A discussão urge e há muito já deveria ter sido estabelecida amplamente.
Dizem que os casos são muito antigos. Teriam piorado agora?
O legalismo ou, como prefiro chamar, "farisaísmo" institucionalizado é algo duplamente negativo: se, de um lado, investe contra o servidor impondo-lhe uma rotina de máquina e ignorando sua humanidade; de outro passa a dizer que nenhuma reclamação pode ser feita senão nos meios oficiais.
Vejamos, então: qualquer advogado hoje defende que as divergências sejam resolvidas sem apelo ao judiciário. Essa política de "acordos" é muito mais saudável e sobremodo menos onerosa (às pessoas e ao Estado) que o litígio judicial.
Se nos apegarmos a esse legalismo de segunda ordem (que dita ser preciso diretamente um apelo à justiça), como seria a convivência entre os seres humanos? O objetivo da instância jurídica não é esse.
Ora, além disso, é preciso colocar a vítima no seu lugar de vítima
. Se uma pessoa é assaltada e, saindo de uma viela escura, vem pedir ajuda a alguém que passa, que diremos a ela? "Não, não, vá direto à polícia. Não te empresto meu celular para ligar para a PM porque não é esse o procedimento padrão".
Perdoem-me, mas é justamente o legalismo que tem sido usado para embasar o assédio.
Perdoem-me mais ainda, porque perdemos o foco. A questão é de humanidade antes de qualquer coisa.
Humanidade que vejo estar lesada quando alguém, sabendo que outro sofre assédio (sabendo por muitas fontes), permite - antes, solicita - que o agressor continue em sua posição!
Ora, eu jamais aceitaria que um profissional de banho e tosa com histórico de violência estivesse atendendo
um animal. Que dirá aceitar que um violador de direitos (uma pessoa A que já feriu muito a pessoa B) continuasse em posição de ferir a pessoa B.
Isso é desumano. É injustificável. É nojento!
Além de tudo, é covarde, porque aquele que nomeia o agressor como chefe do agredido está em posição confortável e inatingível.
É fácil colocar o pombo na jaula do leão quando você mesmo está
inviolável, do lado de fora, com uma arma na mão.
Ora, eu sinceramente espero, do fundo do meu coração, que haja um pingo de humanidade nos superiores deste instituto, para que não seja necessário apelar à justiça. Se há um pingo de humanidade (e o que nos faz humanos sem dúvida é a empatia, a capacidade de condoer-se no sofrimento do outro, de cerrar os dentes diante de uma agressão, de sentir como que na própria carne os golpes que seu semelhante recebe diante de você), espero que tomem a única decisão cabível nesse caso. Tomem-na, mesmo estando tarde, antes agora que nunca.
Alguém olha para uma cena em que colocam um prego no umbigo duma pessoa ou pra cena de uma navalha cerrando o globo ocular de um ser humano e sente prazer? Infelizmente, alguns sentem: os chamamos sociopatas (vulgarmente, psicopatas).
Como pode alguém ver uma pessoa indefesa clamar por ajuda ao sofrer de uma abominável violência moral, que rui o corpo e a alma, e permanecer inerte - pior, avalizar a agressão? Sim, porque quem nomeia o assassino para ser enfermeiro enche de sangue as próprias mãos.
Não foi uma, nem mesmo foram apenas duas pessoas que avisaram do caso. Mas não se deu qualquer importância, porque o agressor permaneceu em seu lugar.
Eu não peço, eu imploro e apelo para o mínimo de sangue humano que corre nas veias desses superiores: lembrem-se que não somos maquininhas ou robôs. Embora esse IF tenha sido sequestrado pela área de Automação, não chegamos ao ponto de sermos robôs (não todos).
Basta de supor que apenas a eficiência importa (mesmo que fosse isso, esquecem que o ser humano, sob condições ruins, adoece e deixa de trabalhar?). Somos humanos! Se não temos a mínima capacidade de darmos condições dignas de trabalho aos nossos servidores, que hipocrisia será dizer que precisamos de mais funcionários para atender ao público melhor?
Que falácia! Sequer conseguimos atender o publico interno e queremos pousar pompas ao exterior?
Desrespeitam os de dentro e esperam algum reconhecimento dos de fora?
Mas não será assim por muito tempo, será?
A nova gestão prometeu mudanças. A nova gestão está ciente dos casos. A pergunta é: fará alguma coisa ou continuará a justificar os erros injustificáveis? Ora, por favor, não façam mais isso na minha frente! Não poderei conter-me!
Aprendam, duma vez:
1. Um setor não é somente uma pessoa (mesmo que seja o chefe) - então, se você se refere ao setor que chefia usando a palavra "eu", cuidado, pode ser caso de desvio de personalidade. Saiba a diferença entre equipe e euquipe;
2. Isso é uma instituição que, pela Constituição e pela LDB, tem de ser democrática. Gostem ou não, terão de ouvir seus subalternos. Gostem ou não, eles podem ser mais competentes que o chefe no entendimento dalgum assunto (Sim, temos bons servidores, com ótima formação. A pró-reitoria de Ensino está cheia de pedagogos e pessoas com alta formação em Educação - Elas não deixam de merecer respeito e não deixam de ser especialistas em suas áreas de formação por não terem um cargo de direção ou por não terem dado apoio em campanha eleitoral, afinal, não é uma canetada do reitor que delega real competência a alguém - Nós devíamos saber que formação e conhecimento são dados por estudo e não por Portaria).
3. Os superiores devem satisfação sim de tudo quanto fazem. Isto é dinheiro público. Não é particular. Se a transparência vale para o público externo, também vale para nós (porque não deixamos de ser do povo brasileiro quando ingressamos na carreira pública);
4. Quando você nomeia alguém para cargo de chefia, não está assinando somente um atestado de eficiência ou competência dela: está dando a essa pessoa o poder de infernizar a vida de outra, o poder de causar doenças em outras, o poder de tirar a vontade de viver dessas outras;
5. O IF é nosso local de trabalho. Se ele se tornar sua casa ou se ele substituir a sua família, recomendo que procure ajuda profissional. Mas, acima de tudo: não espere que seus subordinados sejam puxados para esse mesmo fundo de poço que você;
6. Uma pessoa pode perder seu respeito, sua posição e até sua dignidade. Mas quando chega a perder sua humanidade, nem mesmo a chamaremos "pessoa". Isso acontece com quem violenta e permite violentar. Repito: o que permite o mal é tão culpado quanto o que o causa.
Meu colega é meu amigo: mexeu com ele, mexeu comigo.
Estamos vigiando de perto...