Pregando Cristo A Partir De Daniel Pdf

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Tijuana Strauhal

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Aug 3, 2024, 5:33:57 PM8/3/24
to sysdensmeswie

Em contraste com a dificuldade de discernir as principais unidades literrias em um livro como Eclesiastes, fcil detectar as unidades textuais em Daniel. Daniel 1.1 comea com um marco cronolgico: No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Jud, veio Nabucodonosor, rei da Babilnia, a Jerusalm e a sitiou. O versculo 21 conclui a unidade com outro marco cronolgico: Daniel continuou at ao primeiro ano do rei Ciro. Daniel 2.1 comea uma nova unidade literria com outro marco cronolgico: No segundo ano do reinado de Nabucodonosor, teve este um sonho. O texto de pregao, portanto, Daniel 1.1-21.

O narrador usa hiprbole quando escreve que o rei achou Daniel e seus amigos dez vezes mais doutos do que todos os magos e encantadores que havia em todo o seu reino (v. 20). Uma vez que dez o nmero da plenitude, eles eram muito superiores (cf. os sete vezes mais em 3.19). As principais caractersticas literrias que vamos explorar a fim de entender melhor essa narrativa e seu tema so a estrutura da narrativa, o enredo, a descrio do personagem e a repetio.

Para compreender a narrativa, captar seu ponto principal (tema) e recontar a histria no sermo, crucial discernir o enredo. O panorama literrio desta narrativa que o Senhor entrega Jeoaquim, rei de Jud, nas mos de Nabucodonosor e permite que este leve alguns dos vasos da casa de Deus para a Babilnia (v. 1-2). Os incidentes preliminares so a ordem do rei para trazer alguns jovens brilhantes para a Babilnia para a reeducao e eventual servio no palcio do rei. O rei designa-lhes pores dirias de raes reais de alimento e vinho. Daniel e seus trs amigos esto entre os moos. O chefe dos eunucos do palcio substitui seus nomes hebraicos por nomes babilnicos (v. 3-7).

A tenso comea a se dissipar quando, aps os 10 dias, Daniel e seus amigos mostram aparncia melhor e mais robusta do que os outros jovens, e o guarda continua a reter suas raes reais e vinho (v.15-16). A tenso se dissolve ainda mais quando o narrador relata que, alm do bem-estar fsico, Deus d a estes quatro jovens conhecimento, inteligncia e sabedoria (v. 17). A tenso totalmente dissolvida quando, ao final de trs anos, o rei examina todos os jovens, conclui que Daniel e seus amigos so muito superiores e os instala em sua corte (v. 18-19).

O desfecho que o rei acha Daniel e seus amigos dez vezes mais doutos do que todos os magos e encantadores que havia em todo o seu reino (v. 20). A narrativa termina com a informao de que Daniel continua na corte do rei, sobrevivendo a todos os reis da Babilnia, at o primeiro ano de Ciro, rei da Prsia (v. 21).

O narrador relata esta histria na terceira pessoa. Ele descreve Daniel e seus amigos como filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, jovens sem nenhum defeito, de boa aparncia, instrudos em toda a sabedoria, doutos em cincia, versados no conhecimento e que fossem competentes para assistirem no palcio do rei (v. 3-4). Todos os quatro so filhos de Jud (v. 6). Aps o teste de dez dias, a aparncia deles era melhor e estavam mais robustos do que os outros homens jovens (v. 15). Alm disso, Deus lhes deu o conhecimento e a inteligncia em toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligncia de todas as vises e sonhos (v. 17). Em toda matria de sabedoria e de inteligncia, o rei os achou dez vezes mais doutos do que os outros homens sbios (v. 20). O carter de Daniel ainda mais desenvolvido por suas aes: ele mostra sua coragem e sua fidelidade lei de Deus por meio da resoluo de no contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho (v. 8).

O narrador descreve o chefe dos servios do palcio como tendo misericrdia e compreenso para com Daniel (v. 9) e medo do rei (v. 10). Sua recusa em atender ao pedido de Daniel de receber alimento kosher confirma o medo que o mestre do palcio tinha do rei (v. 10). A descrio que o narrador faz de Deus, discutiremos na Interpretao teocntrica, abaixo.

Trs vezes o narrador menciona que o teste com legumes e gua era de 10 dias (v. 12, 14, 15), destacando que a natureza miraculosa da aparncia de Daniel e seus amigos era melhor do que a dos outros, depois de apenas 10 dias. Especialmente digno de nota que o narrador repete trs vezes que o Senhor/Deus deu (nātan; v. 2,9,17; veja Interpretao teocntrica, abaixo).

Outro olhar sobre o enredo vai ajudar-nos a discernir o tema desta histria especfica. Como Deus permitiu a Nabucodonosor dominar Israel (Jud), Daniel e seus amigos so levados para a Babilnia para serem reeducados, a fim de servir na corte do rei. Mas Daniel se recusa a se contaminar com a comida real; ele obedece ao seu Deus, em vez de um rei humano. Deus d a Daniel o favor do chefe dos eunucos do palcio para que haja um modo de Daniel e seus amigos no se contaminarem. Deus tambm lhes d conhecimento, habilidade e sabedoria para que o rei os selecione para o servio em sua corte. Um tema textualmente especfico pode ser formulado da seguinte forma:

Nesta seo, vamos estudar as formas possveis de nos movermos no sermo desta narrativa do Antigo Testamento para Jesus Cristo, no Novo Testamento. Normalmente a melhor maneira de fazer isso estender o tema textual a Jesus Cristo. Como no h nenhuma promessa da vinda do Messias neste captulo, nem um grande contraste com o Novo Testamento, vamos explorar sucessivamente as cinco maneiras restantes para avanar at Cristo: progresso histrico-redentiva, tipologia, analogia, temas longitudinais e referncias do Novo Testamento.

A progresso histrico-redentiva oferece um caminho direto at Jesus no Novo Testamento. Daniel 1 enfatiza que Deus deu/entregou: O Senhor lhe entregou nas mos [de Nabucodonosor] a Jeoaquim, rei de Jud (v. 2). Mas, mesmo quando o seu povo est no exlio, Deus continua envolvido com ele: Deus deu a Daniel o favor do chefe dos eunucos do palcio (v. 9) e Deus deu o conhecimento e a inteligncia (v. 17). Deus guia, protege e salva o seu povo, entrando na histria humana e dando-lhes o que eles precisam, mesmo quando esto no exlio.

Na plenitude dos tempos, Deus deu a ddiva mais preciosa de todas: Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unignito, para que todo o que nele cr no perea, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). Mateus 1 destaca esta progresso na histria da redeno, descrevendo catorze geraes desde Abrao at Davi (quatorze o nmero hebraico do nome Davi), catorze de Davi at o exlio, e catorze do exlio a Jesus Cristo: De sorte que todas as geraes, desde Abrao at Davi, so catorze; desde Davi at ao exlio na Babilnia, catorze; e desde o exlio na Babilnia at Cristo, catorze (Mt 1.17). Jesus outro rei Davi. Ele o Rei Messias que nasceu para salvar o povo de Deus do exlio no mundo e restaur-lo Terra Prometida. Em sua orao sacerdotal, Jesus disse ao Pai: Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles no so do mundo, como tambm eu no sou... Eles no so do mundo, como tambm eu no sou (Jo 17.14,16).

Hoje o povo de Deus na terra ainda vive no exlio, a leste do den. Podemos nos intitular cidados de um determinado pas, mas, na verdade, Paulo diz: A nossa ptria est nos cus, de onde tambm aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Fp 3.20; cf. 1Pe 1.1; Tg 1.1). Jesus voltar e nos levar do exlio neste mundo mal e pecaminoso para a Terra Prometida, ou seja, o perfeito reino de Deus na Terra.

A tipologia tambm fornece uma maneira de pregar a Cristo porque Daniel prefigura ( um tipo de) Jesus Cristo. Observe as seguintes analogias, bem como gradaes entre Daniel e Jesus: Como o Senhor soberano permitiu a Daniel ser levado da Terra Prometida e ir para o exlio na Babilnia pecaminosa, tambm Deus, o Pai, enviou o seu Filho nico do cu a este mundo pecaminoso (Jo 3.16). Como Daniel foi um verdadeiro israelita, tambm Jesus foi um verdadeiro israelita, o prprio Filho de Deus. Daniel na Babilnia foi obediente a Deus em relao comida e bebida; Jesus foi obediente a Deus em todas as coisas. Deus deu a Daniel sabedoria e habilidade; Deus deu sabedoria e habilidade a Jesus (Todos os que o ouviam muito se admiravam da sua inteligncia e das suas respostas [Lc 2.47]). Deus guiou Daniel a um lugar de grande autoridade na Babilnia; Deus guiou o seu Filho Jesus para um lugar de maior autoridade ainda: Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que est acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho... e toda lngua confesse que Jesus Cristo Senhor, para glria de Deus Pai (Fp 2.9-11).

A analogia fornece outro caminho para Jesus no Novo Testamento. Podemos fazer uma analogia entre a mensagem de Daniel para Israel no exlio e a mensagem de Pedro aos cristos no exlio: Aos eleitos que so forasteiros da Disperso... segundo a prescincia de Deus Pai, em santificao do Esprito, para a obedincia e a asperso do sangue de Jesus Cristo (1Pe 1.1-2).

Podemos tambm traar a analogia a partir do objetivo do autor: como Daniel 1 conforta o povo de Deus com a mensagem de que o Senhor soberano vai guiar o seu povo, mesmo no exlio, tambm Jesus conforta seus seguidores: No temais, pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino (Lc 12.32).

Pode-se tambm traar o tema do soberano Deus guiando seu povo do Antigo para o Novo Testamento. Pode-se comear com Abrao, a quem Deus tirou de Ur dos caldeus (Gn 11.31), terra que veio a ser a Babilnia mais tarde, para a Terra Prometida; depois, passar para Jac, que Deus levou da Terra Prometida para Pad-Ar (tambm na Babilnia mais tarde) e de volta para a Terra Prometida; em seguida, passar a Jos, que, como Daniel, foi forado ao exlio, mas a quem Deus tambm deu grande sabedoria e poder de interpretar os sonhos para que ele se tornasse o segundo no poder depois de Fara e, assim, fosse capaz de salvar o povo de Deus da fome. Jos morreu no Egito, mas instruiu os israelitas a enterr-lo na Terra Prometida: Certamente Deus vos visitar, e fareis transportar os meus ossos daqui (Gn 50.25). Anos mais tarde, Deus libertou Israel do exlio no Egito, e os israelitas levaram o corpo de Jos com eles para enterr-lo na Terra Prometida (x 13.19; Js 24.32). Deus guiou o seu povo durante o perodo dos juzes, dos reis, do exlio e o retorno de um remanescente, at a vinda de Cristo. Quando Jesus completou seu trabalho na terra e estabeleceu sua igreja, ele prometeu guiar sua igreja: Eis que estou convosco todos os dias at consumao do sculo (Mt 28.20).

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