Curso de Teologia reconhecido pelo MEC gera polêmica entre os cristãos

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Oseias de Lima

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Mar 18, 2011, 10:05:15 PM3/18/11
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http://emec.mec.gov.br/

Desde que o Ministério da Educação (MEC), através do Conselho Federal de Educação, passou a reconhecer o caráter universitário do curso de teologia, em 1999, a possibilidade de ter a vocação premiada com um diploma carimbado pelo governo tem feito muitos estudantes suspirarem. O sentimento é mais que natural – afinal, grande parte dos alunos vislumbra, de posse do canudo, prosseguir estudos que venham a guindar sua carreira, dentro ou fora do ambiente eclesiástico. “Concluindo a graduação, tenho a intenção de fazer mestrado e doutorado, e o reconhecimento do MEC me facilitaria muito o processo”, planeja José Mirabeau, membro da Igreja Presbiteriana de Copacabana, no Rio de Janeiro. Ele está no 4º ano do curso de bacharel em teologia do Seminário Presbiteriano Reverendo Ashbel Green Simonton. Aspirante ao ministério pastoral, Mirabeau espera que o curso lhe ofereça a formação acadêmica necessária ao exercício da atividade, já que, em sua denominação, a graduação teológica é uma exigência para isso.

Por outro lado, em igrejas onde tal formação não é caminho obrigatório para o púlpito, a visão ainda parece ser mais missional. “O conhecimento teológico é fundamental, mas não será por meio do reconhecimento junto ao MEC que teremos verdadeiros ministros do Evangelho”, pondera a estudante Priscila de Carvalho Figueiredo, aluna do Instituto Bíblico da Assembleia de Deus na Ilha do Governador (Ibadig), também no Rio. “Ser pastor não é uma profissão, mas um chamado, uma vocação”. No seu caso, o estudo da teologia não visa a obtenção de diploma de terceiro grau, já que é farmacêutica. Mas sua fala toca num tema delicado, epicentro da preocupação de muitos envolvidos na questão: a motivação financeira. No entender de Priscila, é um erro classificar o pastorado como uma maneira de adquirir riquezas.

“X da questão”

Se, para boa parte dos estudantes, o reconhecimento do curso como de nível superior abre portas até então impensáveis para graduados em teologia – como a continuidade dos estudos nos níveis de mestrado e doutorado e a possibilidade de acesso a cargos públicos restritos a portadores de diplomas de terceiro grau –, o corpo docente vê a questão sob outra ótica. Para professores como Lourenço Stélio Rega, diretor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo, a oficialização da disciplina interfere até no perfil dos alunos. Segundo ele, antes dificilmente alguém procurava cursos teológicos com outro objetivo que não fosse atender a uma vocação: “Atribuo isso talvez à oficialização do curso, pois antes era comum aconselhar um jovem a fazer primeiro uma faculdade oficializada. Hoje, não há mais necessidade”. Rega diz que agora, mesmo entre os que se dizem vocacionados, a média de idade tem se alterado. “Temos mais alunos jovens”, aponta.

Fato é que quem se matricula hoje em um curso de teologia tem procurado qualidade e perspectivas. “O aluno quer tudo recheado com um diploma superior, reconhecido pelo MEC”, salienta o pastor presbiteriano Jorge Henrique Barro, diretor da Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina (PR). “Ele já vislumbra uma especialização, e alguns voam alto, pensando em mestrado e doutorado. Já aprenderam que estudar em uma escola não reconhecida é a morte prematura de um sonho, pois não sendo portadores de um diploma superior, seu curso será livre e ele não irá adiante no processo contínuo de sua formação. Esse é um problema que as escolas não reconhecidas terão de resolver”, diagnostica.

“Precisamos da ingerência direta do MEC para alcançar a excelência?”, questiona, por sua vez, o pastor Neander Kraul, diretor do Seminário Teológico Betel, no Rio de Janeiro. Para ele, a oficialização da teologia ameaça o caráter essencialmente ministerial do pastorado. “Ao nivelarmos pura e simplesmente essa área de formação com as demais, passamos a admitir a teologia como campo profissional”, avalia o educador (ver debate em quadro). “O MEC não é empecilho para nenhuma instituição, a não ser para aquelas que levam a educação teológica com a barriga”, discorda Robinson Jacintho de Souza, gestor e coordenador acadêmico do seminário teológico Servo de Cristo. “Muitas instituições continuam como seminários e, mesmo oferecendo cursos livres, possuem e atendem ao rigor pedagógico-educacional”.

Mesmo assim, Jacintho defende que levar o ensino da teologia a sério, em termos profissionais, não significa perder de vista o que chama de razão da existência dos seminários teológicos: “Responder ao comissionamento de Cristo por meio da educação. Fruto disso, de uns poucos seminários e das faculdades teológicas reconhecidas, são os ministérios frutíferos de seus ex-alunos, que mostram que o ‘x’ da questão não está no MEC, mas em nós mesmos, como gestores desse processo”, conclui.

Sim e não

Entre os entusiastas da oficialização, o professor Jorge Henrique Barro, avaliador para cursos de teologia do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), destaca-se por defender que quem ganha com o processo são os seminários, seus alunos e as igrejas. Já uma das vozes críticas mais representativas é a do pastor e professor Neander Kraul, diretor do prestigiado Seminário Teológico Betel, no Rio. Neste debate, cada um deles expõe seus argumentos:

Qual sua opinião sobre o reconhecimento do curso de Teologia como de nível superior?

JORGE HENRIQUE BARRO – Esse processo traz muitos benefícios. A oficialização melhora as condições técnicas do curso, como o projeto pedagógico, o plano de desenvolvimento institucional, o nível do corpo docente, a biblioteca, o corpo técnico-administrativo e o próprio corpo discente. Uma escola que passa por esse teste certamente cresce e se desenvolve com mais consciência educacional. Passa a ser uma escola dirigida por gente mais preparada para inseri-la no contexto federativo de ensino.

NEANDER KRAUL – As evidências dão conta de que a Igreja praticamente nada ganhou com o reconhecimento, se o objetivo último dos seminários ao ofertar cursos de teologia for o de servir a Igreja. O curso de Teologia era tido como campo especificamente confessional, gozando de status diferenciado em relação às demais formações de nível superior. Ao nivelarmos pura e simplesmente essa área de formação com as demais, passamos a admitir a teologia como campo profissional e derrubamos nosso antigo discurso de que pastores não são profissionais. Além disso, todo conselho normatizador e fiscalizador de profissão representa os braços do Estado e da própria sociedade civil no controle de determinada ocupação.

Existe o risco de ingerência do MEC, ou seja, do Estado, sobre assuntos religiosos?

BARRO – As pessoas ligadas à educação teológica precisam ser mais coerentes. O que se percebe é que os comentários sobre uma suposta ingerência do MEC revelam, por um lado, muita ignorância no assunto, por parte de gente que nunca leu os pareceres e portarias relativas ao ensino da teologia. E, em segundo lugar, trata-se de uma justificativa barata para não entrar nesse processo junto ao MEC. O Parecer 241/1999 garante o estabelecimento de composição curricular livre, levando em consideração suas tradições religiosas. Então, quem disse que uma escola reconhecida pelo MEC não pode ter uma ênfase ministerial? Nenhuma escola precisa ter medo da ingerência sobre seus currículos ou sua vocação.

KRAUL – Cresce, visivelmente, a ingerência do Estado no âmbito religioso. É óbvio que progressivamente o controle sobre a Igreja se adensará. Numa perspectiva espiritual, é fácil observar que todos os prognósticos de que a fé e a religião se esvaziariam na virada do século foram derrubados. Convivemos hoje num mundo sensorial com alta tecnologia, muita espiritualidade e muito misticismo. Neste contexto, parece que a ação diabólica é legitimar a religião na sociedade como um conjunto de valores que simplesmente ajuda o homem a viver.

Qual o principal efeito desse processo de oficialização?

BARRO – Uma formação com mais qualidade. Ao reconhecer a área de teologia, o MEC a coloca no sistema nacional e federativo – a teologia sai da clandestinidade e passa a ser um curso com referência nacional.

KRAUL – A questão fundamental que levanto é de cunho ideológico, considerando nossa realidade histórica. Muitos argumentavam que a educação teológica brasileira precisava aprimorar-se. Concordo. O fulcro da questão, entretanto, é se precisamos da ingerência direta do MEC para alcançar esse objetivo.

Em busca da qualidade

Conheça algumas das escolas que já obtiveram o reconhecimento do MEC para seus cursos de teologia

   SIGLA    INSTITUIÇÃO QUE OFERTA O CURSO CONSULTADO     IGC   FAIXA     IGC   CONTÍNUO     CI    CATEGORIA
 CES/JF   CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE JUIZ DE FORA - CES/JF  3  232  3  PRIVADA
 CESMAC   CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES DE MACEIÓ - CESMAC  2  128  PRIVADA
 UNASP   CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO - UNASP  3  240  3  PRIVADA
 UNIFAI   CENTRO UNIVERSITÁRIO ASSUNÇÃO - UNIFAI  3  205  3  PRIVADA
 CEUCLAR   CENTRO UNIVERSITÁRIO CLARETIANO - CEUCLAR  3  256  3  PRIVADA
 UNIGRAN   CENTRO UNIVERSITÁRIO DA GRANDE DOURADOS - UNIGRAN  3  228  4  PRIVADA
 CESUMAR   CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ - CEUMAR - CESUMAR  3  275  PRIVADA
 UNIFIL   CENTRO UNIVERSITÁRIO FILADÉLFIA - UNIFIL  3  233  PRIVADA
 UNIÍTALO   CENTRO UNIVERSITÁRIO ÍTALO-BRASILEIRO - UNIÍTALO  3  199  2  PRIVADA
 UNILASALLE   CENTRO UNIVERSITÁRIO LA SALLE - UNILASALLE  3  273  3  PRIVADA
 UNIASSELVI   CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI - UNIASSELVI  3  201  PRIVADA
 BENNETT   CENTRO UNIVERSITÁRIO METODISTA BENNETT - BENNETT  3  211  3  PRIVADA
 IMIH   CENTRO UNIVERSITÁRIO METODISTA IZABELA HENDRIX - IMIH  3  228  4  PRIVADA
 UNISAL   CENTRO UNIVERSITÁRIO SALESIANO DE SÃO PAULO - UNISAL  3  241  PRIVADA
    ESCOLA DOMINICANA DE TEOLOGIA  PRIVADA
 ESTEF   ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - ESTEF  3  PRIVADA
 EST   ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA - EST  PRIVADA
 FBB   FACULDADE BATISTA BRASILEIRA - FBB  3  207  3  PRIVADA
 FBMG   FACULDADE BATISTA DE MINAS GERAIS - FBMG  3  255  3  PRIVADA
 FABAT   FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO - FABAT  2  183  PRIVADA
    FACULDADE BATISTA PIONEIRA  PRIVADA
 CATÓLICA DE ANÁPOLIS   FACULDADE CATÓLICA DE ANÁPOLIS - CATÓLICA DE ANÁPOLIS  3  256  3  PRIVADA
 FCF   FACULDADE CATÓLICA DE FORTALEZA - FCF  2  164  PRIVADA
 FACAPA   FACULDADE CATÓLICA DE POUSO ALEGRE - FACAPA  4  311  PRIVADA
 CATÓLICA   FACULDADE CATÓLICA DE UBERLÂNDIA - CATÓLICA  3  251  3  PRIVADA
 FCRS   FACULDADE CATÓLICA RAINHA DO SERTÃO - FCRS  3  220  4  PRIVADA
 FAIFA   FACULDADE DA IGREJA MINISTÉRIO FAMA - FAIFA  PRIVADA
 AJES   FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENA - AJES  3  213  3  PRIVADA
 FACETEN   FACULDADE DE CIÊNCIAS, EDUCAÇÃO E TEOLOGIA DO NORTE DO BRASIL - FACETEN  2  145  PRIVADA
 FCES   FACULDADE DE CIÊNCIAS EDUCACIONAIS DE SERGIPE - FCES  PRIVADA
 FAFICA   FACULDADE DE FILOSOFIA CIÊNCIAS E LETRAS DE CARUARU - FAFICA  2  187  3  PRIVADA
 FFTP   FACULDADE DE FILOSOFIA E TEOLOGIA PAULO VI - FFTP  2  145  3  PRIVADA
 DEHONIANA   FACULDADE DEHONIANA - DEHONIANA  3  232  4  PRIVADA
 FAPI   FACULDADE DE PINDAMONHANGABA - FAPI  3  247  3  PRIVADA
 FABAN   FACULDADE DE RIBEIRÃO PRETO - FABAN  3  217  3  PRIVADA
 FSB   FACULDADE DE SÃO BENTO - FSB  4  295  PRIVADA
 FCS   FACULDADE DE TEOLOGIA CARDEAL EUGÊNIO SALES - FCS  PRIVADA
 FATEBOV   FACULDADE DE TEOLOGIA DE BOA VISTA - FATEBOV  PRIVADA
 FATEH   FACULDADE DE TEOLOGIA DE HOKEMÃH - FATEH  3  PRIVADA
    FACULDADE DE TEOLOGIA DE SÃO PAULO DA IGREJA PRESBITERIANA INDEPENDENTE DO BRASIL  PRIVADA
 FATECH   FACULDADE DE TEOLOGIA E CIÊNCIAS HUMANAS - FATECH  PRIVADA
 ITEPAFACULDADES   FACULDADE DE TEOLOGIA E CIÊNCIAS HUMANAS - ITEPAFACULDADES  PRIVADA
 FATEV   FACULDADE DE TEOLOGIA EVANGÉLICA EM CURITIBA - FATEV - FATEV  PRIVADA
 FATEFIG   FACULDADE DE TEOLOGIA, FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS GAMALIEL - FATEFIG  3  PRIVADA
 FATIN   FACULDADE DE TEOLOGIA INTEGRADA - FATIN  PRIVADA
 F.T.U.   FACULDADE DE TEOLOGIA UMBANDISTA - F.T.U.  PRIVADA
    FACULDADE DIOCESANA DE MOSSORÓ  PRIVADA
 FALEC   FACULDADE DOUTOR LEOCÁDIO JOSÉ CORREIA - FALEC  3  251  3  PRIVADA
 FAERPI   FACULDADE ENTRE RIOS DO PIAUÍ - FAERPI  PRIVADA
    FACULDADE EVANGÉLICA DE SÃO PAULO  PRIVADA
 FAECAD   FACULDADE EVANGÉLICA DE TECNOLOGIA, CIÊNCIAS E BIOTECNOLOGIA DA CGADB - FAECAD  PRIVADA
 FEPAR   FACULDADE EVANGÉLICA DO PARANÁ - FEPAR  3  256  4  PRIVADA
 FAEPI   FACULDADE EVANGÉLICA DO PIAUI - FAEPI  2  152  PRIVADA
 FE   FACULDADE EVANGÉLICA - FE  2  186  3  PRIVADA
 FF   FACULDADE FIDELIS - FF  2  PRIVADA
 FAJE   FACULDADE JESUÍTA DE FILOSOFIA E TEOLOGIA - FAJE  5  423  4  PRIVADA
 FJC   FACULDADE JOÃO CALVINO - FJC  PRIVADA
 FAK   FACULDADE KURIOS - FAK  3  227  PRIVADA
 FLT   FACULDADE LUTERANA DE TEOLOGIA - FLT  3  PRIVADA
    FACULDADE MESSIANICA  PRIVADA
 FATEO-PVH   FACULDADE METODISTA DE TEOLOGIA E CIÊNCIAS HUMANAS DA AMAZÔNIA - FATEO-PVH  PRIVADA
 FAMIPAR   FACULDADE MISSIONEIRA DO PARANÁ - FAMIPAR  PRIVADA
 FNB   FACULDADE NAZARENA DO BRASIL - FNB  PRIVADA
 FAPAS   FACULDADE PALOTINA - FAPAS  4  321  3  PRIVADA
 FPA   FACULDADE PAN AMERICANA - FPA  1  83  3  PRIVADA
    FACULDADE SÃO BENTO DA BAHIA  3  237  3  PRIVADA
 FSB/RJ   FACULDADE SÃO BENTO DO RIO DE JANEIRO - FSB/RJ  3  278  3  PRIVADA
 FIC   FACULDADES INTEGRADAS CLARETIANAS - FIC  3  229  PRIVADA
 UNESC   FACULDADES INTEGRADAS DE CACOAL - UNESC  2  187  3  PRIVADA
 FTBAW   FACULDADE TEOLÓGICA BATISTA ANA WOLLERMAN - FTBAW  3  PRIVADA
 FTBB   FACULDADE TEOLÓGICA BATISTA DE BRASÍLIA - FTBB  2  PRIVADA
 FTBSP   FACULDADE TEOLÓGICA BATISTA DE SÃO PAULO - FTBSP  3  PRIVADA
 FTBP   FACULDADE TEOLÓGICA BATISTA DO PARANÁ - FTBP  3  PRIVADA
 FATEBE   FACULDADE TEOLÓGICA BATISTA EQUATORIAL - FATEBE  PRIVADA
 FATADC   FACULDADE TEOLÓGICA DA ASSEMBLÉIA DE DEUS EM CURITIBA - FATADC  4  PRIVADA
 FAETEL   FACULDADE TEOLÓGICA DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS LOGOS - FAETEL  PRIVADA
 FATERJ   FACULDADE TEOLÓGICA EVANGÉLICA DO RIO DE JANEIRO - FATERJ  PRIVADA
 FTSA   FACULDADE TEOLÓGICA SUL AMERICANA - FTSA  3  PRIVADA
 FACULDADE UNIDA   FACULDADE UNIDA DE VITÓRIA - FACULDADE UNIDA  PRIVADA
 FAVI   FACULDADE VICENTINA - FAVI - FAVI  PRIVADA
 FAJOPA   FAJOPA - FACULDADE JOÃO PAULO II - FAJOPA  3  221  3  PRIVADA
 IESMA   INSTITUTO DE ESTUDOS SUPERIORES DO MARANHÃO - IESMA  2  PRIVADA
 IFITEPS   INSTITUTO DE FILOSOFIA E DE TEOLOGIA PAULO VI - IFITEPS  PRIVADA
 IFITEG   INSTITUTO DE FILOSOFIA E TEOLOGIA DE GOIÁS - IFITEG  PRIVADA
 ISTA   INSTITUTO SANTO TOMÁS DE AQUINO - ISTA  3  215  3  PRIVADA
 ITESP   INSTITUTO SÃO PAULO DE ESTUDOS SUPERIORES - ITESP  4  PRIVADA
 INTA   INSTITUTO SUPERIOR DE TEOLOGIA APLICADA - INTA  PRIVADA
 ISTEPAB   INSTITUTO SUPERIOR DE TEOLOGIA E PASTORAL DE BONFIM - ISTEPAB  PRIVADA
 ITF   INSTITUTO TEOLÓGICO FRANCISCANO - ITF  4  PRIVADA
 PUC-CAMPINAS   PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS - PUC-CAMPINAS  3  274  4  PRIVADA
 PUC GOIÁS   PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS - PUC GOIÁS  3  220  3  PRIVADA
 PUC MINAS   PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS - PUC MINAS  3  290  4  PRIVADA
 PUCSP   PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO - PUCSP  4  370  4  PRIVADA
 PUCPR   PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ - PUCPR  3  288  5  PRIVADA
 PUC-RIO   PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO - PUC-RIO  4  379  5  PRIVADA
 PUCRS   PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL - PUCRS  4  349  4  PRIVADA
 RATIO   RATIO - FACULDADE TEOLÓGICA E FILOSÓFICA - RATIO  3  PRIVADA
 SALT   SEMINÁRIO ADVENTISTA LATINO-AMERICANO DE TEOLOGIA - SALT  PRIVADA
 UCPEL   UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PELOTAS - UCPEL  3  265  4  PRIVADA
 UNICAP   UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO - UNICAP  3  225  4 
 UCSAL   UNIVERSIDADE CATÓLICA DO SALVADOR - UCSAL  3  216  3  PRIVADA
 UFPI   UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ - UFPI  3  281  3  PÚBLICA
 ULBRA   UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL - ULBRA  4  300  PRIVADA
 UMESP   UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO - UMESP  3  257  4  PRIVADA
 MACKENZIE   UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE - MACKENZIE  3  293  5  PRIVADA
 URI   UNIVERSIDADE REGIONAL INTEGRADA DO ALTO URUGUAI E DAS MISSÕES - URI  3  257  4  PRIVADA
 USU   UNIVERSIDADE SANTA ÚRSULA - USU  2  163  PRIVADA
 USS   UNIVERSIDADE SEVERINO SOMBRA - USS  3  201  3  PRIVADA
PRIVADA

Oseias de Lima

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Mar 18, 2011, 10:25:53 PM3/18/11
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http://emec.mec.gov.br/

Desde que o Ministério da Educação (MEC), através do Conselho Federal de Educação, passou a reconhecer o caráter universitário do curso de teologia, em 1999, a possibilidade de ter a vocação premiada com um diploma carimbado pelo governo tem feito muitos estudantes suspirarem. O sentimento é mais que natural – afinal, grande parte dos alunos vislumbra, de posse do canudo, prosseguir estudos que venham a guindar sua carreira, dentro ou fora do ambiente eclesiástico. “Concluindo a graduação, tenho a intenção de fazer mestrado e doutorado, e o reconhecimento do MEC me facilitaria muito o processo”, planeja José Mirabeau, membro da Igreja Presbiteriana de Copacabana, no Rio de Janeiro. Ele está no 4º ano do curso de bacharel em teologia do Seminário Presbiteriano Reverendo Ashbel Green Simonton. Aspirante ao ministério pastoral, Mirabeau espera que o curso lhe ofereça a formação acadêmica necessária ao exercício da atividade, já que, em sua denominação, a graduação teológica é uma exigência para isso.

Por outro lado, em igrejas onde tal formação não é caminho obrigatório para o púlpito, a visão ainda parece ser mais missional. “O conhecimento teológico é fundamental, mas não será por meio do reconhecimento junto ao MEC que teremos verdadeiros ministros do Evangelho”, pondera a estudante Priscila de Carvalho Figueiredo, aluna do Instituto Bíblico da Assembleia de Deus na Ilha do Governador (Ibadig), também no Rio. “Ser pastor não é uma profissão, mas um chamado, uma vocação”. No seu caso, o estudo da teologia não visa a obtenção de diploma de terceiro grau, já que é farmacêutica. Mas sua fala toca num tema delicado, epicentro da preocupação de muitos envolvidos na questão: a motivação financeira. No entender de Priscila, é um erro classificar o pastorado como uma maneira de adquirir riquezas.

“X da questão”

Se, para boa parte dos estudantes, o reconhecimento do curso como de nível superior abre portas até então impensáveis para graduados em teologia – como a continuidade dos estudos nos níveis de mestrado e doutorado e a possibilidade de acesso a cargos públicos restritos a portadores de diplomas de terceiro grau –, o corpo docente vê a questão sob outra ótica. Para professores como Lourenço Stélio Rega, diretor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo, a oficialização da disciplina interfere até no perfil dos alunos. Segundo ele, antes dificilmente alguém procurava cursos teológicos com outro objetivo que não fosse atender a uma vocação: “Atribuo isso talvez à oficialização do curso, pois antes era comum aconselhar um jovem a fazer primeiro uma faculdade oficializada. Hoje, não há mais necessidade”. Rega diz que agora, mesmo entre os que se dizem vocacionados, a média de idade tem se alterado. “Temos mais alunos jovens”, aponta.

Fato é que quem se matricula hoje em um curso de teologia tem procurado qualidade e perspectivas. “O aluno quer tudo recheado com um diploma superior, reconhecido pelo MEC”, salienta o pastor presbiteriano Jorge Henrique Barro, diretor da Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina (PR). “Ele já vislumbra uma especialização, e alguns voam alto, pensando em mestrado e doutorado. Já aprenderam que estudar em uma escola não reconhecida é a morte prematura de um sonho, pois não sendo portadores de um diploma superior, seu curso será livre e ele não irá adiante no processo contínuo de sua formação. Esse é um problema que as escolas não reconhecidas terão de resolver”, diagnostica.

“Precisamos da ingerência direta do MEC para alcançar a excelência?”, questiona, por sua vez, o pastor Neander Kraul, diretor do Seminário Teológico Betel, no Rio de Janeiro. Para ele, a oficialização da teologia ameaça o caráter essencialmente ministerial do pastorado. “Ao nivelarmos pura e simplesmente essa área de formação com as demais, passamos a admitir a teologia como campo profissional”, avalia o educador (ver debate em quadro). “O MEC não é empecilho para nenhuma instituição, a não ser para aquelas que levam a educação teológica com a barriga”, discorda Robinson Jacintho de Souza, gestor e coordenador acadêmico do seminário teológico Servo de Cristo. “Muitas instituições continuam como seminários e, mesmo oferecendo cursos livres, possuem e atendem ao rigor pedagógico-educacional”.

Mesmo assim, Jacintho defende que levar o ensino da teologia a sério, em termos profissionais, não significa perder de vista o que chama de razão da existência dos seminários teológicos: “Responder ao comissionamento de Cristo por meio da educação. Fruto disso, de uns poucos seminários e das faculdades teológicas reconhecidas, são os ministérios frutíferos de seus ex-alunos, que mostram que o ‘x’ da questão não está no MEC, mas em nós mesmos, como gestores desse processo”, conclui.

Sim e não

Entre os entusiastas da oficialização, o professor Jorge Henrique Barro, avaliador para cursos de teologia do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), destaca-se por defender que quem ganha com o processo são os seminários, seus alunos e as igrejas. Já uma das vozes críticas mais representativas é a do pastor e professor Neander Kraul, diretor do prestigiado Seminário Teológico Betel, no Rio. Neste debate, cada um deles expõe seus argumentos:

Qual sua opinião sobre o reconhecimento do curso de Teologia como de nível superior?

JORGE HENRIQUE BARRO – Esse processo traz muitos benefícios. A oficialização melhora as condições técnicas do curso, como o projeto pedagógico, o plano de desenvolvimento institucional, o nível do corpo docente, a biblioteca, o corpo técnico-administrativo e o próprio corpo discente. Uma escola que passa por esse teste certamente cresce e se desenvolve com mais consciência educacional. Passa a ser uma escola dirigida por gente mais preparada para inseri-la no contexto federativo de ensino.

NEANDER KRAUL – As evidências dão conta de que a Igreja praticamente nada ganhou com o reconhecimento, se o objetivo último dos seminários ao ofertar cursos de teologia for o de servir a Igreja. O curso de Teologia era tido como campo especificamente confessional, gozando de status diferenciado em relação às demais formações de nível superior. Ao nivelarmos pura e simplesmente essa área de formação com as demais, passamos a admitir a teologia como campo profissional e derrubamos nosso antigo discurso de que pastores não são profissionais. Além disso, todo conselho normatizador e fiscalizador de profissão representa os braços do Estado e da própria sociedade civil no controle de determinada ocupação.

Existe o risco de ingerência do MEC, ou seja, do Estado, sobre assuntos religiosos?

BARRO – As pessoas ligadas à educação teológica precisam ser mais coerentes. O que se percebe é que os comentários sobre uma suposta ingerência do MEC revelam, por um lado, muita ignorância no assunto, por parte de gente que nunca leu os pareceres e portarias relativas ao ensino da teologia. E, em segundo lugar, trata-se de uma justificativa barata para não entrar nesse processo junto ao MEC. O Parecer 241/1999 garante o estabelecimento de composição curricular livre, levando em consideração suas tradições religiosas. Então, quem disse que uma escola reconhecida pelo MEC não pode ter uma ênfase ministerial? Nenhuma escola precisa ter medo da ingerência sobre seus currículos ou sua vocação.

KRAUL – Cresce, visivelmente, a ingerência do Estado no âmbito religioso. É óbvio que progressivamente o controle sobre a Igreja se adensará. Numa perspectiva espiritual, é fácil observar que todos os prognósticos de que a fé e a religião se esvaziariam na virada do século foram derrubados. Convivemos hoje num mundo sensorial com alta tecnologia, muita espiritualidade e muito misticismo. Neste contexto, parece que a ação diabólica é legitimar a religião na sociedade como um conjunto de valores que simplesmente ajuda o homem a viver.

Qual o principal efeito desse processo de oficialização?

BARRO – Uma formação com mais qualidade. Ao reconhecer a área de teologia, o MEC a coloca no sistema nacional e federativo – a teologia sai da clandestinidade e passa a ser um curso com referência nacional.

KRAUL – A questão fundamental que levanto é de cunho ideológico, considerando nossa realidade histórica. Muitos argumentavam que a educação teológica brasileira precisava aprimorar-se. Concordo. O fulcro da questão, entretanto, é se precisamos da ingerência direta do MEC para alcançar esse objetivo.

Em busca da qualidade

Conheça algumas das escolas que já obtiveram o reconhecimento do MEC para seus cursos de teologia


 UFPI 

 IPA   CENTRO UNIVERSITÁRIO METODISTA - IPA  3  261  3  PRIVADA

 METODISTA   FACULDADE METODISTA DE CIÊNCIAS HUMANAS E EXATAS - METODISTA  2  171  3  PRIVADA
 FAMES   FACULDADE METODISTA DE SANTA MARIA - FAMES  3  278  4  PRIVADA

 FMSP   FACULDADE METODISTA DO SUL PAULISTA - FMSP  PRIVADA
 FMG   FACULDADE METODISTA GRANBERY - FMG  3  246  3  PRIVADA
 UNIMEP   UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA - UNIMEP  3  248  3  PRIVADA

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