Aos colegas, companheiras e companheiros da luta politica!
2016 – Ano de eleição para os conselhos de Psicologia!
Psicólogas e Psicólogos como categoria e através de suas entidades representativas, temos nos colocado, ao longo das últimas décadas, como atores políticos e ativos no processo de democratização do nosso país.
Evidenciam este modo de fazer a política os mecanismos e espaços instituídos pelo Cuidar da Profissão nos últimos 20 anos: os Congressos Nacionais da Psicologia – CNP, que são precedidos pelos Congressos Regionais, nas capitais que são antecedidos pelos Eventos Preparatórios nas cidades médias e pelos Pré-Congressos.
Tem sido assim, e a cada três anos, preparando o projeto da nova gestão, as psicólogas e os psicólogos, num exercício de democracia direta, decidem as pautas e as orientações a serem seguidas pelos novos gestores da política da psicologia. Um exercício raro, dissonante e rico que dá o tom da diferença no modo de gerir as questões da profissão. Uma marca produzida que hoje, outras profissões buscam conhecer. Para ser efetivamente democrático, é preciso manter a democracia no interior das instituições de classe.
O fazer da categoria se legitima e consolida como prática importante e necessária em diferentes campos. Legitimidade que hoje se expressa em várias políticas públicas indo da Democratização da Comunicação às políticas para crianças e adolescentes, frente na qual nos colocamos, de forma clara e decidida, contrários à redução da idade penal; inserimos a psicologia na defesa dos Direitos Humanos e inauguramos um espaço dedicado à questão: as Comissões de Direitos Humanos do Sistema Conselho.
As campanhas e prêmios monográficos introduziram no debate com a categoria e a sociedade temas antes invisíveis como o preconceito racial e sua produção de sofrimento, a violação de direitos produzidas em nome do cuidado a portadores de sofrimento mental, usuários de drogas, idosos e adolescentes em cumprimento de medida.
Mas, não é tudo! Cuidamos e fizemos aparecer a incongruência presentes na patologização das manifestações sexuais que não se inscrevem na norma heterossexual; cuidamos em proteger a prática dos psicólogos quando repudiamos o Ato Médico e quando reivindicamos as 30 horas e o estabelecimento de Piso salarial; cuidamos em delimitar a inserção da psicologia no SUAS, como prática necessária ao fortalecimento dos vínculos e superação da vulnerabilidade; cuidamos da psicologia na educação, não para normalizar, mas, ao contrário, para abrir espaço e dar lugar, no contexto da aprendizagem ao singular e a diferença; cuidamos dos loucos – de quem aprendemos a ser parceiros e inauguramos uma política de saúde mental para o Estado brasileiro que repudia a violência e convida à vida e ao exercício da cidadania que é direito também para aqueles que não seguem a bússola da razão; na Reforma Psiquiátrica, soubemos introduzir e inaugurar uma experiência pioneira no mundo: o cuidado aos loucos infratores; cuidamos da política de segurança pública, atuando ao lado dos que militam pelo necessário respeito aos direitos humanos da população carcerária; cuidamos da formação, em parceria com a ABEP fortalecendo sua atuação e inserindo as pautas que a categoria apontava nos congressos, eventos, etc; e com os parceiros dos sindicatos e a FENAPSI cuidamos das questões do emprego, das condições de trabalho dos psicólogos.
Somos referência no debate destas políticas, no ponto em que estas incidem sobre as produções subjetivas e os processos de subjetivação. Tal conquista só adveio por termos compreendido que “engajar-se nas lutas de nosso tempo é garantia de que não [ficarmos] só”. Queremos e trabalhamos para uma psicologia que age sobre o mundo em parceria com outros, que não fala sozinha e apenas para si. Uma profissão que busca seu reconhecimento e legitimidade para seu fazer na construção coletiva e no diálogo com todos.
O Movimento Para Cuidar da Profissão, responsável pela introdução deste modo de fazer da psicologia, se constituiu em 1996 e, desde então, vem formulando propostas que contribuem para que os psicólogos possam sustentar sua presença na sociedade, como sujeitos engajados nas lutas do seu tempo. Sujeitos que não recuam frente aos escuros de sua época.
Estamos em processo eleitoral. Nossas eleições acontecerão entre os dias 24 a 27 de agosto, tanto para os 23 Conselhos Regionais quanto para o Conselho Federal CFP, através da internet, presencial e por correspondência, para quem mora distante das cidades sedes e sub sedes.
Essa mensagem é uma lembrança aos amigos e parceiros da política da psicologia, a quem pedimos o apoio, voto e divulgação, entre os colegas e parceiros de trabalho. Como companheiros de percurso e trabalho, que nos conhecem no dia a dia da luta política, solicitamos seu apoio às chapas do Cuidar da Profissão – Em Minas Gerais chapa 11 e chapa 23 para o Conselho Federal, possibilitando, assim, a continuidade desta construção. Contamos com seu apoio! Um abraço.