Pessoal,
achei esta notícia legal, para o que se interessarem.
Abraços.
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O link:
http://olhardigital.uol.com.br/produtos/digital_news/noticias/deep-web-saiba-o-que-acontece-na-parte-obscura-da-internet
Deep web: saiba o que acontece na
parte obscura da internet
Descubra como chegar lá, quais cuidados tomar e o que há
de bom e ruim neste ambiente |
| 06 de Dezembro de 2012 |
07:30h |
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Sempre que perguntamos a
vocês sobre o que gostariam de ler aqui noOlhar Digital, boa parte diz se
interessar por um assunto bem escabroso, que costuma ser evitado
devido ao que vem acompanhado dele. É a chamada "deep web", a
camada da internet que não pode ser acessada através de uma
simples "googlada". Pois nós resolvemos fuçar lá para entender
melhor esse universo e informá-los sobre o que é, o que tem de bom
e, também, o que tem de ruim.
Quando se diz que na
internet é possível aprender como construir bombas, comprar drogas
e documentos falsificados, entre outras coisas, geralmente é sobre
a deep web que estão falando; assim como é lá também que surgem
organizações como Wikileaks e Anonymous, e são essas pessoas que
discutem a web como um organismo livre e democrático. Portanto, é
uma via de duas mãos, em que a todo momento você pode tropeçar
numa pedrinha e cair do lado contrário.
A deep web é considerada
a camada real da rede mundial de computadores, comumente explicada
em analogia a um iceberg: a internet indexada, que pode ser
encontrada pelos sistemas de busca, seria apenas a ponta
superficial, a "surface web". Todo o resto é a deep web - não à
toa o nome que, em inglês, significa algo como rede profunda.
"Essa parte de baixo do iceberg existe por causa das deficiências
da parte de cima, por causa do uso comercial excessivo da parte de
cima. As pessoas se cansam", diz Jaime Orts Y Lugo, presidente da
Issa (Associação de Segurança em Sistemas da Informação). Tem quem
diga que a camada inferior é 5 mil vezes maior que a superior, mas
não há consenso e uma corrente acredita justamente no contrário.
O que é?
Em grande parte, a deep
web existe, assim como a própria internet, graças à força militar
dos Estados Unidos. Neste caso, graças ao Laboratório de Pesquisas
da Marinha do país, que desenvolveu o The Onion Routing para
tratar de propostas de pesquisa, design e análise de sistemas
anônimos de comunicação. A segunda geração desse projeto foi
liberada para uso não-governamental, apelidada de TOR e, desde
então, vem evoluindo... Em 2006, TOR deixou de ser um acrônimo de
The Onion Router para se transformar em ONG, a Tor Project, uma
rede de túneis escondidos na internet em que todos ficam quase
invisíveis. Onion, em inglês, significa cebola, e é bem isso que a
rede parece, porque às vezes é necessário atravessar várias
camadas para se chegar ao conteúdo desejado.
Grupos pró-liberdade de
expressão são os maiores defensores do Tor, já que pela rede Onion
é possível conversar anonimamente e, teoricamente, sem ser
interceptado, dando voz a todos, passando por quem luta contra
regimes ditatoriais, empregados insatisfeitos, vítimas que queiram
denunciar seus algozes... todos. A ONG já teve apoio da Electronic
Frontier Foundation, da Human Rights Watch e até da National
Christian Foundation, mas também recebeu dinheiro de empresas,
como o Google, e de órgãos oficiais - o governo dos EUA, aliás, é
um dos principais investidores.
Ao acessar um site
normalmente, seu computador se conecta a um servidor que consegue
identificar o IP; com o Tor isso não acontece, pois, antes que sua
requisição chegue ao servidor, entra em cena uma rede anônima de
computadores que fazem pontes criptografadas até o site desejado.
Por isso, é possível identificar o IP que chegou ao destinatário,
mas não a máquina anterior, nem a anterior, nem a anterior etc.
Chegar no usuário, então, é praticamente impossível.
Também há serviços de
hospedagem e armazenagem invisívieis. Assim, o dono da página está
seguro se não quiser ser encontrado.
Como chegar lá?
No site Tor Project você
encontra ferramentas pelas quais qualquer é possível ter contato
com a rede Onion, inclusive um compilado de produtos que inclui a
versão portátil do Fiferox já configurada para o acesso anônimo e
que sequer exige instalação (clique aqui para baixar o pacote). Tanta preocupação com segurança faz com que a navegação
seja muito lenta; nós conversamos com um programador que usa a
rede e ele explicou que isso ocorre principalmente por conta da
triangulação do acesso. "Às vezes ele manda um request para um
desvio em outro país e redireciona para o site", disse.
É preciso cautela para
se aventurar nesse mundo. Em primeiro lugar, tenha em mente que os
principais caminhos estão em inglês, e é essencial compreender
exatamente o que está escrito antes de clicar num link. Além
disso, a deep web é feia, porque ninguém ali está preocupado com o
layout, então o inglês é duas vezes mais importante, já que não há
imagens que te levem a entender o contexto. É tudo bem direto.
O programador nos
alertou que alguns dos vírus mais arrojados são testados na deep
web, portanto, antivírus e firewall têm de ser bons e estar
atualizados. Aqui na redação nós usamos um netbook ligado a um
modem 3G para poupar a nossa rede de eventuais problemas; se você
não tiver como fazer isso, a dica é criar uma máquina virtual. Há,
inclusive, uma versão do Linux, a "Tails", feita especificamente
para esse tipo de coisa. As operações financeiras por lá não são
feitas com dinheiro ou cartão de crédito; a maioria dos sites nem
aceita opções como PayPal, é tudo em Bitcoin.
E há ainda um outro
detalhe. O endereço do que talvez seja o principal site por lá é
kpvz7ki2v5agwt35.onion/wiki/index.php/Main_Page e não adianta
tentar acessá-lo pelo navegador convencional, ele precisa ter uma
configuração específica (como a do Tor) para que o link abra.
Trata-se da Hidden Wikki, uma espécie de indicador de sites com
cara de Wikipédia que te ajuda a navegar por tema. As URLs são
decodificadas dessa maneira e algumas páginas mudam constantemente
para não serem achadas, enquanto outras dependem de informações
específicas para se modificar e, assim, conceder acesso ao que
realmente importa ali.
A maioria dos sites tem
o .onion no meio por conta do Tor, mas há scripts que configuram o
navegador para que ele abra outras extensões, afinal, essa não é a
única forma de driblar o monitoramento da surface web. No ano
passado, por exemplo, quatro pesquisadores das universidades de
Michigan e Waterloo criaram o Telex, que permite acesso a páginas
bloqueadas, embora a tecnologia dependa de aprovação do governo ou
provedor para funcionar. Outra alternativa é a Freenet, uma
plataforma pela qual se pode compartilhar arquivos, navegar e
publicar "freesites" - estes, assim como os .onion, só são
acessíveis com o programa específico.
Uma vez na deep web,
basta caçar conteúdo. Tem de tudo ali e nós, como dito lá no
começo do texto, fomos do bom ao ruim para informá-los. A próxima
reportagem da série trará a parte legal e, na sequência,
mostraremos o que há de preocupante nesse pedaço quase invisível
da internet. Acompanhe conosco, se tiver curiosidade.
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Messias R. Batista
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Mestre em Relações Internacionais, Universidade Estadual da Paraíba
Cientista Social, Universidade Federal da Paraíba
Graduando em Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Faculdade Projeção
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