Re: Especialista defende mudanças nas faculdades de educação

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Mauricio Szabo

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Aug 31, 2011, 3:35:54 PM8/31/11
to Expedito Nunes - UFABC, tas_...@googlegroups.com
Bom, respondendo de novo. O artigo é bom, mas tem uns pontos MUITO falhos:

"Todos os dias formamos professores cujo primeiro contato com os alunos se dá no seu primeiro dia de aula", disse Paula.
Esse não é o principal problema, na minha opinião. O principal problema é que, na maior parte das vezes, o professor não trabalhou NUNCA na área que ensina. A noção do professor, do mestre, historicamente é aquele que tem mais EXPERIÊNCIA. Como esperam que eu respeite um professor de programação que, na vida dele, NUNCA trabalhou numa empresa de programação? Um arquiteto que nunca enfrentou os desafios dos prazos e das exigências de um cliente, e ficou confinado em "mini-universos", em "experimentos em ambientes fechados", num mundo apenas teórico?

"Isso [a prova] é um prêmio para a meritocracia e vai fazer com que o Brasil se misture mais."
Ok, de novo, confunde-se mérito com prova. Sério, eu não entendo mesmo em que mundo essas pessoas vivem. Mérito não se mede por provas-provas medem o conhecimento, e conhecimento é diferente de "saber fazer", é diferente de "saber ensinar", é diferente de "medir inteligência" e MUITO diferente de "medir sabedoria". Provas, se bem feitas, só conseguem medir o "saber aplicar", e eu sei pelas diversas provas que fiz que, na maior parte, provas só medem o "saber decorar".
Agora, pergunta pra qualquer um: você prefere um professor que conheça absolutamente 100% de física mas que não saiba ensinar e seja uma pessoa absolutamente irredutível e impossível de lidar, ou um que conheça, digamos, 50% mas saiba ir atrás, ensinar, pesquisar, e assumir seus erros?

Já nas públicas, a noção de um "processo permanente" de alfabetização acaba prorrogando essa etapa de aprendizagem, segundo Araújo.
Não. O problema das escolas públicas está no fato que é quase impossível reprovar um aluno, ou até mesmo puní-lo. Minha mãe trabalha numa escola pública, e diz que quando um aluno vem para aula sem caderno, sem mochila, sem nenhum material, e fica gritando no meio da aula, colocar ele pra fora da sala é quase  comprar briga com os inspetores de alunos e com a direção da escola.

Aliás, o próprio texto me deu um argumento anti essa "pseudo-meritocracia": se eu não posso reprovar nem punir um aluno, e toda a meritocracia é medida por provas, então vamos lá: o aluno <X> é dedicado aos estudos, um aluno exemplar. O aluno <Y> é bagunceiro e não estuda nada. Pela regra, eu não posso reprovar o aluno <Y>, mas posso dar mérito ao <X> a partir de uma prova. Como eu faço uma prova de comportamento? E se o aluno <Y> simplemente sabe mais português, matemática, sei lá, do que o aluno <X>? Por causa disso, ele é mais digno de mérito? E, mesmo que o aluno <X> vá melhor na prova, ano que vem os dois estarão na mesma classe...


Enfim... quando se trata de educação e ensino, eu sinto que essencialmente, o Brasil só toma as decisões que mais vão dificultar a solução dos já muitos problemas que temos...
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A question that sometimes drives me hazy: am I or are the others crazy?

Any intelligent fool can make things bigger and more complex... It takes a touch of genius - and a lot of courage to move in the opposite direction.
(Albert Einstein)

It seems to me that measuring maturity is a very immature thing to do. Teens talk about their maturity, adults don't.
(Robert Martin)

Apenas peixes mortos nadam a favor da maré (Malcolm Muggeridge)


2011/8/31 Expedito Nunes - UFABC <expedit...@ufabc.edu.br>
Para quem se interessa pelos assuntos da educação.
Os melhores momentos do encontro vão ao ar no domingo (4), na Globo News, às 19h05.

Especialista defende mudanças nas faculdades de educação
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 09:31 hs.

 

31/08/2011 - Incentivar a premiação por mérito, mudar o perfil das faculdades de educação e investir na formação dos professores. Essas foram as principais propostas discutidas na 7ª edição do Fórum Globo News, realizado nesta terça-feira (30), em São Paulo, que teve como tema a educação, políticas educativas e formação para as futuras gerações.

ELTON BEZERRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Falando para uma plateia composta por jornalistas, membros de fundações e ONGs ligadas à educação, a pedagoga Paula Louzano, consultora da Fundação Lemann, disse que o perfil das faculdades de educação deveria mudar para um modelo inspirado nas faculdades de medicina, em que os residentes ficam em contato com os pacientes antes de se tornarem profissionais.

"Todos os dias formamos professores cujo primeiro contato com os alunos se dá no seu primeiro dia de aula", disse Paula.

Para o subsecretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Ricardo Paes de Barros, um dos grandes desafios da educação é como atrair jovens talentosos para a carreira docente. Em sua avaliação, uma das maneiras de tornar a carreira atraente é instituir políticas de mérito.

"Os professores estão dentro de um mundo competitivo. Todas as profissões estão remunerando o mérito. Se os professores não remunerarem o mérito, vão perder os melhores candidatos".

Paes de Barros disse também que é necessário melhorar a formação dos docentes e que o projeto de instituir uma avaliação nacional de docentes vai estimular a concorrência entre professores de diversas partes do país.

"Isso [a prova] é um prêmio para a meritocracia e vai fazer com que o Brasil se misture mais."

EDUCAÇÃO BÁSICA

O sociólogo e cientista político Simon Schwartzman centrou sua análise no ensino médio, etapa de aprendizagem em que se exige uma maratona de estudos, complicada ainda mais, segundo ele, pelas exigências do Enem. "É um dos únicos sistemas do mundo que exige que todo mundo estude tudo de um currículo gigantesco", afirmou.

Já o psicólogo e presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista de Araújo, teceu comentários sobre os processos de alfabetização. Segundo Araújo, há uma forte diferença as escolas públicas e privadas.

"Quando você coloca seu filho na escola [privada], você sabe que ele vai ser alfabetizado no final da primeira série".

Já nas públicas, a noção de um "processo permanente" de alfabetização acaba prorrogando essa etapa de aprendizagem, segundo Araújo.

O debate também contou com a presença do diretor da escola estadual Tomé Francisco da Silva, Ivan José Nunes Francisco. Localizada no interior de Pernambuco, a escola obteve nota 6,5 no último Ideb, acima da média de países desenvolvidos.

Francisco disse que um dos segredos para o sucesso da escola é a realização de avaliações periódicas para assim atacar os pontos fracos.

"Detectamos que áreas estavam mais fragilizadas e começamos a trabalhar com a coordenação pedagógica", disse.

O professor de geografia Luciano Pessanha, da escola estadual Tasso da Silveira, do Realengo, no Rio de Janeiro, contou que medidas foram adotadas pelo colégio após a tragédia ocorrida em 7 de abril, quando o ex-aluno Wellington Menezes invadiu a escola, atirou contra estudantes e matou 12 crianças.

"A escola balançou, foi desafiada, mas está de pé".




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