Luciane,
Penso que suas angústias são as mesmas da maioria de nós. Eu, pelo menos, assino embaixo de tudo o que você disse.
Para falar a verdade, parece que os gestores do IFSP não fazem a mínima ideia do que significa "educacional" ou "pedagógico". Eles pedem vagas para TAEs em seus setores "de felizes", mas não fazem a menor ideia do que fazemos. Isso é um desrespeito com a Educação.
Creio que falta, e muito, visão pedagógica no IFSP. E arrisco apontar um dos culpados disso: o fato de que nossos gestores não têm sólida formação em Educação (nem o reitor, nem o próxmo reitor, nem os pró-reitores etc. Precisávamos de mais gente com formação - graduação, mestrado, doutorado - na área de Educação/Ensino). Temos um IFSP muito viciado em ranços como... (vou tomar a liberdade de ser franco) ... como demonstra o foco maior sendo dado à formação técnica em detrimento da formação humanística de nossos alunos e como demonstra, também, os enormes privilégios que a área da Mecânica/Automação recebe nessa instituição.
Cheguei ao ponto de ouvir duas coisas de um dos pró-reitores desse IFSP, coisas realmente preocupantes:
1. Que o problema do IFSP é não ter uma área "dona" (nas palavras dele) do instituto, e que essa área deveria ser a Mecânica - isto é, a instituição deveria privilegiar (mais do que já faz!?) a Mecânica;
2. Que aulas de História são bobagem, porque - nas palavras dele - "olhar pelo retrovisor não resolve muito".
Então, nem preciso falar muito. O que se pode esperar de uma instituição que tem, em seu corpo de gestores, gente que pensa assim?
Isso sem falar em tantos outros disparates que ouvimos aqui, coisas como:
- Um aluno que ganha uma bolsa de 100 reais / mês jamais vai poder dizer que não teve oportunidades iguais na vida;
- "Não gosto de gente que filosofa";
- Servidores administrativos não precisam de incentivo à autocapacitação (aquele das 8h da Res. 690), porque fazer pós, mestrado e doutorado é coisa pra docente;
- Precisamos conquistar os administrativos; então, vamos dar as 30h para conquistar votos deles (Sou muito favorável às 30h - que não são nem de longe ilegais, como querem fazer parecer -, mas essa colocação trata-nos como massa de manobra).
Isso e mais um zilhão de outras coisas. Cada uma delas dá "pano pra manga"...
Mas é hora de começarmos a discutir esses assuntos e fazer barulho. Pra começar, temos de largar essa postura de cordeirinhos e não fazer jus à qualificação de que somos massa manipulável.
Abraços!
Leandro Daros Gama
Pró-Reitoria de Ensino
Instituto Federal de Educação, Ciência
e Tecnologia de São Paulo - Brasil