. De fato, a tortura tende a substituir a investigação. O Centro de Documentação de Direitos Humanos da Ásia Meridional (South Asia Human Rights Documentation Center) reporta que na Índia se verifica o número mais alto de torturas e mortes em prisão, no mundo. Os registros governamentais mostram que houve 1.307 mortes sob custódia judicial, somente no ano de 2002.
Há poucos meses, eu fiz parte de um tribunal do povo a respeito da POTA. Durante um período de dois dias, escutamos testemunhos estarrecedores daquilo que está acontecendo em nossa maravilhosa democracia. Tudo o que se possa imaginar - desde pessoas forçadas a beber urina, outras obrigadas a se despirem, humilhações, choques elétricos, queimaduras com pontas de cigarros acesos, barras de ferro inseridas no ânus, surras e pontapés.
O novo governo prometeu abolir a POTA. Eu ficarei surpresa se isso acontecer antes que outra legislação similar, mas com um nome diferente, tenha sido aprovada. Deixará de ser POTA e passará a ser MOTA, ou qualquer coisa assim.
Violência, a terrível tentação
Quando se fecham todas as portas para a dissidência não violenta, e quando qualquer pessoa que protesta contra a violação de seus direitos humanos é taxada de terrorista, será que deveríamos ficar tão surpresos com o fato de que em vastas partes do país é crescente o número de pessoas que acreditam em luta armada e se encontram mais ou menos além do controle do estado? Na Caxemira, nas províncias do nordeste, em muitas partes de Madhya Pradesh, em Chattisgarh, Jharkhand e em Andhra Pradesh, as pessoas
encontram-se encurraladas entre a violência dos grupos armados e a
violência do Estado.
Na Caxemira, o exército indiano estima que de 3 a 4 mil grupos armados estejam na ativa, a qualquer momento. Para controlá-los, o governo indiano emprega cerca de 500 mil soldados. Obviamente, não são só os militantes que o exército procura controlar, mas toda uma população de pessoas humilhadas e infelizes, que vêem o exército indiano como uma força de ocupação.
A Lei de Poderes Especiais das Forças Armadas (Armed Forces Special Powers Act) permite que, não somente os oficiais de alto escalão, mas até mesmo sub-oficiais recém contratados possam usar a força e até matar qualquer pessoa suspeita de perturbar a ordem pública. Ela foi imposta primeiramente no estado de Manipur, em 1958. Hoje, ela é aplicada em praticamente todo o nordeste e na Caxemira. A documentação dos episódios de tortura, desaparecimentos, mortes sob custódia, estupro e execução sumária pelas forças de segurança são de dar nó no estômago.
Em Andhra Pradesh, no coração da Índia, o grupo militante Marxist-Leninist Peoples' War Group - que há anos tem se engajado em lutas violentas e tem sido o alvo principal de muitos dos falsos "confrontos" com a polícia de Andhra - fez a sua primeira reunião pública no dia 28 de julho de 2004, na cidade de Warangal.
Centenas de milhares de pessoas participaram da reunião. Sob a POTA, todas elas são consideradas terroristas. Será que vão ser todas detidas em algum equivalente indiano de Guantanamo?
Todo o nordeste da Índia e o vale da Caxemira estão se movendo. O que fará o governo com esses milhões de pessoas?
Hoje em dia, não há nenhum tema de discussão mais importante do que as estratégias de resistência. E a escolha da estratégia não está inteiramente nas mãos do público.
Afinal de contas, quando os EUA invadem e ocupam o Iraque, como foi feito, com uma força militar tão avassaladora, será que se pode esperar que a resistência seja do tipo convencional? (É claro que, mesmo se ela fosse convencional, ainda assim seria chamada de terrorista.) Parece estranho, mas, o arsenal de armas do governo dos EUA e sua potência aérea e de artilharia sem paralelos tornam o terrorismo algo inevitável. O povo acaba compensando sua falta de dinheiro e poder com estratégias e astúcia.
A brutalidade pode ser eficaz?
Nesses tempos de ansiedade e desespero, se os governos não fizerem o impossível para respeitar a resistência não violenta, então acabam favorecendo aqueles que optam pela violência. A condenação do terrorismo pelos governos não é crível, se esses governos não se mostrarem abertos à mudança através da dissidência não violenta.
Contudo, o que vemos é o esmagamento dos movimentos de resistência não violenta. Todo tipo de mobilização ou organização de massas está sendo comprada, ou destruída, ou simplesmente ignorada.
Enquanto isso, os governos e a mídia corporativa, sem nos esquecermos da indústria cinematográfica, dedicam seu tempo, atenção, tecnologia, pesquisa e admiração à guerra contra o terrorismo. A violência foi deificada.
A mensagem que lançam é perturbadora e perigosa: para expressar um descontentamento, a violência é mais eficaz que a não violência.
À medida em que aumenta o abismo entre ricos e pobres, e quando se faz mais urgente a necessidade de apropriação e controle dos recursos do mundo para se alimentar a gigantesca máquina capitalista, será que haverá apenas uma escalada do descontentamento?
Para nós que nos encontramos no lado errado do império, a humilhação está ficando insuportável. Cada uma das crianças iraquianas assassinadas pelos Estados Unidos era como um filho nosso. Cada um dos prisioneiros torturados em Abu Ghraib era como um companheiro. Cada um de seus gritos era como um grito nosso. Quando eles foram humilhados, nós é que fomos humilhados. Os soldados dos EUA lutando no Iraque - em sua maioria voluntários recrutados pela pobreza de suas pequenas cidades e dos bairros urbanos mais pobres - são vítimas, da mesma forma que os iraquianos, do mesmo processo horrendo, que lhes exige a morte por uma vitória que nunca lhe pertencerá.
Os mandarins do mundo corporativo, os diretores executivos, os banqueiros, os políticos, os juízes e generais nos olham de cima para baixo, balançando a cabeça com uma expressão severa: "Não há alternativa", dizem. E soltam os cães de guerra.
Terrorismo, privatização da guerra
Então, das ruínas do Afeganistão, dos despojos do Iraque e da Tchetchênia, das ruas da Palestina ocupada e das montanhas da Caxemira, das montanhas e planícies da Colômbia e das florestas de Andhra Pradesh e de Assam chega a resposta terrificante: "Não há alternativa ao terrorismo." Terrorismo. Luta armada. Insurgência. Cada um lhe dá o nome que quiser.
O terrorismo é desalmado, feio, desumanizador tanto para aqueles que o perpetram quanto para as vítimas. Contudo, a guerra também é isso tudo. Poderíamos dizer que o terrorismo é a privatização da guerra. Os terroristas são os mercadores do livre mercado da guerra. São pessoas que não acreditam que o estado tenha o monopólio do uso legítimo da violência.
A sociedade humana está embarcando para uma viagem.
Obviamente, há uma alternativa ao terrorismo. Ela se chama justiça.
Chegou a hora de reconhecermos que não é a quantidade de armas nucleares ou o domínio de amplo espectro ou as bombas de fragmentação "daisy cutters" ou os espúrios Conselhos de Governo e Loya Jirgas que poderão comprar a paz às custas da justiça.
A ambição de hegemonia e preponderância de alguns terá como contrapartida o desejo mais intenso de dignidade e justiça de outros.
A forma que tomará essa batalha, se será bonita ou sangrenta, dependerá de nós.
[1] (*) Transcrição parcial do discurso de *Arundhati Roy* em San Francisco, Califórnia, em 16 de agosto de 2004. /Copyright 2004 Arundhati Roy.
Pois é, acho que o caminho é desafiar. A regra existe, mas duvido que a Anatel vá querer comprar essa briga. Até porque suspeito que essa regra não se sustenta numa eventual briga judicial.
Conheço inclusive empresas que vendem o serviço de web compartilhada em.condomínios aqui de Curitiba e nunca ouvi nada a respeito de fiscalização da Anatel nesses lugares.
Rosiane
pc velho eu tenho, pyxis. e o tutorial do roteador faça-você-mesmo com gnu/linux, cadê?
se vc fizer eu juro que sigo e retorno todos meus empecilhos no processo.
--
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "Transparência Hacker" dos Grupos do Google.
Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/d/msg/thackday/-/h8AasGS7MYEJ.
Acho que uma maneira muito fácil de chegar a uma conclusão sobre essa história de wi-fi aberta e responsabilidade é ver como se trata isso em redes abertas privadas (tipo em cafés, aeroporto, hotel etc). Que tratamento se daria a um suposto crime cometido através desse tipo de rede?
Mas volto a dizer que uma coisa é abrir o wi-fi na rua e outra é vc compartilhar com teus vizinhos.
Natã Vieira
Técnico - BA
DIEESE - Sede Comércio
Telefax: (71) 3329-7853
Celular: (71) 8810-5853
natav...@dieese.org.br
www.dieese.org.br
> É nosso dever encontrar uma forma de tornar esse nosso autruísmo LEGAL.
> Se eu agir sempre de acordo com meus princípios me esquecendo das LEIS, vou
> piratear música já que discordo da forma que as gravadoras regem o mercado,
> vou fumar maconha já que pra mim pode ser somente um prazer, e tantos outros
> exemplos.
Se sua ação viola uma lei frágil, por que não?
Leis não são estáticas e, na minha opinião, devem ser desrespeitadas
quando queremos mudá-las. Acho que é o jeito mais ágil.
--
Legal ou não, já faço este compartilhamento há muitos anos.E até incentivei vizinhos a fazerem o mesmo de forma a termos"backup" de acesso.No meu roteador, coloquei uma máquina velha (PC) com um Linuxque serve somente como "firewall".Efetivamente, o maior problema é o abuso de alguns usuários quantoa banda... nada que não seja solucionado limitando a banda docidadão-egoísta.é bão dimais ver a banda sendo toda usada por várias pessoas.O servidor tb se presta como ponto em diversas redes P2P. ficandoligado 24h...Neste caso, a lei é feita para beneficiar estas operadoras que fazemcompartilhamento de recursos e vendem taxas de tráfego que nãoentregam. Quando cumprirem a lei do consumidor que as operadorasdevem entregar as taxas de tráfego que vendem, pensaremos na
legislação que pune quem compartilha a banda.
Em 25 de julho de 2011 10:03, Flagner Camargo <flagner...@gmail.com> escreveu:
Vamos lá (era justamente essa a intenção, provocar a discussão sobre o assunto, já que somente com reflexão conseguimos amadurecer uma ideia.).
Fabbri , é justamente o que vc mencionou que devemos fazer: "Precisamos estudar as possibilidades de deixar essa prática dentro da legalidade."
Mesmo que para isso seja necessário (e o é) mudar a legislação.
Markun:
"Eu acho uma pena que a gente tenha perdido o hábito de dar e pedir carona... e se eu não deixaria minha casa aberta para usarem água, luz, telefone... meu sítio e minha casa de praia estão geralmente abertas para os amigos que podem aproveitar nos finais de semana que eu não posso - só pelo prazer de ver o espaço ocupado e produzindo, saca?"
Não perdemos o hábito de dar/pedir caronas, fomos obrigados a isto, para preservar nossa integridade pessoal.
Traçando um paralelo da sua iniciativa de liberar seu sítio aos amigos com a iniciativa de liberar o roteador, seria algo como só liberar o sinal para amigos, ou seja, passar para estes um login e senha.
Você ficaria extremamente chateado se "estranhos" usufruíssem do seu sítio por um final de semana e deixassem tudo zoneado, ou pior, tivessem cometido um crime e te deixassem de presente a polícia te investigando.
Com nossa legislação atual é impossível liberar o sinal Wireless já que é crime como já mencionado. Mas se estivéssemos dentro da lei (como um provedor autorizado pela ANATEL) ainda teríamos de nos preocupar com a manutenção de logs de TODOS que passassem pelo nosso roteador (já que é nosso IP que está na berlinda devido a limitações do IPv4), vocês sabem o trabalho que dá isso?
Em 25 de julho de 2011 09:42, Pedro Markun <pe...@esfera.mobi> escreveu:
Fabbri,eu acho que a possibilidade real é deixar aberto/compartilhar e fazer pressão para mudar os regulamentos através das práticas sociais.abs,Pedro Markun
2011/7/25 Marcelo Castañeda <celoca...@gmail.com>
Skype: marcastanedaTwitter: http://twitter.com/#!/celocastaneda
Em 25 de julho de 2011 05:49, Felipe Sanches <ju...@members.fsf.org> escreveu:
Eu conheço o Peter Eckersley. Ele é o autor do paper da EFF sobre monitoramento comportamental feito por empresas de "targeted advertising" na internet: http://panopticlick.eff.org/about.php
Juca
--
GNU/Linux User #479299
skype: fabbri.renato
--
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "Transparência Hacker" dos Grupos do Google.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para thac...@googlegroups.com.
Para cancelar a inscrição nesse grupo, envie um e-mail para thackday+u...@googlegroups.com.
Para obter mais opções, visite esse grupo em http://groups.google.com/group/thackday?hl=pt-BR.
--
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "Transparência Hacker" dos Grupos do Google.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para thac...@googlegroups.com.
Para cancelar a inscrição nesse grupo, envie um e-mail para thackday+u...@googlegroups.com.
Para obter mais opções, visite esse grupo em http://groups.google.com/group/thackday?hl=pt-BR.
--
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "Transparência Hacker" dos Grupos do Google.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para thac...@googlegroups.com.
Para cancelar a inscrição nesse grupo, envie um e-mail para thackday+u...@googlegroups.com.
Para obter mais opções, visite esse grupo em http://groups.google.com/group/thackday?hl=pt-BR.
--
abs,
Evandro Oliveira
Beagá - MG
(31) 9982-0221
Brasília - DF
(61) 9299-6229
--
Sabe um problema que enfrentei no meu ap para tentar compartilhar meu wi-fi? O alcance do sinal. Apesar do meu ap não ser lá muito grande, o roteador está no escritório e o sinal mal chega na suíte. Nunca consegui fazer o sinal chegar na vizinha do outro lado do corredor.
We recently noted that, over in France, under the HADOPI three strikes regime, they had their first 10 people get their third strike, and each was being reviewed to see if they should lose their connection. Well, it looks like the first guy has lost his connection... and it's a 54-year old school teacher who insists he has no idea how to download unauthorized content. The story is a little unclear, but it sounds like he had open WiFi, and he didn't understand what the "first strike," was really about. When he got the "second strike" notice, he tried to figure out how to secure his WiFi, but it either took too long or he was unable to figure it out... and so along came the third strike. The guy is pretty upset about this, for a damn good reason. It's going to be ridiculously expensive to fight and it may get appealed up to European courts outside of France, which would entail significant travel expenses as well. This is why it's supposed to be innocent until proven guilty, right?